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A Professora de Matemática do Coordenador

Um conto erótico de Shaul Noah
Categoria: Heterossexual
Contém 2604 palavras
Data: 17/08/2026 00:33:01

Esta é a história verdadeira — ou tão verdadeira quanto uma história pode continuar sendo depois que passa algum tempo dentro da cabeça de quem a viveu — de um dos acontecimentos mais marcantes da minha vida.

Eu tinha trinta e cinco anos.

Não havia nada particularmente extraordinário em mim. Um metro e setenta e dois, oitenta quilos, corpo bastante peludo, cabelos e olhos castanhos e uma barba preta, grande e fechada, onde começavam a aparecer os primeiros fios brancos. Eu costumava passar nela uma colônia de alfazema. Gostava do cheiro.

Na parede de casa havia três diplomas.

A casa, porém, não era minha.

Também não era grande coisa o Chevrolet preto que eu dirigia, velho o bastante para consumir em gasolina boa parte do dinheiro que sobrevivia ao aluguel, às contas e às demais necessidades de uma vida adulta perfeitamente comum.

Eu era, naquele momento, coordenador de uma escola em ******** ** *****.

A escola tinha mais de mil alunos, dezenas de professores e três profissionais responsáveis pelo acompanhamento pedagógico. Na divisão, ficaram comigo 385 estudantes e dezoito professores.

Curiosamente, eu me dava muito melhor com os primeiros.

Depois de dezesseis anos trabalhando com educação, nunca tinha conseguido estabelecer uma relação tão boa com os adolescentes. Eles apareciam na minha sala para reclamar, pedir ajuda, contar alguma coisa absurda ou simplesmente conversar.

Com os professores, era diferente. Havia entre alguns deles aquela espécie de cansaço que o serviço público consegue produzir quando uma pessoa permanece tempo demais no mesmo lugar: irritação com os alunos, irritação com os colegas, irritação com qualquer um que ainda parecesse gostar do próprio trabalho.

E eu gostava.

Ou, pelo menos, estava começando a gostar novamente.

Até pouco tempo antes eu também havia passado por um período de profunda insatisfação com a minha vida.

Sexual não.

Seria uma mentira dizer isso.

Minha companheira tinha dez anos a menos que eu e um corpo que, mesmo depois de tanto tempo, ainda conseguia me provocar aquela incredulidade infantil de quem olha alguma coisa e pensa: como foi que eu consegui isso?

Nossa vida sexual era intensa. Muito. Transávamos quase todos os dias. Às vezes mais de três vezes. Eu gozava dentro dela, em cima dela, no rabo dela. O único ponto em que ela falhava era no oral. Quase nunca chupava. E quando chupava, era rápido, sem vontade.

Mas sexo nunca foi nosso problema.

Nosso problema começava quando precisávamos conversar.

Ela era maravilhosa para muitas coisas, mas uma conversa longa entre nós frequentemente terminava de uma de duas maneiras: ou ela não compreendia o que eu tentava dizer e se calava, ou compreendia outra coisa completamente diferente e começávamos a discutir.

Foi assim que descobri uma verdade pouco poética sobre mim: sexo podia me satisfazer por algumas horas. Uma boa conversa podia me acompanhar durante dias.

Talvez por isso eu gostasse tanto dos planejamentos escolares.

Foi numa segunda-feira absolutamente comum, no meio do ano letivo, que uma agente administrativa apareceu em um dos corredores.

— Coordenador, tem uma moça querendo falar com o senhor.

Imaginei que fosse uma estagiária.

Quando entrei na sala, ela estava sentada diante da minha mesa.

Jovem. Vinte e poucos anos. Magra. Pele clara. Cabelos castanhos, lisos, passando um pouco dos ombros. Os olhos também eram castanhos, mas mais claros do que os meus, grandes o suficiente para fazer o rosto parecer ainda mais jovem. Tinha o nariz pequeno e ligeiramente empinado e os dentes um pouco desalinhados.

Levantei a mão para cumprimentá-la.

Eu já estava pensando em qual professor poderia recebê-la como estagiária quando ela disse:

— Bom dia, coordenador. Me mandaram para assumir uma carência de Matemática.

Colocou uma carta sobre a mesa.

Eduarda Brent (anagrama que usaremos neste conto)

Licenciada em Matemática.

Nascida em 199*.

Naquele primeiro encontro não senti por ela absolutamente nada.

Isso é importante.

Nenhum raio. Nenhuma música invisível. Nenhuma intuição de que aquela mulher mudaria qualquer coisa na minha vida.

Era apenas uma professora nova e, depois de cinco minutos de conversa, uma professora nova terrivelmente tímida.

Aquilo, sim, me preocupou.

As turmas que receberia não eram exatamente conhecidas pela delicadeza.

Conversamos pouco e nos despedimos.

Às seis da tarde, terminado o expediente, peguei o número que estava na carta de apresentação e escrevi:

— Boa noite, professora. Sou o coordenador da Escola **** *******.

Ela ficou online quase imediatamente.

— Boa noite, coordenador. Eu já sabia que era o senhor.

Aquilo me chamou a atenção.

— Como sabia?

Eduarda explicou que, depois de sair da escola, conversara com algumas amigas. Uma delas era irmã de um dos meus alunos. Pediu então que a amiga procurasse meu número no celular da mãe.

Sorri sozinho.

Não porque houvesse qualquer coisa sexual nisso.

Mas porque aquela garota que quase não conseguia sustentar uma conversa comigo pessoalmente havia encontrado uma maneira engenhosa de descobrir meu telefone.

Havia ali uma personalidade escondida atrás da timidez.

E eu tive vontade de conhecê-la.

Mandei o horário das aulas e disse que, se quisesse, poderia chegar meia hora mais cedo no dia seguinte para receber os diários e algumas orientações.

Ela respondeu apenas:

— Ok.

No dia seguinte cheguei às doze e vinte.

Eduarda estava me esperando desde o meio-dia.

Entreguei os diários, expliquei as particularidades das turmas e, em quinze minutos, terminamos tudo aquilo que realmente precisávamos conversar.

Nos vinte e cinco seguintes, conversamos sobre todo o resto.

Descobri que morava com os pais e seis irmãs. Que era noiva. Que namorava o mesmo rapaz desde os dezoito anos. Que tinha uma motocicleta, embora raramente viesse nela porque tinha medo de dirigir. Preferia ônibus, carona do pai ou do noivo.

Tinha também um salão de cabeleireira com uma das irmãs.

Mostrou-me uma fotografia da família.

Sete irmãs.

— Meu Deus — eu disse.

Ela riu.

O sinal tocou.

Acompanhei-a até o bloco e voltei ao meu trabalho.

O primeiro dia foi um desastre.

Uma agente administrativa me contou depois que as quatro aulas tinham sido caóticas e que Eduarda saíra chorando da última.

Naquela noite escrevi para ela.

— Boa noite. Como foi o primeiro dia?

— Difícil.

A resposta curta dizia muito mais do que a palavra.

Eu disse que o próximo seria melhor.

E decidi fazer com que fosse.

Como Eduarda estava de folga no dia seguinte, entrei nas turmas que ela assumiria.

Não fiz discurso.

Só expliquei aos alunos que aquela professora estava começando, que merecia a oportunidade de trabalhar e que eu esperava deles o mesmo respeito que costumavam demonstrar comigo.

Acrescentei, naturalmente, que quem resolvesse testar os limites descobriria que eu também sabia deixar de ser simpático.

Funcionou.

Quando Eduarda voltou, passei algumas vezes pelos corredores.

As aulas transcorreram tranquilamente.

Fiquei genuinamente contente.

Naquela noite, abri o WhatsApp para escrever alguma coisa e vi:

Eduarda está digitando...

Esperei.

Parou.

Alguns segundos depois:

Eduarda está digitando...

Parou novamente.

Abri sua fotografia.

Ela aparecia abraçada ao noivo. Ele também usava barba.

Voltei para a conversa.

Digitando...

Parou.

Depois da terceira tentativa, resolvi acabar com o sofrimento dela.

— Boa noite, professora.

A resposta veio rapidamente.

— Boa noite, coordenador. Hoje foi bem melhor.

— Que bom. Fico contente.

Alguns segundos.

Então:

— Quero agradecer por ter falado com eles. As alunas me contaram que o senhor foi às salas me defender.

— Não fiz mais que minha obrigação.

Ela hesitou.

— Elas perguntaram se eu era sua namorada.

Eu ri.

Conhecia aqueles alunos.

Eles conheciam minha esposa.

A possibilidade de aquela pergunta ter surgido exatamente daquela forma me pareceu pequena.

Mas resolvi entrar no jogo.

— E o que você respondeu?

A mensagem demorou.

— Que não sou sua. Disse que sou noiva de outro. Mas elas falaram que nós seríamos um casal bonito.

Foi a primeira vez que alguma coisa mudou dentro de mim.

Até aquele momento, Eduarda era uma professora jovem que eu tinha ajudado de forma altruísta.

Depois daquela frase, tornou-se uma mulher que talvez quisesse saber se eu a achava bonita.

E ser desejado por alguém tem uma capacidade extraordinária de alterar nossa percepção.

Especialmente quando estamos convencidos de que não precisamos daquele desejo.

— Eu concordo com elas — escrevi. — Provavelmente seríamos.

Ela demorou para responder.

— Mas somos comprometidos.

— Somos.

Foi exatamente por isso que a conversa deveria ter terminado ali.

Não terminou.

Nos dias seguintes falamos cada vez mais.

Primeiro sobre a escola.

Depois sobre nossas famílias.

Depois sobre relacionamentos.

Depois sobre aquilo que faltava neles.

Descobri aos poucos que a Eduarda tímida da escola desaparecia quando estava atrás de uma tela. Pelo celular, ela perguntava, provocava, ria, contava coisas que dificilmente teria coragem de dizer olhando para mim.

E eu também contava.

Começamos a ocupar um espaço perigoso.

Não era ainda uma traição que pudesse ser fotografada.

Não havia beijo.

Não havia toque.

Mas havia expectativa.

Eu sabia quando ela provavelmente estaria online.

Ela sabia quando eu responderia.

Eu percebia quando uma mensagem tinha sido escrita para me provocar.

E ela percebia quando funcionava.

Certa noite, depois de uma conversa particularmente longa, mandei:

— Você tem ideia do que eu faria se a gente fosse solteiro?

Ela hesitou.

— O quê?

— Eu te foderia até você não conseguir sentar direito. Te deixaria molhada o dia inteiro. Quando eu não estivesse dentro de você, você sentiria falta. Como se faltasse um pedaço do seu corpo.

Ela respondeu só:

— Essa conversa passou dos limites. Eu amo meu noivo.

Mas não bloqueou.

Não parou de responder.

E no dia seguinte a conversa continuou exatamente de onde tinha parado.

Eu pedi detalhes das transas dela com o noivo.

Ela contou.

Como chupava o pau dele. Como ele gozava sobre ela. Como ela limpava depois.

Eu pedi prints das conversas em que ela mandava nudes e ele agradecia.

Ela mandou.

Quando se depilou para ele, pedi fotos.

Recebi. Inclusive do cuzinho lisinho, a câmera bem perto, a luz do banheiro batendo na pele.

Me masturbava quase todos os dias pensando nela.

Gozei várias vezes olhando aquelas fotos.

Uma vez mandei a foto do meu pau sujo de porra, ainda latejando na minha mão, com a legenda:

— Devia ter sido na tua boca.

Ela não respondeu na hora.

Mas à noite escreveu:

— Ainda não te beijei. Como é que eu ia chupar?

Foi ali que a coisa virou de vez.

No dia seguinte encontrei um motivo para acompanhá-la até o depósito de livros.

Entramos.

Fechei a porta.

Por alguns segundos nenhum de nós disse nada.

Eduarda me olhou daquele jeito tímido que eu conhecera no primeiro dia.

Mas dessa vez eu já sabia que aquela timidez escondia outra pessoa.

Aproximei-me.

Ainda havia tempo para qualquer um de nós transformar aquilo numa piada.

Nenhum dos dois transformou.

Passei o braço por sua cintura.

Esperei.

Ela não recuou.

Então a beijei.

Foi um beijo breve apenas no começo.

Depois deixou de ser.

Minha mão desceu pela calça dela, passou pela bunda e encontrou a buceta já molhada.

Ela tremeu quando meus dedos deslizaram entre os lábios.

Aproximei a boca do ouvido dela e falei baixo:

— Espero que toda essa umidade não seja esperma do teu noivo.

Ela riu, ainda ofegante.

— Ele não me comeu essa semana ainda.

Ficamos só nisso.

Mas eu saí dali com o pau duro demais para fingir que nada tinha acontecido. Fui direto pro banheiro da minha sala, tirei o cinto, abaixei a calça e gozei na mão, imaginando a boca dela em volta do meu pau.

À noite mandei:

— Agora que já me beijou… pode me chupar?

A resposta veio depois de quase meia hora:

— Acho que sim. Mas será que dá certo? O do meu namorado é fino. Se o do senhor for grosso demais eu não sei se faço direito. Podíamos fazer um teste.

— Que tipo de teste?

— O senhor senta numa cadeira e eu sento por cima. Só colocar dentro. Se der, a gente vê uma outra situação.

Aquela imagem em minha mente me ajudou a gozar sozinho de novo.

No dia seguinte, no intervalo, mandei ela para a sala de vídeo que estava interditada.

Esperei alguns minutos.

Entrei.

Fechei a porta. Girei a chave. Apaguei as luzes.

A sala estava quase às escuras, iluminada só pela claridade que passava pelas persianas. Lá fora o corredor continuava cheio de vozes, passos, cadeiras arrastando.

Ali dentro parecia existir outro mundo.

Eduarda estava encostada numa das mesas, as mãos apertando a borda.

— Temos pouco tempo — disse ela, bem baixinho.

— Eu sei.

Aproximei-me.

Dessa vez não houve hesitação.

Beijei-a com força. Ela segurou minha camisa e me puxou pra perto, como se também soubesse que não tínhamos tempo pra fingir prudência.

Minha mão passou pela cintura dela, desceu e encontrou o botão da calça.

Desabotoei.

Abaixei a calça e a calcinha juntas até a metade das coxas.

Ela respirou fundo quando o ar frio da sala tocou a pele nua.

Eu abri o zíper, tirei o pau pra fora. Estava duro pra caralho.

Passei a cabeça pela bunda dela, esfregando devagar, sentindo o calor.

Quando a cabeça tocou a entrada da buceta, Eduarda empinou e empurrou a bunda pra trás, fazendo o pau entrar uns dois ou três centímetros sozinho.

Ela estava encharcada.

Eu entrei mais um pouco.

Devagar. Sentindo cada centímetro.

Ela soltou o ar pela boca, a testa apoiada no braço, as pernas já tremendo.

— Porra… — murmurei contra o pescoço dela. — Que buceta apertada.

Continuei entrando aos poucos, saindo quase todo e voltando, lubrificando o pau com o mel dela. Cada vez um pouco mais fundo.

Quando enfiei até o fim, ela soltou um gemido baixo e as pernas fraquejaram. Quase caímos. Eu a segurei pela cintura com força, o pau completamente dentro, latejando.

Do corredor chegaram vozes.

Paramos.

Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que alguém ia ouvir. Eduarda levou a mão à boca, tentando conter a respiração.

Os passos passaram pela porta e se afastaram.

Ela olhou por cima do ombro. O rosto vermelho, os olhos brilhantes, um sorriso nervoso, quase incrédulo.

— Continua — sussurrou.

Eu voltei a me mexer. Curto. Contido. Cada estocada abafada pelo barulho do corredor.

Ela tremia cada vez mais. As pernas, a barriga, a buceta apertando o meu pau em espasmos pequenos.

Eu mordia o lóbulo da orelha dela e cobria a boca dela com a mão quando o gemido ameaçava sair mais alto.

O tempo estava acabando.

Eu sentia o gozo subindo, pesado, urgente.

Mas o sinal tocou.

Nós dois congelamos.

O pau ainda dentro dela.

O corredor, que estivera relativamente vazio, começou imediatamente a ganhar vozes e passos.

Eduarda abriu os olhos.

— Eu tenho aula…

Havia algo quase absurdo naquela frase.

Poucos segundos antes estávamos fazendo aquilo que durante semanas fingíramos que talvez nunca acontecesse.

Agora ela precisava ensinar matemática.

Afastei-me. O pau saiu molhado, brilhando, ainda duro, latejando de raiva por não ter gozado.

Eduarda permaneceu alguns instantes apoiada na parede, recuperando a respiração, a calça e a calcinha ainda no meio das coxas.

Depois começou a ajeitar a roupa com mãos trêmulas.

Eu a observava sem conseguir decidir se estava satisfeito ou frustrado.

Não tínhamos terminado.

Talvez por isso aquilo parecesse ainda mais perigoso.

Antes de abrir a porta, Eduarda se virou para mim.

O rosto vermelho. Os lábios inchados. O cheiro dela ainda no meu pau.

— Isso não aconteceu.

Sorri.

— Claro que não.

Ela tentou sustentar uma expressão séria.

Não conseguiu.

Abriu a porta e saiu.

Eu permaneci sozinho por mais algum tempo, o pau ainda semi-duro, a calça molhada por dentro, o cheiro dela impregnado nos dedos.

Foi então que percebi o verdadeiro problema.

Nossa primeira vez havia sido interrompida.

E, longe de diminuir o desejo, aquilo deixara em nós a sensação de uma frase interrompida no meio.

Uma frase que os dois sabíamos que tentaríamos terminar.

Dois dias depois, passamos a tarde inteira terminando.

Mas isso… é outra história.

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