Continuei saindo para correr todas as noites com Brad. Virou parte da nossa rotina. Assim que terminávamos o percurso, antes mesmo de entrar em casa, nós dois deitávamos no gramado por alguns minutos. Eu ficava olhando para o céu, tentando organizar a cabeça depois de um dia inteiro, enquanto Brad permanecia ao meu lado, em um silêncio que, curiosamente, dizia muita coisa. Não precisava de brincadeira ou de qualquer estímulo, bastava estar ali.
Brad sempre foi completamente apaixonado por Juh. Desde que chegou à nossa família, era ela quem recebia a maior parte da atenção dele. Os dois tinham uma sintonia difícil de explicar. Comigo existia carinho, claro, porém era diferente. Acho que foi justamente durante aquelas corridas que isso começou a mudar. Aos poucos, Brad se tornou meu cãopanheiro também. Parecia até se divertir enquanto eu praticamente me matava tentando manter o ritmo, sempre correndo alguns metros à frente, olhando para trás de vez em quando, como se estivesse conferindo se eu ainda não tinha desistido.
Naquela noite, acabei exagerando um pouco. Quando entrei em casa, a sala estava silenciosa. Apenas Juh permanecia acordada, sentada no sofá. Olhei para o relógio e fez todo sentido... Já estava tarde o suficiente para Dom, Milena e Kaique estarem dormindo. Eu realmente tinha passado da conta naquele treino.
Assim que percebeu minha presença, Juh levantou os olhos, abriu um sorrisão que iluminou o rosto e praticamente deu um salto do sofá na minha direção.
— Que isso? Saudade? — perguntei, e a ajeitei em mim.
— Também! — ela respondeu e me beijou.
— Também? O que mais? — questionei, sentando no sofá com minha gatinha no meu colo.
— A primeira escola já tem data de inauguração!!! — Júlia comemorou.
— Que maravilha, amor! Parabéns!!! — festejei com ela.
A empolgação de Juh era contagiante e, depois de tantos meses de empenho, reuniões, pesquisas e planilhas, finalmente existia uma data para o início de um projeto que significava muito para ela.
A proposta de Rafael sempre foi excelente. Desde a primeira conversa, fazia muito sentido e sempre tratei como um gesto nobre da parte dele. A ideia de assumir escolas já existentes, modernizar a estrutura, investir na qualidade do ensino e expandir a rede parecia, no papel, o caminho mais rápido e inteligente. O problema é que o papel raramente acompanha a realidade, e Juh e Rafael descobriram isso na prática.
Por incrível que pareça, encontraram muito mais obstáculos para manter, melhorar e atualizar um colégio que já existia do que para construir um completamente novo. Licenças, contratos antigos, burocracias, adequações, exigências e uma infinidade de detalhes transformavam qualquer negociação em um processo lento e desgastante. Era quase como se levantar um prédio do zero fosse mais simples do que reformar um que já estava de pé. E, como os dois ainda eram novos naquele ramo, também não conheciam os atalhos. Não tinham experiência suficiente para saber quais portas bater, com quem conversar ou como acelerar determinados processos. Então decidiram seguir pelo caminho mais estratégico: começar do zero.
~ Hoje em dia, uma foto no feed da prefeitura com o prefeito e o secretário de Educação já diminui muitas etapas do processo 🤣
A prioridade, naquele momento, passou a ser definida por ordem de necessidade, e foi construído o primeiro colégio na região rural de uma cidade minúscula do interior da Bahia. A ideia era criar um modelo próprio desde a fundação, sem precisar adaptar estruturas antigas ou resolver problemas herdados. Depois de adquirirem experiência, o plano partiu para desafios maiores, levando o mesmo padrão para as seguintes.
Aquela escola representava o primeiro passo de um sonho que, aos poucos, deixava de existir apenas nas conversas e passava a ter endereço, cronograma e, finalmente, uma data para nascer.
— A gente deveria dar um pulo na piscina — Juh sugeriu, com uma carinha de convencida.
— Deveríamos, é? — perguntei, beijando-a.
— Siiiim! — ela respondeu, animadinha.
— Acho que eu prefiro mergulhar em você — brinquei, me jogando por cima dela no sofá.
Senti os braços de Juh se acomodarem ao redor do meu pescoço e segurei sua cintura com firmeza, trazendo-a um pouco mais para perto, enquanto o beijo ganhava a gostosura formidável que essa muié faz ser. Quando nos afastamos, ainda ficamos alguns segundos com os rostos próximos, sorrindo uma para a outra. Depois, acabamos indo mesmo para a piscina e continuamos abraçadinhas, trocando carinhos, conversando baixinho e aproveitando aquele momento de tranquilidade depois de um dia tão cheio.
— Eu desejo muito sucesso para vocês, amor. De verdade... Estou muito feliz por esse novo passo. Já é um sucesso! — falei para meu amô.
— Eu também estou muito feliz — Júlia respondeu.
— Isso está bem visível... Escrito na sua testa — brinquei, e ela riu e se aconchegou ainda mais em mim.
— Se eu não estivesse amamentando, íamos brindar com algo alcoólico agora — Júlia disse.
— Não seja por isso... Deve ter leite suficiente estocado — falei.
— Não... Melhor não... Se ele só quiser no peito, a gente que vai se lascar — ela tentou.
— Dá tempo de descartar. Vou pegar uma tacinha — afirmei, já saindo da piscina.
— Amor... Não... — Júlia disse novamente.
— Champanhe, né? — questionei, rindo.
— Traz a bomba então — ela me respondeu, balançando a cabeça negativamente, mas sem conseguir conter o riso.
Enquanto eu colocava a bomba no peito dela, comecei a achar graça da situação.
— Amor, quem diria que a mulher que te agarrou lá na sua sala em 2016 iria estar hoje aqui ordenhando leite para dar ao nosso terceiro filho, para você poder brindar com um golinho de álcool a um sucesso profissional tão importante, que vai afetar a vida de tanta gente? — perguntei, rindo.
— Naquele momento? NIN-GUÉM! — Júlia enfatizou.
— Primeiro que você era hétero — zoei, e ela revirou os olhos, rindo.
— Só que não demorou muito para o cenário mudar — ela disse.
— Sim... Porque é impossível olhar para você e não querer ter uns dez filhos... — falei e já fui chegando pertinho da boca dela para dar um beijo.
— Aiiii... Não fale assim que eu topo... — Juh sussurrou, e eu ri.
— Você está seminua na minha frente, cuidado com suas palavras — brinquei, e continuamos rindo.
— Eu quero... — ela falou, toda derretida.
— Então nós queremos e teremos — confirmei, tirando a bomba do nosso meio, e nos beijamos.
— A gente não precisa ter pressa, Dom é muito novinho — ela fez questão de dizer.
— Você só quis deixar claro que quer outro neném, entendi — falei.
— Isso, queria ter certeza se você também queria — Júlia disse, fazendo carinho em mim.
— Se não for pedir muito, gostaria de um parto mais tranquilo, meu amor — brinquei.
— Eu gostaria muito se fosse normal, af — Juh deixou escapar.
— Não dá para garantir, porém podemos tentar — falei e dei um selinho.
Servi o champanhe e voltei para perto dela. Entreguei uma das taças e me acomodei ao seu lado, sentindo seu corpo se aconchegar ao meu. Erguemos as taças juntas e brindamos ao sucesso da minha gatinha, ao sonho que finalmente começava a ganhar forma e, principalmente, a tudo que ainda estava por vir. Dei um gole pequeno, enquanto Juh fazia o mesmo, e então encostei minha taça na dela mais uma vez.
— À primeira de muitas! — falei, olhando para ela.
— À primeira de muitas!!! — Juh repetiu, com os olhos brilhando.
Tomamos nosso banho tranquilamente, sem pressa, aproveitando os últimos minutos da noite antes de finalmente recolhermos tudo e entrarmos em casa. Quando chegamos ao quarto, já estávamos cansadas o suficiente para não querer mais nada além de cama. Juh se deitou primeiro e eu me acomodei ao lado dela, puxando-a para perto. Ficamos juntinhas, abraçadas, trocando alguns carinhos até o sono chegar, bem agarradinhas e felizes pela nova fase que estava começando.
Júlia fez questão de contar para todo mundo sobre a inauguração da escola. Queria dividir aquela felicidade com quem amava e, claro, alimentava a esperança de que alguém também pudesse estar presente. Certo mesmo, naquele primeiro momento, éramos nós, nossos filhos, os pais e os irmãos dela. Todo mundo já estava incluído na programação e não havia muita dúvida de que fariam o possível para estar lá.
O que ela não esperava era ver praticamente toda a nossa família se mobilizando para ir também. Um por um, foram dizendo que estariam presentes. Alguns precisariam organizar o trabalho, outros ajustar compromissos, entretanto, ninguém parecia disposto a deixar passar aquele momento. Foi bonito perceber que, mesmo sendo um projeto de Juh e Rafael, aquela conquista tinha se tornado uma conquista de todos também.
Os dias foram passando e, conforme a data se aproximava, comecei a organizar minha própria agenda. Foi então que percebi um detalhe que mudaria completamente os nossos planos. No dia anterior à inauguração, eu precisaria estar no Rio de Janeiro para supervisionar uma espécie de teste prático. Não era algo que pudesse simplesmente ser transferido, então comecei a pensar na logística.
Meu plano inicial era sair do RJ, voltar para Salvador e pegar um novo voo para uma cidade próxima. Porque ainda tinha esse detalhe: O aeroporto mais perto fica a uns trinta minutos da cidade, e o colégio estava localizado em uma área rural.
Era o plano perfeito até Juh olhar os horários dos voos do domingo. Ela começou a conferir as opções toda concentrada, parecendo que estava montando um quebra-cabeça de horários e, em poucos minutos, percebeu o problema. Os voos disponíveis não encaixavam tão bem quanto gostaríamos. Eu pousaria em Salvador mais ou menos às 23h do sábado. Se eu viajasse no domingo, chegaria ao destino somente no final do evento.
E aquilo definitivamente não fazia sentido para mim... Eu não queria chegar quando tudo já tivesse acontecido. Não depois de acompanhar Juh durante todo o processo, de vê-la comemorar cada pequena conquista e de saber o quanto aquela inauguração significava para ela. Se eu fosse, queria estar lá desde o começo, vendo aquele sonho finalmente abrir as portas. Eu queria presenciar o sucesso da minha gatinha desde o início.
— Não vai dar... Só se você chegar às 18h, o que é impossível... — Juh comentou, triste.
— E de carro, dá quanto tempo? — perguntei.
— Não... Muito perigoso... São mais ou menos 12h de estrada... — ela respondeu.
— Poxa... — foi a única coisa que consegui dizer.
Não conseguia conceber a ideia de perder aquele dia tão importante. Eu tinha acompanhado Juh em praticamente todas as etapas daquele projeto, tinha visto a quantidade de trabalho que aquilo tinha dado e agora, justamente na hora de comemorar, eu não conseguiria estar lá? Aquilo não entrava na minha cabeça. Eu precisava encontrar uma solução, mesmo que fosse uma solução completamente fora do que eu tinha planejado.
Fui para o compromisso no Rio com aquela sensação ruim de quem já estava contando os minutos para voltar. Fiz o que precisava fazer, mas estava triste. Assim que terminei, peguei o primeiro voo de volta e retornei para casa o mais depressa que consegui. Pousei em Salvador por volta das 20h e, a partir dali, foi tudo no automático.
Acredito que, pelo que vocês já me conhecem, imaginam a loucura que eu fiz.
Arrumei o que precisava, separei as coisas que levaria... Eu tinha um vestido, uma maleta de maquiagem, um carro e um sonho. Era o suficiente!
Peguei a estrada e aliviei o pé apenas quando o aplicativo avisava que havia radar próximo. Fora isso, fui seguindo o mais rápido que conseguia. Parei apenas para abastecer e comer alguma coisa, sem me permitir perder muito tempo. Depois de passar a madrugada inteira dirigindo, parei novamente em um lugar para tomar um banho e já troquei de roupa. Também fiz uma maquiagem básica. Eu só precisava parecer minimamente apresentável depois de uma noite inteira na estrada.
Em determinado trecho da estrada, comecei a perder completamente o sinal. Primeiro ficou instável, depois simplesmente desapareceu. Não dei muita importância, porque ainda tinha o aplicativo aberto e acreditava que conseguiria me virar. O problema foi quando meu celular descarregou. Peguei o power bank, conectei, e foi aí que descobri que ele também já não tinha mais carga.
Eu já estava na cidade. O problema era que não fazia a menor ideia de para onde deveria ir. Olhava ao redor e só conseguia enxergar mato e mais mato. Nenhuma placa, nenhuma indicação, nada que pudesse me ajudar. Continuei devagar, tentando identificar algum movimento, até avistar um grupo de pessoas mais à frente. Resolvi seguir naquela direção, torcendo para que estivessem indo para o mesmo lugar. Pouco depois, comecei a enxergar de onde vinham os fogos. Aí tive certeza de que estava no caminho certo. Segui as luzes no céu e, finalmente, consegui encontrar o local da inauguração.
Estacionei o carro e entrei pelo cantinho, tentando não chamar atenção. O evento já tinha começado. Tinha uma das pessoas envolvidas com o projeto falando ao microfone e, de onde eu estava, consegui enxergar nossa família inteira nas primeiras fileiras. Júlia estava ladeada pelos nossos pais, minha mãe segurava a mãozinha dela e, em determinado momento, Lorenzo, que estava logo atrás, se aproximou e falou alguma coisa que fez Juh rir. Fiquei alguns segundos apenas olhando aquela cena.
Dom estava grudadinho na mamãe. Como eu conheço meu gado, imaginei que ele não tinha querido papo com colo de ninguém, a não ser o da mamãe.
Kaká, Mih e Thais estavam ao lado da fita vermelha que seria cortada. Na frente deles havia um recipiente com a tesoura, e meus filhotes pareciam ansiosos para cumprir a missão. Thais tentava disfarçar, mas, de vez em quando, lançava uns olhares para Iury, que estava visivelmente babando na gata que ele é apaixonado.
Fiquei observando tudo, até os mínimos detalhes. Estava muito mexida com aquela cena. Eu tinha conseguido chegar. Nossa família inteira estava ali apoiando Juh e, de algum jeito, eu também estava fisicamente.
Eu queria muito sentar ao lado dela, mas, para isso, teria que movimentar um monte de gente e chamar atenção, que era tudo que eu não queria. Então decidi que não precisava. Bastava Juh me ver. Só isso já seria suficiente para mim e me deixaria satisfeita.
Em um momento de distração, Gabriel, que estava nos braços de Jéssica, conseguiu se soltar e saiu correndo na minha direção porque tinha me visto. Por alguns segundos, pareceu que ninguém tinha entendido direito o que estava acontecendo e, depois, foi como se uma cena de filme começasse a acontecer diante dos meus olhos. As pessoas da família que me viram não conseguiram disfarçar a surpresa. Uma olhava para a outra, algumas começaram a sorrir e, quase em um movimento coordenado, foram abrindo espaço. A cadeira ao lado de Juh ficou livre.
Eu caminhei até lá bem rapidinho, enquanto ela ainda estava distraída com Ninho, que parecia agoniado. Sentei no lugar que tinham deixado para mim e, naquele exato momento, Júlia virou o rosto para o lado.
Quando nossos olhos se encontraram, não só ela parecia não acreditar no que via... Eu também!
— Cheguei a tempo? — sussurrei e roubei um selinho.
— Amor! — ela disse, boquiaberta e sem conseguir esconder a emoção.
Nesse momento, Dom começou a se jogar para mim e eu o carreguei, beijando meu fiu todo.
— Eu não poderia perder isso — falei, e ela apertou a minha mão, encostando a cabeça sobre o meu ombro.
~ Apertou bem forte mesmo 🤣
Foi ótimo eu ter conseguido chegar a tempo de ficar com Ninho, porque aquele era o momento de Juh brilhar sozinha. Nós estávamos ali para prestigiá-la. Sabrine e Thais podiam olhar para Rafa e Juh e sentir orgulho dos dois. Sr. José e Dona Jacira podiam dizer que aquela mulher ali era filha deles. Iury e Lana, que era irmã deles. Victor, Léo e Jéssica, que era prima deles. Meus pais podiam dizer que aquela mulher era a nora deles. Meus irmãos, que era a cunhada. Sarah, que era a concunhada. Biel, Alice e Tiago podiam apontar para ela e dizer que aquela era a titia deles. Kaique, Milena e Dom podiam dizer que aquela era a mamãe deles.
E eu podia olhar para aquela mulher belíssima e gritar que ela é o amor da minha vida!
Nunca se tratou da importância da nossa presença ali. Tratava-se de querer vê-la chegar até aquele momento, ocupar aquele espaço e viver aquilo como a grande mulher e profissional que é. Juh merecia todo aquele destaque!
Foi lindo vê-la discursar. Ela estava completamente emocionada, contudo, conseguiu conduzir tudo tão bem que, na verdade, aquela emoção só fez cada palavra ganhar ainda mais força. Era impossível não perceber o quanto aquele momento significava para ela. No final, foi aplaudida de pé por todos que estavam ali.
Kaká, Mih e Thais cortaram a fita e, finalmente, todos puderam entrar na escola. Depois, seguimos para a recepção, e a população foi nos acompanhando. As pessoas não paravam de agradecer, de falar sobre a importância daquela escola para aquela área e, principalmente, de pedir fotos com Júlia e Rafael.
Em determinado momento, um grupo de professores chegou até nós. Alguns começaram a chorar enquanto agradeciam pelas oportunidades de emprego que tinham conseguido por meio daquela obra. Eu sabia que aquela escola representava muito mais do que paredes, salas e equipamentos, mas ouvir aquilo diretamente de quem seria beneficiado por ela tornou tudo ainda mais concreto. Ver aquelas pessoas emocionadas, agradecendo por uma oportunidade que poderia mudar a vida delas, mexeu comigo de um jeito diferente... Acho que aconteceu com todos nós. Até aquele momento, estávamos celebrando um projeto que conhecíamos por dentro, acompanhando cada etapa e entendendo a dimensão do trabalho, porém ouvir quem estava do outro lado fez com que tudo ganhasse um peso completamente diferente.
Depois da inauguração, ainda tive que ouvir de praticamente todo mundo que eu era completamente louca de enfrentar tanta coisa só porque não aceitava perder aquele momento. Isso rendeu assunto para bastante tempo. Também recebi as tradicionais acusações de que eu era boiolinha demais por Juh.
E eu concordei com todas, obviamente.
Não tinha nem como me defender. Eu tinha atravessado praticamente metade da Bahia de carro depois de passar pelo Rio, sem dormir, e chegado daquele jeito só para conseguir sentar ao lado dela. Se isso não era ser boiolinha, eu sinceramente não sabia o que era.
Dom não queria desgrudar de mim e não era só ele. Minha gatinha também parecia ter decidido que não pretendia me deixar escapar. Ela não conseguia dizer muita coisa. Ficava apenas me olhando com aqueles olhinhos brilhantes e lindos, com um sorrisinho bobo no rosto, e eu, claro, não resistia. Toda hora, me inclinava e roubava um selinho.
Depois de algum tempo, percebi alguns olhares acompanhando a cena e tentei me controlar... Tentei mesmo. O problema é que nem sempre eu conseguia. A boquinha dela é muito convidativa.
E assim a inauguração terminou com uma família inteira comemorando, uma escola oficialmente aberta, um monte de gente feliz e eu sendo exposta publicamente como a maior cadelinha de Juh... Naturalmente, a festinha não acabou por aí.
Depois da inauguração, tivemos um after no casarão que tinham arrumado para hospedar aquele tanto de gente. Era uma construção bem antiga. Me disseram que Iury não demorou nem cinco minutos para decretar que a casa era assombrada e conseguiu dar susto em quase todo mundo.
Mas o ponto alto da noite, sem dúvida nenhuma, foi Rafael. Eu nunca tinha visto aquele homem tão solto!
Quando ele pegou o microfone no karaokê, parecia que tinha esquecido completamente que existiam outras pessoas na sala. Cantava, dançava, fazia performance e se entregava à música como se estivesse em um palco lotado.
Ninguém estava preparado para aquilo, e foi uma resenha retada. Aquela versão de Rafael simplesmente não existia no nosso imaginário e, depois daquela noite, ninguém mais conseguiu olhar para ele da mesma forma.
PS: Eu te amo, meu amor. E, se fosse preciso dobrar o tempo de estrada, eu iria sem pensar duas vezes só para te ver realizada e transformando vidas!
TENHO MUITO ORGULHO DA MINHA MUIÉ! ❤️
