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Quando o amor incomoda - 67

Um conto erótico de Mrpr2
Categoria: Gay
Contém 1457 palavras
Data: 19/08/2026 21:58:30

O telefone vibrou no bolso da calça de Eulália no exato instante em que o corredor do hospital parecia mais frio. As luzes fluorescentes piscavam de forma irregular, projetando sombras longas e distorcidas nas paredes esverdeadas. O cheiro de álcool e desinfetante misturava-se ao aroma metálico do sangue que ainda impregnava o ar da emergência. Ela atendeu com a voz baixa, quase um sussurro.

— Alguma notícia do seu irmão?

Do outro lado da linha, a respiração de Gurizão era pesada. Ele estava parado na calçada estreita em frente ao bar do Tonho, o vento da mãe trazia o barulho das folhas secas quebrando o silêncio que pesava.

— Descobri que o Luiz não foi viajar com o Luigi. Viram ele bebendo com o Eduardo. Estou no bar do Tonho e ele confirmou. Disse que os dois tomaram uma cerveja, conversaram e foram embora de boa, sem briga, sem confusão. Mas a senhora não acha estranho isso?

Eulália apertou o telefone com força. Os dedos tremeram. Ela já sabia. Aquele moleque de olhar duro carregava algo podre por baixo da pele.

— Eu sabia que aquele moleque estava envolvido nisso… mas para onde ele levou meu filho?

— Descobri que a igreja que o Eduardo está frequentando é uma seita anti-gay. Provavelmente ele o levou pra lá. Tenho o endereço. Vou lá investigar.

— Sozinho não. Eu vou com você.

— A senhora está trabalhando, mãe. E eu não vou sozinho. Vou com o Gustavo.

Eulália riu, um som seco, sem humor. O cansaço nos olhos era tão profundo que parecia ter envelhecido dez anos em uma noite.

— Não quero você envolvido com esse aí, foi por causa dele que seu irmão sumiu. Acha mesmo que estou com cabeça para trabalhar, garoto?

Houve um silêncio. Depois, a voz de Gurizão baixou ainda mais.

_ Mãe para de implicância com o Gustavo ele é gente boa, o Eduardo que é um psicopata preconceituoso, mas mudando de assunto… Mãe… a Marilda está por aí?

Eulália olhou para o lado. No banco de espera, Marilda estava sentada, coberta por um cobertor fino. O rosto esfolado, os braços cheios de arranhões recentes, os olhos vermelhos e vazios. Mas havia algo no jeito como evitava o olhar de todo mundo.

— Sim. Apareceu de madrugada, toda esfolada. Disse que foi assalto, mas… Felipe Luiz, você está envolvido com isso?

— Eu? Eu não, mãe. Só fiquei sabendo por alto. E ela é minha patroa, né.

— Sei… e ficou sabendo que o seu patrão morreu?

O silêncio do outro lado da linha foi absoluto. Gurizão sentiu o sangue gelar.

— Quem? O seu Rogério? Como assim morreu? Morreu de que?

— Não sei os detalhes ainda. Mas os bombeiros acabaram de trazer o corpo.

— Bombeiros? Teve algum incêndio? Passei perto da loja e lá não foi…

— Não. Parece que tiraram ele do rio… Filho, preciso desligar agora. Não vai sozinho. Fiz um boletim online de desaparecimento do seu irmão. Talvez a polícia, com suas informações, te acompanhe até esse lugar. Me dê notícias.

Longe dali, sob o céu pesado nuvens escuras e relâmpagos cortando o ceu da fazenda, os rapazes trabalhavam em silêncio. A terra vermelha grudava nas botas. O cheiro de esterco e grama cortada misturava-se ao suor. O pastor Ubirajara observava tudo do alto da varanda de madeira, as mãos cruzadas atrás das costas, o olhar frio como a lâmina de uma faca.

Um dos homens se aproximou, voz baixa.

— Pastor… o irmão Rodrigues, da polícia de Serra Verde, disse que chegou uma denúncia de desaparecimento do novato.

Ubirajara não virou o rosto. Continuou observando os corpos curvados no campo.

— Algum detalhe? Informação relevante?

— Não. Foi feito online pela mãe. Há menção de suspeitas sobre o Eduardo, mas nada que o ligue ao desaparecimento.

— Ok. Obrigado. Que a luz o guie.

Assim que o homem se afastou, Ubirajara tirou o celular do bolso e discou. A voz saiu baixa, controlada, mas carregada de uma ameaça velada.

Eduardo atendeu no meio da praça, ainda ofegante da corrida. A academia o havia suspenso. A cidade parecia pequena demais para esconder o que ele carregava no peito.

— Fique longe da igreja por enquanto — ordenou Ubirajara. — Tem um B.O. e você é suspeito, fique aí e disfarça na cidade.

Eduardo tentou contestar. A voz saiu rouca.

— Pastor, mas eu quero…

Ubirajara foi certeiro com as palavras o que fez Eduardo recuar e acatar o conselho.

Mais tarde, na casa dos pais, a tensão explodiu. Gustavo estava de pé na sala estreita, o rosto vermelho, as mãos fechadas em punhos. Eduardo, encostado na parede, respirava fundo, tentando manter a calma.

— Você estava com ele no bar e mentiu.

Acusou Gustavo, a voz tremendo de raiva contida.

— Eu sei. Você tem algo a ver com o desaparecimento do meu namorado.

Eduardo ergueu o queixo.

— Menti, menti mesmo pra quela velha, encontrei com o Luiz Felipe, conversamos. Tomamos uma cerveja. Nada mais.

— Mentira.

— Estou tentando ser uma pessoa melhor. A igreja Nova Palavra está me ajudando nisso.

Gustavo deu um passo à frente, o olhar ardendo.

— Eu sei o que é aquela seita. Homofóbica, preconceituosa, acha que isso é ser melhor?

— Não é nada disso!

Contesta Eduardo. Mirian entrou no meio dos dois, as mãos erguidas, a voz quebrada de cansaço e medo.

— Basta. Os dois. Agora.

Gustavo recuou, ainda ofegante.

— Eu vou trabalhar.

A porta bateu atrás dele com um estrondo seco.

Na fazenda, o sol já baixava, tingindo o horizonte de um vermelho sujo. O ar estava quente, pesado de poeira e suor. Os dois rapazes trocaram um olhar rápido no meio do trabalho. Um aceno quase imperceptível de cabeça. O outro compreendeu.

Um a um, eles se afastaram, fingindo ir buscar água. O banheiro de madeira era pequeno, úmido, cheirando a mofo e terra. A porta rangia. Lá dentro, a luz fraca de uma lâmpada suja mal iluminava as paredes descascadas.

No segundo em que a porta se fechou, o primeiro empurrou o segundo contra a parede. A boca encontrou a boca com urgência, língua quente, dentes arranhando. As mãos sujas de terra e suor desceram, abrindo o zíper da calça com pressa. O cheiro de corpo suado, de trabalho, de dor nos músculos e nos machucados recentes só aumentava o tesão.

— Rápido — sussurrou um, a voz rouca de medo e desejo.

O outro ajoelhou. A boca envolveu o pau já duro, engolindo fundo, a língua pressionando a veia latejante enquanto a mão apertava a base. O gemido abafado ecoou baixo. Dedos se enroscaram no cabelo suado. A boca subia e descia com fome, saliva escorrendo pelo queixo, o sabor de suor e pré-gozo misturados.

Depois, o que estava de pé o virou de costas, puxando a calça até as coxas. Cuspiu na própria mão, passou os dedos entre as nádegas, abrindo, preparando. Empurrou o pau grosso de uma vez, fundo, sem cerimônia. O outro mordeu o próprio braço para não gritar. A penetração era brusca, dolorida e deliciosa ao mesmo tempo. Cada estocada fazia o corpo bater contra a madeira úmida. O som molhado de pele contra pele, o cheiro de sexo e terra, o medo constante de alguém abrir a porta.

Mãos se agarravam às paredes. Gemidos abafados. O ritmo acelerava. Um se masturbava enquanto era fudido, o pau latejando na própria mão. O orgasmo veio em ondas quentes, o gozo escorrendo pelos dedos e pelo chão sujo. O outro gozou fundo, o corpo travando, o pau pulsando dentro do cu apertado, enchendo-o de porra quente.

Eles ainda respiravam ofegantes, colados, quando a porta se abriu com violência.

Membros da Nova Palavra entraram. Olhos frios. Rostos sem expressão.

Arrastaram os dois para o pátio, sob o olhar de todos os outros rapazes. Ali, na terra vermelha, sob o céu que escurecia, o castigo foi público. Chutes. Socos. Xingamentos que ecoavam como chicotes. “Abominação.” “Imundos.” “Exemplo.” O sangue misturou-se à poeira. Os corpos caíram, se ergueram, caíram de novo. Ninguém interveio. O silêncio dos demais era pior que os gritos.

Na delegacia de Serra Verde, as paredes amareladas cheiravam a café. Gurizão falava rápido, a voz carregada de urgência. O policial que o atendia anotava. Quando Rodrigues apareceu na porta e ouviu o nome da fazenda e da igreja, seu rosto mudou por um segundo, mas rápido demais para ser notado por quem não estivesse prestando atenção.

Ele se aproximou, ajeitou a farda e falou baixo ao colega:

— Eu dou andamento nessa denúncia.

Colheu tudo o que pôde de Gurizão. Endereço. Nomes. Detalhes. Depois, ergueu o olhar, firme.

— Mas o senhor não vai acompanhar. Fique longe da fazenda. Não atrapalhe as investigações.

Gurizão saiu da delegacia com o gosto amargo na boca e a certeza de que algo muito maior e mais escuro estava se movendo nas sombras de Serra Verde.

Autor: Mrpr2

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Comentários

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A história ficou um pouco confusa, uma trama boa mais está bem diferente o desenrolar

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Esse conto está muito confuso. Nem parece que é o MRPR que está escrevendo isso. E como assim o Rogério morreu? 🤯🤯

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Realmente achei a mudança de escrita dele estranha, além de os capítulos sendo curto, coisa que não era comum!

Quanto ao Rogério morto, foram Marilda e Gurizao, lembra que do flagra do Rogério na casa do Pai do Luiz Felipe, depois disso a próxima cena da Marilda é ela mandando o gurizao para casa e dizendo a polícia que ela e o marido foram assaltados, logo ele morreu e eles se livraram do corpo com o carro!

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