O tempo se arrastava na escuridão. Laura tremia sobre o lençol encharcado, o frio da umidade subindo pelas costas, pelas nádegas, pelas coxas. Os espasmos não paravam, a vagina ainda pulsava em contrações fracas, involuntárias, cada uma arrancando um gemido abafado contra a bola de borracha que lhe enchia a boca. Baba escorria pelo canto dos lábios, descendo pelo queixo, pingando no travesseiro.
Debaixo da porta, o som entrava como um inseto persistente. Ping. Ping. Ping. Cada notificação era uma agulhada no peito, a lembrança de que seu corpo estava lá fora, exposto, para sempre. Ela fechou os olhos inchados, mas o som não parava. A mordaça a impedia de soluçar, transformava o choro num grunhido úmido e patético.
As horas passaram assim, entre tremores, espasmos e o ping incessante. Quando a primeira luz cinzenta da manhã riscou o vão sob a porta, Laura já não sentia as mãos. Os passos pesados no corredor fizeram seu coração disparar.
A porta se abriu. Marcos entrou com o celular na mão, a tela iluminando seu rosto enquanto as notificações ainda pipocavam, ping, ping, ping. Ele guardou o aparelho no bolso sem desviar os olhos de Laura. Ajoelhou-se ao lado da cama e seus dedos encontraram a fivela da mordaça. Destravou-a com um estalo seco e puxou a bola de borracha para fora. Laura tossiu, engasgou com a própria saliva, um fio grosso de baba escorrendo do canto da boca até o queixo.
Ele nem esperou que ela recuperasse o fôlego. Uma faca reluziu na penumbra e as cordas cederam nos pulsos e tornozelos. A mão dele fechou nos cabelos dela, puxando-a para fora da cama. Laura tropeçou descalça pelo corredor, os pés nus e doloridos batendo no piso frio, as pernas bambas. Marcos a arrastou até a cozinha e a empurrou para o chão. Seus joelhos bateram no granito frio.
O impacto dos joelhos contra o granito arrancou um gemido rouco de Laura. Marcos não lhe deu tempo para se recompor, agarrou seus tornozelos, ainda marcados pelas cordas, e a virou de barriga para baixo com um puxão seco. O peito e as bochechas dela bateram no piso gelado, o choque térmico arrancando um arquejo. Ele prendeu os tornozelos dela sob os próprios joelhos, imobilizando-a contra o chão.
A primeira passada da escova de cerdas duras na sola do pé direito fez Laura berrar. As cerdas ásperas arranharam a pele vermelha e sensível, e o riso explodiu dela, involuntário, descontrolado, histérico. Ela se contorceu, tentou puxar os pés, mas Marcos apertou os joelhos contra os tornozelos dela e continuou esfregando. As cerdas subiram do calcanhar até a base dos dedos, e Laura ria e chorava ao mesmo tempo, lágrimas quentes escorrendo pelo rosto e pingando no granito.
— Para! Para, por favor!
Marcos ignorou. Largou a escova e pegou o raspador de metal. O frio da lâmina fina deslizou entre os dedos do pé esquerdo dela, e Laura soltou um grito quebrado. A sensação era insuportável, o metal raspando a pele fina entre os dedos, a ameaça silenciosa de corte, a vulnerabilidade absoluta. Ela esperneou, mas os joelhos dele eram uma prensa.
Então o raspador caiu no chão com um tilintar metálico. Marcos ergueu o pé direito dela e Laura sentiu a língua quente deslizar do calcanhar até a curva do arco. Ele lambeu com força, a saliva escorrendo entre os dedos dela, e chupou cada um deles, o mindinho, o anelar, o médio, com estalos úmidos que ecoavam na cozinha silenciosa. A boca dele era quente, a língua áspera, e Laura gemeu contra sua vontade.
Dois dedos dele enfiaram na boceta dela por trás. Fundo. Sem aviso. Ele os curvou e começou a foder com força, o vai-e-vem brutal fazendo o corpo dela deslizar no granito. A língua dele ainda lambia a sola do pé, e os dedos dentro dela batiam num ritmo implacável. Laura riu, chorou, gemeu, os três sons se fundiram num só, patético e obsceno.
O orgasmo veio em espasmos. Ela gozou no chão frio, o líquido jorrando pelas coxas e poçando sob sua barriga. O gemido que soltou foi rouco, involuntário, uma mistura de prazer e desespero que ela não conseguia conter.
— Diz o que você é, a voz de Marcos, baixa e controlada, cortou o silêncio.
Laura tremeu, o rosto colado no granito molhado de seu próprio gozo.
— Sua escrava, murmurou, a voz um fio quebrado. — Eu sou sua escrava.
Ele ainda lambia seus dedos, e ela jazia ofegante e quebrada no chão da cozinha, repetindo as palavras como uma reza.
Marcos se levantou devagar, os joelhos estalando no silêncio da cozinha. Lambeu os lábios, ainda brilhantes da saliva que deixara nas solas dela, e apontou para a poça leitosa que se espalhava no granito.
— Limpa.
Laura não hesitou. Rastejou sobre os joelhos esfolados até a mancha do próprio gozo, as mãos tremendo enquanto as espalmava no piso frio. O líquido viscoso escorreu entre seus dedos, morno e espesso, e ela esfregou o granito em movimentos circulares, recolhendo cada vestígio de sua humilhação. A garganta rouca ardeu quando engoliu em seco, a voz quebrada que restava implorando silenciosamente por obediência.
Marcos recostou-se no balcão, os braços cruzados, o sorriso mínimo de quem não precisava mais de cordas. Observou cada movimento, cada tremor dos ombros dela, cada respiração entrecortada.
O silêncio da casa se instalou. Não havia mais pings, mais notificações, mais nada além do som úmido das mãos de Laura esfregando o próprio chorrimento no chão.
Ela permaneceu de joelhos no piso frio de granito, as mãos sujas de si mesma, esperando a próxima ordem.