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Caderno Vermelho, Primeiro Volume - XXIX - Cavalo rebelde

Um conto erótico de Escravo 43
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 1210 palavras
Data: 18/08/2026 01:39:30
Última revisão: 10/09/2026 19:27:42

Capítulo XXIX – Cavalo rebelde

Epona pediu que eu parasse de comer, e assim o fiz. Bebi água e, em seguida, ela ordenou que eu ficasse de pé:

— Estou confiando que você vai colaborar, hein, Potro. Não me decepcione!

Esperei uma ofensa... esperei um tapinha... recebi uma piscadela. Era eu quem ruborizava agora.

Epona sorriu, foi em direção ao banheiro e voltou com uma fita métrica, um aparelho de pressão e um prendedor que se colocava no dedo para verificar a respiração, ou algo do tipo... Cuidadosamente, abriu seu caderninho e me revelou as primeiras medidas que havia coletado de mim... Assustei-me. Não imaginava ter entrado ali pesando mais de 100 kg.

Com a fita métrica, começou a tirar minhas medidas... Pensei em tentar olhar o caderninho que ela havia deixado aberto em cima do banquinho, mas me sentia envergonhado. Seus toques em meu corpo eram gentis... ela evitava usar as unhas, seus apertos eram pequenas massagens, e não violências... Epona se abria a mim; como eu poderia quebrar a sua confiança?

— Olha, Potrinho... — fez uma breve pausa, passando os olhos por todo o meu corpo —, você melhorou muito! Se eu lhe disser que ganhou quase dois centímetros apenas corrigindo a postura, você acredita?

Parecia que eu estava pelado... mas eu já estava pelado...

Mediu-me a pressão, verificou minha capacidade respiratória, sorriu!

— É tão gratificante, Potro... ver que você tá seguindo o que eu lhe peço! Ao menos você me escuta...

Não sabia o que dizer... tinha borboletas no estômago. E então, um suspiro... algo a havia decepcionado?

— ... Mas é triste ver que meu balofinho tá crescendo... tá virando um homem... digo, Cavalo.

As falas doces de Epona me faziam rememorar os últimos dias do Ensino Médio... Aquele momento em que a distância entre os Professores e os alunos começa a se estreitar e tantas relações emocionais díspares são enlaçadas e apertadas pela melancolia do ponto de não retorno... Será que eu estava mais próximo do fim das Domas do que imaginava?

— E seu peso não mudou muito... mas você ficou mais forte...

Percebi desejo nos olhos de minha Senhora... mas ela gostava da minha carne mole e boa de cortar... Queria fugir do seu olhar e agradeci quando ela pediu para que eu juntasse minhas pernas e, sem curvá-las, tentasse tocar a ponta dos meus pés...

— Olha só, Potro! — bateu palmas, breves, mas não eram palmas sarcásticas por algo que eu havia feito de errado. — Imaginava que podia ser tão flexível?

Pediu-me para me levantar... Quem era essa Epona? Por um breve instante, achei que ela estava aprontando das suas... mas então, como se percebesse o meu espanto, ela pediu-me o braço. Eu o estiquei, e ela o mordeu com força... Não sei como controlei o impulso de puxar o braço... A tatuagem de sua mordida confirmava: ainda era Epona.

— Hahaha... desculpa, Potro! Agora que você tá gostosinho, senti vontade de lhe morder! — riu como ria... Era Epona.

— Que bom que gostou, Senhora! Pode até morder mais...

O que era isso? Quem era eu? Eu estava flertando?

— Se continuar gostoso assim... vai até se arrepender, Potrinho! Agora vai, vamos para a Antessala. Quero você nos aparelhos e nos exercícios... não achou que eu iria lhe dar moleza, né? — deu um tapinha na minha cabeça... nem muito forte... nem muito fraco.

Ela passou por mim dando as costas... mas segurando-me pelo braço, forçando-me a virar e acompanhá-la.

Pela primeira vez, atravessamos o Estábulo de “mãos dadas”.

Na Antessala, passou-me versões curtas de praticamente todos os treinamentos que eu havia feito até aquele momento. Contando os minutos em seu cronômetro, comemorava quando eu conseguia bater uma meta, incentivava-me, de seu jeito, quando eu fracassava em alguma... Em uma pausa, brincou com o copo d’água: riu quando eu tentei pegá-lo, supondo que ela o entregaria, mas ela o puxou para perto de si... Chamou-me de patético, e então me entregou o copo.

Após um longo período, entrecortado de sorrisos, risadas, pequenas ofensas e troca de olhares — sim, eu estava trocando olhares com Epona! Ela olhava para mim e eu olhava para as suas botinhas... Mas ela percebeu e me censurou:

— Seu olhar pra baixo não é discreto, seu vadio! Prefiro que olhe para cima, para os meus olhos! Vai para sua marcação e quero ver você fazer os 400m!

Mais uma vez, com o rosto ardendo, caminhei até a minha posição...

Antes que desse a largada:

— Olha, Potro... acho que hoje, depois de tudo o que você mostrou, de tudo o que fez... possa ser o dia em que você bata o tempo do outro Potro. Se esforça: se não for por você, pelo ego que claramente você não tem, faz pelo Templo, faz por Ártemis... faz por mim, sua Senhora!

Era isso... Era minha chance... Não podia cair, não podia desistir... O único resultado possível era a vitória!

Corri com tudo o que tinha, corri como se a linha de chegada, por algum milagre, fosse converter todos os meus fracassos até aquele momento em passos de uma história de sofrimentos necessários para chegar ao momento da virada!

Terminei esbaforido... Teria conseguido? Fitei Epona. Ela conferia o cronômetro... E, de repente, um sorriso e um grito:

— 55 segundos, Potro! Passou o outro por quase seis segundos!

Gritei! Gritei repetidas vezes... Há muito tempo não gritava, não comemorava! Saltava e corria, e tive a impressão de que Epona me acompanhava de um pouco mais longe, dando seus pulinhos e rindo comigo!

Estava suado... minha Senhora atirou-me uma toalha para que eu pudesse me enxugar. Aproximei-me dela... ela me daria algum prêmio...

— Perfeito, Potro. Com isso, meu memorando está completo! Agora vamos voltar para o Estábulo...

Claro que não... era Epona, afinal de contas... Comecei a me agachar...

— ... Não, Potro. Por ora, vem comigo de pé.

Caminhamos até a saída; não entendia por que não me queria de quatro...

Antes de entrarmos no corredor, ela se virou... Estava completamente vestida, mas ainda assim sentia que nunca estivemos tão próximos...

— Olha, Potro... obrigada por hoje... Eu não estava tão bem e você... bom... com esse seu jeito bobo e desastrado... você serviu para me distrair, eu acho...

Esse era o seu jeito de me agradecer, de me parabenizar e então... Ela me abraçou, colando seu corpo ao meu...

Por algum tempo, ainda que pouco, Epona recostou seu rosto em mim e encontrou abrigo em meu ombro... Depois, como se precisasse recompor o papel, soltou-me e deu-me uma empurrada!

— Que nojo, Potro! Você está todo suado e seu pau duro manchou minha calça e minha camisa! Vai, fica de quatro!

Epona me levou até o Estábulo, colocou água para eu passar a noite, colocou-me cinto e coleira. Fechou-me em minha cocheira... Todavia, pareceu não me deixar... sentia-a próxima a mim, em meu ombro a me agarrar.

(Caligrafia diferente, não bate com a de ninguém)

“Havia um homem que precisava em um frio inverno fazer uma travessia por uma montanha. Havia uma bruxa que tinha por objetivo o impedir. Nos primeiros dias da travessia, a bruxa usava seus feitiços e encantamentos para aumentar as ameaças do inverno... Cada vez com mais e mais frio, o homem em sua jornada, agarrava-se à pesada pele de urso que levava consigo... A jornada era lenta, mas o homem seguia avançando...”

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