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Caderno Vermelho, Primeiro Volume - XXIV - Cavalo rebelde

Um conto erótico de Escravo 43
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 1229 palavras
Data: 11/08/2026 00:49:56
Última revisão: 09/09/2026 04:02:53

Capítulo XXIV – Cavalo rebelde

A vinda de Ártemis ao Estábulo foi, para a nossa reclusa sociedade, a passagem de um cometa... Não compreendíamos o fenômeno, estávamos completamente aquém da instância superior onde ele operava seus efeitos... O que não quer dizer que não os interpretávamos. Pelo contrário, como costuma acontecer quando não se entende algo, explica-se, e explica-se muito.

(Caligrafia diferente, provavelmente Ártemis)

"A Sociedade da Humanidade carrega até hoje o ressentimento socrático: explicar demais o que não se entende precisa ser censurado e, pior, autocensurado. O Potro deixa escapar esse miasma, talvez porque estivesse há muito tempo com Epona. Mas acredito que seja algo que ele carregava consigo... um vício compartilhado por seus conterrâneos de que se deve deixar a Caverna para ver a Verdade, quando apenas pouquíssimas pessoas, e apenas em condições limitadas, estão prontas para o embate com a Verdade. Aqui, em meu Templo, as presas ficam presas a cavernas e as Predadoras, as únicas preparadas para as exigências da Vida, conseguem se preparar porque podem intercalar a predação com períodos de hibernação."

O tapa representava, para mim, a subjugação de Epona aos desígnios de nossa Deusa. Quem diria que Epona poderia tomar um tapa daqueles e, pior, o tomaria sem se manifestar?!? Ainda que alguém fosse mais forte que minha Senhora — e, em termos físicos, talvez eu até viesse a ser um dia —, quem teria a força mental necessária para golpeá-la, e golpeá-la com frieza? Revivia o tapa, que nem chegara a ver com meus próprios olhos, por meio da gravação mental que fiz dos dedos de Ártemis na pele de Epona, do som e do vento que senti ou imaginei sentir... Ártemis, sim, Ártemis estava além do bem e do mal!

(Caligrafia diferente, definitivamente Noga)

“Consigo recriar com facilidade a cena do porquinho se tocando após se lembrar de Ártemis! Que lastimável, por isso eu castro os meus =\”

E então, após desafiar, após submeter os poderes terrenos, Ártemis foi até mim — imunda criatura, nua e cabisbaixa — e afagou-me os cabelos. Em seu ato, abençoava-me ao mesmo tempo que pervertia a autoridade de Epona. Sim, conseguia fechar os olhos e sentir o doce perfume de Ártemis; carregava a explosão efervescente de todas as flores que rasgavam o inverno árido e pavimentavam o verão da bonança! Ártemis, juro-lhe, poderia ter passado aquele verão todo apenas me satisfazendo com essas lembranças. O que mais eu poderia querer senão ter sido selecionado por você??? Porém, eu jurei que iria trabalhar mais e melhor, faria qualquer coisa que Epona me pedisse, não descansaria nesse verão, pois, na chegada do outono, eu, saindo do Estábulo, colheria frutos ainda mais doces ao ser seu Escravo!

(Caligrafia diferente, definitivamente Noga)

“Bem que notei que essas páginas estão coladas... que nojo. Preciso pedir emprestadas as luvas de Epona para seguir manuseando isso =/”

Quanto aos efeitos em Epona, confesso que na época, embora os tivesse vivenciado, não os conseguia ver de fato, ao menos não em toda a sua extensão. No entanto, rememorando aqui toda a minha vida, com a honestidade que me foi pedida e que também me cobro, era visível que minha Senhora estivesse extremamente desconfortável com tudo o que aconteceu. Não é como se Epona tivesse mudado da água para o vinho, mas, no caso dela — sendo quem é —, qualquer mudança já era uma grande mudança... Talvez, para ela, estivesse alternando do vinho para a água e da água para o vinho.

Alguns dias, ficava completamente distante, distraída; derrubava ração sem querer, e eu sabia que era sem querer porque ela não me fazia pegar com a boca. Às vezes, esquecia de botar a coleira e o cinto — e eu sabia que era sem querer porque, às vezes, ela ficava apertando o controle repetidamente sem perceber que eu não estava sendo eletrocutado... Outros dias, estava muito atenta, até atenta demais. Antes do cometa, ela havia desenvolvido certa relação ordeira comigo; muitas coisas que eu tinha que fazer, fazia sem que minha Senhora estivesse observando de perto... Agora não. Havia dias em que ela estava excessivamente exigente. Em um deles, insistiu que eu havia errado a pá, mas eu não tinha. Ou tinha quase certeza de que, se havia, era apenas um pequeno respingo. Primeiro, ela me fez recolher toda a serragem; depois, lavar, lavar de novo e de novo, para então colocar a serragem toda novamente. E o pior: a troca geral tinha acontecido há no máximo dois dias, se muito.

Os cachorros percebiam que havia algo estranho com a dona deles. Por vezes, levantavam e iam até ela, mesmo que com receio, para tentar alegrá-la? Ou talvez ela estivesse tão distante que os cães, com saudades, tentavam arrancar alguns carinhos? De todo modo, esse foi um período feliz para eles e também para mim. Quando eles saíam de seus cantos de vigia e iam até ela da maneira mais inocente do mundo — desconhecendo seus próprios tamanhos e músculos —, Epona matava a carência deles e também passava a pegar mais leve em minha rotina. Houve um dia em que ela até me apresentou os Mastins que passavam boa parte do dia dentro do Estábulo; ao lado dela, pude acariciá-los e, estranhamente, depois de tanto tempo, eu parecia fazer algo semelhante a um ser humano.

Nesse clima sublime de inversões que se prolongam, instalando um pouco de caos e um pouco de vida, comecei a perceber que Epona havia parado de me deixar aliviar. Antes, isso acontecia com uma frequência de quatro a cinco treinamentos... Estava longe de suprimir meus desejos, ainda mais quando Ártemis tomava tanto de meus pensamentos — e talvez fosse até melhor para a pureza da minha Deusa —, mas, de repente, foram dez treinamentos sem alívio, depois quinze, e eu já estava subindo pelas paredes... Felizmente, começava a colher os frutos da intervenção cirúrgica de minha Senhora; senão, meu pau não teria resistido a essa tortura. Quando chegou a vinte, pude perceber que Epona não estava apenas tramando seu contra-ataque. Não, ele já estava em execução, e essa seria apenas a primeira parte.

No dia 21, Epona me tirou da cocheira um pouco diferente. Pode ser que fosse só o prolongado celibato, ou talvez uma escolha em razão do calor que se acentuava: manteve o uniforme, mas sem o casaco, com uma camisa rosa de mangas esticadas e um nozinho na ponta para manter a cintura respirando. Sua calça, não estando tão agarrada ao corpo, parecia deixá-la mais fresca. O que deveria torná-la menos sensual produziu justamente o efeito contrário quando ela se agachou e a calça, um pouco mais solta, revelou o início da sua bunda.

Epona percebeu meus olhares indiscretos e sedentos... Não havia como não perceber e, a essa altura, era exatamente o que ela queria, ainda que a escolha das roupas pudesse ser totalmente aleatória. Após o tratamento, Epona trocou minha lista de exercícios — algo muito incomum, só feito antes em razão de alguma ferida ou lesão que pudesse piorar se eu executasse seu projeto habitual... Ela me olhou, fez um meio sorriso e me devolveu uma lista que era uma versão muito mais leve dos exercícios que vinha fazendo. Fiz como pediu e, então, regressei, evidentemente mais cedo, ao Estábulo. Ela estava sentada em uma cadeira que não pertencia ao local: de madeira escura e toda trabalhada, não era sequer algo deste século.

— Potro, paradinho aí! Fica de quatro. E vem devagarinho, bem devagarinho...

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Foto de perfil de BM carmesimBM carmesimContos: 42Seguidores: 2Seguindo: 2Mensagem Um texto que não arrisca o autor não vale a pena. Se quiser ver outros riscos: https://www.recantodasletras.com.br/contosinsolitos/8725941

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