Capítulo XXVI – Cavalo rebelde
Quando descalcei suas botas, Epona esfregou seus pés, ainda dentro de suas meias finas, em meu rosto... Como era excitante viver aquilo! Epona tinha razão, eu não era melhor que isso, e não tinha por que ser...
— Um ser humano, Potro, teria nojo desse cheiro... mas você não precisa mais, Potrinho... Sente como é gostoso o chulezinho da sua Senhora! Relincha para eu ver como você tá gostando!
Relinchava e cheirava, tragava, estava completamente entregue àquela sensação sublime... Não havia excitação ou gozo de homem que superasse o nível de desejo de poder aspirar o cheiro das meias e das botas, do trabalho e das pisadas, do sagrado e do profano! Epona pressionou tanto que eu pensei que iria desmaiar sem conseguir respirar... Mas não me mexi, não podia. A única coisa à qual meu corpo respondia, a única necessidade, era o desejo!
— E não acabou, Potro... Olha como você é ridículo... fala de Vontade, mas o que você quer é desmaiar sendo sufocado por alguém superior! Vai, tira as minhas meias, mata sua vontade de sabujo! Vi sua troca de olhares com os cães, vocês se entendem muito bem, hahaha!
Estiquei as mãos, sedento por pegar em suas pernas, em suas coxas... Epona me empurrou com os dois pés e eu me desequilibrei, caindo... Antes que pudesse ter qualquer reação, ela se levantou e, pisando na minha bochecha esquerda, espremeu meu rosto contra o chão...
— Eu já lhe falei, seu lixo, você não tem mãos, você tem cascos! É pra tirar com a boca e com os dentes, e ai de você se me morder!! Vai perder dente!
Tinha conseguido fechar os olhos, mas Epona pressionava meu globo ocular com seu dedão de maneira extremamente incômoda. Soltou-me, felizmente, e voltou a se sentar, mas sentou-se de lado, um pouco desconfortável dados os braços da cadeira:
— Vou facilitar para você, que não quero que estrague minhas meias...
Falou enquanto levantava a barra da calça e a dobrava até a parte superior do joelho, onde a meia abraçava suas coxas grossas e levemente torneadas.
— ... Vai, vem aqui com essa boquinha e puxa a minha meia... Isso, Potrinho, com desejo! Com vontade, não era isso que você queria, putinho? Então puxa, puxa, vai!
Eu estava extremamente excitado e sentia que parte — ao menos um fragmento — da encenação de Epona era verdadeira...
— Isso, agora dá ela aqui... Melhor, coloca dentro da minha botinha... Olha lá dentro se tá bem colocada, Potro!
Seu pé desnudo pisou na minha cabeça, enterrando meu rosto em sua bota... A sensação de sufocamento e a dor do cano nada macio do calçado eram completamente suplantadas pelo desejo! Pela primeira vez, Epona havia encostado pele com pele que não fosse a das suas mãos.
— Queria vê-lo desesperado, Potro... lutando por sua vida... Que ridículo seria morrer sufocado na bota que tanto lhe bateu... Mas você não consegue, né? Não consegue não sentir tesão em ser pisado! Vai, tira a outra!
Ajeitou-se com o corpo... A ansiedade tomava conta do meu, e o delicado ato de tirar suas meias com os dentes se tornava cada vez mais e mais longo... Epona, como sempre, percebeu, e qualquer leve encostada dos dentes era motivo para que ela reclamasse. Quando a meia já estava na batata de sua perna...
— Ai, Potro! Esses dentes... Não é você que mastiga! Sou eu! Isso é pra você aprender o seu lugar... Vamos de novo!
Empurrando-me com o pé, ainda com a meia, aproximou sua mão do próprio calcanhar e subiu a meia toda de volta!
Como me controlar diante daquela situação, daquele calor, do meu pau preso pulsando na cinta a cada vez que, entre a pele de minha Senhora e minha boca, restava apenas um tecido tão fino?
Por mais duas vezes, Epona me fez tentar lhe tirar a meia, interrompendo-me no processo. E quando eu estava prestes a conseguir, movido por um resquício de razão de uma mente desesperada... ela me interrompeu e ela própria terminou de tirá-la:
— Como você demora, Potro! Não consegue fazer nada...
E então a Senhora do Estábulo se ajeitou em seu trono para se mostrar...
— ... Olha esses pezinhos, Potro! Não são cascos que nem os seus! São sensuais, não são? Fala, não é só pra balançar a cabeça!
— São, Senhora! São maravilhosos!
Eu inclinava a cabeça na direção deles tentando sentir o perfume, enquanto ela os recuava:
— Eu cuido deles, viu! Estão bem macios... só o esmalte que tá um pouquinho descascado, Potro! É difícil trabalhar de calçados fechados... mas você não entenderia, Potro. Você não sabe o que é trabalhar, você não sabe o que é ter uma vida... você é só um Potro sedento pelos meus pezinhos!
Ela juntou seus pés, finos, mas um pouco alongados; balançava os dedinhos com as pontas escuras produzindo um padrão hipnótico... Eu babava, e babava muito! Seu segundo dedo era levemente mais alongado, quebrando o que seria uma escadinha perfeita... Era um falso 38! E essa era a única coisa falsa em seus maravilhosos pezinhos... Queria eles em minha boca!
— Ai, Potro, eu achei que pelo menos meus pezinhos você poderia provar, sabe... mas acho que eles são demais para você! Você é tão nojento...
Achei que tinha entendido seu plano. O desespero tomou conta do meu rosto; ela não deixaria eu chegar mais nem um centímetro perto do meu prêmio!
— ... Não faça essa cara, você mesmo tava repetindo que era um verme! Você não disse? Você acha que essas solinhas podem tocar coisa tão virulenta?
Resisti à tentação de olhar para as suas solas e olhei para baixo... Se ela iria me torturar assim, eu não me entregaria mais e mais a um gozo que não conseguiria viver!
— Não desvia o olhar, Potrinho, eu sei que você quer...
Epona aproximou o pezinho esquerdo de meu rosto e, por mais que eu desviasse o olhar, o cheirinho levemente azedo, misturado ao cheiro do couro, e a tentação de estar a tão pouca distância dele... Era magnético demais. Olhei e avancei... ela tornou a recuar!
— Não é maldade minha, Potro... é que você é nojento... olha como esses pezinhos são superiores a você! Você inteiro não vale nada... é lixo, e eles são luxo!
Epona se ajeitou na cadeira e buscou as botas... imaginei que era para calçá-las novamente...
— Não, Senhora, por favor!! Eu sei que eu não mereço, mas, por favor, me deixa pelo menos sentir o toque dos seus pezinhos! Por favor, deixa eu cheirar eles!
Ela riu:
— Então implora, Potro! Implora mais! Eu quero ver você se humilhar!
E eu implorava! Como implorava, e cada vez mais ela me humilhava, me provocava... não me deixava avançar, mas também não me deixava sair... Era um tipo de tortura que eu nunca tinha sofrido... Era um tipo de tortura que eu queria, intimamente, que se prolongasse...
— Ai, Potrinho, vou deixar! Mas são só os pezinhos que você vai ter, viu! Pode ser assim?
— Sim, minha Senhora! Eu não sou nem digno deles, mas os desejo tanto!
— Que gracinha, Potro! Vou deixar, hein! Mas só hoje!
Epona os aproximou lentamente do meu rosto, um tempo que pareceu muito maior do que de fato foi, e então... que delícia foi sentir uma solinha pisando na minha cara. Não era completamente macia, tinha suas partes ásperas e menos delicadas... mas era exatamente o tipo de realidade que eu tanto ansiava viver!
— Macios e cheirosos, Potrinho! Tão diferentes de você...
Epona os esfregava na minha cara; seu toque e seu cheiro faziam meu pau dar solavancos dentro do cinto!
Epona tirou-os violentamente...
— Não permiti que você os tocasse ainda... só eu toco em você...
Como alguém indeciso entre entrar ou não na piscina, Epona me pisoteava gentilmente, como quem oscila nesses degraus da entrada.
— Vai, Potro, agora quero pequenos beijinhos...
Aproximou as solinhas do meu rosto e tirou de novo:
— ... Mas sem língua, e começa pela frente!
Disse, ao devolver o pezinho esquerdo com os dedinhos um pouco encurvados. Comecei a beijar e, se o tesão de Epona no começo era apenas uma faísca perto do que ela representava... agora talvez fosse tal como uma vela!
— Agora beija as solas, Potro! Isso... não se afoba, que você não sabe quando vai ter isso de novo... É tão difícil me controlar, Potro, eu queria tanto pisar nesse seu pau duro até esmigalhar ele, até não sobrar nada! Eu só me controlo porque já fiz um pouco disso, você lembra?
Arrepiei-me ao lembrar da surra que Epona me dera, a marca que deixara no sexo... na verdade as marcas, mas eu precisava responder a ela, não podia voltar agora.
— Lembro, Senhora...
— E mesmo assim continua duro! — Epona corava. — Aposto que se eu pedisse para lhe bater agora, que nem naquele dia, você ia aceitar, né? Como é difícil resistir!
Os beijos evoluíram para lambidas e as lambidas para chupadas!
— Agora abre bem a boca, quero arregaçar sua boca!
Abri da forma que consegui, lembrei-me das vezes que passava mal no dentista enquanto tentavam me moldar. Mas aqui não sentia nojo ou ânsia, sentia só tesão! Sentia-me capaz de engolir seu pé esquerdo inteiro! No entanto, a Vontade de minha Senhora era outra, ela queria que aquilo não desse certo e acelerou a entrada do seu pé em minha boca. Não cheguei a ter ânsia, mas, involuntariamente, bati os dentes. Ela imediatamente tirou-o de minha boca e, projetando seu corpo e braço para a frente, segurou-me pelos cabelos!
— Eu lhe falei que não era para você encostar esses dentes!
Enquanto me segurava, Epona dava violentas “pisadas” na minha cara, uma mistura entre um chute e uma bofetada só que com os pés. Cada chute no meu rosto não era apenas uma punição pelos meus dentes; era Epona descontando os meus fracassos, meus avanços desmedidos e, principalmente, a humilhação que ela tinha sofrido por nossa Deusa. Para se purificar do castigo divino, ela precisava multiplicar os castigos e a dor em meu corpo, era fetiche vivo: o cordeiro no altar. Eu não era mais um escravo apanhando; eu era o para-raios da humilhação da minha Senhora, e, na minha loucura, doía, mas eu me sentia honrado em absorver a sua fúria.
Depois disso, ela me jogou ao chão e, sem me dar tempo para entender o que estava por vir, começou a pisar em mim. Poderia morrer se ela não soubesse exatamente onde e como pisar para extrair o máximo de dor sem consequências futuras.
Após pisar, pular e chutar, meu corpo estava coberto de pequenos hematomas e Epona, um pouco suada, parou apenas porque ainda precisava de mim acordado e trotando... E eu estava, completamente vivo! A surra não diminuíra meu desejo, pelo contrário, tinha a falsa impressão de que, de algum modo, o espancamento era um ritual necessário para nos aproximar. Como uma mãe que precisa bater para impor a disciplina, mas o faz para chegar ao regime de carinho e conciliação. Ela não havia feito o mesmo quando cortou meu pau?
Sua cara de safada continha algo de tesão e de triunfo; algo de verdadeiro... Mas, como já disse: Cavalo e Senhora não gozam juntos...
— Ai, que delícia, Potrinho, estou ficando toda molhada. Levanta! Mas fica de quatro! Agora, fica de joelhos e me ajuda a tirar a calça...
Por um instante, achei que as coisas estavam evoluindo a meu favor. Tinha chegado o dia em que eu deitaria com Epona??
— Isso, Potro! Olha a calcinha que eu coloquei para matar você de vontade... ela abre aqui no meio, viu!
As duas partes da calcinha se soltaram e eu estava próximo de ver sua flor pela primeira vez. Tentei avançar, ela me empurrou com os pés... rindo. Eu avancei de novo de quatro, e ela me empurrava de volta. Tornava a beijar os seus pezinhos que iam se sujando e, nesse ritmo, ela sempre ia mais longe do que eu a alcançava, até que ela parou... Consumido pelo desejo, não vi que em sua mão havia um molho de chaves...
— Ai, Potro, que delícia você se humilhando pelos meus pezinhos! São só pés, seu puto! Agora eu preciso matar esse fogo!
Me aproximei dela, esperando que ela tirasse meu cinto de castidade...
— Ah, não, Potro, você não achou que eu estava dizendo isso, né? Hahahaha, nesse estado aí você não vai durar nada. E outra: você é um Potro, um animal, todo sujo... eu quero um ser humano...
Fiquei sem entender...
— Mas, na falta de um, o outro Potro serve, como um consolo...
Esse era seu verdadeiro plano... Aberta a cocheira, o Outro saiu!
