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O Único que Ficou de Fora (2°TEMPORADA) - Décimo Terceiro Capítulo: Bem Vindo ao Clube

Um conto erótico de Astrogildo Kabeça
Categoria: Grupal
Contém 6494 palavras
Data: 17/08/2026 18:19:05

“Genildo foi adicionado ao grupo ‘Turma da Escuna’”

Genildo agora estava lá, com o grupo que lhe rejeitara, não por vontade própria, mas por contigência, Logo de cara, lhe passaram todos os prints de tudo que conversaram, desde que o grupo foi criado. Ele leu, praticamente estudou tudo, com grande curiosidade. Não concluiu nada, mas pôde checar que o grupo surgiu para amenizar a acidental interação que tiveram. Parecia mesmo que o grupo tinha enfrentado uma tormenta descomunal. Foi observando o desenvolvimento, com mensagens difusas e trocas de informações sobre estado emocional. Assistiu a entrevista com a psiquiatra, onde ela descrevia que o prazer pode advir do pânico. Não satisfeito, leu artigos sobre isso e constatou que alguns grupos sobreviventes desenvolviam empatias entre os salvos. Genildo viu que o desenvolvimento das conversas era gradativo, à medida que superavam o incidente, sem qualquer conotação lasciva ou algo do tipo. Constatou o crescimento da afinidade, típica de grupos que vão criando identificação em torno de algo.

De cara, Genildo deu por satisfeito o fato de não ter ido. Ele passou a achar que realmente teve um livramento, não queria de jeito nenhum passar por qualquer terror a bordo de uma escuna, no meio de um dilúvio bíblico. Com isso, se sentiu distanciado daquele grupo. Não tinha como aquelas pessoas mensurarem abrir aquela exposição para ele ou outros. Relembrou várias coisas do passado que voltavam a assombrá-lo. Também tirou outras conclusões que o deixavam tão confuso quanto aquelas pessoas.

Percebeu, assim, que o grupo não existia contra ele, mas apesar dele. Sentiu incômodo muitas vezes, mas era perceptível que a troca de mensagens demonstravam que um afeto surgia desprovido de esquematização, era improvisado,aleatório. Confirmou que o tal encontro misterioso foi totalmente inesperado e o grupo em nenhum momento cogitou uma reunião fora do ambiente digital. Havia coisas que passava por sua cabeça, mas ele não queria se abrir.

Enquanto isso, o grupo conversava sobre amenidades, capitulo da novela do dia anterior, o jogo da seleção, um assalto que aconteceu na vizinhança de um deles, o lamento pela morte de um artista conhecido. Trocas de informações sobre livros, filmes, e séries.

Diego: Jemerson, como é o nome daquele grupo que você mostrou aqui, aquele que seu pai botava no rádio quando você era pequeno.

Jemerson: Kool and The Gang

Diego: Pô, vou pedir pro cara botar lá na rua.

Scheila: Eita que tem morador que não vai dormir hoje…

Cauê: Vou ligar pra polícia já agora, pra quando eles chegarem prender logo você, seu marginal!

Beatriz: kkkkkkkkkkkkk

Breno: Se lascou, pivete!

Diego: Porra, que onda desse cara

Jamile: Mas, Diego, essas festas de rua é pura barulheira!

Bianca: Nem me fale… já fui pra uma dessas. Fiquei com pena do povo lá

Eram essas conversas que Genildo só observava. Era como se o grupo não percebesse que ele estava lá. Ele não falava, nem ninguém cobrava.

Um dia, resolveu perguntar.

Genildo: Vocês não comentaram sobre isso no grupo, mas em alguma outra oportunidade, após o segundo passeio, vocês comentaram que desejariam que eu não estivesse naquela escuna?

O grupo não reagiu de imediato, afinal, era a primeira vez que um convidado especial estava presente perguntando alguma coisa. Mas quando as mensagens começaram a surgir, não faltou respostas.

Jemerson: Genildo, vou ser o mais honesto possível: não, nunca desejamos isso, não coletivamente

Beatriz: Quando a gente tava naquele barco, a gente tava tão confuso que mal sabia o que a gente sentia, mas a gente nunca desejou que você não estivesse ali. A gente só... não sabia como lidar com você ali.

Scheila: Genildo, vou te contar uma coisa que talvez seja difícil de ouvir... Naquele momento, a gente não tava pensando em desejar que você não estivesse, a gente tava pensando em como sobreviver àquela situação. O que a gente sentiu depois foi culpa, por não ter conseguido te integrar naquilo que a gente tava vivendo.

Bianca: Nunca a gente desejou que você não estivesse ali. A gente tava tão perdido que a gente não sabia como agir. Mas a gente nunca te excluiu da nossa cabeça. Pelo contrário. A gente tava pensando em como você iria reagir se soubesse.

Tony: Eu lembro de ter pensado, naquele momento: 'O que o Genildo faria?' E foi aí que eu percebi que você tava sempre presente, mesmo ausente. A gente não queria que você não estivesse. A gente queria que você entendesse.

Naiara: Nunca desejei isso, nunca! Quando a gente tava naquele barco, no segundo passeio, eu olhava pra você e pensava como as coisas que passavam na nossa cabeça não tinha como ser explicado. Mas nunca desejei que você não estivesse ali, o desejo era de você um dia entender.

Jamile: Filho, eu só desejei que a gente tivesse coragem de te contar.

Cauê: Genildo, não. Nunca. O que a gente sentiu foi um peso enorme porque a gente sabia que você não tava sabendo de nada. Mas a gente nunca desejou que você não estivesse. A gente só não sabia como incluir você naquilo.

Diego: Velho, quando a gente tava naquele barco, a gente sentia uma conexão tão forte que era quase assustadora. Mas a gente nunca pensou em você como alguém que atrapalhava. A gente pensou em você como alguém que a gente queria proteger.

Iris: A gente nunca desejou que você não estivesse. A gente desejou que você pudesse entender o que a gente tava sentindo. Mas naquele momento era algo impossível.

Breno: A gente tava tão preocupado em esconder que a gente não pensou em desejar que você não estivesse. A gente só pensou em como a gente ia lidar com aquilo depois..

Genildo: Mas vocês perceberam que minha presença mudava a dinâmica entre vocês.

Bianca: Sim, percebemos, claro.

Genildo: E isso não incomodou?

Bianca: Não era incômodo, era constrangimento. Nós percebíamos que existia uma parte da nossa história que você desconhecia. Isso deixou todo mundo inseguro.

Naiara: Eu passei boa parte daquele passeio preocupada com você, porque é duro estar envolto de pessoas que mantinham algo em sigilo. Isso era…impactante.

Jamile: Eu senti exatamente a mesma coisa. Eu queria que você aproveitasse o passeio, mas, ao mesmo tempo, tinha medo de minhas fraquezas

Diego: O problema era nós não saber lidar com o passado tando você presente.

Scheila: Se você tivesse estado naquele primeiro passeio, provavelmente teria participado das mesmas conversas depois, teria vivido a mesma experiência conosco. Não comentamos com você sobre isso na conversa que tivemos, mas se coloque como alguém que poderia estar naquela escuna, passando pelos mesmos dramas, mas sem Naiara presente. Seria muito saber se você tomaria as mesmas atitudes que tomamos?

Genildo tinha pensado exatamente isso antes. Scheila havia matado a charada.Ela continuou

Scheila: Nunca se coloque como alguém que achava que estava excluído, mas como um possível sobrevivente de um caos que só se encerrou após um infortúnio. Você ficou de fora da história, mas nunca por decisão nossa

Genildo não respondeu. Aquilo era pura retórica

Jemerson: Você tem todo o direito de continuar fazendo perguntas difíceis e nós temos a responsabilidade de respondê-las com sinceridade

Genildo: Mas uma coisa é certa…duvido que vocês tenham a mesma euforia com minha presença, aquela vontade de…”ressignificar” várias vezes o que vocês fizeram no manguezal durante a tempestade!

Scheila: Genildo, vou ser bem direta: a gente não realizar mais nada de prazeroso coletivamente, não será por sua causa. A gente já tinha percebido, antes mesmo de você saber, que aquilo não era sustentável. Tanto que propomos uma despedida!

Jamile: Justamente. A gente não queria mais nada disso. Tudo foi fruto de coisas inesperadas e decisões abaladas por um convívio que saiu do zap.

Tony: A conexão era forte, mas tava consumindo a gente. Sua chegada foi o empurrão que a gente precisava pra colocar um ponto final nisso

Naiara: Genildo…pense que você estar aqui é mais uma etapa de superação! Estar ocultando segredos e mergulhados num mundo próprio não faz mais sentido!

Beatriz: Tudo precisa amadurecer, Genildo. Tudo que está acontecendo são processos de maturação

Bianca: Pense que isso está dentro de uma realidade positiva, de nova interação, tudo é uma construção

Diego: É hora da amizade velho, reabilitar o que tínhamos antes. Você já viu antes que não éramos esse grupo orgástico

Cauê: Ninguém quer mais caos, por favor!

Jemerson: Tudo que a gente quer é equilíbrio. As intensidades ficaram pra trás

Íris: Isso não faz mais falta, na verdade, nunca foi uma necessidade. Éramos um grupo suscetível a enfrentar diversas situações sucessivas.

A conversa parou, mas a partir daí, Genildo passou a recordar situações que o deixaria sem jeito pra lidar com tudo aquilo.

Quando estava com um ano e quatro meses de namoro com Naiara, ele estava numa festa, na companhia de Cauê. Estavam apenas bebendo, quando uma garota se interessou pelo colega. Pra não ficar segurando vela, iria embora. Mas eis que uma prima dela apareceu para dar uma carona à garota. Vendo que ela tinha arrumado um parceiro, acabou ficando na festa conversando com Genildo. Após muito papo, passaram a flertar. O fim da noite terminou no apartamento dela, cada casal em seu quarto. Essa mulher chamava-se Dolores, e fazia curso em outro campus vizinho. Ao sairem de lá, conversaram sobre a noite passada.

Cauê: Caralho, man, que onda! A gente foi pra uma festa sem qualquer programação de pegar mulher…e olha aqui a gente saindo da casa das mina. Que madrugada, uhhhhhhhhhhhhh!!

Genildo: Pois é, velho, aconteceu, agora bico calado! Tô namorando firme, não quero fofocaiada!

Cauê: Ué, rapaz, você acha que vou sair espalhando alguma coisa, tá louco!?

Genildo: Sei lá, ninguém sabe quem são elas direito… Nem pra Breno você pode contar, vai que ele dá com a língua nos dentes pra Beatriz, e isso chega no ouvido de Naiara…

Cauê: Não, broder, que é isso! Isso morre aqui! Inclusive, peguei o contato dela, vou dizer logo que você tem dona…

Alguns dias depois, encontrou Dolores no bandejão da faculdade. Papo vai, papo vem, e mais uma vez Genildo tava traçando a gostosa. A mulher era putona, e ele mais uma vez conferia.

Mais alguns dias, ele tinha marcado de ir num aniversário de uma amiga de infância de Naiara. Só que após a aula ele encontrou Dolores. Ela tinha trancado o curso e ia fazer outra coisa.

Dolores: E aí, gatão? Vai fazer o que agora?

Genildo: Vou pra casa, tenho uma festinha logo mais

Dolores: Hum… não rola uma…despedida?Prometo não mais lhe ver

Genildo: Porra, hoje não dá… é…tenho namorada e…

Dolores: Nem se eu liberar uma coisinha pra você? Hoje tô afim de…abrir a porta dos fundos…

Era um dos sonhos de Genildo.

Genildo: Bom, tem que ser agora!

E lá estava, num motel, Genildo montado em Dolores, realizando um sonho. Antes, havia mandado uma mensagem pra Naiara dizendo que ia participar “de uma palestra”, coisa rápida. A “palestra” durou mais do que devia. Enquanto ele comia a putona, Naiara perguntava onde ele estava. Ele via na tela iluminada a mensagem “vai demorar? Vão cantar os parabéns” e Dolores quicando na rola dele. No momento que ele gozava na cara dela, chegou a ver no celular, minutos depois, com a porra na cara dela ainda visgando, uma foto de Naiara comendo bolo. Após sair do motel, já era tarde. Naiara estava brava, ele não a acompanhou na festinha. Enquanto isso ele comia também, mas não era bolo…

Após pedido de desculpas, e dois dias sem falar com ele, chateadíssima, Naiara relevou e pediu pra ele não fazer nada fora da programação que ela marcara e ele aceitara.

Fora esse caso, Genildo relembrou, com mais pesar, um episódio que acelerou o divórcio de seus pais. Seu Genildo - pai dele - jogava bola com uns amigos e passou a levar o filho, já quase homem. Nesse ínterim, Genildo descobriu que o pai tinha uma amante, e não era uma peguete qualquer, era quase uma segunda esposa. Pra ludibriar Genildo, o pai arrumou uma afilhada dela, com quem Genildo perdeu a virgindade. Ele passou a comer a menina, enquanto o pai curtia a amante. Por várias vezes, Genildo e o pai curtiam e Jamile mandava mensagens “onde estão?” “vão demorar?fiz sopa pra vocês”. Até que o pai fez uma viagem, contou a Jamile que era a trabalho. Logo depois, ficou sabendo através de uns amigos da peguete, que seu pai havia viajado com a amante. Não só isso: a mulher ficou grávida. E que depois “perdeu o bebê”. Genildo presumiu que a viagem foi realizada justamente pra mulher “perder o bebê”. Logo depois disso, o casamento, que já estava ruim, piorou. A separação veio e Jamile, que já era deixada de lado pelo marido, encalhou de vez. Era uma mulher de 70 anos num corpo de uma de quarenta e poucos. Daí Genildo incentivar a mãe a sair mais, curtir mais, até propor o passeio de escuna. Genildo tinha um sentimento de culpa de saber que era deixada de lado pra acompanhar o pai em peladas e churrascos, enquanto Jamile ficava entediada em casa assistindo Silvio Santos.

Genildo estava puto com todos, inclusive Jamile, mas ao relembrar tudo isso, pensou também que a mesma criou ele, o pegava na escola, o ensinou a ler, o levava pra médico, pagava seu plano de saúde… enquanto o pai, era mestre em incluí-lo nas benesses que o mundo masculino oferece de bom grado aos homens.

Era isso, também, que fazia Genildo não mandar o grupo ir pra porra e se mandar. Ele era do tipo que achava que se cometeu uma escorregada com alguém, melhor esse alguém não saber. Tanto com Dolores, quanto o pai com a amante que engravidou dele, Genildo achava que nem Naiara, nem Jamile, precisavam saber do que ocorrera. “Pra que carregarem uma amargura dessas sem necessidade”, era o que pensava. E também já havia pensado antes mesmo de Scheila tocar no assunto: se ele tivesse na escuna e Naiara não fosse, o que rolasse na escuna, ficaria na escuna. Então, ele se colocou no lugar deles: sim, ele adotaria a tática de não contar a ninguém o que tinha ocorrido, ainda mais escudado pela orgia ter sido gerada sem qualquer acordo ou vindo de bandalheira, e sim para espantar o medo. Sim… Genildo era do tipo que toparia que Naiara, nem qualquer outro comprometido faltoso ficasse sabendo disso. Pra que? Pra criar tumulto sem necessidade?

Ele até imaginou Naiara e a mãe chegando em casa e contando de supetão que rolou uma orgia

“Genildo, aconteceu algo horrível! Teve uma tempestade lá e acabou todo mundo na maior putaria, uma suruba dos infernos!”

A primeira coisa seria duvidar, mas quando visse as duas chorando, ia se sentir tão horrível quanto ficou no flagra, só que dessa vez, sem o impacto visual, mas sim da imaginação em ver todo mundo fudendo adoidado, curtindo, sem ele estar lá. Quem, recebendo uma notícia dessas, ia pensar em um monte de gente fugindo do medo? Que conversinha mais fiada…

Pensou também nas duas num dia qualquer, tranquilas, dizendo que queria mostrar um vídeo a ele, mostrando a entrevista da psiquiatra. Após o vídeo, e sem entender porque mostraram aquilo, as duas falam, calmamente

“É que rolou isso aí naquele dia na escuna… rolou uma tempestade, ficamos com medo, e transamos todos, em razão do pânico, assim como ela explicou. Então, relaxe. Foi só fuga do pânico mesmo. Inclusive, criamos até um grupo da galera da escuna. Quer participar?”

Qualquer tentativa de explicação pareceria mais uma comédia pastelão do que uma necessidade vital de abrir o jogo com ele, porque tinha que contar a ele porque sim e pronto! Genildo viu, pelo desenrolar das coisas, que a situação não era simples pra ninguém. E ele próprio, caso estivesse na escuna, viveria as mesmas sensações daquelas pessoas e obviamente, esconderia. De Naiara, de preferência. Aquilo o fez refletir de um modo novo, como se pudesse perceber que se ele fosse no primeiro passeio e alguém faltasse, ele estaria naquelas mesmas condições, enquanto um outro estaria alheio.

Mas tinha algo que encucava ele, isso mais que tudo. Como onze pessoas se encontram DO NADA, todas no mesmo lugar, sem qualquer agendamento antecipado?? Junte-se a isso o fato daquele grupo ser um tanto…insólito. Scheila com Diego, Jemerson, alunos?Jamile com esse mesmo grupo? Naquela amizade toda?Esquisito. Muito esquisito. Jamile, uma mulher que era a rainha da monotonia, uma figura apagada, mesmo passando por tanta coisa, não se daria assim… ali tinha coisa… mas o que?

Isso fazia com que ele ficasse dividido, sem saber que atitude tomar. Ele não queria absolver o grupo, nunca, mas também… se sentia falso em cobrar ética, já que ele escondeu muita coisa e estava coberto de razão em esconder. Não era que a traição a Naiara, e esconder a amante do pai, enquanto comia a afilhada da amante do velho, era bem menor que a do grupo, não pensava assim. A questão era o princípio: ninguém precisa saber. O grupo falava em proteger Genildo, ao manter entre os onze o que houvera, e ele pensava, por princípio, o mesmo: esconder Dolores de Naiara e a amante do pai pra Jamile era um ato de proteção a elas. Contar pra que? Ele também pensou que se ele soubesse no dia da viagem, o grupo não existiria, não ia haver rede de apoio, e provavelmente iriam fazer terapia, gastar com medicamentos contra ansiedade, depressão… Inclusive ele. Não ia ter vídeo de psiquiatra, sendo assim, não haveria explicação científica, ele ia ficar puto com todo mundo, ia cortar amizades, e ia se achar o rei da ética e da honestidade. Só que não...

Após várias reflexões, Genildo enxergava que, por trás daquele grupo, existiam pessoas tentando compreender as próprias transformações, e não apenas esconder um segredo. Percebeu também que o desconforto não havia surgido por causa da presença dele no segundo passeio, e sim pela dificuldade de explicar uma parte da própria história que, durante muito tempo, eles mesmos tiveram dificuldade de compreender.

Um dia, resolveu participar do papo no grupo, como quem não quer nada

Genildo: Alguém ai assistiu “Bridgerton”?

Diego: Ai, isso não é pra mim não

Naiara: Nós já assistimos! Nós, digo, eu e você.

Genildo: Recomendo, muito boa

Beatriz: O mais importante nessa série é que negros e brancos convivem como se a etnia não importasse. Amei!

Scheila: Eu vejo, mas ainda não assisti. É época vitoriana né?

Genildo: Isso, cinco temporadas já

Breno: Quando começa a série, de primeira, eu vejo. Quando transcorre muita temporada assim, eu fico mais resistente em assistir

Cauê: Eu acho que você falou um dia desses lá no bar

E assim eram os papos, comuns como eram antes dele propor o segundo passeio. Reclamavam do calor, enviavam receitas, compartilhavam notícia sobre educação.

Após semanas,marcaram um novo passeio de escuna, mais um, dessa vez Genildo queria observar algumas coisas... Ele chegou à marina com um misto de expectativa e cautela, não sabia exatamente o que esperar daquele novo passeio, mas estava determinado a observar, a entender, a decifrar o que havia naquela conexão que parecia tão forte, dessa vez presenciando in loco. Chegou desacompanhado de Jamile e Naiara, aliás, o namoro estava em suspenso, sem ainda ter discutido com ela qualquer rumo. Jemerson já estava a bordo, ajustando os cabos, enquanto Iris arrumava os petiscos e Diego colocava gelo no isopor. Os outros foram chegando aos poucos: Bianca e Tony de mãos dadas, Beatriz e Breno discutindo animadamente sobre a música que iam colocar, Cauê bocejando muito, Scheila com um livro debaixo do braço,Jamile chegou se olhando no espelho, e Naiara, que sorriu ao ver Genildo e correu para abraçá-lo.

Quando o grupo se cumprimentou, não havia formalidade entre eles. Abraços efusivos, brincadeirinhas, batidas de mãos... Tudo era espontâneo.

Jemerson: Sobe aí, pessoal, vamos zarpar já.

Durante todo o passeio, Genildo observou. Ele via como Bianca e Tony se sentaram juntos na proa, as cabeças inclinadas uma para a outra, rindo de algo que só eles ouviam; viu Beatriz e Breno dançarem ao som de uma música que alguém colocou, os passos sincronizados como se tivessem feito aquilo centenas de vezes; Cauê e Jemerson conversavam sobre um jogo que passou na TV.; Scheila e Jamile conversavam baixinho, os olhos brilhando com uma cumplicidade que só o tempo constrói. Viu Diego e Iris revezarem guiando a escuna; Naiara e Beatriz conversavam fazendo gestos, como se falassem de uma cena que viram na faculdade.

Genildo participava das conversas, bebia, ria das piadas, sempre foi sociável. Mas sua mente estava em outro lugar. Ele observava interações diversas. O que ele via não era um grupo de aventureiros sexuais, como ele imaginara. Eram amigos. Pessoas que se preocupavam umas com as outras, que se apoiavam, que compartilhavam a vida. Inicialmente, ele queria levar uma granada, pular na água no meio do mar, após soltar o pino, mergulhar e ouvir a explosão, como num filme de Stevem Seagal. No entanto, estava bastante curioso com o funcionamento daquelas pessoas. Ele estava um poço de confusão, hesitação, dúvida...não sabia bem o que pensar.

Quando a embarcação passou perto do manguezal, ninguém mudou de assunto nem demonstrou desconforto exagerado. Em um momento, Naiara sentou ao lado dele, num momento que ele bebia uma latinha vendo o mar.

- Tá tudo bem? Você tá bem calado, como não costuma ser

- Observando. Ainda não sei como isso funciona direito

- E o que já viu?

- Vocês tem conexão, realmente. E vejo que, durante todo esse tempo, nenhum deles tentou me afastar, nenhum deles me tratou diferente.

Naiara apertou a mão dele.

Naiara: Você também tem conexão! Não como foi gerado, pois rolou uma sintonia entre pessoas que passaram por dificuldades juntas, mas isso não quer dizer que sua participação não seja normalizada, porque é! Um estágio já foi deixado pra trás, pense nisso.

- Tô tentando entender como um flagra tão sofrido pode levar a isso, essa… . Eu deveria estar totalmente surtado, mandado todo mundo tomar no cu e ido embora.

- Genildo, aquele momento foi horrível pra todo mundo. Mas foi também o momento em que a gente finalmente teve que ser honesto. E ter sido aberta com você, mesmo que as coisas dessem muito errado, foi o melhor de tudo.

- E o mais estranho é que eu aceitei a conversa. Eu não sei explicar. Quando vocês começaram a falar, eu senti que as coisas tinham um contexto.

- A maioria das pessoas teria ido embora. Inclusive eu…

- Quando a professora Scheila falou pra eu me colocar no mesmo lugar de vocês, confesso que tinha pensado nisso assim que avaliei as conversas. Acho que foi o crucial pra eu ter um pouco de compreensão

- Não se preocupe com isso. Parece evidente. E outra… todo mundo se recuperou de um grande baque, ter sobrevivido a uma tempestade insana. Então, no fim das contas, todo mundo sobreviveu a algo muito desesperador.

Mas Genildo resolveu ser sarcástico

- Bom, pelo menos minha presença tá impedindo que todos conversassem juntos, tirassem a roupa e… aproveitassem a paisagem marítima.

- Genildo, pense que todos estamos juntando os cacos de algo que podia ser uma nova tragédia. Já falamos isso no grupo. E saiba que estávamos no meio de uma despedida, ou seja, tecnicamente isso não aconteceria porque nossa meta era evitar. Portanto, aja como se fosse algo que estaríamos experimentando após meses aprimorando um novo ritmo que seria imposto pos nós.

- Ainda é muito doloroso descobrir tudo daquele jeito.

- Eu sei… Você precisa construir sua própria impressão.

No retorno pro caís, despedidas e promessas de uma próxima. Genildo ajudou Jemerson, junto com Tony e Diego, a carregar algumas coisas até o carro de dele. Voltou pra casa com Jamile, conversando sobre o passeio, como fez com Naiara. Ele ainda estava tentando entender como ia aceitando tudo, mas ao mesmo tempo, aquele Genildo que escondeu coisas importantes tava se dando conta de que não valia agora ser hipócrita e cínico. O que gerou tudo não era sobre sexo, era sobre sobrevivência.

À noite, o grupo conversava sobre aquele dia. Sem saber muito bem o porquê, Genildo resolveu falar. Cabia a ele tentar amenizar alguma angústia que ele carregava, mas que não valia a pena ficar represado, já que ele, mais ou menos, tava começando a compreender o que o grupo havia passado.

Um dia, porém, aconteceu de novo algo bem fora da curva. Jamile estava no centro da cidade para uma consulta, quando se deparou com Scheila.

- Scheila! Nossa que coincidência!

- Oi, Jamile!Estou indo para a biblioteca aqui do lado e…

Não deu tempo. Avistaram Jemerson e Íris. Os dois ficaram pasmos

- Gente do céu! Vocês duas combinaram?

- Não, a nós…

- Que reunião é essa???

Breno e Beatriz apareceram

- Não, de novo não…

Bianca apareceu com Tony

- Meu Deus!!! Não pode ser possível!

Era. Naiara vinha subindo a rua e só viu aquelas pessoas juntas

- Não pode ser…

Cauê chegou e, por fim, Diego passou de moto. Um ficou olhando pra cara do outro, mais uma vez sem entenderem como aquilo acontecia novamente

- Gente, não tõ acreditando!

- De novo nós aqui

- Isso só pode ser uma piada universal

Se cumprimentaram, abismados ainda por aquela situação. Após alguns minutos na calçada, porém, Jamile olhou o relógio.

- Gente, foi bom ver vocês de novo, mas estou superatrasada, tenho consulta

Scheila: Eu também tenho que ir, senão a biblioteca fecha.

Jemerson: Temos que ir numa loja de artigos de festa. Vamos, Íris? Bom ver vocês

Ambos foram se despedindo e cada um foi pra um canto. Horas depois, Jemerson cria um grupo alternativo com eles, sem Genildo, e faz o questionamento que faltava

Jemerson: Pessoal, abri esse grupo apenas pra falar sobre nosso encontro hoje… mais uma vez, inexplicável. Porém, notaram como não houve aquele fogo, aquela alegria que surgia quando nos víamos? Mesmo querendo superar a euforia, foi estranho não termos tido uma reação mais inesperada

Bianca: Verdade! Nem me dei conta

Cauê: E o Genildo não apareceu

Jamile: Nossa, é mesmo! Que mistério

Diego: Mais um

Cauê: Temos uma coleção deles

Íris: Será porque não temos mais segredos?

Naiara: Se foi por isso, que bom!!

Tony: Sabe que pensei nele quando a gente estava já se despedindo?

Beatriz: Isso pode ser um sinal que a gente se acostumou com tudo isso e não é mais novidade?

Breno: Sendo o que for, achei positivo não estar eufórico

Jemerson: Não sei se foi o segredo que não mais existe, ou adaptação do grupo, mas uma coisa é certa… Genildo faz parte disso agora e não vê-lo é que me intriga

Bianca: Sim!

Cauê: É a pergunta a ser feita…por que ele não apareceu?

Jamile: Falei com ele quando sai do consultório. Ele já estava em casa

Íris: Foi estranho, a gente se encontrou de novo assim…mas confesso que depois que comentei com Jemerson que Genildo não apareceu, a coisa ficou mais esquisita

Naiara: Ele já faz parte disso e não estar presente, não sentimos o vínculo

Tony: Se foi isso, é uma grande novidade!

Beatriz: Iremos falar com ele sobre isso?

Breno: Fico com medo da reação dele, achando que fizemos coisas pelas suas costas

Jemerson: Não, porque as mensagens aqui são prova. E porque tive uma ideía sobre isso…

Genildo saiu da faculdade pra almoçar e estranhou não ter encontrado ninguém naquela manhã. Geralmente encontrava o pessoal no pátio, mas nenhum deles apareceu nem lá nem em nenhuma aula. Também não viu Sheila. O bar de Jemerson estava com apenas um funcionário, o irmão de Íris. Tava tudo muito estranho… De repente, uma notificação no celular. Quando abriu a tela…estavam lá. Os onze, sentados numa imensa mesa. Sorridentes, e embaixo uma mensagem de Jamile

- Filho, aparece aqui! Vou mandar a localização

Um frio passou por sua espinha. O que eles estavam tramando? Foi pra lá imediatamente, suando frio. Ao chegar no lugar, todos gritaram “ele chegou” e bateram palmas. Ele sem entender. Sentou na mesa e explicaram tudo: o encontro inesperado no centro, o grupo alternativo que só funcionou pra comentarem a reunião e a ausência dele. Foi então que Scheila falou:

- Achamos que o fato de você não estar indica que fez falta nessa ocasião. Tudo aponta para que sua integração no grupo tenha nos feito “curar” da euforia que sentíamos. Mas não totalmente. Marcamos aqui, fizemos um teste. Assim que sentamos, sentimos que faltava alguém. Falamos de você o tempo todo. Ficamos ansiosos lhe esperando. E a alegria tomou conta quando você entrou por aquela porta

Bianca: Você definitivamente é um dos nossos!

Cauê: Muito feliz, cara

Diego: Aê, Brô

Naiara: Esse é um dos dias mais felizes!

Jamile: Filho, você não sabe a felicidade que sinto em tudo isso estar caminhando bem!

Breno: Vamos pedir nosso rango! Tô azul de fome!

E assim, comeram e beberam naquela data de “inauguração” de Genildo. Ele não se sentia totalmente integrado, havia receios, mas sentiu boas vibrações do grupo. As conversas foram animadas, tudo dentro dos conformes. Saíram dali se despedindo e prometendo mais. Nem teve grupo naquela noite. O dia já tinha mostrado tudo.

Mas aí que está. Genildo refletiu sobre um novo encontro inesperado. “Esse pessoal não nota que isso é muito esquisito não?” Genildo era ” o cara de fora”, que podia enxergar coisas que não viam ou não refletiam… havia algo de enigmático sim!!!

E foi assim, dias depois, que rolou novo passeio de escuna. Dessa vez, mais divertido que o anterior. Parecia um grupo de farofeiros chegando numa praia pra ficar o dia inteiro farofando. Dessa vez, não havia tantas panelinhas como no primeiro. Estavam todos em rodas, batendo palmas, dançando, bebendo, falando alto, dando gargalhadas que faziam eco. Tomaram banho, deram caídas, almoçaram numa ilha… Genildo se divertiu, ele se sentia como se tivesse sendo puxado para aquele grupo. No retorno, Genildo pegou o violão, contou histórias de como aprendeu sozinho, de como o pai dele batia na porta do quarto pra parar um pouco. Tocou várias canções ao coro de todos os partícipes. Quando estavam já na marina, anoitecendo, Foi abraçar Naiara e trocaram um inesperado beijo. Era um ótimo sinal, pois o namoro deles estava em stand by, mal resolvido. À noite, todos felizes

Jemerson: O Passeio hoje foi nota dez!

Bianca: Onze

Cauê: Doze

Diego: Demais, pô

Scheila: Nossa, tô toda queimada de sol! Parecia que ele estava ali só pra nos alegrar

Tony: Diversão do começo ao fim

Beatriz: Nunca chegamos tão tarde na marina. Se alguém falasse pra gente dormir na escuna pra continuar amanhã, nem pensava duas vezes

Breno: Ainda tô maravilhado

Genildo: Ninguém sentiu vontade de ficar pelado e “fazer coisas”?

Íris: Nem passou pela minha cabeça

Cauê: Momento algum

Diego: Aí… na próxima a gente tira

Jamile: De jeito nenhum! Chega disso!

Naiara: Genildo… foi perfeito hoje. Quando tudo é feito dentro das normas, não há necessidade de tanta exaltação. Percebi hoje que os laços que criamos podem ser reinventados

Jemerson: Genildo, não pense que as relações permanecem as mesmas a vida toda. Tudo são ciclos e o que importa é que a felicidade hoje foi extrema, com uma nova harmonia

Genildo: Mas logo quando eu entro, pô!

Bianca: Se na próxima rolar o que você tá pensando, nem me chamem!

Jamile: Também tô fora…

Naiara: Só se for apenas nós dois numa ponta e os outros lá longe, ahahahahahahaha

Tony: Falando nisso… aquele beijo de vocês tem futuro

Scheila: Não força nada, Tony!

Diego: Também torço

Breno: Vou chamar vocês dois pra ir lá em casa, chamo a Bea também, deixo um quarto vazio…

Genildo: Calma, pessoal, vamos com calma

Íris: Concordo, tudo tem seu tempo

Jemerson: Deixem eles. O papo aqui é sobre todos

E assim as mensagens foram cessando. Genildo parou pra pensar que o grupo o estava respeitando não porque ele era um novo integrante, mas porque estavam respeitando ele que havia passado por uma tempestade particular e estava tecnicamente se recuperando. Ou seja, o grupo reconhecia que ele agora merecia saber das coisas, pois sabia o que era enfrentar uma tempestade e se ver em uma situação dolorosa.

Era uma sexta-feira, pós aula. Genildo foi almoçar e encontrou Naiara sozinha numa mesa, no restaurante universitário. Sentou-se com ela e conversaram sobre o curso. Depois, saíram caminhando e foram tomar um açaí. Lá, Genildo aproveitou para falar algo que já queria falar e aproveitou a oportunidade.

- Naiara, eu preciso te confessar uma coisa… Se fosse hoje, se eu pudesse voltar atrás e organizar aquele passeio de novo, eu só convidaria o pessoal da faculdade. Não chamaria a minha mãe, nem Scheila, Bianca ou Tony. Só a gente mesmo e alguns mais chegados.

- Hum, fiquei curiosa agora. Por quê?

- Porque na época, eu pensei num passeio com diferentes visões de roteiro. Queria juntar gente de fora, criar uma experiência diferente…mas a origem do convite do Jemerson era pra turma da faculdade se divertir e acabei complicando tudo.

- Sabe que eu e a Beatriz comentamos isso na época? A gente achou estranho ter outras pessoas fora do convívio acadêmico. Mas a gente entendeu seu raciocínio. Você queria incluir pessoas que eram importantes pra você.

- Pois é. E eu realmente não gostaria de ter passado os perrengues que vocês passaram na tempestade. Depois que fiquei sabendo disso tudo, eu achei que tinha tido um livramento. Ainda bem que eu não estava lá. Não queria estar naquela situação com a minha mãe, com a minha prima. Não queria ter passado por aquilo nunca.

- Genildo, no início, eu achei tudo muito esquisito, pesado, confuso… As conversas no grupo começaram a mudar tudo. Eu deixei de me sentir sozinha. Aquilo fazia muita diferença, saber que existiam outras pessoas tentando compreender as mesmas emoções, também estavam confusas, com vergonha...Com o tempo, o grupo deixou de ser apenas um lugar para falar daquele episódio.Virou um lugar onde a gente conversava sobre a vida. Isso… foi muito importante para mim.A conexão que surgiu entre a gente, a intensidade... eu não sabia o que fazer com aquilo. Mas as mensagens crescentes no grupo me deixaram confortável. Não me sentir sozinha naquele segredo me fazia sentir acolhida.

- Mas você curtiu de verdade tudo que aconteceu, né?

- Não minto… curti. Porque tinha o contexto de superação, de vida, liberdade após tanta coisa ruim... Mas vou te dizer uma coisa: se eu pudesse voltar atrás, eu teria preferido ficar com você no dia que ficou indisposto. Se você acha que teve um livramento, eu também não queria ter vivido aquela tempestade horrível, aquela sensação de ter sido abusada por um monte de gente, a necessidade de ocultar tudo, pois não sabíamos das reações dos outros, da nossa, se ficaríamos sãos depois de espalhar tudo… Preferia ter passado aquele dia com você, mesmo que fosse só pra ver TV e tomar sopa.

- Sério?

- Não é fácil passar por uma montanha russa de emoções e sentimentos ambíguos como eu passei. Eu me dividi, Genildo. Mas as coisas foram perdendo o nexo. Não desejo isso pra ninguém. Lembrando como foi nosso último passeio, é aquilo ali que faz sentido, lógica, é real entre as pessoas. Pense que éramos uma comunidade bem insólita! Eu, uma garota da classe média, com Diego, Jemerson, sua mãe, uma professora, seu amigo, sua prima… é muito fora do habitual. E também… exótico. Considero uma fase maluca, mas dependendo de uma escolha… eu também não queria ir naquele passeio. Aí que está: se seu pensamento de voltar no tempo se concretizasse, somente a turma da faculdade iria, passariam por aquilo, e acho que não comentariam com a gente. E o segredo ficaria somente entre eles. Vá saber…

Eles riram, com Genildo concordando. Naiara ficou mais séria e pegou na mão dele.

- Mas em nenhum momento deixei de te amar, Genildo. Eu adorava estar presente com você. E mesmo quando eu tava no grupo, mesmo quando eu tava com eles, depois daquela gandaia toda...eu pensava em você. Eu me perguntava o que você ia achar, como você ia reagir se soubesse. E isso me machucava. Houve momentos que o grupo se tornou viciante, porque apenas nós nos compreediamos. Mas… se você disser que percebeu que eu estava distante, fria com você… por favor, diga!

- Eu fiquei muito magoado com aquele flagrante, Naiara. Quando eu vi vocês ali, cantando, rindo, se divertindo... eu achei que tinha perdido tudo. Que vocês tinham me excluído completamente. E eu considerei improvável uma reaproximação.

- Nossa, eu também, todos ali… o mundo tinha acabado geral.

- Agora, depois de ouvir vocês, de entender o que aconteceu, de ver como vocês se comportam... O relato de vocês teve algo de convincente. Não parecia uma história pronta. Cada um lembrava de um detalhe… eu enxergava as coisas por um ângulo. E, curiosamente, tudo fazia sentido junto.E o mistério dos encontros inesperados, aquela sensação de que o universo tava conspirando... isso me fascina.

- Fascina?

- A ideia de que algo maior pode estar em jogo. Que a conexão de vocês não foi só sobre sexo, mas sobre algo mais profundo.E que… realmente pensei que não gostaria mesmo de estar ali.

- Lembra que a Scheila pediu pra você se colocar no lugar de alguém, meu lugar na verdade, e você emudeceu, reconhecendo que tomaria as mesmas atitudes? Pois então… Eu jamais gostaria de saber disso tudo. Nunca fui expansiva assim, então preferia ficar no meu canto… com você, de preferência. Reitero que nunca deixei de te amar.

- Eu não quero perder você, nunca quis. Existe mágoa, grande…quando se gosta de uma pessoa, mesmo com agravantes, as coisas não cessam assim. Pra ser honesto, nunca cessaram de fato.

- Você tem todo tempo do mundo.

- Eu sei…

Os rostos se aproximaram e um beijo aconteceu. Foi progredindo, até saírem dali. Foram pra casa de Genildo. Naiara estava entregue.. Genildo a sentiu intensa, arrojada. Treparam por muito tempo. Tudo o que passou serviu pra chama ser reacendida em intensas labaredas. A vontade de recomeçar, de juntar os trapos, e seguir a vida, machucados, mas ainda sobreviventes.

Naiara: Olha, Genildo… se você se sente dividido, sem saber que atitude tomar, se absolve ou culpa a todos, não entende nada direito, se sente próximo das pessoas, tomando atitudes que você não queria tomar, posso dizer… Bem vindo ao clube. Era assim que sempre me senti.

Genildo estava assim desde que resolveu checar tudo. Se ele não queria estar na escuna, não lhe cabia fazer julgamentos profundos de algo que não viveu. E com as coisas que ele escondeu dela e de Jamile, o fazia crer que o grupo tomou atitude semelhante a ele, como princípio. E os encontros inesperados o faziam sentir com pensamentos totalmente desorganizados. É como se fosse inútil lutar contra o indecifrável. Após recordações, erros cometidos por ele, proteção a quem não devia saber das coisas, ele estava mesmo era começando a aceitar tudo, pois ele não entendia era mais porra nenhuma.

(continua...)

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Comentários

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Eu sei que este conto é uma ficção mas tem que ter alguns ingredientes de realidade nisso, e na real, na vida real é simplesmente impossivel alguma pessoa normal passar por isso no lugar do Genildo, ouvir todas as baboseiras que foram contadas principalmente pela namorada que não expressou emoção nenhuma contando suas traições e o cara simplesmente não mandar todo mundo ir pra puta que o pariu e falar mais um monte de palavrões para todos eles mas ao invés disso fica calado ouvindo tudo e tentando compreender der e aceitar.

não , definitivamente não dá pra aceitar.

agora falta eles marcarem o casamento e na noite de núpcias ela faz uma suruba com todos os outros enquanto ele fica olhando. só falta isso agora

sinceramemte essa parte fugiu muito da realidade e matou o conto

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O escritor tá conduzindo o conto como se tivesse havido somente uma suruba causada pela tempestade, o que só por esse fator não se justifica tal fudelança, esquece que foram várias surubas, e que se Genildo não tivesse descoberto essas surubas continuariam, por que esse papo de ser a última não cola, e por último tentar fazer de Genildo um corno manso com argumentos fraquissimos. Como que o namorado sem ser corno, ou ter vocação, depois disso tudo, vai fuder com a namorada e não vai lembrar que ela fudeu com aquela turma toda, não uma mas varias vezes, inclusive dando até o rabo e levando gozada na cara, com outro agravante a namorada vendo que o perdão veio muito facil, terá uma porta escancarada pra fuder com quem quiser o resto da vida, porque quem aceitou vários chifres acaba aceitando mais e até vicia em ser chifrudo. Realmente matou o final do conto

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Sabia que isso ia acontecer,falando que ele traiu a mãe e namorada antes só pra transformar o cara em um corno manso,já deu não leio mais nenhum capítulo tá um nojo esse conto

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Nao sei...

Existem relações e relações.

Uma coisa é a situação entre os amigos e a professora, outra é a relacao entre ele a namorada e a mae.

Ok, entendo que voce simplesmente ignorou toda condição humana que tange sentimentos para criar personagens completamente racionais e de mente aberta.

Ocorre que esse tipo de raciocínio acaba jogando a historia para baixo pq tudo, absolutamente tudo se torna aceitável.

A linha que marca uma possivel ética e moral acaba sumindo e tudo passa a ser analisado por um ponto de vista extremamente lógico.

A coisa deixa de ser humana e passa a ser robótica.

A conversa entre ele e a namorada foi pífia, nao houve desculpas por parte dela e nem arrependimento real por ter machucado Genildo de alguma forma. E ele simplesmente nao conseguiu exprimir a dor que sentiu.

Foi simplesmente um diálogo de sim pq sim.

Sobre a parte em que ele traiu a namorada antes, achei uma jogada muito baixa do autor. Prefiro iguinorar essa parte. Nao acrescenta em nada para a historia, pois o assunto se quer foi abordado na conversa ente ele e ela.

A parte da chave da historia que seria uma conversa as claras entre o casal passou, sobrou algo para esse conto, além de justificativas ?

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Não gostei muito da inclusão tardia de podres do Genildo para justificar uma aceitação do que ocorreu com o grupo. Assim como não estou muito a vontade com ele ignorar as coisas que a namorada fez. Ela sabe que mentiu para ele para dar as escapadas e isso tem que ser dito.

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Apesar de não concordar com o aparente rumo que as coisas estão seguindo, o autor conseguiu desenvolver uma saída para acomodar tudo. Não concordar com ela, eu acho ok. Até pq o capítulo enterra todo o esporro que ele deu no grupo. Fortalece o grupo. E me espanta que ele tenha supostamente lido todas as mensagens e ignorado aquelas em que eles estavam falando putaria. Inclusive a namorada dele. Na história de hoje ele “recebeu prints”. Ele não foi adicionado com todo o histórico, pelo jeito. A maioria das mensagens não tem nada a ver, mas tem a combinação do sítio, do motel, os comentários de transas. Não é possível que ele tenha lido isso e ficado de boa. Astrogilldo, gosto muito do seu trabalho. Se fosse possível esclarecer isso, eu agradeceria.

Sinceramente eu espero que você tire um coelho da cartola e faça o Genildo descobrir o que não foi dito ou interpele as pessoas com as perguntas certas. Pq ele pode até abrir as merdas que fez, mas tb tem munição suficiente para jogar na cara de todos. Salvo engano a namorada fez DP com os amigos e ela não fala nada disso?

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Fala Normal,beleza? Rapaz,fico impressionado que falo fe mistério o tempo todo e vcs ignoram. Só falam que o cara é "corno manso". Que não tem como aceitar. Que ele fou traído. Vcs acham normal um grupo se encontrar sem marcar? Normal isso? Pq não observam isso? Só que o grupo continuou ma suruba? A dúvida que vcs tem sobre o conto eu tenho sobre a omissão de vcs ignorar que estou apontando mistérios e vcs não se atentam. A dúvida é recíproca. Se vc puder responder isso,agradeço também.

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Astrogildo você sempre nos surpreende e eu estou contando com isso e que esse mistério falado por você se dissolva e possa trazer o conto para mais próximo de como seria a reação (em especial a do Genildo)dos envolvidos em um caso desse. No fundo eu senti falta desse realismo, mesmo sabendo que se trata de ficção

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Kiquinho,beleza? Desde o sétimo capítulo,quando abordei o encontro,esperava que já atentassem que existe algo além da traição conjunta - que vcs se apegaram a isso de um jeito que não conseguem ligar esse fato misterioso que vai além da traição pura e simples! Já deixei claro nesse quesito que não há um fator totalmente consciente por parte de todos,mas a insistência que Genilson tome uma atitude que vcs achem que deve ser tomada,fica difícil demais pra mim desenvolver isso.

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Se meteu em uma enrascada rsrsrsrs eu via a seguinte cena.

Quando ele acordasse e visse toda aquela gente ali na casa dele ele iria ter um troço e mandar todos pro inferno, falaria um bando de palavrões ou seja seria um momento de catarze expondo assim toda a sua dor que foi sentida sozinho enquanto os outros sentiram em conjunto e se aliviaram de diversas formas rsrsrs. Ele depois em outro momento até poderia com o tempo ouvir mais e tentar entender mais, porém naquele momento eu não consigo ver de outra forma.

E veja bem, até mesmo a namorada se escorou nos outros para poder explicar alguma coisa. Em momento algum ela tentou procurar ele e realmente se explicar e mostrar arrependimento, somente agora depois de muito tempo ela foi conversar com ele e isso ficou muito frio. Espero que me perdoe por essas colocações que não desmerecem em nada seu ótimo trabalho pelo qual eu sou muito grato.

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Na verdade,Kiquinho,Genildo não esperava que o grupo fosse argumentar. Entenda que tudo sempre está envolto de algo que ninguém consegue explicar direito e por isso mesmo o arrependimento não é um quesito. Você se arrependeria de algo que não sabe bem como foi se orientando? Não existe isso, o arrependimento não é o ponto central e quero deixar isso o mais claro possível.

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Ok, os outros não mostrarem arrependimento eu entendo, mas a namorada fica meio difícil de aceitar, ela diz que ama mas não age dessa forma e se mantém fria como se fosse simplesmente mais alguém do grupo e ela não é mais uma ela é a pessoa que ela gosta e isso muda tudo, mas entendo que o mistério que você fala deve estar interferindo fortemente nas ações dela.

Agora nos resta esperar ansiosamente os próximos capítulos para descobrir esses mistérios

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Acredito que as críticas estão voltadas a um único ponto, que é a "reação emotiva".

Nao tem problema todos se acertarem no final. O problema é a reação que tomaram para chegar a esse caminho.

Veja, quando o Genildo descobriu o que houve, ele teve ali a reação que um homem comum teria, a emoção desse capitulo foi espetacular e muito condizente com o que o leitor estava esperando da historia.

O capitulo posterior ja foi por sua vez um balde de água fria, aquela reunião do grupo para conversar e explicar as coisas para o Genildo poderia ter sido mais intensa, seguindo a linha do capitulo anterior.

Nao houve debate, nao houve lágrimas, nao houve se quer um único grito. Foi um capitulo onde o grupo simplesmente trouxe sua "teoria e justificativa" e ficou por isso mesmo.

A mae do Genildo nao teve a reação de arrependimento que os leitores esperavam, poxa cara, ela ajudou a acobertar práticas sexuais da namorada do filho e participou de tudo. Me desculpe, mas era esperado uma conversa franca, dor e sentimento em que uma mae busca-se a desculpa do filho por um ato quase criminoso.

A reação da até então namorada foi fria e distante, ela parecia só mais uma amiga e muito pouco falou e acrescentou.

Entenda que apesar do "fator mistério e mistico" que foi construído ao longo da história, o fator traição tambem foi construído e foi determinante.

Muito poderia ser dito entre os envolvidos.

A coisa ficou tao lógica, que o Genildo simplesmente aceitou tudo e pagou pra ver, aceitando tudo, foi algo muito simplista que iguinorou toda a tragédia.

Esse encontro dele e da Naiara foi algo frio, a própria Naiara se quer conseguiu demonstrar se de fato sente algo pelo Genildo, pq se ela ama mesmo ele, se ela tinha de fato alguma culpa como foi demonstrado ao longo da história, ela poderia ter demonstrado isso e pedido uma chance, assumido alguma culpa.

Tanto se falou entre os personagens dos sentimentos durante a tragédia, que pouco se falou do sentimentos do Genildo.

E justamente esse fator "sentimentos do Genildo" como a busca da compreensão dele sobre o ue ocorreu e a meia culpa dos envolvidos em buscar o perdão dele, é o que faria de fato ele entrar no grupo como um verdadeiro participante. A impressão que ficou, foi que ele entrou somente como um mero observador, pq faltou o impacto real da presença dele.

Fizeram uma nova viagem de barco e tudo foi normal, como se ele se quer estivesse ali, a presença dele nao teve peso para absolutamente ninguém.

Faltou humanidade para os personagens, eles sao totalmente lógicos e racionais, e como disse anteriormente, esse tipo de personagem quebra a história, pq aquela sensação de perda, dor e tragédia se esvai, aos olhos do leitor tudo se torna aceitável e totalmente manso.

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Diga aí Osoriohorse,vc sempre com análises profudnas, hein?Bom,na minha concepção da história tudo está envolto em algo que não há uma explicação justa.Acho que as coisas entre os leitores está indo muito na linha "traição incalculável", sem se dar conta da sucessão de fatos que muitos não conseguem administrar e Genildo vem observando isso, ou tentando, mas ele mesmo pode estar sendo abarcado por essas sensações, isso não ficou claro? Deixei o cara absolutamente confuso, mas estão cobrando sentimentos.Vamos ver se consigo responder a isso, o conto segue.Valeu!

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Kkkkkkk eu reflito muito sobre o que leio e as vezes acabo criando muitas interpretações

Essas sensações ficaram confusas.Pq do mesmo jeito que eles batem na tecla para justificar a primeira suruba estando eles na tempestade de Dionísio. Nas demais integrações eles nao estavam juntos em uma situação de quase morte. O encontro na chácara com todo mundo pelado e fumando maconha foge dessa narrativa.

Talvez a "sensação" deveria ter sido inserida com mais força na historia e criando entre os personagens nao apenas a sintonia que surgiu do grupo, mas como algo mais fantasioso e obscuro, como pesadelos recorrentes, sensação de estarem sendo observados e coisas nesse sentido, que fossem estranhas e acontecesse somente para os 11 envolvidos.

A justificativa das orgias ficariam mais interessante e daria de fato uma sensação mais real de algo intangível e inexplicável ao grupo.

E em todo caso, voce criou 02 problemas, um foi a traicao e o outro foi essa "sensação inexplicável" dos 11.

A traicao foi algo mais abordado, sólido e visível aos olhos do leitor.

O sentimento indefinido foi usado de forma muito sutil, ficou mais com cara de "desculpa esfareapada" que usaram para manter o ato sexual.

Outra coisa que seria interessante abordar, seria o fato do Genildo nao olhar estranho em nenhum momento pra turma e se perguntar "cs

arai, todo mundo aqui comeu minha mae e minha namorada"

Ou como todo homem passar a criar comparação do tipo "e se alguém aqui pegou a Naiara mais gostoso que eu ? E se ela sente algo por alguém aqui e se alguem aqui sente algo por ela ?"

Ou em nenhum momento ele vai se perguntar se nao fazem piadas sobre ele ? Pq ele aceitou tudo muito fácil.

Eu sei que abordar isso na sua história sera complicado, mas sao coisas interessantes para ele conversar com o grupo e com a namorada.

Ele ouviu todo mundo e aceitou tudo o que disseram, mas ninguém perguntou, cara na real o que voce sente agora? Nem constrangimento ele demonstrou.

Vamos ao mistério então né..

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Muito bem abordado isso Osório pois fica difícil para qualquer homem por mais sinceras que sejam as explicações aceitar de forma tão mansa que todos ali comeram a mulher dele várias vezes e com a anuência da mãe dele, sei que todos tentaram se explicar mas o gosto amargo na garganta deve ser horroroso.

Outro ponto importante que você tocou foi que todos se protegeram uns atrás dos outros falando unicamente da necessidade de ficarem juntos mais ninguém, nem a mãe chegou pra ele e perguntou como ele estava se sentindo sabendo que todos comeram por diversas vezes a namorada dele.

O que vi na realidade foi um bando de gente querendo que ele entenda e aceite mas ninguém preocupado com o emocional dele, nem a mãe.

O mistério que me pega é a mansidão dele em aceitar tudo isso, será que ele é realmente um boi manso e se for o que a namorada safada (minha opinião) vai fazer com o bonzinho a partir de agora.

Aposto que nosso querido autor vai nos surpreender novamente e vai mostrar quem é quem de verdade nisso e torço para o Genildo não ter nada de manso na real.

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Astrogilldo, tudo bem. E vc? Eu percebi a questão do mistério, mas não percebi no conto (posso estar errado) qualquer sinal que tenha alguém orquestrando esses encontros. Uma vez todos se encontraram, ok. Coincidência. A não ser que eu não esteja percebendo algo óbvio, os encontros seriam obra de algo sobrenatural, hipnose ou sei lá qual o motivo que vc vai sustentar (estou curioso para saber). Vou até reler desde o começo. Contudo, o mistério não exclui, salvo melhor juízo, os pontos que todos vem apontando. O mistério vai explicar o comportamento da Naiara e da mãe de não contarem tudo para ele depois que ele descobriu? Ele teve acesso a todas as mensagens do grupo? Soube detalhadamente de tudo que aconteceu? Se ele soube de tudo, em todos os detalhes e aceitou, ok. A questão é que ele teve uma postura quando invadiu a suruba de despedida, teve um treco e depois começou a entubar pq lembrou que tem rabo preso, que a explicação do YouTube era válida e que a fala da professora fez ele se colocar no lugar das pessoas. Esse argumento seria válido se só tivesse ocorrido uma suruba, ou que as pessoas em determinado momento não ficassem relembrando transas no grupo.

A história é maneira. Entendo que você tem uma linha de raciocínio para desenvolver a história, só que tem essas pontas soltas que me pegam. Se quiser mandar uma mensagem no privado para trocar uma ideia, fique a vontade.

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E concordo com o Kiquinho. Ele poderia entender em um segundo momento, quando as coincidências dos encontros aleatórios se apresentassem. Até o momento da conversa apenas uma vez tinha ocorrido o encontro sem eles marcarem. Nas outras foi intencional. Ele não tinha elementos para, com base em um único encontro aleatório, já perdoar. E a conversa da ex com ele foi fria demais. E a mãe ligou o foda-se para ele. Vale a “verdade” do grupo.

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Talvez,Normal,ele tenha verificado o grupo como uma unidade,sem se ater se a mãe tava ali, a namorada,naquele momento todos,inclusive elas, estão numa mesma situação de possível envolvimento em algo maior do que o simples fato de, por ser mãe e por ser namorada, TER QUE agir diferente. Não, pois, se assim fosse, o mistério desapareceria!Elas teriam que - como mãe e namorada - estarem num status maior do que todas as outras mentes, e não estão, tá todo mundo englobado e Genildo vê o conjunto das pessoas, e não o grau de parentesco ou afetividade!Veja... se ele tivesse verificando que por ser mãe e namorada é mais grave, ele não acharia que tem algo errado.Porque teria algo errado com uns,mas com a mãe e namorada - por serem mãe e namorada - estaria no nível de traição??Se todos estão no mesmo patamar coletivo?Não pode haver essa distinção,se há mistério!Beleza?Qualquer dúvida, é só falar. Vc, Kiquinho,e OsorioHorse estão com questionamentos semelhantes,então por aqui a gente continua o canal de diálogo,beleza?Valeu!

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Percepções um pouco diferentes meu querido mas sempre com muito respeito, carinho e gratidão por nos presentear com sua obra

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Veleu,Kiquinho,obrigado.Mês que vem já tem outra história,heheheheheheh...quiser acompanhar,chegue mais,será bem vindo,mas vou terminar essa aqui.Um abraço

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É que encaixar uma conversa dessa na historia depois de todo mundo ter ido fazer um passeio de barco como se nada tivesse acontecido é complicado. O ponto meio que ja passou.

Talvez se a galera ou algum personagem em específico perguntasse o que ele sente com tudo isso, daria oportunidade dele falar sobre a traicao, a falta de confiança plena, as dúvidas em relacao a namorada, a sensação de estar com pessoas que se relacionaram sexualmente com ela, a dúvida se derrependete Naiara chegou a criar sentimentos por alguém do grupo, se em algum momento ela comparou ele com algum deles, e qual a importância dele na vida dela com tudo isso que aconteceu, sera que ele satisfaz ela ? Ou sera que ela gostou de estar com outros pintos? Ela olha e sente tesao em relacao a alguns deles ?

Acho que seria o mínimo de conversa pra saber se vão voltar ou nao.

Tá tudo muito normal.

Põe mais peso emocional nesse grupo ae Astrogildo.

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Ai que está,Osoriohorse,o ponto é que a história está pronta desde que passei a publicar.Eu só lanço um conto novo quando ele está todo pronto e finzalizado. Eu busquei muito a questão da relação de Genildo com o grupo inteiro,como um bloco,eu não tentei separar Naiara e a mãe do resto,como respondi a Normal,a situação envolve a todos,e todos estão no mesmo status,pois o grupo é uma unidade.Mas é claro que elas se sentiram diferenciadas,mas é ele quem não está diferenciando,pois todos,incluindo elas,estão no mesmo combo enigmático.Daí eu não ter dado tanta importância ao sentimento dele em separado em sua relação com Naiara e todas essas dúvidas que ele poderia ter na relação dela com alguem específico.

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Entendi...

Bom, mas se na próxima voce decidir envolver a mae e a companheira de um personagem, pense em dar um "tchan" a mais nesse situação.

Digamos que os leitores gostam de um bom drama conjugal

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Desculpe, não tem como o cara verificar o grupo como uma unidade, como vc fala e ignorar que a namorada e a mãe dele participaram de 4 orgias sem a presença dele, sendo que apenas a primeira era a da tempestade e um que teve a tal coincidência misteriosa.

Eu concordo com as colocações do Kiquinho e do OsorioHorse. E vc não respondeu a minha pergunta se o Genildo teve acesso à todas as mensagens do grupo.

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Aí,normal,é o seguinte... no momento que o grupo se encontrou aleatoriamente, as coisas se deslancharam de modo que o acontecimento inexplicavel acabou desencadeando situações e momentos "divertidos",digamos assim,que desvirtuaram o foco apenas no online. Genildo está se dando conta que tem algo por trás disso, então - pelo menos quando desenvolvi a história - os acontecimentos pós encontro inesperado estão nesse escopo enigmático,e ele não está se atendo a isso, ou pelo menos começando a considerar,que aquele grupo não orquestra as coisas de maneira consciente.E se, caso ele estivesse desde o início,ele poderia estar na mesma situação.Ele não está operando no prisma da traição deliberada, e sim numa esquematização que está fugindo de uma decisão conjunta.Estou tentando "salvar" o personagem,mas também,coloquei situações do passado dele que não o colocam como o "mocinho puro".Se faltou mais reações explosivas a ele,posso ter pecado,também não vou aqui dizer q pensei nisso o tempo todo, a história é longa e me detive em outras problematizações.

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Confesso que não sei o que dizer…rs

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