Coisas estranhas acontecem diariamente com milhões de pessoas ao redor do mundo. De modo que não me sinto uma privilegiada, predestinada ou algo do tipo.
Sou professora de português no ensino fundamental e médio. Apesar de só ter 25 anos, comecei cedo no magistério e tenho uma carreira já razoavelmente sólida. Dou aula em duas escolas particulares diferentes e consigo, com isso, obter uma renda bem razoável. Dentro, claro, das limitações do salário de um professor no Brasil.
Sou uma mulher bem cuidada, cabelos castanhos claros até um pouco abaixo do ombro, cheios e lisos. Sou branca, olhos castanhos claros e lábios salientes, que conferem um toque a mais de sensualidade ao conjunto da obra. Tenho seios de pequenos para médios, ainda bem durinhos, em formato de gota. Tenho cintura razoavelmente marcada, quadris acentuados, bumbum razoavelmente avantajado e coxas bem volumosas.
Embora frequente academia, não sou uma mulher musculosa, também não tenho aquela abdômen retinho, mas consigo usar um tubinho sem que isso resulte naquela protuberância que compromete o resultado visual.
Sempre vou trabalhar de carro, porque preciso de mobilidade. Muitas vezes, transito entre três endereços no mesmo dia. Além disso, a região em que moro não é atendida pelo metrô, o que me obrigaria a andar de ônibus, uma alternativa não muito compatível com meu ritmo acelerado de vida, ou de aplicativo.
Aconteceu, tem cerca de um mês, que o carro deu problema e tive que deixar na oficina perto da minha casa, tendo me restado somente as referidas opções de transporte. Tive que optar, a princípio, pelo aplicativo. Naquele dia, dava aula em um colégio na parte da manhã e em outro na parte da tarde.
Nos dois primeiros trajetos, optei pelo aplicativo. O gasto não seria tão elevado, haja vista o prazo para a devolução do meu filho de quatro rodas ser de dois dias. Eu podia suportar aquilo. No último trajeto, por volta das 16 horas, tinha o ônibus que passava praticamente na porta do colégio e me deixava literalmente na porta do meu condomínio. Como nunca fui filha de madame e andei muito de ônibus ao longo da vida, não vi problema em economizar um pouco, até porque eu recebia vale transporte.
Naquele horário, o ônibus não passava muito cheio e a viagem até minha casa não demorava mais do que quinze minutos. Talvez, só talvez, se prolongasse um pouco caso o trânsito não fluísse satisfatoriamente. O inconveniente naquele dia foi tomar uma condução com todos os assentos tomados, de modo que tive que viajar em pé. Eu só não imaginava no que daria aquele aparentemente inocente inconveniente.
A viagem, como previsto, transcorria tranquila e eu olhava o movimento do lado de fora distraidamente. Havia poucas pessoas de pé e até chegou a liberar um assento perto de mim, mas a viagem seria tão curta que eu preferi ficar mesmo de pé. Uma senhora mais velha ocupou aquele lugar. Eu trajava um vestido com tecido leve e bem fluido, estampado, cuja barra ia até um pouco acima do joelho.
Feminino, mas nada de provocante, apesar de que meu corpo marcava mesmo as roupas mais discretas. Quanto a isso, porém, havia pouco que eu pudesse fazer.
Meu pensamento estava em outro lugar quando, de repente, o motorista do ônibus deu uma freada súbita. Sabe aquelas freadas que sacodem a carroceria para frente e para trás, como se fosse para arrumar a boiada? Eu poderia ter sofrido um acidente constrangedor, porque minha mão quase se soltou do ferro, mas um corpo atrás de mim acabou me sustentando.
O homem foi ágil o suficiente para agarrar o ferro e usar a força dos braços para se sustentar, enquanto, com o outro, conseguiu segurar as costas do banco em que eu estava encostada, de modo que não sobrou espaço entre nós dois. Ficamos com os corpos engatados, ele sustentando o meu, balançando para frente e para traz. Ele estava vestindo bermuda e camiseta. Encaminhava-se para a porta de saída, pois desceria no próximo ponto.
Não sei se ele teve maldade. O fato é que durante aquele estranho balé, que não durou mais do que alguns segundos, senti um volume indiscreto encaixado e pressionando meu rego, ao mesmo tempo que seu perfume, que era muito gostoso, invadiu minhas narinas. Como o tecido do meu vestido era leve e o encaixe foi perfeito, senti uma pressão gostosa no meu rego. Sim, foi gostosa, fazendo um arrepio subir pela minha espinha e minha vagina reagir na hora.
Aquele contato foi rápido, passageiro. O efeito, ao contrário, não. Depois de se equilibrar engatado em mim daquele jeito excitante, aquele volume descomunal no meu rabo me desorientando, ele sussurrou um pedido de desculpas no meu ouvido, que até hoje não sei se o propósito era se desculpar ou enfatizar o que terminara de acontecer.
- Não há de que. Se não fosse você, eu teria voado longe – respondi, olhando de lado, a voz saindo um pouco tremida de uma mistura de constrangimento com excitação.
Pude perceber um homem razoavelmente mais alto do que eu, aparentemente bonito. Como já disse, ele estava para descer do ônibus e assim o fez. Ao chegar à calçada, porém, olhou em minha direção, no que foi retribuído. Foi como se comunicássemos um ao outro que sabíamos exatamente o que havia se passado entre nós. O tempo durante o qual nossos olhares repousaram um no outro foi quase o de um estalar de dedos, mas aquele olhar carregava um significado bem mais enigmático e profundo, quase que uma saudade doída do que não foi.
Verdade seja dita, o cara era muito bonito. Não era musculoso, mas pode-se dizer que era razoavelmente atlético. Seu contato ficou marcado no me corpo, minha vagina não parava de pulsar e se lubrificar. Até meus mamilos enrijeceram. Minha mente ficou aprisionada naquele contato, pequenos choque se apoderaram do meu corpo. O ônibus partiu e eu tinha a certeza de que nunca mais veria aquele homem, que devia ter a minha idade ou ser, no máximo, um pouco mais velho, o que me causou uma estranha melancolia e uma inexplicável sensação de perda.
Tesão e melancolia é uma combinação estranha. Foi uma conexão profunda, estranha, uma encoxada de segundos, que deu origem a um desejo com o peso de mil anos. Sim, o peso de mil anos. As sensações eram tão fortes, tão intensas, que cheguei a me esquecer de que tinha um noivo, com o qual me casaria em três meses, contando daquela data. Não pude deixar de me sentir vil quando aqueles dois pensamentos se cruzaram, mas a imagem daquele homem, aquele contato, aquele volume no meu rego não saíam da minha cabeça. Quase passei do ponto de ônibus, tamanha era a agitação em minha cabeça.
Cheguei em casa, o corpo insistia em me lembrar daquele episódio. Cumprimentei minha mãe, que estava na cozinha, seu habitat natural, fui para o meu quarto, joguei a bolsa na cama. Peguei um short e uma camiseta baby-look de ficar em casa. Tirei o vestido e fui para o banheiro tomar banho. Talvez a água do chuveiro ajudasse a lavar minha culpa. Aliás, por que tanta culpa? Não aconteceu nada demais. O problema, porém, não era o que aconteceu. É um tipo de situação que acontece com homens e mulheres diariamente, intencionalmente ou não. O problema era o que continuava acontecendo no meu corpo. Aquele olhar de confirmação, o dele no meu, o meu no dele, o que mais dele poderia estar em mim, o que esteve tão perto, batendo, roçando, pressionando, e eu pedindo para entrar.
Minha calcinha já tinha ido parar no chão e a água descia inútil do chuveiro. Minha mente viajava em pensamentos, reproduzindo desejos, alimentando culpas e criando cenas. Aquele homem me tomou e me beijou, envolvendo minha cintura. Ele levantou meu vestido, desceu minha calcinha e me comeu naquela posição, como se ninguém mais houvesse naquele ônibus. Descemos juntos, ele me levou para o matagal e me comeu de pé, apoiada numa cerca de madeira, o cheiro do mato se confundindo com o dos meus fluidos.
Que loucura foi aquela, Deborah? Que loucura, que meus dedos não parassem de castigar o meu grelo. Eu, que jurara amar meu noivo, aquele com quem iria me casar, me masturbando na intenção de outro homem, alimentando fantasias sujas, devassas, tudo por causa de uma encoxada.
O corpo tremeu, ondas de choque me percorreram, uma lágrima de perda e saudade desceu dos meus olhos, banhando meu rosto, enquanto o orgasmo vinha forte e tive que cobrir a boca com as costas da minha mão para que meus gemidos não repercutissem para fora das quatro paredes daquele banheiro.
Os dias passavam e aquela encoxada não saía da minha mente. Peguei o carro de volta e retornei à minha rotina. Sabia que não mais encontraria aquele homem, o que me causava frustração. Por uma razão que a razão desconhece, meu corpo queria ser dele. Nos momentos em que estava com meu noivo, ele notava meu distanciamento. Eu me sentia culpada, mas tinha certeza de que aquilo ia passar.
Sempre fui verdadeira com o Fabrício, mas como dizer a ele que estava confusa, pois não parava de pensar em um desconhecido que, sem querer, ou meio sem querer, ou sem querer querendo – como dizia o Chaves -, havia me encoxado no ônibus? Pior: que o contato daquele volume, que sugeria algo muito maior do que o do meu noivo, parecia ainda estar ali, como uma tatuagem. Pelo menos daquela vez, eu teria que carregar aquele estranho fardo sozinha.
Semanas se passaram e aquele episódio não saía de minha cabeça. Para piorar, pensava naquele desconhecido íntimo quando fazia sexo com o Fabrício. Não era premeditado. Simplesmente acontecia e eu ficava mais agitada. Pedia que fosse mais bruto, que me pegasse de quatro e, principalmente, que me comesse de pé, com os braços escorados na parede e com o bumbum arrebitado.
Imaginava aquele desconhecido me comendo e gozava de um jeito que nunca gozara, o que só me fazia desejar ainda mais aquele homem. Fabrício pensava que todo aquele fogo era por ele e aquilo me consumia por dentro. Tudo por causa de uma maldita encoxada. Ou teria sido mais que isso? Teria aquela interação tão íntima e profunda revelado algo sobre mim? Ou, quem sabe, sobre nós?
Estaríamos fadados a nos encontrar algum dia? O que aconteceria? E Fabrício? Eu o trairia de forma vil e covarde? Será que era mais prudente terminar o noivado?
Não, não, não, Deborah, isso seria loucura. Um dia essa loucura vai passar.
Naquele dia, deixei meu carro em casa, fiz meu trajeto de carro de aplicativo. Na volta para casa, peguei o ônibus naquele mesmo ponto. Não tinha esperança de que algo acontecesse, de que reencontrasse meu cavalheiro do volume enorme que arrepiou minha espinha e me deixou daquele jeito. Só queria... sei lá o que eu queria. Talvez, de alguma forma, reviver aquilo. Mesmo ônibus, mesmo trajeto, até o vestido era o mesmo, como se assim eu pudesse fazer tudo acontecer de novo.
Ao contrário daquele dia, o ônibus estava bem cheio. Um senhor se ofereceu para segurar minha bolsa. Ainda há pessoas que fazem isso. Foi quando senti uma presença familiar. O perfume e aquele volume encostado meio que na lateral da minha bunda. Era ele. Não trocamos palavras. Não precisava. Não ainda. Eu mesma, instintivamente, me movi de modo a que ele ficasse mais atrás de mim. No primeiro movimento de pessoas tentando se locomover no ônibus cheio, ele se moveu. O encaixe aconteceu. Eu já suava frio e tremia de expectativa e de tesão, o coração querendo sair pela boca, um frio no estômago e um calor subindo pelo interior das minhas coxas.
Forcei a bunda para traz e o balanço do ônibus fez o resto.
Ele não mais saiu daquele encaixe. Mais que isso, sua mão deslizou sorrateiramente pela minha bunda, tomando posse do que ele conquistara. Ele sabia que eu estava gostando. Talvez soubesse que eu esperara ansiosa por aquilo. A mão deslizou por dentro do meu vestido, fazendo com que a barra ficasse perigosamente levantada, mas eu não ligava para aquilo. Que me julgassem uma puta devassa, mas eu queria demais ser daquele homem, mesmo que fosse daquela forma.
Sua mão deslizou possessiva até minha bunda, acariciando e apertando. Eu tentava me controlar para não gemer, mas talvez não estivesse sendo fácil evitar que as pessoas percebessem. Porém, eu estava entregue. Se ele arriasse minha calcinha e metesse em mim na frente de todo mundo, eu deixaria.
Ele não chegou a tanto, mas sua mão entrou por dentro da minha calcinha e seus dedos deslizaram para minha buceta, bem ali, na frente de todo mundo, se aproveitando do ônibus lotado. O volume no meu rego estava me deixando louca. Ele fez questão de respirar bem perto da minha nuca, fazendo com que meu corpo inteiro se arrepiasse. Seus dedos dedilharam meu grelo e a entrada da minha buceta. Em determinado momento, eu me curvei de aflição, esfregando as pernas, enquanto pressionava seu volume com minha bunda, entrando em um estado de descontrole perigoso.
Ele sussurrou no meu ouvido.
- Desce comigo.
Sem raciocinar, balancei a cabeça positivamente, já completamente rendida. Descemos do ônibus e fui conduzida por ele, que segurava minhas mãos. Não trocávamos palavra. Ele apenas me levava e eu me deixava levar. Aflita, excitada, temerosa, descontrolada. Uma fêmea pronta para o abate.
Havia um terreno abandonado. Eu não conhecia aquela rua. Não tinha quase movimento. Havia umas estruturas velhas de alvenaria, talvez ruínas do que fora um galpão industrial ou um depósito de alguma coisa. Só havia nós dois ali. Eu tinha medo. O que aquele homem poderia fazer comigo? Mas eu tinha mais tesão.
Ele me levou para traz de uma parede, onde havia até um sofá velho e imundo. O chão era de terra batida, ou, pelo menos, parecia. Foi ali que ele me fez ajoelhar, colocando o pau da minha desgraça para fora.
- Chupa – ordenou.
Foi a segunda coisa que ele disse e a segunda ordem. E aquilo me enlouqueceu de vez. Engoli aquela coisa enorme o máximo que pude. De repente, ele puxou meu vestido, tirando-o pela cabeça. Pensei em reagir, mas meu corpo não deixava. Tudo em mim só queria se entregar, mesmo que fossem aqueles os meus últimos segundos de vida.
Ele me colocou de quatro naquele sofá tétrico, sujo, empoeirado, com cheiro de mofo, mas quem ligaria para isso? Meus líquidos já escorriam pela minha buceta e minha calcinha foi tirada. Fiquei completamente nua e fui penetrada sem dó. Doeu, mas o prazer da rendição era maior. Ele meteu com vontade, gozou dentro. Não satisfeito, lubrificou meu cu com cuspe e me arrombou sem misericórdia. Arrancou todas as pregas do meu cu virgem.
Usou todos os meus buracos como bem quis e eu apenas deixei. Ele me fez ficar de pé, me beijou a boca de um jeito possessivo.
- Matou sua vontade?
- Não, eu quero mais, respondi.
- Pegue o ônibus outras vezes. Quem sabe não nos encontramos?
- Por que não nos falamos por telefone?
- Nada de trocar contatos. Eu tenho namorada séria. Você é só para eu me divertir.
- Tudo bem – respondi, sem revelar que eu também tinha namorado.
Ele me deixou ali, perdida, sem roupa, culpada, com raiva de mim mesma, nua, suja, suada, marcada pela minha vileza. Uma mulher sem valor, que não era capaz de negar sexo a um estranho. Não só aquilo, mas ser usada como uma coisa qualquer. Meu pranto desceu e gritei o nome de Fabrício.
Eu me debatia desesperada, com vontade de sumir, morrer, sei lá. “Fabrício, me perdoa”, eu dizia.
- Calma Deborah, você está tendo um pesadelo – a voz do meu noivo tentava romper a distância entre o mundo real e aquele em que eu vivia aquela situação absurda.
Foi um processo penoso até que eu me desse conta de que tinha tido um pesadelo enquanto dormia com meu noivo em uma cama de motel. Mas o pior de tudo é que minha buceta estava completamente ensopada, enquanto meu corpo encontrava conforto nos braços do meu noivo.
Eu precisava fazer aquilo. Abocanhei seu pau até deixá-lo duro e subi nele sem dar tempo para que me pedisse explicações. Não que eu não as quisesse dar. É que o corpo implorava por um orgasmo, mas eu sabia que teria que fazer algo, porque meu noivo não merecia aquilo, nem mesmo uma traição em sonho. Ou pesadelo, sei lá.
Mas o estrume, enquanto a gente não recolhe, continua fedendo, não é verdade. As imagens daquele sonho voltaram naquela madrugada e me fizeram gozar desesperadamente, me sentindo culpada, mas fora de controle. E isso não parou até hoje.