Capítulo XXV – Cavalo rebelde
— Isso, Potro, só mais um pouquinho...
Esticou as pernas e, com a precisão que só ela tinha, a lâmina da sua bota passou a no máximo dois ou três centímetros do meu rosto...
— ... Está bom, agora fica paradinho! Isso, Potro, olha só para a minha bota, vai. Segue ela com esses seus olhinhos caninos!
Ela nem precisava dizer; eu já estava executando o comando...
— Sabe, Potro, muito no começo eu pensei que você olhava tanto para os meus pés porque você... bom... anda de quatro, talvez fosse só o movimento natural... Mas já faz um tempo que eu percebi que você é um fetichista do caralho, hahahaha...
Engoli em seco. Sei que, para o leitor, isso pode soar meio absurdo: por que toda essa vergonha em frente a quem já havia manipulado meu corpo de tantas formas? O motivo era que aquilo era um trauma... Veja: quando era jovem, percebi que tinha vários fetiches; desses, a podolatria, o trampling e o spanking eram os mais normais... O problema é que, na sociedade em que vivia, a sensação que eu tinha era de que não possuía apenas esses fetiches; todos eles vinham acompanhados da necessidade imperiosa de ser dominado... Justamente por isso, meu impulso era reprimi-los da melhor maneira que conseguia. Não havia perdido a virgindade antes da faculdade. Durante a faculdade, em uma festa de calouros, em um banheiro, já embriagado, transei pela primeira vez — e atribuí o meu sucesso à minha iniciativa, ainda que muito dela tivesse vindo na forma do álcool... Entendia que, como homem, eu não poderia satisfazer esses desejos de submissão e que só conseguiria viver minimamente se mantivesse aquela pose de homem comum...
— ... E vendo você todo travado, todo envergonhado, mesmo agora que seu corpo melhorou tanto... Sério, você tá gostoso, hahahaha... Não, gostoso é muito forte... Você não vai ser gostoso nunca!
Falava enquanto tocava, com a ponta da outra bota, o meu rosto — às vezes na testa, às vezes na bochecha, às vezes sujando, às vezes riscando...
— ... Mas acho que agora você já tá agradável aos olhos para viver seu fetiche. Quer que eu satisfaça ele, Potrinho? Quer ter a chance de limpar minhas botas? Ser minha vassourinha, seu putinho? Claro que quer, seu pintão tá explodindo nesse cinto, haha! Mas vai ficar no cinto; só vou pensar em tirar se você limpar minhas botas certinho, e aí eu repenso... Agora, relincha para mim! Relincha para sua Senhora, seu vadio!
O cheiro da terra, da serragem, do couro da bota de minha Senhora... Estava completamente intoxicado; relinchei e relinchei, de novo e de novo...
— Isso, seu putinho, vem mais perto e fica de joelhos! Agora, coloca minhas botinhas na sua cara, porque é o que você quer, ser pisado... Eu sei que você é um lixo por conta disso, você se sente bem debaixo das botas da sua Senhora. É confortável, né! Assumir seu lugar no mundo.
Epona pressionava mais e mais a bota contra a minha cara. Não conseguia mais resistir; tentei segurar seus pés, começaria a limpar aquelas botas ali mesmo!
— Potro, caralho! Não me segura, você é lixo! Não toca em mim! Esqueceu que eu posso lhe furar?
Falou enquanto chacoalhava o seu pezinho direito... Aquilo estava me matando...
— Vai, Potro, abre a boca e coloca a sua língua pra fora! Isso, agora fala: “minha Senhora, deixa eu limpar sua bota?”
— Minha Senhor...
— Falei para ficar com a língua de fora e falar! Vai de novo!
— Minaaa Sen-ora, deijá eul limpá su-a cota?
— Não entendi, Potro, você é retardado! Fala direito!
— Minnhaa Sennoora, deijáa el limparr suaaa co-co-bota?
— Que nojo, Potro! Está se babando todo, hahahaha! Que vontade de lhe chutar! Mas vou me saciar vendo você limpar minha bota suja, seu verme!
Senti ela passar a bota por toda a extensão da minha língua, do calcanhar até a ponta.
— É só pra isso que você serve, né? Eu estou treinando você aqui só pra limpar bota, para limpar o chão? Você entende que sua vida, sua vidinha toda, vai ser só isso? Nem Potro você é, você é um verme, não é?
Tentava não prestar atenção na humilhação que me fazia passar, mas ela tirou a bota e eu respondi imediatamente:
— Sou um verme, Senhora, sou um verme...
Voltando com a bota esquerda ao meu rosto:
— Isso, a porra de um vermezinho. Imagina seus amigos vendo isso agora, Potro? Você de pau duro lambendo terra? Lambendo a própria merda grudada na minha sola? E seus pais? Que gastaram tempo e dinheiro pensando que criavam um filho? Estavam gastando grana à toa, não estavam? Fala, seu verme!
— Sim, Epona, estavam, eu sou um lixo, um verme!
— Olha aonde você desce para se satisfazer... você é muito baixo. Sumir foi a melhor coisa que você fez!
Eu lambia com mais e mais tesão. Ela me fez chupar o bico e chupar o salto. Após isso, começou a me fazer de bobinho: aproximava os pés do meu rosto e, no momento em que eu tentava lamber, em que projetava o rosto para a frente, ela os distanciava e ria, me humilhava, me xingava! Passou para a outra bota e, entre a minha lascívia e a maldade dela, chegou na lâmina... A lâmina que havia me cortado... Não devia ser a mesma, mas, de algum modo, eu sabia que era...
— Parou por quê? Acha que a lâmina não merece limpeza? Vai, chupa igual e larga de ser tonto, não vai te cortar... A menos que eu queira te furar...
Minha língua raspou aquela lâmina fria; sentia que, a qualquer momento, ela iria balançar a bota e me ferir... O gosto metálico se misturava com a lembrança dos grritos do Cavalo, e eu queria achar aquilo nojento, queria parar... Mas meu corpo se mexia por vontade própria, atendendo à mais pura animalidade, crua e nua, que se estraçalhava ante suas próprias barras de ferro.
— Nossa, Potro, que limpinho que ficou! Deixa eu ficar aqui de pé para ver como está ótimo seu trabalho... Para isso você serve, viu? Acho que encontrei seu dom! Que realização, hein? Formado em lamber terra batida dos sulcos dos calçados, hahahaha...
Enquanto ria, ela batia ritmicamente os pés no chão, e eu ainda não entendia a extensão da sua malícia. Sentando-se na cadeira novamente, continuou:
— ... Ai, Potro, acho que falei cedo demais. Agora que vi melhor, está tudo sujo ainda! Nem para isso você serve, caralho! Que desperdício de carbono que você é! Por que não se enterra logo na terra? Adubo você já é, seu puto! Vai, lambe de novo!
Tudo aquilo só me dava mais e mais tesão, e eu já não conseguia me controlar. Epona, cada vez mais, me fazia de bobinho; cada vez mais adiava o momento em que eu pudesse concretizar algo do meu gozo...
— Olha como ele é competente, nossa, hein, Potro, hahaha! Mostra a língua para mim, deixa eu ver se ela tá mais ou menos suja que a sua cara, seu... hahaha!
Fiz como ela pediu, imaginando que minha Senhora me libertaria para poder gozar... E então ela fez algo ainda melhor:
— Nossa, do jeito que você lambeu minhas botas, ficou claro que você nunca teve nem a coragem de pegar um calçado escondido para se satisfazer, hahaha... É seu dia de sorte, Potro...
Ouvi a doce melodia do trinco e do zíper descendo:
— Tira minhas botas!
