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De Volta

Um conto erótico de Lore <3
Categoria: Lésbicas
Contém 3113 palavras
Data: 16/08/2026 07:08:48
Assuntos: Lésbicas

Decidimos ir mais cedo para a pousada naquele final de ano. Nos últimos anos, Milena e Kaique costumavam ir antes, enquanto nós chegávamos depois, mas eu estava passando por um período complicado de reflexão, tentando entender melhor algumas coisas que estavam acontecendo comigo mesma. A pousada sempre foi uma grande aliada nesses momentos, era um lugar de paz e tranquilidade, onde eu conseguia desacelerar, organizar os pensamentos e, de alguma forma, respirar melhor. Foi Júlia quem deu a ideia de anteciparmos nossa ida, e eu aceitei quase imediatamente.

Eu ainda não estava de férias, mas conseguia deixar minha rotina mais flexível e, como a pousada ficava fora de Salvador, mas relativamente perto, era perfeitamente possível trabalhar durante o dia e voltar para lá sem grandes dificuldades.

Nos últimos dias, porém, nós duas começamos a perceber que Kaká e Mih não estavam tão animados quanto costumavam ficar. Aquilo era estranho, porque os dois eram sempre animados com praticamente tudo, principalmente quando envolvia férias, passar alguns dias com os avós e, ainda por cima, sabendo que em breve íamos reunir a família inteira. Não era o comportamento habitual deles, porém preferimos não pressionar. Fomos apenas observando, esperando que eles mesmos demonstrassem o que estava acontecendo.

Quando finalmente chegou o dia de irmos, as malas deles ainda não estavam prontas. Entrei no quarto justamente no momento em que Júlia estava dando um sermão nos dois. Eles nunca costumavam dar muito trabalho e Júlia sempre se virava muito bem com eles, mas eu também conhecia minha esposa o suficiente para saber quando ela estava começando a perder a paciência. Eu sou uma pessoa cheia de gracinha e, quando preciso chamar a atenção de alguém, sinto que o tempo fecha um pouco mais do que deveria. Por isso, normalmente deixo essa função para Júlia e só entro em cena quando percebo que eles realmente estão conseguindo irritá-la. Naquele momento, claramente, era o caso. Dom estava sentado no tapete, brincando enquanto observava tudo, enquanto os dois permaneciam sentados na cama de Milena, ouvindo o que Júlia tinha a dizer.

— Vocês não querem ir, não? — Foi a única coisa que perguntei.

— Queremos... — Mih respondeu.

— Então! — Júlia exclamou.

— Não está parecendo, pirraçando desse jeito... Querem falar o que está acontecendo? — Questionei.

— Não está acontecendo nada, mãe — Kaká me disse.

E obviamente estava.

Como claramente havia algo acontecendo, eles não estavam prontos ou não desejavam se abrir, e os dois imediatamente começaram a arrumar suas coisas. Saímos dali.

— E você, hein? Não fica assim, amor... — Falei, dando uns beijinhos no pescoço dela enquanto a abraçava.

— Ai, eles hoje me irritaram — Juh respondeu, colocando as mãos nas têmporas, como se buscasse paciência.

— São adolescentes, deve ser algo que, no momento, está acabando com o mundo deles e, daqui a alguns dias, nem lembrarão mais — supus.

— É... Mas não é por serem adolescentes que eles vão começar a achar que não possuem responsabilidade. Sempre tiveram, não é agora que vão perder — Júlia disse, firme.

— Você tem toda razão — concordei com ela, que me deu um selinho.

— Só preciso não me estressar tanto — ela falou.

— E esse é o meu ponto — confirmei.

Fizemos uma viagem tranquila até a pousada e, quando chegamos, até os meus sogros perceberam que havia alguma coisa diferente com os meninos. Perguntaram se tinha acontecido alguma coisa ou se havia algum problema, mas os dois deram a mesma resposta: estavam apenas um pouco cansados da viagem. Não era exatamente convincente, mas também não havia muito o que fazer quando eles não queriam conversar. Então, deixamos passar.

Ninho, por outro lado, não tinha absolutamente nada para reclamar. Ficou um bom tempo sendo paparicado pelo vovô Zé. O problema começou quando minha sogra resolveu que o menino precisava engatinhar para ontem. Eu sinceramente sempre achei o desenvolvimento de Dom bastante satisfatório, em todos os sentidos. Ele sempre foi espertinho e nós o estimulávamos de acordo com os sinais de prontidão que ele apresentava. Naquela fase, estava ficando bastante tempo sentado, brincando sozinho, já conseguia ficar de pé, mesmo que por pouco tempo, e interagia bastante com a gente. Dançava, batia palminhas, conversava à sua maneira, dava tchauzinho e claramente já entendia algumas coisas por associação. Nunca me preocupei porque sabia que ele era um bebezinho saudável, bem acompanhado e muito bem cuidado. Cada criança tem seu tempo, suas limitações e suas próprias aptidões, e eu nunca enxerguei motivo para transformar cada etapa do desenvolvimento em uma corrida. Isso, porém, sempre deixava minha muié puta da vida, e eu entendia perfeitamente o motivo. É uma situação chata quando alguém começa a comparar o desenvolvimento do seu filho com o de outras crianças, principalmente quando parece existir uma cobrança para que ele faça alguma coisa antes mesmo de estar pronto.

Naquela noite, Juh estava com um bicão na cama, ninando Ninho. Eu sabia que ela estava chateada com todo aquele negócio e, embora reprovasse a situação que tinha deixado minha esposa daquele jeito, não consegui evitar e comecei a rir.

— Não tem graça — ela me disse.

— Vou ter que deitar aqui no chão com Dom, porque, se você virar de lado a noite com esse bico, a gente vai da cama, não é, filho? — Brinquei.

Júlia tentou sustentar a expressão séria por alguns segundos, mas não resistiu. Acabou rindo também e levantou o dedo do meio para mim.

Não lembro se eu já estava mexendo no Instagram antes ou se peguei o celular naquele momento. Só sei que, quando atualizei a timeline, apareceu um carrossel de registros de Kaique com Milena, postado por ela. Eram oito imagens e dois vídeos, a maioria recente, mas havia uma fotografia dos dois ainda menores, tirada nos primeiros dias de Kaká conosco. Na verdade, nem era exatamente uma fotografia digital, era uma foto da foto, uma polaroide que Mih carrega para cima e para baixo.

A legenda dizia:

“Se eu só pudesse reviver um momento de toda a minha vida, escolheria, se mil vezes me perguntassem, o dia que você chegou, só para viver outra vez o momento que minha vida ganhou você.

Kaká, você é o meu melhor presente! 🔒❤️”

Logo mostrei para Juh e ficamos nos olhando em silêncio, com a mesma expressão de quem não estava entendendo, mas com a certeza de que alguma coisa estava acontecendo.

— Quer que eu vá lá conversar com eles? — Eu perguntei.

— Amanhã a gente vê isso... — Júlia respondeu, pensativa.

— Você estava lá no quarto com os dois e não vai contar para a gente, cara? — Perguntei para Dom, que seguia acordado.

— Conta o segredinho para a gente aí — Juh pediu, fazendo carinho no cabelo dele.

Eu dormi antes dos dois. Quando despertei pela manhã, fiquei alguns minutos apenas olhando para os dois, bem grudadinhos na cama. Ninho provavelmente tinha recorrido ao peito algumas vezes durante a madrugada, porque Júlia já tinha desistido até da camisa. Levantei, tomei uma ducha e já me preparava para correr quando saí do quarto e me deparei com Kaique sentado embaixo de uma árvore. Ele estava sozinho, olhando para algum ponto qualquer do jardim, com aquela expressão que nós já tínhamos percebido nos últimos dias.

Fui até ele e me sentei ao seu lado enquanto calçava o tênis.

— Bom dia, moço — falei.

— Bom dia, mãe — ele respondeu, notando então minha presença e forçando um sorrisinho.

Eu conhecia aquele sorriso, era até bonito, mas não era dele.

— Vem aqui para eu te dar um abraço, vem — o chamei.

Ele não hesitou, levantou-se e veio até mim. Abracei meu neném bem forte e beijei ele todo, até sentir um sorriso verdadeiro brotar em seus lábios. Fiquei fazendo carinho em suas costas por alguns segundos.

— O que meu fiu tem que tá assim? — perguntei.

Ele não respondeu. Apenas apertou o abraço novamente.

Não insisti. Às vezes, o silêncio também é uma resposta, principalmente quando a pessoa ainda está tentando encontrar coragem para dizer aquilo que está sentindo. Continuei abraçada a ele por mais alguns instantes, fazendo carinho em suas costas, até me afastar um pouco para conseguir olhar para o rosto dele.

— Quer correr comigo? Ajuda a ajeitar os pensamentos — sugeri.

Assim que ouviu a palavra correr, fez uma carinha de preguiça que quase me fez rir, mas, antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele pareceu mudar de ideia.

— Eu vou calçar o meu tênis — disse-me e levantou-se.

Fiz um percurso mais curto do que faria normalmente para que Kaique conseguisse me acompanhar sem precisar se esforçar além da conta. Não queria transformar aquilo em uma corrida de verdade, com tempo, distância ou qualquer outra coisa para ele se preocupar. A ideia era só tirá-lo um pouco daquele lugar onde a cabeça parecia estar presa. Fomos conversando muito pouco durante o caminho. Em alguns momentos eu dizia alguma coisa, ele respondia, depois voltávamos a um silêncio confortável.

Quando terminamos, voltamos para a pousada e fomos direto para a piscina. Ficamos um bom tempo na água, brincando e jogando conversa fora, até sairmos e nos jogarmos nas espreguiçadeiras para tomar um pouco de sol. Kaique estava diferente, a expressão já não carregava aquele peso que eu tinha visto quando o encontrei debaixo da árvore. Não conversamos muito sobre o que estava acontecendo, na verdade, praticamente não falamos sobre aquilo. Acho que, naquele momento, ele precisava menos de perguntas e mais de sentir que podia simplesmente ficar perto de alguém sem precisar explicar nada.

Fiquei olhando para ele enquanto descansava, com aquela paisagem bonita ao nosso redor, o silêncio da pousada e o sol batendo no rosto. Talvez fosse só isso que ele precisava naquele instante. Às vezes, quando a cabeça está cheia demais, conseguir respirar um pouco, olhar para um lugar bonito e perceber que você conseguiu terminar alguma coisa, por menor que seja, já traz uma satisfação que não dá para explicar muito bem. Eu conhecia aquela sensação porque, em muitos momentos da minha própria vida, a pousada tinha feito exatamente isso comigo. Kaká parecia um pouco mais leve e, para mim, até então já era suficiente.

Quando entramos, tomamos café com Lana, Iury, Sr. José e Dona Jacira. Foi aquele café da manhã demorado, com meu cunhado zoando a gente que acorda cedo para correr e eu e meu parceiro de corrida nem aí porque estávamos muito orgulhosos do trajeto feito e satisfeitos com os efeitos que aquilo nos trouxe. Depois de comer, voltei para o quarto e, assim que abri a porta, percebi que tinha perdido completamente o meu lugar na cama. Milena estava dormindo lá junto com Juh e Dom, que continuavam apagados.

Dom acordou sem chorar, ainda meio sonolento, apenas ficou alguns segundos olhando para Mih, como se estivesse tentando entender onde estava. Assim que percebi que ele estava acordado, peguei meu neném no colo antes que resolvesse despertar as duas. O levei para a mesa e dei todo o denguinho que ele queria.

Depois coloquei um pratinho de cuscuz e fui colocando na boquinha dele. Na metade, resolvi entregá-lo para Iury, mais para ver como meu cunhado se sairia com um bebê que não parava quieto. Foi engraçado demais. Dom se mexia de um lado para o outro, queria olhar tudo, esticava o corpo, mexia as pernas e parecia ter decidido que ficar quietinho no colo do tio era uma possibilidade completamente fora de cogitação.

— Esse menino não para quieto, não? — Iury reclamou, tentando ajeitá-lo no colo.

— Você queria o quê? Um boneco? — Perguntei, rindo.

Ele tentou negociar com o sobrinho por alguns minutos, mas Ninho claramente não estava interessado em facilitar a vida dele. Minha sogra, que já tinha preparado um biscoitinho especialmente para ele, apareceu com a maior expectativa. Meu filhote não se fez de tímido, comeu o biscoitinho todo, ainda tomou meia mamadeira de leite e deixou os avós impressionados com aquele apetite todo. Eu só ficava olhando e rindo, porque ele parecia ter acabado de descobrir que não existe fim na comida quando se está na casa dos avós.

Depois do café, Dona Jacira se ofereceu para dar banho nele e levou meu neneco. Kaká tinha ido fazer o mesmo e, quando saiu, ouvi a voz dele conversando no corredor. Aquilo só podia significar que as nossas princesas tinham finalmente acordado.

— A gente já viveu uma vida e vocês aí — falei e deitei ao lado de Júlia, que me deu um selinho.

— Fomos correr — Kaká completou.

— Você foi correr? — Mih perguntou, desacreditada.

— Levantei e ele já estava acordado, só fiz o convite — informei.

Kaique fechou a porta e ficou alguns segundos em silêncio, como se estivesse organizando dentro da cabeça tudo o que queria dizer. Eu e Júlia permanecemos quietas, sem pressioná-lo. Milena o chamou e ele deitou com a gente, recebendo carinho dela. Quando finalmente começou a falar, foi com uma segurança que me chamou atenção.

— No encerramento do colégio eu tava dançando e uma menina chegou para dançar comigo. A gente ficou conversando e, depois de um tempo, ela foi chegando para me beijar. Eu só fui chegando para trás porque não queria. Depois disso, saiu espalhando que eu era gay e eu virei alvo de risadas — Kaká disse.

Respirei fundo, já sentindo mais ou menos a profundidade do assunto.

— Isso me deixou triste. Eu só queria conseguir colocar para fora quando entendesse o que estava me deixando tão irritado. Ser chamado de gay não é o problema, se eu fosse, estaria tudo bem. Eu saberia, resolveria isso comigo mesmo e vocês também saberiam. O problema é me chamarem de uma coisa que eu não sou só porque eu não quis beijar uma menina. E pior ainda é tratarem ser gay como se fosse um grande mousse e como se fosse uma coisa horrível — ele continuou, enfurecido.

Mih continuava fazendo carinho nele, sem interromper.

— Eu só queria me divertir, ser eu mesmo. Só que, de uns tempos para cá, parece que o meu jeito está sempre errado para os meus colegas. Se eu faço uma coisa, é motivo, se eu não faço, também é. Agora eu não querer beijar uma menina virou motivo para ficarem falando de mim — meu filho completou, novamente voltando a ficar tranquilo.

Kaká precisava dizer tudo aquilo em voz alta. Nós o conhecemos e sabemos que, quando ele verbaliza o problema, já consegue tirar 90% do peso que carrega. Ele precisa falar para se sentir aliviado, o problema é o tempo do processo para chegar até esse ponto.

— Eu entendo que você tenha questões que prefira guardar por algum tempo. Nem tudo precisa ser contado imediatamente para nós, principalmente quando você ainda está tentando entender o que está sentindo. Porém, filho, existem situações que precisam ser compartilhadas conosco, não porque você tenha obrigação de nos contar absolutamente tudo, mas porque determinadas coisas exigem providências, até para que seja menos dolorido — falei, no calor do momento.

— Eu disse isso a ele também... Se querem ser cruéis de graça, precisam aguentar as consequências — Mih complementou.

— Mas por que você não contou para a gente? Eu poderia ter resolvido isso lá mesmo — Juh quis saber.

— Porque eu tava tentando entender primeiro por que eu tava tão irritado. Eu não queria chegar aqui falando uma coisa sem saber nem o que eu tava sentindo. E também porque ficam zoando que eu sou filho da coordenadora e que tudo corre para você. Parece que, se alguma coisa acontece comigo, eu corro para a minha mãe resolver — ele explicou muito bem.

Aquilo me fez entender um pouco melhor o motivo dos últimos dias. Não era apenas a situação em si. Kaique também estava tentando descobrir onde terminava a tristeza, onde começava a raiva e até que ponto ele precisava de nós para resolver alguma coisa que queria aprender a enfrentar sozinho. Parei um pouquinho para pensar e talvez aquela conversa fosse tão importante quanto qualquer providência que ainda precisaríamos tomar.

— Filho, o seu jeito de viver não está errado... Você não precisa mudar quem você é para caber no que os outros esperam de você. Você é autêntico, doce, original, tem um jeito muito seu de enxergar as coisas e de tratar as pessoas. Isso é uma qualidade, não um problema. E, se alguém não consegue entender isso, o problema não está em você — disse, olhando nos olhos dele.

— Eu odeio ver você triste. Você não é uma pessoa triste, Kaká... Parece até que não é o meu irmãozinho alegre quando fica desse jeito — Mih falou, apertando a bochecha dele, que riu.

— Eu sei — ele disse baixinho.

— Você é lindo, inteligente, educado, carinhoso, engraçado, tem um coração enorme e não precisa provar nada para ninguém. Você não tem que beijar ninguém para provar que gosta de menina, assim como ninguém precisa deixar de ser quem é para agradar os outros. Você só precisa continuar sendo você — Juh finalizou.

— Vocês estão me elogiando demais — Kaká brincou, rindo.

— E ainda estou me segurando — respondi, também sorrindo.

Júlia puxou nosso guri para um abraço, e nós enchemos nosso neném de beijos e carinho. E ele ali estava ele novamente, felizinho, fazendo graça e sem nem tentar escapar dos nossos braços enquanto nós três continuávamos o esmagando de tanto amor.

Quando Júlia saiu do quarto e Ninho a viu, logo se esticou inteiro, fingindo um chorinho cheio de manha, e ela o pegou.

— Esse menino está muito sabido, viu? Está entendendo tudo! — minha sogra disse.

— Está mesmo! — Juh respondeu, animada com o elogio.

Mais tarde, quando já estávamos sozinhas, Júlia se aproximou de mim.

— Você conversou com minha mãe sobre ela ter ficado chateada com aquele negócio do Dom? — ela me questionou.

— Não... Acho que, convivendo com ele, ela vai entender que está tudo bem com o netinho. Ela vai perceber que ele está se desenvolvendo bem, que é um bebê saudável e que não precisa existir essa pressa toda. Se ela não entender, aí eu converso com ela — expliquei.

Juh ficou me olhando por alguns segundos, depois se aproximou e me deu um beijinho.

— Tá bom — meu amô concordou.

— Não vou deixar nada incomodar minha gatinha — falei e roubei muitos selinhos.

Já à noite, eu estava deitada na varanda, com a cabeça apoiada na coxa de Juh, enquanto Dom pinotava em cima da minha barriga. Eu tentava segurá-lo pela cintura, porém ele parecia ter descoberto que aquele era o melhor lugar do mundo para gastar toda a energia que ainda tinha.

Foi então que ouvi Mih e Kaká conversando mais adiante.

— Amanhã a gente pode ir ao haras — Mih sugeriu.

— Quero ver os cavalos — Kaká respondeu.

— Então vamos depois do café? — minha filha perguntou.

— Vamos!! — meu filho confirmou.

Olhei para Juh e comecei a rir.

— Agora eu sei que está tudo bem mesmo — falei.

— Agora simmm!!! — Juh exclamou.

E foi assim que eu tive certeza de que Kaká estava de volta.

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Foto de perfil de Lore Lore Contos: 196Seguidores: 53Seguindo: 5Mensagem Bem-vindos(as) ao meu cantinho especial, onde compartilho minha história de amor real e intensa! ❤️‍🔥

Comentários

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Kaka tem em casa um ambiente favorável para falar dos sentimentos, vocês o acolhem, não minizam as dores, se colocam disponível para ele e tem repertório para lidar com essas questoes. Podem parecer coisas simples , mas são coisas que não acontecem na maioria dos lares.

Na minha infância eu tinha uma questão, eu não queria ser um problema para meus pais, achava que eu tinha obrigação de resolver meus problemas sozinhos.

E quando contava algo para minha mãe, sentia q ela tinha boa vontade e se preocupava comigo, mas tinha a sensação que para algumas questões ela não sabia exatamente o q fazer ou o q me dizer.

Sobre o Kaka, está certo em não beijar quem não quer.

Baseado no que eu vivi na adolescência, chamar o menino de gay é uma defesa clássica para uma menina q teve sua investida recusada.

Os outros meninos que reforçam isso, eu acredito que muitos façam por recalque ou inveja, pois gostariam de estar no lugar do Kaká, sendo desejado pela menina.

O capítulo de hoje gerou um comentário muito bom do Beto. Várias de suas postagens geram esse efeito em mim, de me fazer olhar para minhas próprias questões.

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Sim 🥰

Nós construímos isso de forma muito consciente. Juh e eu tivemos infâncias completamente diferentes, vivemos épocas distintas e fomos criadas de maneiras praticamente opostas. Desde muito cedo, decidimos que queríamos construir um lar diferente e que faríamos o possível e o impossível para acolher as particularidades de cada um dos nossos filhos, tratando cada um com o maior tato que conseguíssemos.

É claro que não existe perfeição. A gente erra, aprende, ajusta e recomeça, mas não posso reclamar. O saldo positivo é altíssimo e, por aqui, deu muito certo!

Eles têm liberdade para contar ou não o que acontece em suas vidas, porém quando decidem contar, sabem exatamente qual será a nossa postura, nós estaremos ali para ouvi-los, acolhê-los e ajudá-los a resolver seja lá o que for.

Kaká é um garoto doce. Ele leva a vida de um jeito leve, gosta de aproveitar tudo ao máximo e prolongou o máximo que pôde aquela fase em que sua maior preocupação era brincar, se divertir e jogar. Quando sentiu interesse romântico pela primeira vez, sentiu com a intensidade que coloca em tudo na vida e, quando essa fase chegou, ele também a viveu à maneira dele.

Acredito que, naquele momento, ele acabou se tornando um alvo fácil para o efeito manada. Felizmente, isso não interferiu na forma autêntica como ele escolheu levar a própria vida. E eu ainda preciso contar o que ele fez por um amigo depois... Na situação em que estava, acredito sinceramente que poucas pessoas teriam agido daquela maneira.

Gosto muito dessas trocas nos comentários, principalmente quando as pessoas se sentem confortáveis para compartilhar aquilo que sentem, suas experiências e até coisas que nunca tiveram espaço para dizer em outro lugar. Para mim, isso é um verdadeiro tesouro.

Por aqui, sempre haverá espaço para se abrir ❤️

Obrigada por acompanhar, Ryu! 🥰

PS: Perdão por só ver o seu comentário agora...

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17 de agosto — Parabéns, Beto! 🥳🥳🥳🥳

Você é uma pessoa muito especial para mim. Um amigo muito gentil, dotado de um talento literário sem igual e com uma sensibilidade aflorada que não vemos tanto hoje em dia.

Sou muito feliz por ser sua amiga e te desejo as coisas mais lindas do mundo, você é um grande merecedor!

Te amo muito, Rei do site! ❤️🥰

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Hoje tem bolinho 🎂

Feliz aniversário, Beto! 🥳❤️

Hoje é dia de celebrar você e agradecer pela sorte do nosso caminho ter se cruzado. Além de ser um escritor que admiro demais, você é daqueles amigos que a gente guarda com muito carinho, principalmente por termos uma troca tão sincera.

Que esse novo ciclo seja generoso contigo, que não faltem motivos para sorrir, inspiração para continuar criando sagas incríveis e pessoas que reconheçam o ser humano maravilhoso que existe por trás de tudo isso.

Espero que você aproveite muito o seu dia e receba todo o amor que merece. Tenho um carinho enorme por você e torço sempre pela sua felicidade!

Feliz vida, meu parceiro! Eu te amo!!! 🥳🥰❤️

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Sou uma pessoa de sorte por ter encontrado pessoas incríveis como você nessa minha caminhada 🫂

Te amo muito minha amiga ❤️🥰

Obrigado por tudo Lore 🤗🌹😘

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É um honra enorme para mim poder te chamar de amiga!

Te amo muito também minha querida amiga ❤️🥰

Muito obrigado pelas felicitações, e pelo carinho de sempre Juh 🤗🌹😘

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Crianças e adolescentes podem serem bem cruéis com os outros, e eu sou prova disso, pro lado bom e ruim. Eu sofri muito nos meus primeiros anos de escola. São épocas e idades diferentes, mas o que o kaka passou, me fez lembrar disso. Eu fui criado em uma fazenda até os 7 anos de idade, depois vim morar com minha avô materna na cidade para poder estudar. Eu era igual um bicho do mato e sofri bastante nos três primeiros anos. Até hoje tenho lembracas bem ruins dessa época e o pior, eu nem tinha a quem pedir ajuda, ou melhor, até tinha, mas não sabia como fazer. Eu mão posso afirmar, mas a minha adolescência e inicio da vida adulta foram de muita rebeldia e revolta, acho que muito disso foi por causa do que aconteceu nesses três anos 🥺

Kaka é um garoto diferenciado, acho que a criação que ele teve, ajudou muito, mas mesmo assim, acho que muita coisa é algo dele próprio. É incrível o força que ele tem e principalmente o coração enorme. Sou muito fã dele e da Mih, são exemplos de filhos ❤️

Você é a Juh são ótimas mães, sorte dos seus filhos por terem mães como vocês Sinceramente, eu queria ter crescido em um lar assim, não que o meu tenha sido ruim, mas as vezes eu leio algumas coisas que você escreve, ou que May ou Juh me contam e eu noto que muita coisa faltou na minha criação e educação. Acho que nem por culpa dos meus pais, mais pelo que os pais achavam importante para os filhos na época, o que a sociedade impunha. Graças a Deus hoje muitos filhos têm a sorte de serem educados de outra forma, com outra cabeça, e principalmente, de uma forma bem diferente de ver a vida 🤷🏻‍♂️

Amei muito esse capítulo, na verdade, ele mexeu muito comigo 🥺

Paebems Lore 🤗❤️😘

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Acredito que justamente por você ter vivido isso consiga enxergar algumas coisas no que aconteceu com Kaká que talvez passassem despercebidas para outras pessoas.

Criança muitas vezes nem consegue compreender direito o que está sentindo, muito menos encontrar as palavras para explicar. Pode sofrer, guardar aquilo e tentar lidar sozinha, mesmo sem ter maturidade emocional para elaborar o que está vivendo. E experiências assim podem deixar marcas que aparecem de outras formas ao longo do desenvolvimento.

Talvez você tenha razão quando relaciona parte da sua rebeldia e da sua revolta com aqueles anos. Não dá para afirmar que tudo veio dali, porque o desenvolvimento de uma pessoa é resultado de muitos fatores, mas experiências de rejeição, isolamento e violência entre pares podem influenciar a maneira como alguém passa a enxergar a si mesmo e as próprias relações.

Confesso que fiquei pensando em você enquanto lia seu comentário. Algumas situações conseguem tocar em lugares muito sensíveis mesmo depois de muitos anos, porque certas experiências continuam fazendo parte da nossa história. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso praticamente sozinho. E achei especialmente triste você dizer que tinha a quem pedir ajuda, mas não sabia como fazer isso. Às vezes, a criança está cercada de pessoas que ama e, ainda assim, não consegue encontrar um caminho para dizer que está sofrendo.

Kaká tem um coração muito puro. É alegre, autêntico e muito preocupado com quem está ao redor. Eu adoro ver o sorriso do meu garoto, então foi muito importante vê-lo conseguir falar sobre o que estava sentindo e terminar aquela conversa leve novamente.

Nem tudo que faltou na nossa criação aconteceu por falta de amor ou de cuidado dos nossos pais. Eles também foram educados dentro de uma determinada época, com os valores, medos, limitações e ideias que aquela sociedade considerava importantes. Muitas vezes, fizeram o melhor que conseguiam com os recursos emocionais e com o conhecimento que tinham naquele momento.

E não podemos esquecer que também era a primeira vez deles vivendo nesse mundo!

É justamente assim que uma geração vai transformando a seguinte. A gente aprende, questiona algumas crenças e tenta oferecer aos nossos filhos ferramentas emocionais que talvez só tenhamos aprendido a construir depois de adultos. Não para criar uma infância perfeita, porque isso não existe, mas para que eles tenham um espaço seguro onde possam falar, sejam ouvidos e saibam que não precisam enfrentar tudo sozinhos.

Hoje você consegue olhar para a sua história com uma perspectiva que seus pais não tinham naquela época. Isso não apaga o que faltou, mas permite compreender melhor o contexto e, ao mesmo tempo, reconhecer o que poderia ter sido diferente. E, conhecendo o pai e avô babão que você é, tenho certeza de que toda essa consciência também aparece na forma como você cuida dos seus.

Obrigada pelo carinho, meu amigo, e principalmente por dividir comigo uma parte tão sensível da sua história! 😘😘😘😘😘😘😘❤️

PS: Eu estou caindo de sono, talvez o comentário tenha ficado meio confuso, e perdão pelo tamanho da minha redação 😂

Vou mimir. Beijos e até amanhã! 😘😘😘😘❤️

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Minha infância é adolescente não foi nada fácil, mas isso tudo que passei me fez forte, me tornou quem sou hoje e ainda bem que tirei boas lições disso tudo. Hoje procuro sempre compensar o que fiz de errado, porque não foi só as pessoas que erraram comigo, eu também errei muito. Sobre o que fizeram de errado comigo, não tenho mágoa de ninguém, ficaram as lembracas, mas elas não me machucam mais. O tempo passou, eu sobrevivi e sinceramente, sou muito feliz hoje, graças a Deus 🙏🏻

Eu nunca culpei meus pais, muito menos tive ou tenho qualquer tipo de sentimento ruim por eles, tenho certeza que que eles fizeram o melhor por mim e pela minha irmã. Fui bem educado e nunca faltou amor, mas faltava muito conhecimento naquela época, principalmente para pessoas pobres do interior. Era outra época, as pessoas eram mais fechadas com certos assuntos, muita coisa que hoje falamos abertamente com nossos filhos e netos, era considerado tabu. O diálogo era quase nulo, isso dificultava até para uma criança pedir ajuda em certas situações. Graças a Deus muita coisa mudou 🙏🏻

Kaka é um garoto muito gente boa, e tanto ele quanto vocês, tiveram sorte da vida unirem vocês. Vocês são um família incrível Lore, cada um do seu jeito, mas tudo se encaixa perfeitamente e o mais importante, nunca faltou amor um pelos outros ❤️

Por nada 🤗🌹😘

Ps: Nessa hora aí, eu já tinha caído de vez 😴 🤣🤣🤣

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Foto de perfil de Whisper

Te amo muito, você é uma pessoa incrível, nunca se esqueça disso! ❤️❤️❤️

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Existe uma diferença importante entre compreender o que aconteceu e minimizar o que foi vivido. Conseguir olhar para a própria história com lucidez, reconhecendo as feridas, os próprios erros e entendendo o contexto em que nossos pais viviam, sabendo que, ainda assim, estavam dando o melhor que conseguiam, sem transformar o passado em um lugar onde se está sentenciado a permanecer para sempre, é uma forma muito bonita de resiliência (sem romantização, rs).

Percebo que temos algo em comum, mesmo que em aspectos diferentes. Não faltou amor em nossas casas, apenas repertório para lidar com determinadas questões... E tudo bem! Se hoje nós, que temos acesso à informação o tempo inteiro e vemos tantas crenças sendo desconstruídas, ainda erramos, imagina uma geração que não tinha nem de longe as ferramentas que já temos para compreender determinadas necessidades emocionais.

Considero muito importante conseguir retirar aprendizado de tudo isso sem apagar as partes difíceis das nossas histórias, porque nós não somos definidos apenas pelo que recebemos. O que vivemos pode ajudar a explicar determinados comportamentos, mas não precisa se transformar em justificativa para permanecermos neles. Em algum momento, quando adquirimos consciência, também adquirimos a possibilidade de escolher diferente.

Amadurecer a própria história é necessário... Reconhecer o que recebemos, assumir aquilo que fizemos com isso e decidir o que queremos perpetuar e o que queremos interromper.

Você é uma pessoa incrível, Beto. Eu te admiro muito em todos os aspectos aos quais já tive acesso! ❤️

PS: Desculpa, é um assunto que eu não sei falar pouco 😂😂😂😂😂

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Acho que viver do passado é um erro grave, a vida segue, as coisas mudam e se a gente não acompanhar essas mudanças, ficamos presos e não vivemos a vida com prenitude 🤷🏻‍♂️

Eu aprendi muito com meu passado, alguns coisas nunca vou esquecer, mas elas não definem quem eu sou hoje, apenas me moldaram. A gente aprende com o que vivemos, e geralmente aprendemos mais com as partes mais difíceis que passamos. Porém temos que procurar tirar coisas boas disso, procurar evoluir para não cometer os mesmo erros e também a perdoar quem errou com a gente, principalmente os que erraram tentando acertar, até porque, agente faz isso as vezes. Somos humanos e cheios de erros 🤷🏻‍♂️

Obrigado Lore, pode apostar que a admiração é recíproca 🤗

Ps:Eu adoro ler o que você escreve, então fique a vontade para fazer os textos do tamanho que achar necessários, até porque é bom beber na fonte da sabedoria, nem que seja em pequenas doses 🤭❤️🤗😘😘😘

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Foto de perfil de Lore

🧙🏽‍♀️🤝🏽🧙🏽‍♂️ 😂😂😂😂😂😂😂😂😂

Essa troca de ideia é a verdadeira sabedoria!

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Foto de perfil de Forrest_Gump

🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣

Com certeza, eu pelo menos sempre aprendo algo 🤭

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Beto, primeiro te parabenizo pela coragem de abrir o coração e falar sobre dores tão profundas da sua infância. Que esse desabafo sirvade alguma forma para ajudar a ressignificar tudo o que você viveu e reconhecer o quanto você foi forte para chegar até aqui.

Eu tive uma infância bem diferente da sua, mas também tive minhas próprias dores.

Nasci em uma cidade grande e meus pais sempre incentivaram muito os meus estudos. Fiz o ensino fundamental em um dos melhores colégios particulares da cidade e tive, de modo geral, todas as condições favoráveis para estudar e me desenvolver. Sei que não faz sentido comparar dores, mas, pelo que você me contou, acredito que sua infância provavelmente foi muito mais desafiadora do que a minha.

Ainda assim, queria compartilhar alguns dos desafios que enfrentei. Um deles foi a pressão constante para tirar boas notas. Meus pais provavelmente não percebiam o quanto isso me sufocava, porque, na visão deles, estavam apenas incentivando meu sucesso. Mas, para mim, muitas vezes essa cobrança era pesada demais.

Além da escola, eu fazia várias atividades extracurriculares: línguas, artes marciais e outros cursos que meus pais consideravam importantes. Em alguns momentos, era coisa demais para uma criança ou adolescente. E não bastava apenas fazer essas atividades; eu também sentia que precisava ter um bom desempenho em todas elas.

Mas talvez uma das questões que mais me fizeram sofrer tenha sido o fato de eu sempre ter sido muito introspectivo. Era algo que me causava bastante sofrimento durante a infância, e meus pais não sabiam muito bem como lidar com isso.

Minha mãe, por exemplo, às vezes fazia comentários como: “Olha só o Joãozinho, filho da irmã Fulana. Ele é tão extrovertido, sociável e comunicativo. Você bem que poderia ser mais como ele.”

Ela não dizia isso por mal. Provavelmente acreditava que estava me incentivando a melhorar e a me tornar mais sociável. Mas, naquela época, esse tipo de comparação não aliviava minha dor. Pelo contrário: fazia com que eu me sentisse inadequado, revoltado e ainda mais fechado. Em vez de facilitar a comunicação entre nós, acabava criando uma barreira.

E havia ainda uma outra questão que pesava bastante: a doutrinação religiosa que recebi na infância. Hoje, olhando para trás, percebo o quanto algumas ideias podem ser pesadas para uma criança.

Eu me lembro, por exemplo, de passagens da Bíblia que, na minha interpretação infantil, pareciam associar a timidez ao pecado. Em Mateus 8:26, por exemplo, aparece a frase: “Por que sois tímidos, homens de pequena fé?”. E em Apocalipse 21:8, há a referência aos “tímidos” entre aqueles que receberiam condenação.

Para uma criança que já era introspectiva e que não sabia diferenciar introspecção de timidez, isso podia ser bastante assustador. Eu acabei internalizando a ideia de que havia algo errado comigo, de que ser como eu era poderia ser moralmente condenável.

Hoje consigo olhar para tudo isso com mais distância e compreender que meus pais não tinham a intenção de me fazer mal. Eles estavam tentando me educar da maneira que acreditavam ser melhor. Ainda assim, as consequências emocionais foram reais.

Como eu disse no início, não acho que faça sentido comparar dores. De uma forma ou de outra, todos nós carregamos nossos próprios fantasmas, e cada pessoa precisa lidar com as marcas que a própria história deixou.

Ao ler esse capítulo da Lore — que, aliás, está ótimo — não pensei tanto em mim. Pensei muito mais na minha sobrinha e em tudo o que ela passou. Ela foi rejeitada no ambiente que frequentava e precisou enfrentar situações que, sinceramente, não sei se eu teria forças para suportar.

Acho que eu não aguentaria metade do que ela aguentou.

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Não faz sentido comparar dores, pois, mesmo que a sua dor pareça maior, isso não diminui a dor da outra pessoa 🤷🏻‍♂️

Vivemos realidades diferentes durante a infância, mas todos nós enfrentamos nossos próprios desafios. Sinceramente, acredito que toda criança passa por algo. Uns têm mais, outros menos, e isso varia por diversos motivos e fatores. Infelizmente, a vida já começa complicada desde o início 🤷🏻‍♂️

Ao ler seu relato, notei que sua infância foi bastante difícil, e sinto muito que você tenha passado por isso. O importante é que hoje estamos bem, mesmo com todos problemas que passamos 🙏🏻

Hoje, consigo falar sobre meu passado sem problemas, tanto as partes ruins quanto as boas. Isso não me afeta mais, mas esquecer nunca será possível, pois faz parte de quem eu sou. Acredito que foi um aprendizado, não necessariamente desejado, mas valioso. Tirei muitos ensinamentos de cada fase da minha vida, especialmente das mais complicadas. Na verdade, essas foram as que mais me ensinaram 🤷🏻‍♂️

Sua sobrinha, com certeza, enfrentou situações muito piores que nós dois, não tenho dúvida disso. 🥺

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Foto de perfil de Ryu

Agora admiro ainda mais sua história, sua resiliência e a forma leve como você vê a vida hoje. Que a gente continue sempre aprendendo e buscando o melhor para nós e para as nossas famílias. 🤝

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Foto de perfil de Forrest_Gump

Acho que tentar absorver o melhor da vida, faz ela ficar mais leve, é a história do copo meio cheio 🤭

Nem sempre a vida é fácil, mas temos motivos para continuar e principalmente, para ser feliz 🤷🏻‍♂️

Então, bora pra cima 🤭🤝🏻

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Eu n sou brava com eles, a semana q foi difícil e como eles n estavam conseguindo se expressar direito, bagunçou tudo 😵‍💫 😂😂😂😂

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Acho que uma das coisas mais difíceis do mundo é um filho estar enfrentando algum problemas e a mãe não perceber. Ela pode até não descobrir qual é a problema, mas com certeza sente que algo não está bem.

Fiquei com muita pena do Kaique. Infelizmente, esse tipo de situação é comum entre adolescentes, por vários motivos. Mas ainda bem que ele tem uma cabeça boa e duas mães para apoiá-lo, conversar, explicar, educar e também dar espaço quando necessário. Sem falar no amor incondicional que ele recebe de vocês e da irmã. ❤️

A adolescência pode ser uma fase bem cruel às vezes, e é uma sorte que ele tenha vocês por perto.

Quando você falou da sua sogra, eu me lembrei da minha ex. Ela sempre queria apressar as coisas com nosso filho, e era difícil explicar que cada criança tem seu próprio tempo para se desenvolver. Tentar apressar não resolve nada e, muitas vezes, só piora a situação. Graças a Deus, com nossa filha, ela foi bem mais tranquila. rsrs

Muito bom como sempre, Lore!

Parabéns, minha amiga querida! 🤗❤️😘

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Angustiante, não é, Jú? 😮‍💨

Foi uma fase muito difícil para Kaká, tentaram fazer ele se isolar. Só não sabiam que meu filhote não é preso a nada e é dono de um carisma impressionante, sempre faz amigos por onde passa.

Quase o transferimos de colégio, mas graças a ele mesmo, não foi preciso. Kaique é incrível!

🗣️ Kkkkkkkkkkkkkkkkkk

É uma preocupação que normalmente ocorre, o medo do filho estar atrasado. O menino já era virado no 220, todo espertinho... Não tinha motivos para correr. O bom foi que ele deu uma canseira em minha sogra nessas férias qua fez com que ela mudasse de ideia rapidinho 😂😂😂😂😂

Obrigada, minha amiga! É muito bom ter você aqui!!! ❤️❤️❤️❤️❤️❤️

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Foto de perfil de Whisper

Muito, enquanto a gente não descobre é muito angustiante.

Graças a Deus Kaique é carismático, isolar alguém assim é muito difícil. rsrs

Ela aprendeu na prática que ele estava se desenvolvendo perfeitamente bem. Kkkkkkk

Por nada amore. 🤗❤️😘

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Nuss, e me deu uma satisfação vendo Juh se divertir com minha sogra aprendendo isso... 😂😂😂😂😂😂😂

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Vou dar uma saída com a gata. Prometo debolvê-la a noite! 😘😘

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