— “Você acha que meus peitos ficam bons nesse vestido?”
Dani desviou o olhar do espelho, onde estava passando sua maquiagem, e olhou para a porta. Sua colega de quarto, Isa, estava parada no batente.
Dani examinou a amiga de cima a baixo com um olhar crítico. Isa era alta, quase 1,78 m. O salto deixava ela ainda mais imponente, chamando atenção para as pernas longas e desnudas até a barra do vestido preto acima dos joelhos.
O vestido justo de manga longa abraçava as curvas de ampulheta de Isa, e o decote em V profundo exibia generosamente o generoso decote dela. Os seios tamanho GG pareciam prestes a saltar a qualquer momento.
Ela já tinha feito o cabelo ruivo-fogo em cachos, uma habilidade que Dani vinha ensinando há pouco tempo, com as franjas de cortina caindo sobre os cantos dos olhos.
Dani tinha que admitir: Isa estava arrasadora. Sua colega de quarto, normalmente reservada, provavelmente se sentia bem mais confortável em uma calça jeans larga e um moletom, mas estava matando o visual.
— “Seus peitos estão fenomenais”, respondeu Dani. “Você está incrível.”
Isa sorriu e corou, o vermelho natural das bochechas reforçando o blush que ela já tinha passado.
— “Talvez troque o sapato”, sugeriu Dani. “Você já é alta pra caralho, uns tênis baixo vai ficar melhor.”
Isa pensou por um segundo e correu de volta para o quarto para considerar.
Dani voltou a se olhar no espelho do banheiro. Infelizmente, uma das desvantagens de morar em uma república era que os chuveiros ficavam no corredor, e o quarto duplo das meninas só tinha um banheiro de apoio com uma penteadeira ridiculamente pequena.
Como colega de quarto designada aleatoriamente, Isa tinha sido a primeira pessoa que Dani conheceu na faculdade mais de um ano atrás, no começo do primeiro ano. Elas entraram na mesma república juntas e se tornaram inseparáveis, escolhendo continuar dividindo o quarto no segundo ano também.
Era época de férias, a maioria das meninas haviam voltado para suas cidades, enquanto Dani e Isa eram as únicas da república que permaneciam por lá.
Elas se complementavam bem. Isa era normalmente tímida e reservada, mas se abria bastante se alguém começasse a conversar primeiro, e assim que colocava qualquer substância no corpo, o lado selvagem aparecia. Era uma piada constante na república que Isa sempre era a última a querer sair, mas nas poucas vezes em que ia, sempre se divertia pra valer.
Dani era o oposto. Super extrovertida e sociável, sempre disposta a experimentar coisas novas e sair. No dia a dia, Isa a segurava um pouco e continha aquela bola de energia. Mas quando era hora de viver a vida de festa da faculdade, Dani ajudava Isa a se soltar.
A loirinha minúscula deu os toques finais na maquiagem dos olhos e deu um passo para trás para avaliar o visual completo. Tinha optado por um batom vermelho escuro e um delineado gatinho forte, sem nenhuma intenção de parecer outra coisa além de sensual. Era um encontro, e se ela não estivesse pronta para fazer o cara derreter, não estava cumprindo o papel.
Em contraste com o vestido de Isa, Dani vestia um corpete de couro vermelho escuro e uma saia preta curta, com suas icônicas Dr Martens de plataforma pretas adicionando um pouco de altura à sua estrutura minúscula. Isa era a alta e curvilínea; Dani era quase trinta centímetros mais baixa e muitos tamanhos de sutiã menor. Mas elas formavam uma dupla perfeita.
— “Deixo o cabelo preso ou solto?”, perguntou Dani em voz alta.
— “Deixa eu ver”, respondeu Isa, voltando com a troca de sapato já feita. “Eu acho que preso.”
Dani hesitou, mas rapidamente puxou o cabelo loiro para trás num rabo de cavalo bem justo, grata por ter retocado as raízes naturalmente castanhas pouco antes e elas não estarem aparecendo.
— “Pronto, estamos prontas?”, perguntou Isa.
— “Porra, sim”, respondeu Dani confiante, tirando algumas fotos das duas no espelho.
— “Você pegou o celular e a carteira?”, conferiu Isa.
— “Sim. Beleza, hora do shot e vamos.”
— “O Thiago já tá esperando”, insistiu Isa. O namorado dela era pontual e não gostava de ficar esperando.
— “Ele aguenta, pode esperar”, respondeu Dani enquanto despejava tequila em dois copinhos. “Vem logo pra cá.”
Isa suspirou, mas se aproximou da colega. “Eu odeio tequila”, reclamou, mas engoliu como uma campeã enquanto as duas tomavam o shot de uma vez.
“Agora sim estamos prontas”, declarou Dani com um sorriso. Ela estava animada.
Aquela ia ser uma noite divertida.
***
As meninas encontraram Thiago, o namorado de Isa há mais de um ano, do lado de fora no carro dele. Thiago era do último ano e um cara típico de faculdades. Sempre participava dos eventos das atléticas, era um dos responsáveis por organizar as famosas cervejadas. Seu estilo de Mullet, seu corpo extremamente definido, e sempre fumando um beck.
Sinceramente, ele era bem mais o tipo de Dani do que o de Isa, mas o casal improvável estava firme desde que se conheceram logo no começo do primeiro ano das meninas. Dani ficava feliz que a colega de quarto tivesse um parceiro sólido que cuidava dela, mesmo que, na superfície, eles não combinassem tanto.
Dani, por outro lado, estava bem menos certa do seu encontro. Matheus sentava ao lado dela em uma das aulas, e depois de semanas de olhares furtivos e conversas engessadas, ele finalmente reuniu coragem para convidar Dani para sair.
Ele não era exatamente o tipo dela: um pouco baixo, de óculos, bem comum. Mas ela admirava a ousadia dele em ter puxado assunto de verdade. A maioria dos caras via a bela menina e se acovardava antes de tentar a sorte.
Então ela decidiu dar uma chance. O primeiro encontro para um café tinha sido surpreendentemente agradável — ele era bem doce e genuíno — e embora ela não tivesse adorado a sugestão de Isa de um encontro a quatro no segundo date, estava mantendo a mente aberta.
Mas ter que se encontrar com os outros três no restaurante porque ele quis ficar no plantão do monitor numa sexta à noite definitivamente não era um sinal verde.
O trio animado dirigiu até o restaurante italiano perto da faculdade. Dani sentou no banco de trás e observou Thiago acariciar a parte externa da coxa de Isa a viagem toda. Isso a deixou um pouquinho com ciúmes; fazia tempo demais desde a última vez que ela tinha transado de verdade, e Matheus não parecia o tipo que a levaria para casa já no segundo encontro.
Mas quem sabe? Ela estava de mente aberta.
Atravessando a multidão de amigos e rostos conhecidos, eles conseguiram uma mesa e começaram a conversar enquanto esperavam o Matheus.
— “E aí, qual é a vibe desse cara?”, perguntou Thiago para Dani enquanto acendia mais um beck.
— “Não sei, ele é legal, é doce. Ele simplesmente me chamou pra sair, então tem coragem. E é meio fofo, tipo de um jeito professor.”
— “Tudo o que eu ouvi até agora parece ótimo”, reforçou Isa. “Estou ansiosa para conhecê-lo.”
Quase no momento, Dani viu Matheus entrar e acenou para ele se aproximar da mesa. Ele sorriu e se encaixou no banco ao lado dela.
— “Oi, eu sou o Matheus”, se apresentou para a mesa.
— “Thiago, prazer”, disse o mais velho, estendendo a mão por cima da mesa. O contraste entre o braço bronzeado e musculoso de Thiago e o membro mais pálido e magro de Matheus ficou gritante.
— “Sou a Isa”, ofereceu a ruiva tímida.
— “Minha colega de quarto”, completou Dani.
— “Muito prazer conhecer vocês”, disse Matheus. “Já ouvi bastante sobre você”, direcionou a Isa. “Dizem que você é uma colega de quarto incrível.”
A colega de quarto de Dani corou profundamente.
Os quatro mal tinham terminado as apresentações quando Thiago começou a interrogar Matheus sobre tudo, de onde ele tinha crescido a por que se importava tanto com o plantão do monitor numa sexta à noite.
Matheus sorria e respondia a todas as perguntas com naturalidade. Dani apreciava o lado protetor de Thiago; os dois sempre se deram bem, o que não surpreendia considerando o quanto eram parecidos. As respostas confiantes de Matheus também estavam causando uma boa impressão.
A garçonete chegou e anotou as bebidas e a comida.
A taça grande de vinho branco na frente de Dani logo tirou qualquer nervosismo restante sobre o encontro. Thiago e Isa pareciam gostar de Matheus, ele estava se saindo muito bem, e todos estavam se dando bem.
Dani não conseguia evitar o sorriso residual que permanecia no rosto durante o jantar todo, mesmo que o frango alfredo não fosse nada de especial.
A conversa foi de aulas a vinho (sobre o qual ninguém sabia muito) até os caras trocando papo de esportes. O tempo voava, e Dani estava se divertindo. Talvez ela não tivesse dado crédito suficiente a Matheus. Ela conseguia imaginar um futuro com ele.
Quando Matheus se afastou para ir ao banheiro, Isa aproveitou para fofocar.
— “Ai, meu Deus, eu amei ele”, disse para Dani, ganhando uma cutucada brincalhona nas costelas de Thiago. “Não mais do que você, amor”, riu ela.
— “É, ele tá me impressionando”, admitiu Dani. “Eu tô curtindo ele.”
— “Curtindo o suficiente?”, perguntou Isa com a sobrancelha levantada.
— “Pra querer namorar ele?”, esclareceu Dani em voz baixa.
— “Isso”, confirmou Isa. “Acho que vocês ficam fofos juntos, tem uma química boa.”
— “Ele não deu nenhum passo”, disse Dani, sem conseguir esconder um leve tom de decepção. Isa tinha razão, tinha química, e ele era fofo. Mas a mesma energia de cara legal e tímido que o tornava tão doce também provavelmente significava que ele era menos propenso a tomar a iniciativa.
Mas Dani sabia que precisava de uma boa transa logo. E queria que Matheus fosse o cara. Só que ela não conseguia dar o primeiro passo sozinha.
— “A gente estava pensando…”, Isa se inclinou para frente, e o tom conspiratório deixou claro que ela estava lendo a mente de Dani.
— “Depois que a gente pagar, a gente sai pra algum lugar. Nada louco, mas o suficiente pra vocês terem um tempo sozinhos pra se conhecerem melhor.”
A implicação era clara: para que os dois tivessem espaço pra dar o passo sem a gente por perto.
Dani mordeu o lábio, considerando. Ela não tinha planejado uma noite maluca originalmente, mas o drink enquanto se arrumavam, o shot de tequila e a taça de vinho no jantar já a tinham deixado bem suscetível a planos selvagens.
— “É, parece divertido”, disse ela. “A gente pergunta pro Matheus quando ele voltar.”
— “Perguntar o quê?”, ele perguntou, voltando à mesa e pegando o trio de surpresa.
— “Se você quer ir pra um bar depois”, disse Thiago.
— “Claro”, respondeu Matheus sem hesitar. “Onde?”
— “Bar da Dinha”, respondeu Isa. Um barzinho de faculdade não muito longe do campus, geralmente lotado nos fins de semana de calouros.
— “Se vocês quiserem ir, pra mim tá ótimo”, disse Matheus.
— “Então tá combinado”, respondeu Dani, olhando para o encontro e já estrategizando como conseguir ficar a sós com ele.
O quarteto pagou; Matheus bancou os dois apesar da insistência de Dani em dividir.
— “Então eu te devo um drink lá”, proclamou Dani.
— “Sem promessas”, Matheus piscou de volta, e algo naquele charme quase inocente derreteu Dani. Todos os caras aleatórios com quem ela tinha se envolvido eram divertidos, mas Matheus era real, era gentil, era fofo.
O grupo fez a caminhada curta até o bar, e embora Matheus tenha protestado, deixou Dani pagar o primeiro drink dele. Thiago e Isa tomaram a frente, se abrindo caminho pela multidão até um espaço livre perto da parede.
Tinha uma banda ao vivo, provavelmente de alunos, tocando no dia. A música rock ensurdecedora tornava difícil ouvir, mas os drinks de R$10 e a multidão de estudantes tornavam tudo divertido. Além disso, como era preciso ficar muito perto para se ouvir, Dani conseguiu se encostar bem colada em Matheus, praticamente implorando pra ele colocar um braço em volta dela ou algo assim.
Os quatro ficaram juntos no começo, até Thiago e Isa declararem que queriam ir para a área do bar que tocava funk. Isa deu uma piscadela para Dani ao saírem, sabendo que a colega de quarto agradeceria a oportunidade de ficar sozinha.
Dani observou o outro casal começar a dançar, as mãos de Thiago percorrendo o corpo de Isa quase imediatamente. Eles se perderam na multidão por um segundo, mas Dani os viu se encontrarem num beijo apaixonado, as mãos de Thiago descendo até a bunda de Isa. Apertando. A coxa dele pressionando entre as pernas dela.
Dani desviou o olhar. Estava se excitando demais só de assistir. Mas o plano parecia ter funcionado; Matheus passou um braço pelo ombro de Dani e a puxou para perto, falando direto no ouvido dela.
Ela se aqueceu ao toque de Matheus, saboreando a sensação do corpo dele enquanto sussurrava de volta no ouvido, o casal quase abraçado.
Dani passou a mão pelo braço de Matheus e deslizou os dedos até entrelaçá-los com os dele.
Thiago e Isa estavam se beijando agora. As bocas abertas, beijando de forma agressiva, apaixonada. Como se não conseguissem se fartar um do outro.
— “Você quer dançar também?”, perguntou ela no tom mais sensual que conseguiu.
Matheus parecia um pouco fora do elemento, mas estava claramente se esforçando ao máximo. “Claro”, respondeu ele no mesmo tom, e pegou a mão de Dani para levá-la até a pista.
Dani não conseguia mais ver a colega de quarto ou Thiago na multidão, mas colocou isso de lado. Pegou as mãos de Matheus e as guiou suavemente até os quadris dela.
Juntos, começaram a balançar e dançar no ritmo da música, os olhos presos. As mãos de Dani percorriam os braços e as costas de Matheus. Ela realmente o queria. Talvez fosse o álcool, talvez fosse ter testemunhado o quanto Thiago e Isa estavam apaixonados. Ou talvez ela só estivesse curtindo aquele momento com um cara fofo.
Antes que conseguisse se conter, ela se inclinou. Plantou um beijo nos lábios de Matheus, suave e gentil. Os lábios dele eram quentes e surpreendentemente macios, mas ele não retribuía no começo. Justo quando Dani ia se afastar, ele a beijou de volta, a boca pressionando a dela.
Eles seguraram o beijo por apenas alguns segundos antes de se afastarem.
Dani não conseguiu evitar o rubor vermelho que sabia estar tomando conta do peito e das bochechas. Matheus também parecia um pouco surpreso, ou nervoso.
— “Você beija bem”, disse ela.
— “O quê?”, perguntou ele, se inclinando de volta no ouvido dela.
— “Eu disse que você beija bem”, repetiu ela diretamente no ouvido dele, e beijou o lóbulo enquanto estava ali. Seus lábios voltaram rapidamente aos dele para roubar outro beijo, dessa vez com um pouco mais de fogo, a boca aberta.
Matheus a beijou de volta, e as bocas dançaram no abraço. A língua de Dani saiu e mergulhou na boca de Matheus, e ele passou a língua pelos lábios dela.
Ela abraçou o encontro com força, só curtindo o contato próximo, as bocas presas, bloqueando todo o resto do bar. Conseguia sentir as mãos de Matheus tremendo um pouco nos quadris dela e tentava acalmar o nervosismo dele com toques e beijos gentis. Mas era difícil conter o fogo que crescia entre as pernas. A necessidade de mais.
O casal continuou se beijando e dançando, perdendo a noção do tempo. Matheus estava ficando mais confiante, as mãos descendo até o topo da bunda de Dani, depositando beijos nas bochechas e no pescoço. Deus, como era bom.
Dani quase nunca pedia pra um cara ir embora com ela. Mas se alguma vez era a hora, era agora. Especialmente porque não tinha certeza se Matheus daria esse passo sozinho.
— “Você quer continuar isso em outro lugar?”, se inclinou no ouvido dele. Ela nem sabia quanto tempo já estavam no bar, mas sabia que não precisava ficar mais.
— “Onde. Na minha casa?”, esclareceu ele.
Dani balançou a cabeça em resposta e mordeu o lábio de forma brincalhona. Queria que ele soubesse o que ela tinha em mente.
— “Meu colega de quarto já vai estar dormindo”, disse ele. “Então acho que não dá.”
— “Tudo bem, a gente pode ir pra minha casa.” Tecnicamente, caras não eram permitidos na república, mas isso nunca parou ninguém. Thiago tinha o próprio quarto no apartamento, então ele e Isa podiam ir pra lá.
— “Ok”, concordou Matheus, claramente tentando não soar muito empolgado, mas o entusiasmo óbvio era fofo, cativante. Dani percebia que a perspectiva não era algo que ele fazia com frequência, mas ele parecia disposto. E, porra, ela precisava disso.
“Maravilha”, Dani sorriu de orelha a orelha. Queria tornar aquela noite especial, aproveitar de verdade com alguém de quem gostava.
— “Vamos.”
Ela chamou um Uber, e Matheus pegou a mão dela para levá-la para fora esperar. Estavam a dois passos da porta quando outra mão puxou o braço livre de Dani, puxando-a para trás.
— “A gente precisa do quarto”, declarou Isa. Ela parecia um pouco desarrumada, o cabelo um pouco solto e o vestido levemente torto. Thiago vinha logo atrás.
Matheus se virou para olhar Dani, e ela não tinha certeza de como responder. Então soltou a mão de Matheus e puxou Isa para o lado.
— “Te encontro lá fora”, gritou de volta para Matheus, que parecia mais do que confuso, e os dois caras saíram.
— “Eu preciso do quarto essa noite”, repetiu Isa apressada.
— “Você pode ficar com o Matheus? Ou com outra pessoa?”
— “Não”, respondeu Dani. “O colega de quarto dele tá no quarto e dormindo. Eu já pedi pra ele ir comigo.”
— “Que ótimo pra vocês”, disse Isa. “Mas a gente precisa.”
— “Por quê? Vocês não podem ir pro Thiago? Ele tem um apartamento próprio.”
— “Hoje não dá, a família dele tá por aqui no final de semana e estão ficando no apartamento. Eles estão saindo agora, mas voltam em breve. E não tem mais espaço no sofá pra expulsar ninguém.”
Dani parou para pensar e ficou um pouco irritada. Isa transava com Thiago praticamente todas as noites, sempre que queria. Não podia deixar a colega de quarto ter só uma com um cara novo? Ela realmente precisava.
— “Vocês não podem só dormir essa noite?”
— “Não”, respondeu Isa com firmeza, e pelo tom era claro que não havia espaço para negociação. Ela não sabia o que eles tinham aprontado, mas Isa estava claramente já bem excitada.
— “Eu preciso essa noite. Além do mais, o que eu ia fazer, ficar sentada na minha cama assistindo você montar no Matheus?”
Dani pensou por um segundo, tentando encontrar uma solução.
— “Por que a gente não usa o quarto juntas?”, perguntou Isa quase casualmente. “Isso funcionaria pra vocês?”
— “Fala que você tá brincando”, foi a primeira resposta de Dani.
— “Não?”, rebateu Isa. “Por que eu estaria?”
Dani parou um momento para pensar. “Espera, tipo ao mesmo tempo? Só cada um na própria cama?”
— “É”, respondeu Isa, como se não fosse problema nenhum. “Eu e o Thiago não nos importamos nem um pouco, e eu garanto que o Matheus só ia ficar feliz de ir pra casa com você.”
Dani se viu sem saber como proceder. A naturalidade de Isa era reconfortante, como se a ideia não fosse tão maluca quanto parecia.
Ela nunca tinha transado no mesmo quarto que outra pessoa antes. Muito menos enquanto outro casal se pegava ao lado. Nunca tinha sentido vontade de verdade e a ideia era um pouco estranha.
Mas, ao mesmo tempo, ela estava realmente ansiosa para levar Matheus pra casa. A noite toda tinha sido ótima e ela não queria que terminasse. Talvez fosse o álcool falando, ou o ardor entre as pernas, ou talvez a naturalidade de Isa estivesse só convencendo. Mas Dani se pegou não odiando a ideia.
— “Como funcionaria?”, perguntou ela. Se fosse dizer sim, ainda precisava de reassurança. Ainda parecia estranho por um motivo que ela não conseguia racionalizar, além de ter sido criada acreditando que sexo era algo puramente privado.
— “A gente faz o nosso na minha cama, vocês na de vocês. Apaga a luz, só finge que o outro não tá ali.” Isa explicou, com uma confiança excessiva, como se já tivesse feito isso antes. “Por favor, Dani”, implorou com os olhos.
A loira considerou por mais um momento, mesmo que só para se convencer de que não estava completamente louca por querer fazer aquilo.
— “Tá”, concordou. “Tá. Desde que não fique estranho.”
— “Não vai ficar”, tranquilizou Isa. “Vai ser divertido. Eu prometo. E todo mundo consegue o que quer.”
Dani imaginou que isso tinha que ser verdade. Começou a pensar em como convencer Matheus enquanto Isa as levava de volta para fora.
As meninas saíram, e Dani checou o celular a tempo de ver que o Uber já estava chegando.
— “Ah, esse é o nosso”, sinalizou, enquanto o quarteto se espremia no carro e começava o caminho para casa.
Thiago, naturalmente, sentou no banco do passageiro, deixando os outros três apertados no banco de trás. Mas dali, no meio, Dani podia apoiar a mão na coxa de Matheus e acariciá-la discretamente.
Dani estava prestes a se inclinar e começar a explicar a situação para Matheus quando ele se virou para sussurrar:
— “Qual é a parada? Eles vão voltar com a gente?”