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Capítulo 6 - Recomeçando

Um conto erótico de Leandro Gomes
Categoria: Gay
Contém 511 palavras
Data: 22/09/2026 22:26:24

A Padaria Boca do Forno reabriu duas semanas depois do flagrante. Não era a mesma de antes. Estava mais enxuta, com cardápio reduzido e só uma funcionária no balcão e outro padeiro auxiliar. Mas funcionava. O cheiro de pão fresco voltou a sair pela porta todas as manhãs. Os primeiros clientes antigos reapareceram e aos poucos, novos clientes curiosos apareciam. Danilo acordava cedo, abria as portas, conferia o forno e trabalhava até o corpo doer. Finalmente, depois de muito tempo, o dinheiro que entrava era mais do que o que saía.

Três semanas depois do flagrante, Camila pediu o divórcio. Danilo insistiu. Mandou mensagens, pediu perdão, ligou, apareceu na frente da loja de cosméticos, esperou na porta do apartamento. Pediu para conversar. Pediu uma chance. Ela ouviu uma vez, calada, e depois simplesmente parou de atender. A separação foi formal, rápida e sem gritaria. Ele tirou as coisas que ainda restavam, assinou o que precisava assinar e saiu. O silêncio dela doía mais do que qualquer xingamento.

Pedro o procurou uma tarde, semanas depois. Apareceu na padaria depois do movimento, quando Danilo estava sozinho fechando o caixa. O loiro estava diferente — sem o sorriso fácil, os olhos mais cansados, a voz baixa. Pediu para conversar. Foram para o escritório, o mesmo cômodo onde tudo tinha acontecido. Pedro falou sem rodeios, mas com um peso que Danilo nunca tinha visto nele.

Disse que o que sentia não era só tesão. Disse que gostava dele de verdade, que tinha gostado desde os tempos da empresa de logística, e que o dinheiro nunca tinha sido só uma desculpa. Que se sentia culpado por ter usado a dívida. Que queria mais do que encontros trocados por dinheiro. Que estava disposto a esperar, se fosse o caso.

Danilo ouviu em silêncio, o corpo cada vez mais tenso. A conversa mexeu em tudo ao mesmo tempo: a raiva de ter sido empurrado, a sensação de ter sido usado, a perda da amizade, a culpa por ter cedido por dinheiro e, pior, a confusão por ter gostado. Quando Pedro deu um passo à frente, a tensão estourou.

— Você não tem o direito de chegar agora e falar de sentimento — a voz de Danilo saiu rouca, baixa. — Você me usou. Usou o dinheiro. Usou o desespero.

— Me perdoa, cara, mas pra mim você estava gostando — respondeu Pedro, sem subir o tom. — A gente sabe disso.

Uma raiva súbita tomou conta de Danilo e, sem pensar, ele deu o primeiro empurrão. Pedro esbarrou na mesa e depois revidou, empurrando Danilo de volta. Em segundos os dois estavam no chão, se batendo com muita raiva. Não era só violência. Era tudo que não tinham conseguido dizer: a amizade quebrada, o desejo que nenhum dos dois controlou, a vergonha, o medo de ter se perdido. Enquanto se engalfinhavam no chão, Danilo alcançou um vaso de planta e armou para acertar a cabeça do amigo...

Pedro apenas fechou os olhos, esperando o golpe que não tinha como se defender...

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Comentários

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Leandro, quero logo flagrar o que a esposa flagrou! Hehehe

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