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Com ou sem emoção?

Um conto erótico de Casal Apimentados
Categoria: Grupal
Contém 1013 palavras
Data: 17/08/2026 02:48:03

Com ou Sem Emoção?

Existe uma pergunta que mudou o rumo do nosso casamento. Ela foi feita no escuro, por um desconhecido, e a resposta levou menos de três segundos.

Mas vamos com calma.

Somos leitores antigos daqui — acompanhamos os contos há anos — e este é o nosso primeiro texto publicado. Prazer, somos o Casal Apimentados. Vamos nos apresentar como Jorge e Lúcia, nomes fictícios, pelos motivos óbvios.

Esta é a história da nossa primeira vez no mundo liberal. E, sinceramente, ela começou sem nenhuma intenção de acabar do jeito que acabou.

O convite inocente

Ano de 2017. Na época, tínhamos a ideia de abrir uma loja virtual de produtos eróticos, e alguém nos disse que a Erotika Fair, em São Paulo, era o lugar certo para entender o mercado: lançamentos, fornecedores, novidades. Fomos com esse propósito. Bloco de anotações na cabeça, orçamento no bolso, zero segundas intenções.

Lúcia convidou três amigas do trabalho e fomos todos em um carro só.

Já que vamos passar um tempo juntos, deixem eu apresentar o elenco.

Eu, Jorge: negro, 33 anos na época, 1,85 m, corpo forte sem ser musculoso.

Lúcia, minha esposa, a mesma idade: 1,72 m, loira natural, olhos verdes, seios fartos e umas coxas grossas que — posso falar? — sempre foram meu ponto fraco.

As amigas dela eram bonitas, mas duas chamavam atenção de longe: uma loira e uma morena, ambas do tipo que faz o ambiente virar a cabeça quando passa. A terceira era mais discreta. Os nomes ficam de fora, e por um bom motivo: duas delas eram casadas e foram sem os maridos saberem.

A fila

Passamos a tarde circulando pelos estandes. Vimos de tudo — brinquedos, lingerie, cosméticos, coisas que a gente nem sabia que existiam. Estava sendo exatamente o que a gente esperava: uma tarde de trabalho disfarçada de passeio.

Até que notamos a movimentação.

Num canto do pavilhão havia uma fila enorme, muito maior que a de qualquer outro estande, e uma agitação diferente. As pessoas saíam de lá rindo, com o rosto vermelho, cochichando. Perguntamos do que se tratava e a resposta veio pela metade:

— É um labirinto escuro. Com interação.

Só isso. Ninguém explicava o resto, e era justamente isso que deixava todo mundo curioso. As amigas da Lúcia não deram chance de discussão: entraram na fila e nos puxaram junto.

Ficamos ali quase quarenta minutos, especulando. Ainda sem maldade nenhuma — juro. Achávamos que era uma casa de sustos temática, alguma brincadeira boba de feira.

E então chegou a nossa vez.

A brincadeira

O labirinto era exatamente isso: um corredor completamente escuro. E lá dentro havia gogo boys posicionados para as mulheres e go-go girls para os homens.

Uma das amigas entrou acompanhada de um rapaz aleatório que estava na fila. As outras duas entraram na sequência. Por fim, sobramos nós.

Na entrada, o rapaz que controlava o acesso perguntou se a gente já conhecia a brincadeira. Dissemos que não. Ele então olhou direto para a Lúcia e fez a pergunta:

— Com ou sem emoção?

Ela virou o rosto para mim. Aquele olhar de quem pede permissão e ao mesmo tempo já sabe a resposta que quer ouvir.

— Amor, a gente enfrentou essa fila inteira — eu disse. — Vamos aproveitar a brincadeira.

Ela voltou-se para o rapaz. Um negro sarado, que eu lembro até hoje.

— Com emoção.

A garota que ficaria comigo era negra, baixinha, tipo mignon, uma delícia. Eu só completei, rindo:

— A patroa falou, tá falado. Com emoção.

Dois minutos

Entramos.

O escuro era total. A cada passo, alguém aparecia — uma mão no ombro, um corpo roçando, um sussurro perto do ouvido. Os gogos vinham e tiravam uma casquinha. E eu, que não sou bobo, aproveitei também: tirei minha casquinha das meninas de lingerie ao longo do percurso.

Aí eu olhei para o lado.

Não acreditei no que vi. Dois gogos tinham feito um sanduíche da Lúcia. As mãos deles passeavam pelo corpo dela, os corpos se esfregando no dela, e um dos dois, mais ousado, tomou a boca dela num beijo de língua.

E ela retribuiu.

Eu fiquei parado ali, incrédulo. Nada daquilo tinha passado pela minha cabeça como possibilidade. As mãos dela viajavam pelos corpos dos dois, o cabelo dela já bagunçado, e eu esperava sentir ciúme — era o que qualquer marido esperaria sentir.

Não senti nada disso.

O que eu senti foi tesão. Um tesão que eu não conhecia, que eu não sabia que existia dentro de mim.

A brincadeira toda deve ter durado uns dois minutos. Lá dentro, vivendo aquilo, pareceu uma eternidade.

O papel no bolso

Ela saiu do labirinto vermelha, ofegante, com o cabelo e a roupa desarrumados. Eu saí de pau duro, tentando me recompor no meio de um ambiente público lotado.

Na saída, entregaram um panfleto. Propaganda de uma casa de swing, o Hot Club.

Guardei o papel no bolso sem pensar muito.

Lúcia, ainda recuperando o fôlego, só disse:

— Eu gostei.

As amigas estavam todas elétricas, falando por cima umas das outras. Deu nosso horário, entramos no carro e voltamos para casa.

Em casa, quando o silêncio chegou, eu tirei o panfleto do bolso. Fomos pesquisar juntos: onde ficava, como funcionava, quanto custava. Ninguém falou em ir. Só ficou aquela curiosidade no ar, pesada, ocupando espaço.

(Detalhe que eu só descobriria depois: ela e o gogo tinham trocado telefone.)

A noite

À noite, saímos só nós dois para um pagode.

E o que tinha acontecido de tarde não largava a Lúcia. Ela dançava colada em mim, e eu percebia — ela estava molhada a noite inteira, a cabeça ainda dentro daquele corredor escuro.

O pagode acabou cedo. No caminho de volta, ela olhou pela janela e disse, sem me encarar:

A noite tá gostosa. Você pode me levar aonde você quiser.

Eu peguei o celular no semáforo e fiz uma busca rápida. Foi assim que apareceu: uma casa de swing recém-inaugurada em Santo André, a The26 Club. Mais perto que o Hot Club.

Copiei o endereço. Coloquei no GPS. E virei o carro.

O que aconteceu lá dentro eu conto no próximo conto.2

Casal Apimentados

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Foto de perfil de Apimentados Apimentados Contos: 27Seguidores: 19Seguindo: 0Mensagem Casal de São Paulo que adora novas amizades 🌶️

Comentários

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Cumplicidade é isso aí. Quem tem, tem e não fica sentindo ciumecos bobos

1 0

Listas em que este conto está presente

⭐⭐⭐
Cuckold, ménage, fetiches