Continuação...
A noite caiu e eu estava sentada na cama, de pijama, tentando ler, tentando fingir que o dia tinha sido um dia normal. “O Donald deve estar bem lá no quarto”, eu pensava, quando bateram na porta.
Ele estava ali. Sem camisa. Aquele peito, aquele corpo, o mesmo corpo que eu tinha lavado, agora de pé na minha porta à meia-noite.
— Oi, Jan. Espero não ter te acordado.
— Que isso, Donald. O que foi?
— É que… eu ainda tô me sentindo meio sujo. Acho que consigo tomar banho sozinho agora. Você se importaria se eu “pegasse emprestado” o seu banheiro? O do meu quarto não tá funcionando direito.
O banheiro de hóspedes. Aquele que eu tinha pedido pro Phillip consertar semanas atrás, e ele não consertou. Até nisso o meu marido tinha aberto a porta pra isso acontecer.
— Ah… — eu engoli seco. — Tá tudo bem, Donald. Pode ir.
— Valeu, querida. Saio rapidinho.
Relaxa, Janice, eu me disse, o coração já martelando. É só um banho. Só isso.
Mas eu já tinha reparado que, desde a tarde, eu vinha contando mentiras cada vez menores pra mim mesma. De manhã era “sou profissional, já fiz isso mil vezes”. À tarde virou “preciso limpar, é higiene”. Agora era “é só um banho”. Cada mentira mais barata que a anterior, cada uma exigindo menos esforço pra eu acreditar. E eu — que fui treinada a ler sintomas, a reconhecer o corpo pedindo socorro antes da pessoa admitir — eu sabia exatamente o que aquilo significava. Significava que eu já tinha decidido. Só estava esperando uma desculpa boa o suficiente pra me deixar fazer o que eu quer‐ ia.
Eu deveria ter aprendido, àquela altura, a não confiar nos “só isso” que eu contava pra mim mesma.
Alguns minutos depois — eu nem sei como — a gente estava deitado na minha cama. Os dois. Ele tinha saído do banho cheirando bem, e tinha dito que estava se sentindo sozinho no quarto grande e vazio, e eu, que conhecia por dentro cada centímetro daquela solidão, não tive coragem de mandar ele embora.
O que que eu tô fazendo?, eu pensava, deitada de lado, sentindo o calor do corpo dele atrás de mim. Isso não pode ir mais longe.
— Sabe — ele disse, baixinho, a boca perto da minha nuca —, que perfume gostoso é esse que você tá usando.
— Ah… mas eu não tô usando nenhum. — E ri, um riso nervoso, idiota. Sua idiota.
— É mesmo? Posso conferir?
E antes de eu responder, a boca dele encostou na minha nuca.
— Eu… não… aah.
Um beijo. Só um beijo no pescoço, molhado, quente, e o meu corpo inteiro se arrepiou e se abriu como se tivesse esperado por aquilo. Porque tinha.
— Meu Deus… isso de novo não…
Ele não parou. A língua subiu pela lateral do meu pescoço, mordiscou a orelha, e eu senti a minha vontade de resistir escorrer pra fora de mim que nem água.
— Não… na orelha não… — eu gemia, e era mentira, era o oposto de um não. — Isso não é justo, Don…
E foi aí que eu vi. O volume na bermuda dele, o desenho daquela coisa enorme pressionando o tecido, tão perto de mim.
— Aquele formato… tão duro… — eu murmurei, sem conseguir tirar os olhos. — Eu… eu tenho que… Com o último fio de sanidade que me restava, eu disse:
— Não. Espera, Don… eu acho… eu acho que a gente devia parar.
E aqui está a coisa mais perigosa que aquele homem fez a noite inteira. Ele não insistiu. Ele não me forçou. Ele recuou.
— Ah… claro. Se é isso que você quer mesmo. — Uma pausa. E então, com uma calma de quem já sabia a resposta: — Mas antes disso… que tal só uma espiadinha? Rapidinho. Você não ia querer?
E eu, que tinha acabado de dizer pra parar, ouvi a minha própria voz responder, pequena e rendida: — Quero.
É assim que acontece. Não é um empurrão. É uma porta que alguém segura aberta, e você — você mesma — dá o passo. Ele só me deu a permissão de querer o que eu já queria.
Ele puxou a bermuda e a coisa saltou de novo, perto do meu rosto dessa vez, dura, latejando, uma gota já brilhando na ponta. À luz do abajur, era ainda mais absurda do que eu lembrava.
— Vou considerar isso um sim — ele disse, puxando a bermuda pra baixo. — Aposto que você nunca pegou uma dessas, né?
— Uhm… n-não.
— Então vem. Dá uma olhada de pertinho.
— Jesus Cristo… — a minha boca já estava salivando, e eu tinha vergonha e não tinha, tudo ao mesmo tempo. — Essa cabeça… parece tão… gostosa.
— Tá faminta, né, minha linda? — ele riu baixo.
— Eu não devia. — Um suspiro que era quase um gemido. — Mas eu simplesmente… não consigo me segurar. Ah… foda-se!
E eu ataquei.
Dessa vez ele estava acordado pra sentir cada segundo, e eu não fiz por obrigação, nem por “ limpeza”, nem por nenhuma das mentiras da tarde. Eu fiz porque eu queria. Porque fazia tempo que ninguém me olhava com aquela fome, e agora que alguém olhava, eu ia me afogar naquilo.
— Eu sabia… eu sabia que você era assim — ele gemia, e cada palavra dele me acendia mais.
— Aaahh… meu Deus, esse pau… é maravilhoso. — Eu subia e descia, babando, os olhos revirando. — Rola gostosa…
Quando ele gozou, foi na minha cara, quente, e eu recebi com a boca aberta e não me reconheci mais no espelho da minha própria cabeça. A boa esposa não estava mais ali. Tinha ido embora em algum degrau lá atrás, e nem tinha se despedido.
— Eita, Jan — ele riu, passando o polegar no meu queixo. — Que boquinha gulosa, hein?
Daí pra frente foi ladeira abaixo, e eu desci correndo.
Ele me deitou, puxou a blusa do pijama pra baixo, e meus peitos saltaram.
— Isso! É disso que eu tô falando. — Ele apertou, pesou os dois nas mãos, sorrindo como criança no Natal. — Pelo menos uma coisa o meu filho acertou na vida: gosto pra peito.
— Donald! Não fala essas coisas… ele… ele é seu filho… — eu protestava, mas arqueava as costas empurrando os peitos contra a boca dele.
— Tem razão. Então deixa eu ocupar essa boca com coisa melhor.
E ele chupou meus mamilos com uma fome que me fez gritar, e eu já não sabia mais dizer não pra nada. Ele me virou, puxou o short do pijama — encharcado, eu estava encharcada, e a vergonha disso só me deixou mais molhada —, e abriu as minhas pernas.
— Não faz isso… — eu implorava, sem convicção nenhuma. — A gente já foi longe demais. Por favor… — Então por que parar agora, querida?
Ele abriu a minha bunda com as duas mãos e eu senti a língua dele onde nenhum homem nunca — o Phillip achava tudo “nojento”, tudo abaixo da dignidade dele — e o pensamento do meu marido passou por mim junto com a língua daquele velho na minha entrada, e eu gozei quase na hora.
— D-Donald, isso é bom demais! Aah! Essa língua… — eu não tinha mais pudor. — Eu amo isso… meu Deus.
— Que coisinha mais gostosa — ele murmurava contra mim, sem pressa nenhuma. — Mel puro.
E quando ele subiu, quando eu senti a cabeça daquela coisa enorme encostar em mim, o pouco de razão que sobrava fez uma última tentativa:
— Ah… eu não acho que isso vai caber. É… é grande demais.
— Relaxa — ele riu, segurando firme na minha cintura. — Vai caber. Eu sei o que eu tô fazendo.
E coube.
A primeira vez que ele entrou, eu vou lembrar até morrer. Ele me deitou de costas, abriu as minhas pernas com as duas mãos — devagar, como quem abre um presente — e encostou a cabeça na minha entrada. Só encostou. Eu senti a pressão, a largura, e meu corpo inteiro travou e cedeu ao mesmo tempo.
— Relaxa, minha filha. Relaxa.
E empurrou. Centímetro por centímetro, a minha boceta se abrindo pra receber uma coisa que ela nunca tinha recebido, as paredes cedendo território que eu nem sabia que tinha. Doeu e foi delicioso na mesma medida, aquele tipo de dor que vira prazer no meio do caminho e não te avisa quando trocou. Eu senti cada veia, cada saliência passando por mim, esticando, preenchendo.
— Uhhh meu Deus!!! — eu gritei, cravando as unhas nas costas dele.
— Eu disse… eu disse que cabia. — Ele gemia, os olhos fechados, saboreando cada centímetro. — Essa buceta é de outro mundo, minha filha.
— Jesus Cristo, esse pau enorme é tão gostoso…
Ele começou a se mover. Devagar primeiro, saindo quase inteiro e voltando até o fundo num golpe só, e cada vez que ele voltava eu perdia um pedaço de quem eu tinha sido. Na mesa de cabeceira tinha um porta-retrato. Eu e o Phillip, sorrindo, no dia do nosso casamento. E o pai dele me comendo bem debaixo daquela foto, cada estocada balançando a moldura, e eu — que Deus me julgue — eu não desviei o olhar. Eu olhei pra foto e rebolei naquele pau.
Aí ele me puxou pra cima. Sem pedir, sem avisar. Me sentou no colo dele, as pernas abertas, e a gravidade fez o serviço — eu desci inteira naquela rola e gritei tão alto que se tivesse vizinho iam chamar a polícia. Os meus peitos pulando na cara dele enquanto eu cavalgava, e ele apertava a minha cintura, guiando o ritmo, me subindo e me descendo como se eu não pesasse nada.
— Isso… rebola gostoso… — ele falou entre dentes, e eu rebolei, e os meus quadris tinham memória própria, faziam coisas que eu não sabia que eu sabia fazer.
Ele me levou até a beira e me tirou de lá. De propósito. Parou. Segurou firme na base do pau pra eu não descer mais, e me olhou nos olhos com uma calma cruel.
— Ah… caralho — eu choraminguei, tentando rebolar, mas ele não deixava. — Seu… seu desgraçado. Eu tava tão perto.
— Calma, querida. Paciência. — Ele riu baixo, aquela risada de quem tinha o controle absoluto. Me tirou do colo dele, me virou de brucos, e me olhou ali, de quatro, exposta, oferecida. — Agora olha só pra você. Empinando a bunda desse jeito… você tá igual uma cadela no cio.
E a coisa mais assustadora é que eu não me ofendi. Eu adorei. Eu empinei mais.
— Humm… não — eu disse, e me corrigi na mesma frase, porque mentir já não fazia sentido. — Eu amo. Não consigo mais viver sem isso.
— É… você gosta, né? Sua cachorra.
— Adoro, Don. Simplesmente adoro esse pau grande.
Ele agarrou nos meus quadris com as duas mãos e entrou de uma vez, até o talo, e eu senti as bolas dele baterem em mim. Começou a me comer de quatro com uma força que empurrava o meu corpo pra frente a cada estocada, os peitos balançando embaixo de mim, os dedos dele afundando na minha cintura. O barulho da pele batendo na pele enchia o quarto, ritmado, obsceno, e eu amava cada se‐ gundo.
— Aah! Tão fundo… tá batendo no fundo de mim…
— Toma tudo. Rebola nesse pau.
— Aaahh! Tão bom! É tão grande, me dá tudo, eu quero tudo! Eu… eu vou gozar!
— Ah, não. Você não vai gozar ainda.
De novo. Ele tirou, e eu senti o vazio me doer. Me virou de barriga pra cima, abriu as minhas pernas de novo, e entrou olhando nos meus olhos, e a intimidade disso — ser fodida de frente pelo sogro, vendo a cara dele, ele vendo a minha — era mais obscena do que qualquer posição. Ele me segurava na beira e me puxava de volta, e cada negativa dessas me deixava mais louca, mais entregue, mais disposta a fazer qualquer coisa pra ele me deixar chegar lá.
Qualquer coisa.
Foi eu que pedi. Isso é importante você entender. Não foi ele. Fui eu.
De joelhos, lambendo aquele pau melado, olhando pra ele por baixo, eu ouvi a minha própria voz sugerir uma coisa que a Janice de três dias atrás teria achado impensável:
— Na verdade… acho que a gente devia tentar uma coisa… o que você acha?
— O quê? — ele ergueu a sobrancelha, olhou pra minha bunda e soltou um riso de deboche. — Ai, meu filho é muito burro.
— Ah, Don… eu não sei. — Eu mordi o lábio. — Parece tão gostoso. Mas eu nunca fiz isso. O Phillip sempre disse que era “nojento”.
Sempre disse que era nojento. Sabe o que é foder a cabeça de uma mulher, ensinar ela a ter vergonha do próprio desejo, e aí um velho aparecer e tratar cada parte do corpo dela como se fosse um banquete? É isso que me quebrou de vez. Não foi o tamanho do pau. Foi ser desejada sem julgamento. Foi ter permissão.
— Shh — ele disse.
— Ah… espera… eu não sei, Don, eu… — Só… deixa entrar, cadela. Ele me empinou com uma mão nas minhas costas, me curvando devagar, e com a outra me abriu. Eu senti a cabeça daquele pau — a mesma cabeça que já me parecia grande demais pra buceta — encostar ali onde eu nunca tinha sido tocada. A pressão começou antes da entrada. Firme, insistente, e o meu corpo reagiu fechando.
— Shh. Respira, minha filha.
Eu respirei. E no meio da expiração ele empurrou, e a cabeça entrou. Eu gritei num som que não era nem palavra nem gemido, um som de animal, e agarrei o lençol com as duas mãos. Queimou. Uma queimação que irradiava, que esticava tudo, que me fez querer expulsar e puxar mais ao mesmo tempo.
— Ah… ai… dói — eu confessei, a testa encostada no travesseiro.
— Aguenta. Aguenta mais um pouquinho.
E ele empurrou mais. Mais um centímetro. Mais outro. E a dor começou a girar, a mudar de cor por dentro, a se misturar com um prazer denso e proibido que eu não sabia que existia ali. Eu senti cada centímetro daquele pau deslizando, abrindo, ocupando um espaço que não era pra ele, e o meu corpo foi cedendo, amolecendo, aceitando.
— Você… aah… você conseguiu — eu ofegava quando senti as bolas dele encostarem em mim. — Seu desgraçado. Você conseguiu.
— Uhmm. Que cuzinho mais apertado. — Ele não se moveu. Ficou ali, enterrado até o talo, me deixando sentir o tamanho todo, me deixando me acostumar. E quando finalmente começou a se mover, foi devagar, saindo um palmo e voltando inteiro, e cada ida e volta me arrancava um gemido novo e mais solto que o anterior.
— Você não pode me tratar assim, Don… eu… aah… eu não sou uma puta.
— Eu sei que você ama. — Ele acelerou, os dedos afundando nos meus quadris, puxando a minha bunda contra ele a cada estocada. — Esse cuzinho apertado não mente pra mim, não, minha filha.
O prazer já tinha engolido a dor inteira. Era só pressão, só plenitude, uma sensação de estar tão cheia que eu mal conseguia respirar, e cada respiração que eu puxava empurrava o meu corpo contra ele de novo. E eu, empinada, tomando o pau do meu sogro no cu embaixo da foto do meu casamento, estava mais viva do que em anos inteiros de matrimônio.
E foi exatamente esse o momento — porque a vida tem um senso de humor cruel — que o meu celular tocou na mesa de cabeceira.
Era o Phillip.
Eu devia ter deixado tocar. Qualquer mulher com meio grama de juízo teria deixado tocar.
Mas eu atendi. Não me pergunte por quê. Talvez porque uma parte doente de mim quisesse fazer aquilo com ele na linha. Talvez porque parar naquele instante fosse simplesmente impossível. Eu atendi, com o pai dele enterrado no meu cu, e encostei o telefone no ouvido com a mão tremendo.
— Oi, Janice — a voz do meu marido, do outro lado, do outro mundo. — Só ligando pra ver se tá tudo bem por aí.
— Oi, ah… Phil. — Eu mordia os lábios com força, tentando engolir cada gemido antes dele sair. O Donald olhou pra mim, viu o celular, e entendeu tudo. Não parou. Pelo contrário: aquele desgraçado abriu um sorriso largo, agarrou os meus peitos com as duas mãos, apertou os mamilos entre os dedos, e começou a estocar mais forte, de propósito, cada golpe empurrando o meu corpo pra frente e fazendo os peitos balançarem na mão dele. — Aahn.
— É… tá tudo ótimo por… aqui… haa.
— Entendi… — uma pausa dele. — Então… você precisa mesmo que eu volte no sábado pra ajudar com o Donald?
— AAHH! SIM… SIMMM! — o Donald tinha batido num ponto que me fez perder a linha entre a resposta e o gemido.
— Ah… precisa é?
— Q-quê… quer dizer, NÃO! — eu me corrigi em pânico. — Não precisa se preocupar com isso…
— Tá bom… — a voz dele, confusa, longe. — Nossa, você tá com uma voz estranha… peraí, você não tá pegando uma gripe, não?
— Unhg… haa… eu tô tão… quente…
— Febre? Poxa, Janice, você sabe que eu não posso ficar doente agora! — o meu marido, preocupado com ele mesmo, como sempre, sem fazer ideia. — Ó, talvez eu fique mais uns dias por aqui…
— N-não… não é incômodo nenhum… hmn! — eu respondia entre estocadas. O Donald tinha me puxado pro colo dele de novo, me sentado no pau com as costas contra o peito dele, e nessa posição eu sentia tudo — cada centímetro daquela rola socando fundo no meu cu enquanto a mão dele descia pela minha barriga e os dedos encontravam a minha buceta, aberta, encharcada, e começavam a me esfregar com a mesma calma cruel das estocadas. Cada palavra normal que eu conseguia montar era um milagre.
— Eu sei que o pai consegue ser um pé no saco, mas…
— Não… não é pé no saco nenhum… aah! — O Donald mordeu o meu pescoço, de leve, só pra me provocar, e eu quase soltei o telefone.
— Que bom. Ainda bem que você dá conta dele.
Dar conta dele. Se ele soubesse. E naquele exato instante eu senti o orgasmo que eu vinha implorando a noite inteira finalmente subir, imparável, e a minha voz quase me entregou num grito.
— O… o que foi agora? — o Phillip perguntou, ouvindo alguma coisa.
— Uhm… é… — eu improvisava, desesperada, o corpo já convulsionando. — Ah… tem um… um rato… — Um rato?
— É! DONALD! ISSO! ACERTA ELE COM ESSA VARA… ohh — eu gritei, e por um segundo genial e in‐ sano as duas frases eram verdade, o rato imaginário e a vara bem real, e o Donald riu contra o meu pescoço e me deu tudo o que tinha.
Eu gozei com o meu marido no ouvido e o pai dele no meu corpo. Gozei gritando um “SIMMM” que servia pros dois, o mundo inteiro se apagando num branco quente, e o Donald gozou junto, jorrando, eeu senti aquele calor me encher enquanto a voz distante e patética do Phillip repetia “Janice? Janice?” de dentro do telefone que tinha escorregado da minha mão pra cama.
Quando eu voltei pra mim, eu estava deitada de costas, o corpo inteiro melado, gozo escorrendo de mim por todos os cantos, o cabelo grudado no rosto. O celular jogado no lençol, ainda com a ligação aberta, coberto de porra, a telinha piscando o nome “Phillip”.
O Donald já estava de pé, se recompondo com a mesma calma de sempre, como quem tinha só terminado uma tarefa da casa.
Eu ouvi, baixinho, a voz do meu marido no telefone antes da linha cair:
— …Janice?
E em algum lugar, longe dali — eu só fui entender isso muito depois, quando a coisa toda começou a fazer um sentido diferente e mais sujo — alguém perguntou pro Phillip:
— Ele conseguiu?
Eu fechei os olhos. Sorri sem querer, um sorriso de mulher acabada e satisfeita, e a última coisa que passou pela minha cabeça antes de eu apagar foi a resposta que o meu corpo inteiro gritava, mesmo que eu não tivesse dito em voz alta:
Sim. Ele conseguiu. Acertou em cheio.
Eu tinha sido uma mulher comportada por trinta e cinco anos.
Faltavam quatro dias pro Phillip voltar.
E eu já sabia, deitada naquela cama que não ia mais nunca ser a mesma, que nenhum desses quatro dias ia ser perdido.