Capítulo XXVII – Cavalo rebelde
Epona lhe tirou o cinto de castidade e falou:
— Fica de pé e fica quieto. Seu papel aqui se reduz ao seu pau!
O Outro se levantou e respondeu, em um inglês ainda mais carregado que o de Epona:
— Yes, ma’am!
Era a derrota total. Preso, morrendo de tesão e desejo, veria de quatro, como um animal, aquele que, mesmo após ter sido tão ferido, parecia ainda mais forte do que da última vez. Ele nem se dignava a me olhar; seguiu Epona, fissurado por sua bunda, por seu cheiro... Lembrei-me de uma namoradinha que tive, de como soube depois que ela adorava os mimos, os carinhos e as tarefas de casa que eu fazia para ela, mas que preferia a boca dos outros...
Sem saber o que fazer, sem conseguir tirar os olhos da minha Senhora, sem ter coragem de olhar para o pau do outro, estava encurralado. Fiquei parado enquanto se ajustava na cadeira e o Outro, por trás, tentava se encaixar nela... Ela nunca havia me permitido esse tipo de contato, tocar-lhe as coxas, beijar-lhe as costas e o pescoço... Estava morrendo de tesão, mas estava morrendo de inveja, e a inveja é, dos sentimentos, o que menos favorece o desejo. Fitei o chão e, por um brevíssimo instante, comecei a cantarolar baixinho, como no dia em que Epona atirou no invasor...
— Potro!
Falava com voz dura... falava na minha língua, era para mim... olhei.
— ... Quero que você observe tudo... — falava enquanto ensaiava gemidos. — Veja como se mete em uma mulher de verdade, você vai entender que esse não é o seu lugar!!!
O rosto de Epona gritava prazer... A batida dos corpos, o pregar das coxas, martelava na minha cabeça e o tesão voltava a me consumir... Mas algo estava errado, algo estava deslocado... não entendia o que Epona queria de mim. Seus gemidos me excitavam, o rosto desvairado do Outro Potro enquanto ele agarrava como podia a cintura de nossa Senhora e a invadia cada vez mais rápido e cada vez mais fundo, excitava-me ainda mais... não os ver me doía, mas assisti-los me dava prazer, e cada vez mais prazer...
— Vem cá, Potro, você não vai ficar parado aí, não... não queria chupar meu pé? Agora chupa ele! Vem logo.
Epona se ajeitou na cadeira, abrindo as pernas de frente para o Outro. Eu, de joelhos no chão, levantei o corpo e comecei a beijar seu pé direito... Como eu queria pegar em suas pernas, puxar Epona para mim como o Outro fez, ajeitá-la na cadeira e ter meu pau devorado dentro dela como ele estava tendo... Ver isso de perto, ouvir a respiração forte do Outro Potro, os gemidos, ainda que fingidos, de Epona... tudo aquilo aumentava ainda mais meu tesão. Sentia mais e mais dor e descontava tudo beijando, lambendo e chupando seu pezinho. Já que não teria acesso à Epona, pervertia o fetiche, fazia da parte seu todo. Lambi seu calcanhar como se provasse seu sexo, mordisquei e me esfreguei em sua sola como se estivesse a beijar-lhe as costas, imaginava-a se arrepiando como no dia em que revelou seu desejo por cortes... enfiei todos os seus dedos em minha boca como se abocanhasse seu seio, pontudo, decidido e macio. Quis acessar seu outro pé para continuar as carícias... no processo, por acidente, ou porque criei coragem, olhei diretamente o sexo! A buceta de minha Senhora, molhada e com apenas uma faixa superior de pelos, era uma delícia, era tudo o que eu sonhava em ver... Minto. O pau do Outro era talvez mais comprido que o meu, pouca coisa, mas era visivelmente mais fino... Epona achou que tinha triunfado, mas via na minha cara de prazer que não...
— Queria um Homem, caralho! Sai — disse para o Outro que se afastou —, do outro jeito estava melhor...
Virou-se de costas para ele, mas, antes que ele conseguisse avançar sobre ela:
— ... Pensando bem, Potrinho — disse, olhando para mim, enquanto eu ansiava pelo momento em que poderia voltar a massagear seus pezinhos com minha língua —, deita no chão... Quero rente ao chão e com a cara virada de lado, cansei de você chupando meu pé...
Epona encostou seu joelho esquerdo na cadeira e, com seu pé direito, pisava em minha cabeça, equilibrando todo o seu peso em cima de mim...
— Agora vem você, e mete com força! — (Por quantas vezes ela teve que se imaginar nos cortando para dizer isso? Para dizer tão pouco?)
A dor, diferentemente, era intensa e proposital. Sem poder observar, apenas ouvindo, a mistura entre o desejo e a inveja voltou a ser disputa, mas ser pisado pela Amazona, vendo de relance seus quadris dançarem... tendo a certeza de que o Outro, ao menos, tinha o pau mais fino, bem mais fino, fez com que o desejo triunfasse...
Há sei lá quanto tempo sem gozar, o Potro não aguentou. Quando Epona percebeu, ela o empurrou e parte da sua porra caiu no chão, parte escorreu pela perna de Epona...
Visivelmente frustrada, visivelmente enojada, mandou o Outro voltar à sua cocheira e ficar quietinho a esperando... Sentou na cadeira, libertando-me. Olhou com nojo para sua perna e disse:
— Vai, Potro, limpa aqui logo, sua saliva é menos nojenta que isso!
Era nojento..., mas era a oportunidade para lamber sua coxa, não pensei nem por um instante... A Senhora do Estábulo não gostou nada daquilo... Queria minha recusa, queria poder extravasar o desejo fingido no desejo real de me bater, de me talhar para depois costurar... Derrota atrás de derrota, Epona perdia a batalha, mas não sem antes tentar sua última humilhação...
Tirou-me o cinto:
— Agora vai, Potro, vou deixar você gozar nos meus pezinhos, mas na parte de cima, porque você gostou muito das solinhas...
Ela juntou os dois pezinhos como havia feito inicialmente, e rapidamente os cobri com meu gozo! Foi intenso... do tipo que minha Senhora não podia ignorar...
— Agora limpa tudo de novo!
Era a primeira vez que fui forçado a lamber meu próprio esperma... O do Outro ainda estava misturado com líquidos de Epona e apenas um pequeno fragmento havia ficado em sua coxa; consegui apenas engolir sem pensar muito... agora não, havia muito. Tive ânsia, quis parar; minha Senhora puxou-me a cabeça com a mão e me fez sujar o rosto... Ria e parecia voltar a estar satisfeita... até eu começar a lamber... até as lambidas se transformarem em chupões e mordiscadas. Epona meteu o pé fundo em minha garganta e tudo que conseguiu não foi vômito, mas o jato final de uma ejaculação... Essa sensação humilhante que o Templo me trazia era o que de fato cabia a mim, ao verme!
Cavalo e Senhora não gozam juntos, mas fora o dia dos Cavalos.
(Caligrafia diferente, definitivamente Epona)
“Seu dom para o Cavalo gentil atrapalhava muito as outras Domas.”
