Rivaldo torcia em pé.
A multidão ao redor gritava a cada ponto, corpos suados se espremendo contra o alambrado da quadra de areia. O sol batia forte. Do lado dele, o outro se agitava com aquela delicadeza irritante, saltitando nos dedos dos pés a cada bola levantada. A bunda gorda ficava expremida na sunga preta, a carne transbordando pelas laterais, as nádegas se comprimindo e se soltando a cada pulinho, o tecido fino esticado até quase rasgar. Na frente, o volume sumia por completo sob a barriga mole, a banha caindo por cima da sunga como uma cortina, escondendo tudo.
Um gritinho fino escapou quando a bola caiu do outro lado da rede.
Rivaldo sentiu o peito apertar.
— Rolha de poço — murmurou, a voz baixa, quase engolida pelo barulho da torcida. — Para de pular.
Mas os olhos não saíam dali.
O outro deu outro saltinho. A bunda tremeu, a sunga afundando ainda mais na fenda, a carne ondulando. Outro gritinho, agudo, delicado, quase inocente. Rivaldo engoliu em seco. O nojo veio primeiro: o suor escorrendo pelas dobras, o jeito como a barriga balançava, o volume escondido sob a banha. Depois veio o resto — o calor subindo pela garganta, o pau endurecendo dentro da própria sunga, no meio daquela gente toda. Ele apertou os dentes. Queria se afastar. Queria xingar mais alto. Em vez disso, ficou parado, o corpo traidor respondendo antes da cabeça conseguir ordenar qualquer coisa.
A multidão gritou de novo. O outro pulou, a bunda se comprimindo contra a sunga. Mais um gritinho.
Rivaldo sentiu o pau latejar, quente, visível demais sob o tecido. A raiva latejou junto. Odiava estar duro ali, no meio do povo, odiava o jeito como aquele som fino entrava nele como uma farpa. A mente já construía a imagem: a textura daquela carne macia, o calor da sunga úmida de suor, o gritinho se quebrando se ele apertasse mais. O pensamento veio sujo e involuntário.
Ele deu um passo.
Não foi consciente. O corpo se moveu sozinho, o peito encostando nas costas largas do outro, a barriga de Rivaldo pressionando a curva daquela bunda gorda. O tecido fino da sunga do outro cedeu sob o peso. Rivaldo sentiu a carne quente, macia, excessiva, se moldando contra o pau já duro. O nojo e a excitação se misturaram de uma vez, quentes, sujos.
O outro soltou um gritinho mais alto, surpreso, delicado.
— Cala a boca — rosnou Rivaldo contra a orelha dele, a voz rouca, baixa o suficiente para não ser ouvida pela torcida. — Rolha de poço…
Empurrou o quadril para frente. O pau grosso se encaixou entre as nádegas, o tecido fino das duas sungas o único obstáculo. A carne cedeu, generosa, quente. Rivaldo mordeu o interior da bochecha até sentir gosto de sangue. Continuava nojo. Continuava tesão. Os dois ao mesmo tempo, impossíveis de separar.
O outro tentou se mexer, mas Rivaldo segurou a cintura com uma mão, os dedos afundando na banha macia. Empurrou de novo, mais forte, o pau deslizando para cima e para baixo na fenda, a sunga do outro molhada de suor. Cada movimento fazia a carne tremer. Cada tremer arrancava outro gritinho fino, agudo, que subia pela espinha de Rivaldo como um choque.
A multidão gritava ao redor. Ninguém olhava para eles.
Rivaldo continuou. Movimentos curtos, ríspidos, quase violentos, o pau latejando entre aquelas nádegas gordas, a raiva ainda queimando atrás dos olhos. O outro soltava gritinhos a cada embalo, delicados, embaraçados, e cada um deles só piorava tudo — irritava mais, excitava mais, deixava Rivaldo mais duro, mais sujo, mais preso naquilo.
— Filho da puta… — sussurrou, a voz embargada contra o ombro dele. — Para de gritar…
Mas não parou de empurrar. A bunda se moldava ao redor do pau, quente, excessiva, a sunga afundando ainda mais. Rivaldo sentia o pré-gozo já manchando o tecido, sentia o nojo subindo junto com o prazer, sentia a própria respiração ficando irregular. Continuava ali, no meio da torcida, encoxando aquela bunda gorda enquanto o outro soltava gritinhos finos e o vôlei continuava do outro lado da rede.
Rivaldo empurrava o quadril com força curta, o pau grosso enfiado entre as nádegas gordas. A sunga preta do outro cedia, a carne quente e mole se abrindo em volta dele. Cada embalo arrancava um gritinho fino, agudo, que subia pela espinha de Rivaldo como uma farpa.
A mente já não estava na quadra.
Via o gordo de quatro na areia, a bunda aberta, o cu engolindo a rola até o fundo. Via a mão pesada batendo no rosto carnudo, a pele ficando vermelha na hora, o choro fino, quebrado. Via o pau saindo do cu e entrando direto na boca, a garganta se fechando, o peito arfando sem ar. A fantasia vinha suja, rápida, e o corpo respondia.
A multidão gritava. A bola voava. Ninguém olhava.
Rivaldo segurou a cintura mole com uma mão e acelerou. O pau latejava, o pré-gozo já molhando o tecido. O outro soltou outro gritinho, mais alto, e isso foi o suficiente. Rivaldo enterrou o rosto no ombro largo, mordeu o dente até doer e gozou. O esperma saiu quente, grosso, manchando a sunga preta por dentro, escorrendo entre as nádegas, escorrendo pela dobra da coxa.
Ele ficou parado por um segundo, o peito arfando, o pau ainda pulsando.
O gordo olhou para trás.
Os olhos semicerrados, os lábios carnudos entreabertos. Sem dizer nada, levou a mão para trás, passou os dedos pela bunda, sentiu a porra quente escorrendo, e trouxe a mão à boca. A língua saiu, lenta, e limpou os dedos. Depois sorriu. Um sorriso pequeno, quase doce, olhando direto para Rivaldo.
Rivaldo sentiu a raiva subir de uma vez.
A vontade de socar aquela cara gorda veio nítida, violenta: o punho fechado, o impacto, a bochecha vermelha, o choro fino, os olhos marejados. Queria ver o sorriso sumir. Queria ver o rosto marcar. Queria ouvir o gritinho virar soluço.
Em vez disso, só apertou os dentes e ficou ali, o pau ainda semi-duro contra a bunda molhada de porra, enquanto o outro continuava sorrindo, os dedos ainda na boca, e a torcida explodia ao redor como se nada tivesse acontecido.
