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Garoto do EB — T1 • EP18 | O Plano de Emiliano

Um conto erótico de Michel
Categoria: Gay
Contém 3296 palavras
Data: 16/08/2026 00:46:14

O toque do silêncio tinha soado às vinte e duas horas, mas para mim a noite parecia não ter fim. Deitado de barriga para cima no meu beliche de baixo, eu encarava o estrado de madeira da cama de cima, repassando cada segundo do dia em um ciclo torturante. O beijo arriscado atrás do galpão, o flagrante seco do Cardoso, o veneno soprado no meu ouvido e a provocação nojenta do Dagoberto no refeitório... Tudo parecia uma bomba-relógio prestes a detonar o meu futuro e o do Gustavo dentro do Batalhão.

O calor abafado do alojamento e o nó na minha garganta tornaram o ar insuportável. Sem conseguir pregar o olho, levantei devagar para não fazer o estrado ranger, peguei apenas uma bermuda leve de treino e caminhei descalço pelo corredor frio em direção aos banheiros.

Ao me aproximar do corredor das duchas, percebi uma névoa fina de vapor pairando pelo ar. O eco fraco de um único chuveiro ligado cortava a escuridão da madrugada.

Hesitei por um segundo. Dei dois passos mansos e dei uma olhada rápida por trás do batente de cimento para ver quem estava lá. A luz amarelada e fraca do teto iluminava o vapor e as costas de Emiliano, que deixava a água quente cair sobre a cabeça, tentando aliviar a tensão da rotina do quartel.

Soltei um suspiro contido de alívio. Era só o Emi.

Caminhei devagar até a área dos boxes. O som dos meus passos na brita fez o Emiliano virar o rosto de relance, tirando a água dos olhos com as duas mãos.

— Michel? — ele perguntou, surpreso, com a voz rouca pelo sono. — Tá fazendo o que acordado a essa hora? Perdeu o sono?

— A cabeça tá cheia demais pra dormir — respondi, encostando a mureta. Olhei para o jato d'água quente caindo e senti meu corpo pedir um pouco daquele alívio. — Importa se eu me juntar a você? O calor dessa ducha tá chamando.

— Vem — Emiliano respondeu, dando um passo para o lado e abrindo espaço sob o fluxo de água. — O chuveiro tá uma beleza...Geral estava dormindo la no seu alojamento né?

— Sim — Respondi.

Tirei a bermuda de treino e a camiseta, ficando completamente nu sob a névoa perfumada do sabonete. Entrei debaixo do jato quente, fechando os olhos enquanto a água corria pelo meu peito e aliviava um pouco o peso dos meus ombros.

Emiliano pegou a saboneteira na mureta de cimento e me entregou um pedaço de sabão neutro. Ele se virou de costas para mim, inclinando a cabeça levemente para a frente.

— Me ajuda Michel... Passa aí nas minhas costas. Aquele treino de fuzil de ontem me deixou travado — pediu ele, num tom natural.

Peguei o sabonete, fiz uma espuma densa nas mãos e comecei a espalhar pelas costas do Emiliano, descendo do trapézio até o meio da lombar. No entanto, ele ao sentir os meus toques em sua pele firme e quente sob meus dedos ensaboados, um arrepio involuntário e uma descarga rápida de prazer percorreram pelo corpo dele, fazendo ele dar um leve suspiro e uma risadinha prazerosa.

Emiliano me olhou de lado por cima do ombro.

— Foi mal, Michel... mas é que faz semanas que eu não sei o que é um toque de verdade, desculpa — Disse ele morrendo de vergonha.

— Sei bem como é, mas a gente é amigo, relaxa

— Enfim...— Emiliano riu, voltando a se molhar sob o jato. O sorriso dele, porém, foi sumindo devagar, dando lugar a um olhar sério e analítico enquanto ele me encarava sob a fumaça do chuveiro. — Mas já que a gente tá sozinho aqui... a gente precisa falar do Cardoso e do Dagoberto.

O clima leve evaporou no mesmo instante. Encostei as costas no azulejo frio do box.

— Eu nem sei o que fazer, Emi....Se eles forem no comando—

— Eles não vão no comando — Emiliano interrompeu, num tom baixo, mas extremamente decidido. — Se eles fossem direto no Rocha, já teriam ido. O Dagoberto quer te torturar primeiro. Ele quer fazer você e o Gustavo surtarem na frente do Batalhão inteiro pra vocês caírem por indisciplina grave.

— E o que a gente faz? — perguntei, angustiado. — Não tem como calar a boca daquele fofoqueiro do Cardoso.

Emiliano desligou o registro do chuveiro devagar. O barulho da água parou, deixando apenas o som do gotejar no piso. Ele se apoiou na mureta, olhando direto nos meus olhos, com um tom de quem tinha passado a noite inteira articulando uma saída.

— Tem um jeito, Michel — Emiliano sussurrou e se aproximou — Eu passei as últimas três horas pensando nisso.

— Pode me dizer seu plano?

— Sabe a guarda de anteontem em que eu estava escalado? Quando o sargento da reserva se distraiu conferindo as fichas de cautela do Primeiro Pelotão e deixou a bancada aberta por dois minutos eu....— Emiliano aproximou o rosto do meu, o tom de voz caindo para um sussurro quase inaudível. — Eu meti a mão na caixa de descarte e raspei duas munições reais de 7,62. Estão guardadas no fundo da minha bota.

Engoli em seco, sentindo meu estômago despencar. Desvio de munição real dentro do Batalhão era crime militar gravíssimo.

— Você ficou maluco, Emi?! — murmurei, cravando os olhos nele. — Se acharem isso com você, é presídio militar na hora!

— Não vão achar comigo, Michel. Vão achar com o Cardoso — Emiliano deu um sorriso frio, cortante. — Amanhã à tarde a gente tem a instrução de tiro ao alvo no estande. O procedimento é padrão: todo mundo entra, atira e, na saída, a guarda faz a revista completa de mochilas e bolsos pra garantir que nenhum recruta saiu com munição viva do estande.

— E como você vai colocar isso nele?

— Na troca de turmas na linha de tiro — Emiliano explicou, com uma precisão tática assustadora. — As mochilas do Terceiro Pelotão ficam alinhadas no chão, atrás do abrigo de alvenaria. Enquanto o Cardoso tiver deitado no estande concentrado na alça de mira, eu passo por trás pra pegar meu abafador de ruído e enfio as duas munições no bolso lateral da mochila dele.

Fiquei encarando o Emiliano em silêncio. A água que escorria pelo meu peito já tinha esfriado, mas minha pele queimava de ansiedade.

— Na hora da revista de saída — Emiliano continuou —, o graduado vai achar o 7,62 na mochila dele. O Cardoso vai surtar, vai jurar que não sabe de nada, vai tentar inventar mil histórias e apontar o dedo pra todo mundo... Mas munição real em acautelamento sem registro é flagrante. O Rocha e o Mello não vão ouvir uma palavra do que ele falar. Ele vai sair do estande direto algemado pro xadrez de segurança máxima até a baixa.

— E o Dagoberto? — perguntei, o peito subindo e descendo rápido.

— Sem o Cardoso pra dar respaldo e testemunhar, a palavra do Dagoberto não vale porra nenhuma — Emiliano concluiu, segurando meu ombro e apertando com firmeza. — O Dagoberto é um recruta punido. Se ele tentar espalhar a história sozinho, a gente diz que é dor de cotovelo e invenção pra vingar o amigo criminoso. O veneno deles morre amanhã no estande. A gente limpa o seu nome e livra a sua cara e a do Gustavo de uma vez por todas.

Encarei os olhos do Emiliano no escuro do banheiro. O plano era arriscado, visceral e no limite da legalidade militar, mas era a única arma que tínhamos para não sermos destruídos.

— Amanhã no estande — murmurei, assentindo devagar. — A gente acaba com isso.

Emiliano se secou e me olhou com um sorriso.

​— Agora anda, pega a sua bermuda e volta pro alojamento antes que a patrulha passe no corredor — Emiliano disse, se virando para pegar a toalha. — Amanhã o dia vai ser longo no estande de tiro. E eu preciso que você esteja com a mira afiada.

Peguei minhas coisas no banco de cimento, encarando as costas dele por mais um segundo antes de vestir a bermuda.

​— Valeu, Emi... Por tudo — murmurei na porta do banheiro.

Saí do banheiro com o coração martelando contra as costelas. O plano do Emiliano era uma faca de dois gumes: ou limpava nossa barra de vez, ou nos afundava na vala comum. Voltei para o alojamento na ponta dos pés, tentando não fazer a madeira do piso ranger. O alojamento parecia uma cripta, um emaranhado de respirações pesadas e corpos cansados.

​Passei pelo beliche do Gustavo. Ele estava de costas, mas senti que estava acordado. Não ousei trocar um olhar. Subi no meu beliche, me enfiei sob o cobertor ralo e fiquei encarando a escuridão. O sono não veio. A imagem da munição 7,62, fria e letal, que o Emiliano carregava na bota, não saía da minha cabeça. Se algo desse errado... se ele fosse pego... meu Deus, seríamos destruídos.

​O "acorda" veio como um trovão, antes mesmo do sol apontar no horizonte.

​— LEVANTAR! LEVANTAR, PORRA! VAMOS, VAMOS, VAMOS! — O barulho de coturnos batendo nas portas dos armários de ferro fez o alojamento inteiro pular.

​Não foi um despertar comum. O Sargento Rocha entrou chutando os armários de metal com uma fúria descomunal, fazendo um estrondo metálico que doía nos ouvidos. Ele parecia um touro ferido, com o rosto vermelho de ódio.

​— TODO MUNDO DE PÉ NO DISPOSITIVO EM TRINTA SEGUNDOS OU EU VOU FAZER ESSA TROPA PAGAR FLEXÃO ATÉ O SANGUE SAIR PELO NARIZ!

​Em segundos, estávamos todos em forma, meio vesgos, ainda tentando abotoar as gandolas. O silêncio que se seguiu era tenso. Rocha andava de um lado para o outro, com a mão na cintura, o olhar fuzilando cada recruta.

​— Hoje o dia é de fogo real. E eu não quero palhaçada — ele começou, a voz baixa, mas carregada de uma ameaça sibilante. — A instrução de hoje não é brincadeira de criança. Vocês vão manusear munição de verdade. E eu vou ser muito claro: se eu vir UM recruta sequer apontar o cano do fuzil para qualquer direção que não seja o alvo, eu não vou apenas prender esse recruta.

Rocha parou de andar, cravando os olhos no chão, e depois levantou a cabeça, encarando a tropa com um sorriso desalmado.

​— Se o cano sair da linha de tiro por um milímetro que seja, eu considero uma ameaça letal ao Batalhão. E eu tenho total autoridade para neutralizar qualquer ameaça. Entenderam? Se bobear, eu mesmo dou baixa no recruta antes mesmo da policia militar chegar.

Ele começou a caminhar pela linha, olhando cara a cara. Quando chegou em mim, parou. O cheiro de café forte e tabaco vinha dele. Ele deu um sorriso de escárnio, medindo-me de cima a baixo.

​— Você, MichelO prodígio do Terceiro Pelotão — ele riu, uma risada seca e sem humor. — Eu tenho quase certeza que você vai borrar a farda hoje. Vai ficar nervoso, vai esquecer o procedimento de segurança, vai ser o primeiro a errar o alvo.

​Ele deu um passo para trás e olhou para o outro lado da fila, onde o Cardoso estava, tentando se esconder atrás do ombro de outro recruta.

​— Mas não se preocupe, Michel. Eu sou um instrutor muito atencioso. Como eu vi vocês dois tão próximos, tão... "íntimos" na última instrução, trocando segredinhos e cochichos... — Rocha fez um gesto obsceno com as mãos — Eu vou fazer um favor especial.

Rocha deu um tapinha agressivo no ombro do Cardoso, empurrando-o para ficar ao meu lado na fila.

​— Cardoso, você vai ficar na baia do lado do Michel. Assim vocês podem continuar o "namorico" e os cochichos enquanto estiverem com a arma na mão. Vamos ver se, com o seu amiguinho do lado, o Michel consegue acertar pelo menos o para-balas, ou se ele vai passar o dia todo de olho no Cardoso em vez de prestar atenção no alvo.

​O estômago do Cardoso deu um solavanco óbvio. Ele me olhou de soslaio, pálido, e depois baixou a cabeça. Rocha deu uma gargalhada curta e bruta, virando as costas.

​— MÃO NO FUZIL E MARCHA PARA O ESTANDE!

A tropa começou a correr para fora do alojamento. Eu senti o peso do meu fuzil no ombro, mas o peso maior era o da mochila nas minhas costas, onde o plano do Emiliano ia se desenrolar daqui a poucas horas. Olhei para o lado: Cardoso estava ali, tremendo um pouco, enquanto a gente corria para o estande de tiro. O jogo tinha começado.

A chuva caía em um ritmo constante, transformando o estande de tiro em uma cratera de lama e desespero. O cheiro de pólvora queimada já pairava no ar, mesmo antes do primeiro disparo. Cada passo que dávamos parecia afundar mais na terra encharcada. Eu sentia o olhar do Rocha queimando nas minhas costas como um laser.

Chegamos à linha de tiro. O protocolo era rígido: as mochilas deveriam ficar no chão, exatamente dois metros atrás de cada baia.

Cardoso colocou a dele com uma brutalidade desnecessária, quase tremendo. Ele parou ao meu lado, pegou o fuzil e tentou ajustar a bandoleira. O rosto dele, que geralmente estampava um sorriso cínico, estava cinzento.

— Se tentar alguma gracinha, 114, eu juro que o Rocha não vai precisar atirar em ninguém — Cardoso sussurrou, a voz falhando. — Eu vou te ferrar antes.

— Fica na sua, Cardoso — respondi, sem virar o rosto. — Foca no alvo. Se é que você sabe onde fica.

Atrás da nossa linha, Emiliano se movia com a naturalidade de um predador. Ele estava encarregado de recolher os abafadores extras para a turma. O barulho da chuva contra o teto de zinco do estande era ensurdecedor, o que jogava a nosso favor.

Ouvi o estalo da fivela da mochila de Cardoso sendo aberta. O coração disparou a ponto de eu ter certeza de que o Cardoso ouviria. Olhei de relance: Emiliano estava ajoelhado, fingindo conferir se o "abafador" que ele segurava estava funcionando, a mão esquerda mergulhando no bolso lateral da mochila do Cardoso.

Foi um movimento de menos de um segundo. Rápido, seco, profissional. Quando ele se levantou, a mão estava vazia. Ele me deu um olhar breve, um piscar de olhos imperceptível, e seguiu para a baia do lado.

— LINHA DE TIRO! PREPARAR PARA O DISPARO! — o comando de Rocha trovejou.

O barulho metálico dos ferrolhos sendo puxados para trás e soltos preencheu o estande. Clack-clack. A vibração do metal contra o meu ombro parecia um batimento cardíaco. Eu estava na baia 04, Cardoso na 05.

— APONTAR!

O mundo ao redor sumiu. O que restou foi o cheiro de óleo lubrificante, o frio na ponta dos dedos e o alvo de papel, úmido e tremulando a cem metros de distância. Cardoso estava respirando tão rápido que eu podia ouvir os soluços curtos dele ao meu lado.

— FOGO!

BUM!

O primeiro disparo do Cardoso saiu descontrolado. Ele não acertou o para-balas, nem o alvo; a bala deve ter entrado na terra a uns dez metros de distância.

— QUE PORRA FOI ESSA, CARDOSO?! — Rocha gritou, vindo correndo pelo corredor atrás das baias. — VOCÊ ESTÁ TENTANDO MATAR UMA MINHOCA OU TÁ TENTANDO ACERTAR O ALVO, SEU BOSTA?!

Cardoso travou. A mão dele começou a suar tanto que a coronha do fuzil escorregou levemente.

— Eu... eu escorreguei na lama, Sargento! — ele gritou, tentando se justificar, mas a voz saiu um guincho.

— ESCORREGOU? — Rocha parou atrás de nós, o rosto a centímetros do pescoço do Cardoso. — Se você errar o próximo disparo, eu vou te fazer lamber o chão desse estande até ele ficar limpo como um espelho.

Eu disparei. O coice do 7,62 no meu ombro foi um alívio. Eu precisava manter a calma. Eu precisava fingir que não sabia de nada.

O clima no estande estava insustentável. O plano do Emiliano era o nosso único bilhete de saída, mas a tensão física era quase insuportável. Cada disparo era como um prego no caixão do Cardoso.

Enquanto eu recarregava, vi, pelo canto do olho, o Gustavo na baia 07. Ele não olhava para o alvo. Ele olhava para o Cardoso. O ódio no olhar dele era tão palpável que eu tive medo que, a qualquer momento, ele virasse o cano do fuzil para a baia 05, não para o Cardoso, mas talvez para o próprio Dagoberto, que estava logo atrás.

— PAUSA! — Rocha ordenou após a série de cinco tiros. — INSPEÇÃO DE SAÍDA! TODOS PARA TRÁS DAS MOCHILAS! QUEM ESTIVER COM UMA ÚNICA MUNIÇÃO VIVA, VAI PASSAR O RESTO DA VIDA NA CADEIA!

O momento tinha chegado. O mundo pareceu girar. Eu me afastei da baia, andando em direção à minha mochila. Cardoso estava à minha frente, empalidecido, com o fuzil em posição de segurança.

A guarda de serviço, liderada pelo Cabo, começou a varredura. Eles não estavam apenas olhando; eles estavam abrindo compartimentos, revistando bolsos.

Vi o cabo parar atrás do Cardoso. O coração me subiu à garganta. O cabo chutou a mochila do Cardoso para mais perto, desamarrou o cordão principal e começou a tatear o bolso lateral.

Cardoso soltou uma risada nervosa. — Pode olhar, cabo, eu não tenho nada...

O cabo puxou a mão de dentro do bolso. Entre os dedos dele, o brilho acobreado do latão de duas munições 7,62 reais refletiu a luz fria do estande.

O silêncio que caiu sobre o estande foi absoluto. A chuva parou de parecer barulho e tornou-se um zumbido grave no meu ouvido.

Rocha deu dois passos lentos na direção do Cardoso, com o rosto desprovido de qualquer emoção humana.

— O que é isso na mão do cabo, Recruta Cardoso?

Cardoso deu um passo para trás, o rosto perdendo toda a cor, os lábios tremendo.

— Eu... eu não sei! Sargento, juro por Deus, eu não sei como isso foi parar aí! Alguém colocou! Alguém me armou! — ele gritou, apontando o dedo freneticamente para a linha de tiro. — Foi o 114! Foi o Michel! Ele que estava do meu lado!

Rocha não piscou. Ele caminhou até Cardoso e, com um movimento rápido, desferiu um tapa tão violento no rosto do recruta que o jogou na lama.

— CALA A BOCA! — Rocha rugiu. — A regra é clara. Munição achada em compartimento pessoal é furto e desvio de patrimônio da União. Você está preso, Cardoso. E você vai apodrecer no xadrez até que eu consiga descobrir quem mais está envolvido nessa palhaçada.

— Sargento Rocha! — Gritou o Dagoberto, após isso, olhou para Gustavo e sussurou algo, dando um sorriso e voltou a gritar para Rocha — Com certeza essas duas munições não foi obra do Cardoso, e sim das duas namoradinhas aqui do quartel, Michel e Gustavo!

O plano tinha dado certo. Mas quando olhei para o lado, o caos começou. Gustavo, ouvindo isso, soltou o fuzil e, num movimento cego, avançou para cima do Dagoberto, que estava tentando se afastar.

— VAI PRO INFERNO, SEU MERDA! — Gustavo gritou, acertando um soco direto na cara do Dagoberto.

O estande virou um campo de batalha. Rocha puxou o apito, mas a briga já era generalizada.

Eu estava parado ali, com a minha própria mochila intocada, vendo o meu mundo desmoronar e se reconstruir na minha frente. O Cardoso estava sendo arrastado. O Gustavo estava sendo contido pelos graduados. E eu? Eu era o único que sabia que aquele sangue na lama tinha sido comprado com duas balas de chumbo que o Emiliano tirou da bota.

O caos se instalou como um vírus. O sargento Rocha não precisou de um comando de voz; ele se transformou em uma força da natureza vestida de camuflado. Antes que Gustavo pudesse desferir um segundo golpe contra Dagoberto, Rocha surgiu, agarrando-o pelo colete tático com uma mão só e puxando-o para trás com uma força brutal, erguendo o rapaz do chão como se ele não pesasse nada.

— EU DISSE PARA PARAR, SEU ANIMAL! — Rocha rugiu, a veia do pescoço saltando. Ele arremessou Gustavo na lama com um baque surdo, o impacto fazendo o recruta perder o ar por um instante.

(Continua)

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Comentários

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O Gustavo é mto burro, era só ele ter revidado dizendo pra o Dagoberto que ele estava com raiva pq não quis comer o cu dele, ninguém iria desconfiar do Gustavo, já que ele já tinha atrito com o Michel.

Agora esperar para ver no que vai dar...

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