A amizade de Marina e Cátia sempre tivera um peso diferente. Desde o ensino médio dividiam segredos, roupas e silêncios longos demais. Agora, aos dezoito, moravam na mesma cidade e se viam quase todos os dias. Naquela noite de sábado os pais de Marina tinham viajado, a casa estava vazia e o calor úmido do final de verão entrava pela janela entreaberta do quarto.
Elas estavam deitadas de bruços na cama grande, rolando de um lado para o outro, rindo de vídeos bobos no celular. Marina, de cabelos castanhos longos e cacheados, usava só uma camiseta larga de algodão branco que subia a cada movimento, revelando a curva das nádegas e a calcinha de renda preta. Cátia, loira de pele clara e olhos claros, vestia um top fino de alça e um shortinho de moletom que já tinha subido tanto que quase não cobria nada. De vez em quando os ombros se tocavam, as coxas se encostavam, e o contato demorava um segundo a mais do que deveria.
Foi Cátia quem tirou o assunto do nada, a voz baixa:
— Você nunca experimentou?
Marina soube imediatamente do que ela falava. Já tinham conversado sobre isso em tom de brincadeira, mas nunca a sério.
— Nunca. Você?
— Também não. Mas… a gente tá sozinha. Ninguém vai saber. Só pra ver como é.
O silêncio que se seguiu não foi constrangedor. Foi carregado. Marina olhou para a amiga, viu a boca entreaberta, o peito subindo e descendo um pouco mais rápido, e sentiu o próprio corpo reagir. Concordou com um aceno de cabeça.
Elas fumaram juntas, devagar, dividindo o mesmo baseado. A fumaça ardeu na garganta, provocou tosse, depois veio o riso bobo e, em seguida, aquela sensação preguiçosa e quente se espalhando pela pele. O quarto pareceu ficar mais lento. Os sons ficaram distantes. A camiseta de Marina de repente pesava demais. O shortinho de Cátia incomodava.
Marina se virou de lado, de frente para a amiga, e ficou um tempo só olhando. Os olhos de Cátia estavam um pouco vermelhos, brilhantes, e a boca entreaberta como se ela também estivesse sentindo o corpo de um jeito diferente.
— Tá estranho, né? — murmurou Marina, a voz mais baixa e rouca do que o normal. — Tipo… tudo parece mais… perto.
Cátia deu um risinho curto, nervoso, e assentiu.
— Eu tô com calor. E minha pele tá… formigando. Não sei explicar.
Ficaram em silêncio por alguns segundos. Marina sentiu o coração bater mais forte quando percebeu que Cátia não desviava o olhar. Nunca tinham falado sobre isso. Nunca tinham se tocado de verdade, nem brincado de beijo, nem nada. Eram só amigas. Virgens. Nenhuma das duas tinha chegado perto de beijar um menino, quanto mais uma menina.
— Você… já pensou nisso alguma vez? — perguntou Cátia de repente, quase sem ar. — Em como seria… com outra pessoa. Ou… com uma amiga.
Marina engoliu seco. A pergunta ficou pairando entre elas, pesada e ao mesmo tempo leve por causa da maconha.
— Já — admitiu, a voz quase um sussurro. — Mas eu nunca falei. Achava que era só coisa da minha cabeça. Que amiga não pensa nisso da outra.
Cátia passou a língua pelos lábios, devagar.
— Eu também penso. Às vezes. Quando a gente deita assim… perto. Ou quando você ri e a camiseta sobe. Eu fico… com vergonha de sentir.
Marina sentiu o rosto esquentar. O silêncio agora era diferente. Não era constrangedor. Era carregado de algo que as duas estavam finalmente nomeando.
— E se a gente… só experimentasse? — disse Marina, o coração martelando no peito. — Tipo… um beijo. Só pra ver. Se for estranho a gente para e finge que não aconteceu.
Cátia demorou a responder. Depois, bem baixo:
— Eu quero. Mas… eu tô com medo de estragar a gente.
— Eu também. Mas agora… parece que se a gente não fizer, vai ficar pior. Vai ficar esse negócio entre a gente pra sempre.
Cátia estendeu a mão, bem devagar, e afastou um fio de cabelo do rosto de Marina. O polegar demorou na bochecha, tremendo levemente. Marina não se afastou. Os olhos delas se encontraram de novo, mais perto agora.
— Então… a gente tenta? — perguntou Cátia, a voz falhando um pouco.
Marina só assentiu, quase imperceptivelmente. E foi Cátia quem se inclinou primeiro, devagar, dando tempo para Marina recuar se quisesse. Os lábios se tocaram só na ponta, quentes, inseguros, sem pressa. Um beijo de virgens que nunca tinham beijado ninguém.
O contato durou poucos segundos. Depois Cátia se afastou um pouco, os olhos arregalados, a respiração acelerada.
— Foi… estranho? — perguntou, quase sem voz.
Marina balançou a cabeça devagar.
— Não. Foi… bom. Quero de novo.
Dessa vez o beijo veio mais seguro. As bocas se abriram. A língua de Cátia encontrou a de Marina, hesitante no começo, depois mais corajosa. O gosto ainda carregava o residual da fumaça, misturado à saliva quente. Marina soltou um som baixo na garganta e puxou Cátia pela nuca, aprofundando. As línguas se enroscaram com mais vontade. Cátia mordeu de leve o lábio inferior de Marina e puxou. O beijo ficou molhado, barulhento, faminto.
A mão de Cátia desceu pelo pescoço de Marina, sentiu o pulso acelerado, continuou até o peito ainda coberto pela camiseta. Os seios de Marina já estavam pesados, os mamilos duros sob o tecido fino. Cátia apertou um deles pela roupa, rolou o botão entre os dedos, puxou a camiseta para cima até libertar os seios firmes e redondos. Os mamilos rosados estavam rígidos, pedindo boca. Cátia abaixou a cabeça e fechou os lábios em torno de um deles, chupando com força, a língua girando em círculos lentos, a saliva escorrendo. Marina arqueou as costas e gemeu, as mãos se enroscando nos cabelos loiros da amiga.
— Porra… continua — pediu Marina, a voz embargada.
Cátia mudou de seio, mordeu de leve o outro mamilo enquanto a mão livre descia pela barriga lisa até a calcinha de renda. Os dedos deslizaram por cima do tecido já encharcado, sentindo o calor e a umidade que se acumulava entre as pernas de Marina. Marina abriu as coxas sem pudor. Cátia puxou a calcinha para o lado e passou a ponta do dedo médio pela fenda molhada, de cima a baixo, espalhando o líquido viscoso e quente. O clitóris de Marina estava inchado, sensível; quando Cátia o circundou com o dedo, Marina soltou um grito abafado e ergueu o quadril, pedindo mais.
Cátia deslizou o dedo médio para dentro da entrada apertada. Marina era virgem; as paredes internas se fecharam em torno do dedo com uma pressão quente, sedosa e resistente. Cátia empurrou devagar, sentindo a membrana ceder centímetro a centímetro, até a primeira falange sumir. Marina gemeu alto, as unhas cravadas no lençol. Cátia começou a movimentar o dedo para dentro e para fora, curvando-o ligeiramente para cima, enquanto o polegar continuava a esfregar o clitóris em círculos firmes e molhados.
Marina já tremia. Cátia tirou o dedo, colocou-o na boca e chupou o gosto doce e salgado da amiga com um gemido. Depois desceu o corpo pela cama, ajoelhou-se entre as coxas abertas de Marina e puxou a calcinha completamente para baixo, jogando-a no chão. O cheiro quente e íntimo subiu até o rosto dela. Cátia abriu os lábios inchados com os polegares e passou a língua inteira pela fenda, de baixo para cima, terminando com uma sucção forte e demorada no clitóris. Marina arqueou tanto que quase saiu da cama. Cátia chupou com mais vontade, a língua entrando e saindo do buraco apertado, o nariz pressionado contra o monte de vênus macio, o queixo já encharcado. O líquido escorria, viscoso, e Cátia engolia tudo.
Marina veio pela primeira vez com um grito rouco, as coxas tremendo violentamente em torno da cabeça de Cátia. O orgasmo foi longo, ondulado, cada contração mais profunda que a anterior. Cátia não parou até Marina empurrar a cabeça dela para longe, sensível demais, ofegante.
Quando Marina recuperou o fôlego, puxou Cátia para cima e as duas se beijaram de novo, o gosto da própria buceta ainda na boca de Cátia. Agora era a vez de Marina. Ela virou Cátia de costas, tirou o top e o shortinho com pressa, deixando a amiga completamente nua. Os seios de Cátia eram menores, firmes, com mamilos rosados e extremamente sensíveis. Marina os chupou com a mesma voracidade, a língua girando, os dentes raspando de leve, depois desceu beijando a barriga, o umbigo, a curva interna das coxas, até chegar à calcinha já encharcada. Puxou o tecido para o lado e enterrou o rosto ali.
A buceta de Cátia era mais carnuda, os lábios mais grossos e inchados. Marina abriu tudo com os dedos e chupou o clitóris inchado com força, a língua batendo em ritmo rápido, enquanto dois dedos entravam devagar na entrada virgem. Cátia choramingou, as mãos puxando os cabelos de Marina com força. Marina meteu os dedos mais fundo, sentindo a membrana se esticar e ceder, e continuou chupando sem piedade, o nariz esmagado contra a pele molhada. Cátia gozou com o corpo inteiro se contorcendo, um jato quente molhando a boca, o queixo e o pescoço de Marina. Marina engoliu, lambeu os lábios e continuou até Cátia tremer de novo, quase chorando de prazer.
Elas não pararam. Marina se deitou de lado e puxou Cátia para uma posição de tesoura. As duas bucetas molhadas se esfregaram uma na outra, clitóris contra clitóris, lábios deslizando, o barulho úmido e obsceno enchendo o quarto. Marina segurou a coxa de Cátia com força e empurrou o quadril com mais intensidade, o atrito quente e escorregadio fazendo as duas gemerem em uníssono. O líquido escorria pelas nádegas, manchava o lençol. Cátia veio de novo, o corpo trepidando, e puxou Marina consigo no segundo orgasmo, as duas contraindo juntas, gemendo uma no ouvido da outra.
Depois Marina se ajoelhou sobre o rosto de Cátia e se sentou, a buceta ainda latejando e escorrendo. Cátia abriu a boca e chupou tudo de novo, a língua entrando fundo, lambendo cada dobra, sugando o clitóris inchado enquanto Marina se masturbava com dois dedos, olhando para baixo, vendo a boca da amiga trabalhar, o queixo brilhante de saliva e gozo. Quando Marina gozou pela terceira vez, escorreu direto na língua de Cátia, que engoliu com um gemido gutural e continuou lambendo até Marina se afastar, ofegante.
Cátia encontrou o vibrador pequeno que Marina guardava na gaveta — um presente nunca usado. Ligou no modo mais baixo e pressionou o brinquedo contra o clitóris de Marina enquanto chupava os seios dela com força. Depois empurrou o vibrador devagar para dentro da entrada ainda apertada de Marina, sentindo a resistência ceder centímetro a centímetro. Marina gemeu alto quando o objeto sumiu até a base. Cátia o moveu para dentro e para fora com ritmo firme, o motor zumbindo contra as paredes internas, enquanto a própria mão descia entre as pernas para se masturbar, dois dedos entrando e saindo rapidamente.
Marina gozou com o vibrador dentro, as paredes se contraindo em volta dele em espasmos violentos. Cátia tirou o brinquedo, ainda molhado e brilhante, e o empurrou na própria buceta, gemendo alto enquanto se fodia com ele, os olhos fixos nos de Marina. Marina se aproximou, chupou os mamilos de Cátia com voracidade e esfregou o clitóris dela com os dedos molhados até as duas gozarem quase juntas, o corpo de Cátia se sacudindo em volta do vibrador, um segundo jato escorrendo pelas coxas.
Ainda não bastava. Marina se deitou de quatro, as nádegas levantadas, e Cátia, de joelhos atrás, abriu as nádegas dela com as duas mãos e passou a língua pelo buraco estreito, lambendo com pressão, enquanto dois dedos entravam de novo na buceta molhada e se moviam rápido. Marina gritou no travesseiro, o corpo inteiro tremendo, o ânus se contraindo sob a língua de Cátia. Cátia cuspiu no buraco e voltou a lamber, mais fundo, enquanto os dedos curvavam e encontravam o ponto certo. Marina gozou de novo, as pernas cedendo, o gozo escorrendo pelos dedos de Cátia.
Quando finalmente se deitaram lado a lado, suadas, o cheiro de sexo impregnando o quarto, os corpos ainda latejavam. Cátia passou a mão pela bochecha de Marina, o polegar traçando o lábio inchado, e sussurrou:
— A gente não vai conseguir fingir que isso não aconteceu.
Marina sorriu, os olhos ainda vidrados, e puxou a amiga para mais um beijo lento, profundo, cheio de saliva e promessa.
— Eu não quero fingir.
A noite ainda era longa. E elas já sabiam que iriam se comer de novo antes do amanhecer — mais devagar, mais fundo, sem pressa.