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Garoto do EB — T1 • EP15 | Jogo Sujo

Um conto erótico de Michel
Categoria: Gay
Contém 2431 palavras
Data: 10/08/2026 22:36:31
Última revisão: 11/08/2026 00:37:03

[Olá, como vocês estão? me desculpem a demora para lançar um ep novo, eu estava meio ruim de saúde esses tempos ''gripe forte'' kk, dei uma reformulada no conto e prometo voltar a ativa]

O sol da tarde queimava o pátio dos fundos do Batalhão. Enquanto a maior parte da tropa estava dispensada no alojamento ou limpando o armamento sob a sombra dos pátios internos, Gustavo e Vítor já cumpriam as primeiras horas da punição decretada pelo Sargento Rocha.

Eu estava dispensado das atividades pesadas devido aos curativos, mas não conseguia ficar parado na beliche pensando em Emiliano rasgar elogios ao Martins. Peguei minha prancha com a ficha de inspeção de materiais — uma desculpa perfeita para andar pelo Batalhão — e fui na direção da garagem dos caminhões transporte.

O cheiro forte de óleo queimado, graxa e sabão industrial dominava o galpão coberto.

A cena era quase cômica, se não fosse trágica. Vítor estava em uma ponta, esfregando o chassi de um dos caminhões com um broxante de cerdas duras, jogando a água com tanta raiva que parecia querer furar a lataria. Na outra ponta, Gustavo usava um pano imundo para tirar o excesso de graxa das rodas de trás, com o peito da camiseta verde-oliva encharcado de suor e a cara emburrada.

Os dois não trocavam uma palavra. O silêncio entre eles só era quebrado pelo som da água batendo no chão de concreto.

Caminhei devagar até a traseira do caminhão onde o Gustavo estava. Parei ao lado do pneu gigante, fingindo anotações na minha prancha.

— Pelo visto o serviço tá rendendo — murmurei em tom baixo, sem olhar direto pra ele.

Gustavo deu um sobressalto leve, quase deixando o pano cair no balde. Ele olhou para os lados rápido, certificando-se de que o Vítor estava longe o suficiente do outro lado da lataria do veículo. Ao me ver ali, o rosto dele mudou — a postura invocada murchou um pouco, dando lugar à lembrança nítida do que tinha acontecido no corredor há apenas duas horas.

Ele passou o antebraço pela testa, limpando o suor e deixando uma marca preta de graxa na bochecha.

— Veio fiscalizar, 114? — Gustavo tentou soltar a ironia de sempre, mas a voz falhou no final. Ele encarou meus lábios por meio segundo antes de voltar os olhos para os meus. — O Rocha disse três dias, mas acho que até a noite eu mato o Vítor afogado nesse balde.

— Se você matar ele, vai pegar dez anos de xadrez e eu não vou lá te visitar — respondi, me aproximando meio passo, fingindo olhar o estado do pneu. Olhei para a bochecha dele e soltei um riso fraco. — E limpa essa cara. Você tá parecendo um mecânico de beira de estrada.

Gustavo suspirou, passando a mão limpa no rosto, errando o lugar da sujeira.

— Onde? Aqui?

— Não... deixa que eu limpo — murmurei.

Aproveitando que o caminhão nos escondia do ângulo do pátio e do próprio Vítor, dei um passo à frente. Puxei um lenço limpo do bolso da calça e passei com cuidado pela bochecha dele, tirando a graxa. Gustavo travou no lugar, a respiração dele pesando no mesmo instante. Ele não recuou. Pelo contrário, inclinou a cabeça levemente ao meu toque, a mão de graxa dele hesitando no ar antes de pousar firme na minha cintura, por baixo da aba da prancha que eu segurava.

— Você tá gostando de mandar em mim hoje, né? — Gustavo sussurrou, o olhar queimando, a centímetro do meu rosto.

— Alguém tem que botar juízo nessa sua cabeça dura — respondi no mesmo tom, sustentando o olhar dele enquanto guardava o lenço. — Você foi um imbecil no refeitório, Gustavo. Mas... não quero ver você se ferrando de graça por causa daquele cara.

Gustavo deu um sorriso torto, aquele sorriso de canto que costumava me irritar, mas que agora fazia meu peito dar um nó estranho. A mão dele apertou minha cintura com um pouco mais de força antes de me soltar devagar ao ouvir barulho de passos no fundo do galpão.

Demos um passo para trás em sincronia perfeita, recompondo a postura antes mesmo que o Vítor aparecesse na curva da traseira do caminhão trazendo um rodo.

Vítor nos encarou com a cara fechada, desconfiado, mas exausto demais para caçar conversa.

— O Rocha tá descendo o pátio, 114 — Vítor avisou com a voz rouca, sem paciência. — É melhor você sumir daqui se não quiser pegar num broxante também.

— Valeu pelo aviso, Vítor — respondi, ajeitando a prancha debaixo do braço.

Dei uma última olhada para o Gustavo, que me encarava fixo, ainda com os lábios entreabertos. Deixei a garagem a passos calmos.

Ao cair da noite, o Batalhão foi surpreendido pelo toque de corneta fora de hora.

A tropa se formou no pátio sob a luz fria dos refletores. O ar da noite estava gélido. Na frente do dispositivo, o Sargento Rocha caminhava de um lado para o outro com a prancheta de instrução nas mãos, acompanhado do Tenente Brito.

Gustavo e Vítor estavam na última fileira do Terceiro Pelotão, visivelmente moídos pelas seis horas seguidas de faxina na graxa.

— Atenção, Batalhão! — Rocha esbravejou, a voz ecoando no pátio silencioso. — Amanhã, às quatro da manhã, daremos início ao Teste de Orientação Noturna e Marcha de 12 Quilômetros! O exercício será pontuado por pelotões.

Um murmúrio abafado correu pelas fileiras.

— SILÊNCIO NA FORMA! — Rocha rugiu. — Os recrutas que estiverem pagando punição disciplinar... — o olhar dele cravou direto no Gustavo e no Vítor — ...cumprirão a marcha com o fardamento completo e mochila de combate reforçada com 15 quilos de areia. Sem exceções!

Olhei para o Primeiro Pelotão ao lado. Martins estava impecável na primeira fila, em posição de sentido, com o queixo erguido e um semblante calmo de quem já se sabia vencedor antes mesmo da largada. Ao sentir meu olhar, ele virou a cabeça devagar e deu aquele mesmo sorriso gélido de lado.

Martins sabia que o Terceiro Pelotão chegaria destruído na marcha. Ele tinha o terreno, o tempo e a vantagem.

Mas quando olhei para o Gustavo — que, mesmo exausto e machucado pela punição, trincou os dentes e se manteve ereto na forma —, percebi que dessa vez a história não ia ser tão simples para o Martins.

Voltei para o alojamento com uma certeza queimando no peito: a marcha de amanhã não seria apenas um teste de resistência física. Seria o campo de batalha onde a gente ia ter que decidir se continuava sendo presa... ou se começava a virar o jogo.

Após a liberação da forma, o silêncio tomou conta dos alojamentos. As luzes principais foram apagadas às vinte e duas horas, restando apenas a iluminação fraca dos refletores do pátio cortando a névoa fria que subia do chão.

Estava prestes a dormir... Eu estava deitado na beliche de costas, encarando o estrado de madeira de cima, com a cabeça fervendo de pensamentos sobre a marcha das quatro da manhã e a imagem do Gustavo exausto na garagem.

Foi quando ouvi um sussurro vindo do lado da minha cama.

— Michel... tá acordado?

Virei o rosto devagar. Emiliano estava de pé ao lado da minha beliche, vestindo o agasalho da farda por cima do terno de instrução. Ele olhava nervoso para os lados, conferindo se o resto do alojamento estava dormindo.

— Emiliano? O que foi? — perguntei baixo.

— Preciso falar com você. Sem ninguém ouvindo — ele murmurou, a voz trêmula de ansiedade. — Vem comigo.

— Ficou maluco? É proibido circular depois do toque de recolher, o Cabo de Dia tá fazendo ronda...

— Por favor, Michel — Emiliano me interrompeu, com o olhar sincero e carregado de uma aflição que eu não via nele há dias. — É rápido. Vamos pelos fundos da reserva de armamento, ninguém passa lá essa hora.

Ver o Emiliano assim, sem aquela postura defensiva e cega que ele vinha mantendo desde que o Martins se aproximou, me fez ceder. Levantei em silêncio, calcei os coturnos sem amarrar os cadarços até o topo e segui ele para fora do alojamento, deslizando pelas sombras das pilastras de concreto.

O ar da noite estava gélido, cortando a pele. Caminhamos rente à mureta dos fundos, ouvindo apenas o som abafado dos nossos passos na brita.

— Fala, Emiliano — chamei, parando sob a copa escura do pé de manga, perto do almoxarifado antigo. — O que tá acontecendo?

Emiliano esfregou as mãos, visivelmente tenso, olhando para os próprios pés.

— Eu fiquei pensando no que você me falou cedo... sobre o Martins. Fiquei incomodado, Michel. Eu não queria que a gente ficasse brigado por causa dele.

Senti um aperto no peito. No fundo, Emiliano ainda era o mesmo garoto ingênuo que entrou comigo pelo portão das armas no primeiro dia.

— Eu não quero brigar com você, cara — respondi com a voz mais branda. — Eu só não quero ver você ser usado e descartado por um cara que não liga para ninguém aqui dentro.

— Eu sei, mas... ele me ajudou bastante com as fichas de instrução essa semana, Michel. Ele me disse que—

Emiliano travou no meio da frase. Ele puxou meu braço num impulso rápido e nos agachou atrás de um amontoado de manilhas de concreto que ficava nos fundos do pavilhão de comando.

— Puta merda... abaixa! — ele sussurrou, em pânico.

— O que foi?! — cochichei.

— Tem gente na porta da sala do Material...

Prendi a respiração. Espiei por cima do concreto frio. A lâmpada amarela do corredor de serviço iluminava de raspão a porta de ferro da reserva de suprimentos.

Havia duas pessoas ali. Uma delas era o Martins, vestindo o abrigo do Primeiro Pelotão e segurando uma lanterna pequena apagada. A outra pessoa, de costas para nós, era o Cabo Renan — o graduado responsável pela chave da reserva de instrução.

Eu e Emiliano nos encolhemos ainda mais. Se fôssemos pegos ali, a punição do Rocha faria os três dias de faxina do Gustavo parecerem colônia de férias.

Mas o que aconteceu a seguir não foi uma abordagem de fiscalização.

— Trouxe o que me pediu, Cabo? — a voz do Martins soou baixa, mas cristalina no silêncio da noite. Não havia um pingo do tom respeitoso ou humilde que ele usava diante dos oficiais. Era uma voz fria, dominante e cheia de exigência.

— Você tá jogando alto demais, Martins — o Cabo Renan respondeu, visivelmente nervoso, olhando para os dois lados do pátio antes de entregar uma pasta de plástico preta com fecho de zíper. — Se o Tenente Brito sonhar que eu tirei isso do cofre, eu perco a divisa e vou direto pro xadrez de calça curta.

— O Tenente não vai saber, Renan — Martins debochou fraco, pegando a pasta e dando dois tapinhas no peito do Cabo, como se ele fosse um subordinado qualquer. — Você vai receber a sua parte no final de semana, como combinado. O gabarito da prova de topografia e o mapa com os pontos de checagem da marcha de amanhã já valem o preço.

O chão pareceu sumir debaixo dos meus pés.

Olhei de relance para o Emiliano. O rosto do meu amigo estava completamente pálido, a boca aberta em choque, os olhos esbugalhados fixos no Martins. Todo o encanto, toda a imagem de "recruta modelo e prestativo" desmoronou em questão de milissegundos na frente dele. O Martins não era apenas rápido e treinado: ele pagava e chantageava graduados para fraudar os testes do Batalhão.

— E aquele recruta do Terceiro? O 114? — o Cabo Renan perguntou antes de se afastar. — Ele tá desconfiado de alguma coisa?

Martins soltou uma risada baixa, uma risada cínica que fez o sangue congelar nas minhas veias.

— O Michel? Aquele coitado não sabe nem onde tá pisando — Martins disse, guardando a pasta por dentro da jaqueta. — Ele tentou abrir a boca pro amiguinho dele, o Emiliano... mas o Emiliano é tão burro e emocionado que come na minha mão sem perceber. Foi só eu pagar de bonzinho uma vez que o coitado me colocou num pedestal. O Terceiro Pelotão tá destruído por dentro, Renan. Amanhã na marcha eu enterro o resto deles.

Martins deu meia-volta e caminhou calmamente de volta para o bloco do Primeiro Pelotão, deixando o Cabo Renan trancar a porta e sumir na escuridão.

O silêncio que sobrou no canto das manilhas era ensurdecedor.

Esperei dois minutos inteiros até ter certeza de que o pátio estava totalmente limpo. Me virei para o Emiliano. Ele ainda estava paralisado, encostado na parede de concreto, encarando o vazio com uma lágrima silenciosa escorrendo pelo rosto machucado pela decepção.

— Emiliano... — chamei baixo, tocando no ombro dele.

Ele estremeceu ao meu toque, cobrindo o rosto com as duas mãos, arfando num choro contido de pura vergonha e frustração.

— Ele... ele me chamou de burro, Michel... — Emiliano murmurou, a voz falhando em um sussurro quebrado. — Ele tava me usando esse tempo todo... e eu brigando com você... achando que você tava cioso... Meu Deus, o que eu fiz?

Ajoelhei na frente dele, segurando os braços dele com firmeza para fazer ele me encarar.

— Olha pra mim, Emiliano — ordenei num tom calmo, mas inabalável. — Esquece a vergonha agora. Você não é burro, você só acreditou na pessoa errada porque tem o coração bom. Mas agora você viu a verdade com os seus próprios olhos.

Emiliano limpou o rosto com a manga do casaco, me olhando com os olhos vermelhos e assustados.

— O que a gente faz? Vamos no Rocha? Se a gente denunciar o mapa da marcha—

— Não — interrompi no ato, balançando a cabeça. — Se a gente for no Rocha sem provas físicas, o Martins vai dar um jeito de dizer que a gente tá inventando história pra salvar o Terceiro Pelotão da derrota. O Cabo Renan vai mentir pra salvar a própria pele, e quem vai pro xadrez somos nós dois.

— Então a gente vai deixar ele trapacear na marcha de amanhã e vencer de novo?! — Emiliano perguntou, desesperado.

Um sorriso frio, que eu nunca imaginei que seria capaz de dar desde que entrei naquele quartel, nasceu nos meus lábios.

— Não — respondi, o olhar cravado no corredor escuro por onde o Martins tinha sumido. — Ele acha que tem o mapa, acha que tem o comando na mão e acha que o Terceiro Pelotão tá morto. Amanhã, às quatro da manhã... a gente vai usar a própria ganância dele pra afundar ele de vez.

Levantei e estendi a mão para o Emiliano. Ele encarou minha mão por um segundo e a segurou com força, se levantando. Pela primeira vez em meses, a distância entre nós tinha acabado.

Voltamos para o alojamento na surdina, deslizando pelas sombras da noite. Mas nada mais seria como antes. O teatro do Martins tinha acabado de ruir — e o jogo de verdade estava prestes a começar.

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Comentários

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Aí que felicidade! Quero ver esse filho da puta manipulador se fodendo!

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Derick, estimo melhoras!

Que bom que estava de volta, desculpe por na minha mente ter te xingado pela demora kk

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Ufa, finalmente Emiliano descobriu o traste que é o Martins! Agora aguardar o próximo conto pra descobrir o plano do Michel..

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Que bom que voltou, espero que esteja melhor de saúde!

O Michel falou como se o Emiliano não tivesse acreditado nele, mas ele nunca chegou a contar toda a verdade, até eu ficaria pe atrás com o Michel, até pq ele não confiou no Emiliano para falar do Gustavo, ele não eta para o Emiliano o amigo que o Emiliano era para ele.

Aguardando mais capítulos!!

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