História real com nomes fictícios. Bairro também é outro na cidade de São Paulo.
Quando bati na porta da minha irmã com uma mala pequena e os olhos inchados de tanto chorar, não fazia ideia do que estava prestes a descobrir. Marina tinha três anos a mais que eu, casada com Pedro havia cinco, e moravam num apartamento aconchegante no bairro da Liberdade. Eu tinha sido expulsa da casa dos pais depois de uma discussão que nem importa mais — o que importa é que eles me abriram as portas sem hesitar.
Só que tinha uma regra.
— Aqui a gente não usa roupa — disse Marina, já completamente nua, tomando água de coco na cozinha como se fosse a coisa mais natural do mundo. — Não é nada sexual, Ju. É só como a gente vive.
Eu, aos vinte e seis anos, assenti com um riso nervoso. Naquela primeira noite, fiquei com a camiseta larga e a calcinha. Não me senti pronta. Marina não insistiu. Pedro, que estava lendo no sofá da sala, nem me olhou de forma diferente. Ele é um homem de quarenta e poucos anos, cabelo escuro levemente grisalho nas têmporas, corpo atlético de quem corre três vezes por semana, pele morena clara e olhos castanhos quase negros. Eu não sou feia — tenho um metro e sessenta e três, cabelo castanho ondulado até os ombros, seios médios mas firmes, quadris largos e uma bunda redonda que sempre me deu trabalho para achar calças. Mas naquela noite, eu era apenas a irmã problemática que precisava de abrigo.
Aos poucos, a nudez foi se tornando natural. No terceiro dia, tirei a camiseta para tomar café da manhã. No sétimo, deixei a calcinha no cesto de roupa. Aprendi a andar pela casa sem me preocupar com ângulos, a sentar no sofá sem cruzar as pernas por pudor, a cozinhar de costas para a pia sem me sentir exposta.
E foi então que notei a diferença.
Pedro sempre foi um homem de controle. Nudista há oito anos, ele aprendera a separar o corpo da excitação. Na presença de Marina, sua ereção era algo que acontecia no quarto, à noite, com portas fechadas. Na sala, ele era flácido, relaxado, um corpo entre corpos.
Mas comigo na sala, algo mudou.
A primeira vez, não tive certeza. Estava sentada de pernas cruzadas no tapete, lendo um livro de poesia, quando ele passou para pegar água. Vi do canto do olho a alteração. Rápida. Ele se virou para a geladeira, disfarçou, mas eu tinha visto. O pau dele, que antes pendia pesado e mole, agora apontava tenso para cima. Não é pequeno — mesmo flácido ele é impressionante, mas ereto... bem, ereto ele é imenso. Deve ter uns vinte centímetros, grosso, com a cabeça rosa e larga, as veias saltadas em relevo. Aquela primeira vez, mal pude acreditar no que estava vendo.
Senti o rosto queimar. Não olhei. Não comentei.
Mas comecei a prestar atenção.
Era quando eu me inclinava para frente, meus seios balançando levemente. Era quando me sentava no sofá e cruzava as pernas de forma que minha sexo ficasse visível por um instante. Era quando ria alto, de boca aberta, deitada de bruços no tapete, as nádegas expostas ao ar.
Eu vestida, ele flácido. Eu nua, ele duro.
O constrangimento inicial — aquele calor no rosto, a vontade de cobrir-me — foi dando lugar a outra coisa. Uma pulsação. Uma umidade que não tinha a ver com calor. Comecei a notar que, quando Pedro se virava para esconder a ereção, eu apertava as coxas por vontade própria.
Uma noite, Marina dormia no quarto. Eu estava no sofá, deitada de lado, uma perna dobrada sobre o encosto. Pedro passou para ir ao banheiro. Parou. Olhou.
— Boa noite — disse ele, a voz grossa, diferente.
— Boa noite — respondi, e não mudei de posição.
Ele foi ao banheiro. Esperei. Quando voltou, o pau ainda estava duro, mais duro ainda, e ele não se esforçou tanto para esconder. Sorri. Ele sorriu de volta. Nada foi dito.
A partir daí, comecei a provocar.
Não de forma óbvia. Era no jeito de sentar. De me espreguiçar. De demorar demais para levantar do sofá, deixando as pernas abertas enquanto fingia ler. Às vezes, com Marina na cozinha, eu colocava os dois pés sobre o assento do sofá, as pernas abertas, e fingia me concentrar no celular. Sabia que Pedro, do seu canto, não lia mais nada. Sentia o peso do olhar dele como um toque físico.
Marina, aparentemente, não notava. Ou fingia não notar. Ela é uma mulher de confiança, de liberdade. Tem um corpo lindo, mais alto que o meu, seios grandes, cintura fina, cabelo longo e liso. E ela mantém pelos pubianos — uma escova escura e bem cuidada que contrasta com minha vulva completamente depilada, lisa, exposta. Eu sempre me depilei. Sempre gostei da sensação de nudeza total, de não haver nada escondido.
Uma tarde de sábado, Marina saiu para fazer compras. Eu estava no quarto que dividia com ela — a cama de solteiro encostada na parede, minhas roupas ainda na mala. Estava deitada de bruços, as pernas ligeiramente abertas, folheando uma revista, quando senti.
Um movimento na fresta da porta.
A porta estava quase fechada, mas não totalmente. Um fio de luz entrava. E naquela fresta, eu vi: um olho. A sombra de um corpo. Alguém me observava.
Meu coração disparou. Não me movi. Mantive a posição, as nádegas expostas, e fingi não notar. Esperei. Ouvi passos recuando, rápidos, quase furtivos. A porta do banheiro se fechou ao longe.
Esperei mais um minuto. Levantei. Fui até o corredor, descalça, o coração ainda acelerado.
E vi.
Na parede, ao lado da porta do meu quarto, algumas gotas. Brilhante. Viscosa. Escorrendo lentamente pelo reboco branco.
Não precisei cheirar. Não precisei tocar. Sabia o que era. Pedro me tinha observado, tocado-se na fresta da porta, e gozado ali, no corredor, a metros de mim. E era abundante — aquelas gotas na parede era só o resíduo, o excesso. Ele gozara muito, provavelmente na mão, provavelmente imaginando-me.
Algo se rompeu em mim. Não foi nojo. Não foi raiva.
Foi fome.
Voltei ao quarto. Deixei a porta aberta — não a fresta, a porta inteira. A luz do corredor entrava, iluminava a cama, me iluminava.
Virei-me. Sentei na beirada da cama, de costas para a porta aberta. Abri as pernas. Lentamente, sem pressa, comecei a me tocar.
Um dedo sobre meu clitóris. Círculos lentos. Eu estava molhada — molhada desde que vira o olho na fresta, desde que imaginara a mão dele no pau, desde que sentira o cheiro imaginário do esperma no corredor. Meu clitóris é avantajado. Sempre foi. Sai da capota como um botãozinho, rosado, sensível, e quando estou excitada ele fica enorme, saltitante, implorando por toque. Naquele momento, ele estava duro como nunca, pulsando sob meu dedo.
Gemia. Baixo primeiro, depois mais alto. Não era performance. Era necessidade. Mas queria que ele ouvisse. Queria que ele soubesse que eu sabia. Que eu queria.
— Ah... — gemi, e a voz saiu estridente, propositalmente.
Os dedos aceleraram. Inclinei-me para trás, apoiada nos cotovelos, as pernas mais abertas ainda, oferecendo a visão de minha sexo escura, úmida, pulsante. Enfiei dois dedos dentro de mim, senti a carne quente se fechar em volta, e gemi mais alto.
— Pedro... — sussurrei, sabendo que ele estava no corredor, paralisado, ouvindo.
A excitação me dominava em ondas. Me tocava com fúria agora, os dedos molhados fazendo barulho obsceno no silêncio do apartamento. O clitóris inchado, sensível, cada toque uma descarga. Arqueei as costas, os seios apontando para o teto, e senti a primeira onda subindo.
— Ah, meu Deus... — gritei, sem me importar com os vizinhos, com nada.
O orgasmo me atingiu como um soco. Convulsionante, as pernas tremendo, a boca aberta em um grito mudo. Ainda não parei. Continuei a me tocar, mais devagar agora, sentindo a carne sensível protestar e pedir mais.
A segunda onda veio antes da primeira acabar. Choraminguei, as lágrimas escorrendo pelo rosto, e gozei de novo, mais forte, um jato quente escorrendo por entre os dedos, molhando a cama.
Parei, ofegante. Ouvi passos no corredor. A porta do quarto deles se fechando. Silêncio.
Mas eu sabia. Agora os dois sabiam.
Não aconteceu naquela noite. Nem na seguinte. Marina estava em casa, e a tensão entre nós três era um fio elétrico invisível. Pedro evitava meu olhar. Eu provocava mais, agora sem pudor. Marina, talvez por intuição, talvez por calculismo, saía mais.
Na terça-feira seguinte, Marina foi visitar a mãe. Voltaria só no outro dia.
Eu estava no sofá, nua, quando Pedro saiu do quarto. Ele também estava nua. O pau, pela primeira vez, não estava escondido. Estava duro, imenso, a ponta brilhante de pré-gozo, as veias saltadas, grosso e pesado na mão dele.
Nos olhamos.
— Eu vi você — disse eu.
— Eu sei — respondeu ele. — Eu ouvi você.
Levantei. Fui até ele. Não havia mais espaço para palavras. Peguei o pau dele com a mão, senti o calor, a pulsação, a pele macia sobre a dureza de ferro. Ele gemeu, baixo, e me puxou para si.
O beijo foi violento. Línguas, dentes, saliva. As mãos dele apertaram meus seios, os dedos buscando meus mamilos duros. Gemi na boca dele, ainda massageando o pau, sentindo-o crescer ainda mais em minha palma. Ele é tão grosso que mal consigo fechar a mão em volta dele.
Ele me virou. Apoiou-me no braço do sofá, de bruços. Abri as pernas, oferecendo. Ele não perguntou. Não hesitou. Guiou a ponta do pau até minha entrada, molhada desde a manhã, e empurrou.
Gritei.
A penetração foi profunda, imediata. Ele me preencheu completamente, minha carne se esticando para acomodá-lo. Começou a mover-se, golpes fortes, quase brutais, o som das minhas nádegas batendo contra suas coxas ecoando na sala vazia.
— Mais forte — gritei, e ele obedeceu.
Ele me segurava pelos quadris, puxando-me para cada estocada. O pau batia em um ponto profundo dentro de mim, uma dor boa que se transformava em calor. Sentia cada veia dele, cada centímetro daquela grossura me rasgando em prazer. A mão dele desceu, encontrou meu clitóris avantajado, e esfregou.
Gozei na terceira estocada.
O orgasmo me pegou de surpresa, uma onda que subiu do ventre e explodiu na cabeça. Apertei-me em volta dele, minha carne pulsando, e ele gemeu, quase saindo, mas eu gritei:
— Não para! Não para!
Ele continuou. Minha carne sensível, ainda em espasmos, foi invadida de novo. A dor se misturou ao prazer, e senti outra onda subindo. Ele me virou, sentou-se no sofá, e eu montei nele, de frente, as pernas abertas, o pau entrando ainda mais fundo nessa posição.
Cavalguei. Movimentos circulares, para cima e para baixo, sentindo-o em todos os ângulos. Meus seios balançavam na cara dele, e ele sugava um mamilo, depois o outro, mordendo, fazendo-me gritar.
— Vem — ordenei. — Vem dentro de mim.
— Não posso — ele ofegava. — Não aguento...
— Aguenta — sussurrei, e apertei-me em volta dele, meus músculos internos fazendo massagem no pau.
Ele gritou. Seu corpo se arqueou, e senti o jato quente, profundo, abundante. Ele gozou muito, encharcando-me, o esperma escorrendo por entre nós, quente e denso. A sensação me levou de novo. Gozei montada nele, apertando-o, sentindo cada jato, cada pulsação.
Mas ele não amoleceu.
Desci, ainda tremendo, e ele ainda estava duro dentro de mim. Ri, surpresa, excitada.
— De novo — disse ele.
Ele me levou para o quarto. Deitou-me na cama onde eu me tocara para ele. Abriu minhas pernas, beijou minha barriga, subiu até meus seios, e voltou a penetrar-me. Devagar agora, profundo, cada estocada uma promessa.
Virou-me de lado, minha perna sobre seu ombro, e entrou por trás. O ângulo era diferente, profundo, tocando algo que fazia minhas pernas tremerem sem controle. A mão dele entre minhas pernas, no meu clitóris, esfregando.
Gozei de novo. E de novo.
O quarto orgasmo me fez chorar. Não de dor. De excesso. Meu corpo não aguentava mais, mas pedia mais. Ele me virou de bruços, entrou por trás, e senti a quinta onda subindo antes mesmo dele começar a se mover.
— Pedro... — choraminguei, sem saber se pedia para parar ou continuar.
Ele continuou. O pau, ainda duro, ainda faminto, movia-se em golpes precisos. Senti o quinto orgasmo, mais intenso que todos, um negro na visão, um som distante, meu corpo flutuando.
Ele gozou de novo. Dessa vez, puxando para fora no último segundo, derramando-se sobre minhas nádegas, quente, denso, abundante como sempre.
Ficamos assim, ofegantes, suados, meu corpo ainda tremendo em espasmos residuais. Ele se deitou ao lado de mim, a mão em meu ventre, sentindo minha respiração descompassada.
— Marina — sussurrei, finalmente.
Ele riu. Um riso baixo, quase triste.
— A ideia de deixar você aqui comigo foi da Marina — disse ele, fechando os olhos. — Nós temos um casamento aberto, Júlia. Somos adeptos de ménage, de troca, de tudo. Só que eu nunca tinha imaginado transar com a cunhadinha mais nova.
Fiquei em silêncio, processando. Não senti traição. Não senti engano. Senti... pertencimento.
— Ela sabia — continuei eu.
— Ela sabia — confirmou ele. — Desde o início.
Fora da janela, a noite de São Paulo era um mar de luzes, indiferente. Dentro daquele quarto, havia apenas pele, suor, e a promessa de que isso não acabaria ali.
Virei-me, encontrei o pau dele ainda meio duro, e sorri.
— De novo? — perguntei.
Ele respondeu com um beijo.
E da próxima vez, vou contar como passou a ser a relação de nós três na casa. Porque Marina voltou. E quando voltou, nada foi como antes. Mas isso é história para outro conto.