Depois que ela saiu ainda fiquei ali por alguns minutos tentando decifrar o que seria o jogar de verdade.
Eu tinha ido até aquela casa porque estava havia duas semanas sem ficar com ninguém. Na noite anterior, já tinha conseguido mais do que imaginava. Mesmo assim, bastou Júlia mencionar um novo jogo para minha curiosidade voltar.
Pouco depois, Mariana acordou.
Ela se espreguiçou, percebeu que eu estava olhando e sorriu.
— Bom dia.
— Bom dia.
Lucas continuava dormindo. Mariana se soltou dos braços dele, passou por mim e apertou minha coxa antes de sair do quarto.
O gesto foi rápido, mas intencional.
Fiquei olhando para ela até desaparecer no corredor.
Quando todos acordaram, continuamos pela casa como se aquela intimidade fosse normal. Ninguém parecia preocupado em se vestir completamente. Júlia circulava com sua camiseta, Mariana tinha colocado um short curto e Lucas permanecia apenas de cueca.
Eu encontrei uma bermuda minha entre as roupas que ainda estavam guardadas ali, mas não coloquei camiseta.
Durante o café da manhã, Mariana passava por mim e tocava meu ombro, minha cintura ou minhas costas. Às vezes parecia acidental.
Às vezes não.
Júlia também me beijava sempre que tinha vontade. Lucas fazia o mesmo com Mariana.
Não houve sexo durante o dia. Apenas beijos, mãos curiosas e provocações que não deixavam ninguém esquecer a noite anterior.
Depois do café, Lucas tentou descobrir o que as meninas estavam planejando.
— Que história é essa de jogo de verdade?
Júlia passou manteiga em uma fatia de pão.
— Se eu contar, deixa de ser surpresa.
— Vocês combinaram isso quando?
Mariana respondeu:
— Hoje cedo.
— Então vocês mal acordaram e já estavam conspirando?
— Exatamente — Júlia disse.
Olhei para Mariana.
— Você já entrou para o lado dela?
— Talvez eu sempre tenha estado.
As duas riram.
Passei boa parte da manhã tentando descobrir alguma pista. Em determinado momento, encontrei Júlia separando algumas coisas no quarto, mas ela fechou uma sacola antes que eu pudesse enxergar.
— Pode sair.
— Só queria ajudar.
— A curiosidade matou o gato.
— Mas eu não sou gato.
Ela olhou para meu corpo.
— Ainda não decidimos qual animal você vai ser.
Saí antes que ela inventasse outra provocação.
Durante a tarde, pedimos comida, assistimos a um filme e jogamos videogame. Aparentemente, era um sábado normal entre amigos.
Aparentemente.
Júlia e Mariana trocavam olhares toda vez que eu ou Lucas perguntávamos sobre a noite. Aquilo aumentava a ansiedade.
Quando começou a escurecer, elas mandaram nós dois tomarmos banho.
— Separados? — Lucas perguntou.
— Sim — Mariana respondeu. — E sem demorar.
— Estão mandonas hoje.
Júlia sorriu.
— Vocês ainda não viram nada.
Depois do banho, encontramos as duas na sala.
Cada uma delas tinha ao seu lado uma venda e uma espécie de corda.
Estranhamos a princípio, as duas nos olharam e disseram
— Vocês dois serão vendados e amarrados e só vão sentir o que tiver para sentir!
O desconhecido me deixava excitado, o que elas estavam aprontando...
Júlia pegou uma das vendas.
Fui o primeiro.
Ela colocou o tecido sobre meus olhos e apertou o nó atrás da minha cabeça com força. A sala desapareceu.
Ouvi passos ao meu redor.
Alguém segurou meus braços e os prendeu atrás do corpo. As cordas estavam firmes.
— Está apertado demais? — Mariana perguntou perto do meu ouvido.
— Não.
— Consegue mexer as mãos?
Movimentei os dedos.
— Consigo.
— Ótimo.
Fui conduzido até o centro do quarto e colocado de joelhos sobre uma almofada.
A sala ficou em silêncio, iamginei que Lucas também estava amarrado e vendado.
Falei:
— Espero que vocês saibam o que estão fazendo.
Júlia respondeu:
— Nós sabemos. Você é que não sabe.
Eu ouvia uma respiração próxima, depois passos distantes. Em determinado momento, senti dedos percorrendo meus ombros.
O toque desapareceu.
Esperei.
Nada aconteceu.
Quando comecei a relaxar, recebi um tapão no rosto.
Não foi forte o suficiente para machucar, mas veio com vontade, era um misto de ardência e excitação. O susto fez meu corpo inteiro reagir.
Soltei um gemido.
Ouvi uma risada feminina.
— Tudo bem? Posso continuar? — alguém perguntou.
— Tudo ok, continua!
A pessoa se afastou.
Fiquei esperando o próximo.
Não sabia de qual lado viria nem quanto tempo demoraria. Essa expectativa era pior — e melhor — do que o próprio tapa.
— Pode bater mais forte — provoquei.
Dessa vez, não veio uma mão.
Senti uma palmada quente na bunda. Pelo som, provavelmente tinham usado um chinelo.
Ardeu na hora.
— Ual, essa ardeu pra caramba!
Todos riram.
— Continua? — Júlia perguntou.
Respirei um pouco antes de responder
— Continua!
— Então provoca novamente.
Fiquei em silêncio por alguns segundos.
A vontade de obedecer venceu a vergonha.
— Bate igual homem!
— Empina a bunda — alguém ordenou.
Inclinei o corpo para a frente.
Esperei a palmada.
Ela não veio.
Em vez disso, senti mãos segurando minha cintura.
E veio a penetração no meu cu, era Lucas, eu reconhecia a rola dele.
Ele socou tudo, dessa vez gemi alto, eu achando que ele estava vendado e amarrado também, mas na verdade os três ali queriam me "usar".
Ele me segurou com firmeza e foi socando gostoso, enquanto eu gemia as meninas riam, me xingavam de viadinho, e as vezes me batiam.
Eu já não sabia quem falava.
Também não queria descobrir.
O tecido sobre meus olhos fazia tudo parecer mais intenso. Cada mão podia ser de qualquer pessoa. Cada respiração próxima criava uma nova dúvida.
Senti outro tapão no rosto.
Estava tão excitado que nem ardia mais.
As vozes das meninas se misturavam às provocações de Lucas.
Eu tentava permanecer quieto, mas não conseguia.
— Está gostando, Caio? — Mariana perguntou.
— Estou.
— Tem certeza?
— Prefiro você me xingando do que fazendo perguntas.
Lucas aumentou o ritmo.
Perdi a noção do restante do quarto.
Por alguns minutos, existiam apenas as mãos na minha cintura, os comandos das meninas e a sensação de estar completamente entregue.
Quando Lucas gozou, senti aquele jato gostoso, fiquei anestesiado, respirando forte.
Alguém acariciou minhas costas.
— Tudo bem? — Júlia perguntou.
— Tudo.
— Quer tirar a venda?
— Ainda não.
Ouvi uma risada satisfeita.
— Ele está aprendendo — Mariana comentou.
Fui ajudado a me levantar.
As meninas continuaram brincando comigo por mais algum tempo, alternando carícias e provocações. Eu não sabia qual delas estava me beijando até reconhecer o perfume, a voz ou a forma de tocar.
Quando finalmente retiraram minha venda, precisei piscar algumas vezes para me acostumar à luz.
Mariana estava apontando o celular da Júlia para mim, fiquei em pânico na hora.
— Você gravou?
— Sim, todos seus gemidinhos seu viadinho — ela respondeu.
Júlia percebeu minha preocupação.
— Relaxa. Isso aqui é só para o caso de você querer aprontar alguma coisa.
Mariana desligou o celular e deixou ele sobre uma cômoda.
— Precisamos terminar o jogo.
Júlia desamarrou meus braços.
Quando consegui movimentá-los, senti os ombros e olhei para meu corpo. Havia algumas marcas avermelhadas na minha pele.
— Está doendo? — Mariana perguntou.
— Agora que estou vendo, começou a doer.
Ela riu.
Passou os dedos suavemente sobre uma das marcas.
— Mentiroso. Você gostou.
— Gostei mesmo.
A visão daquelas marcas trouxe de volta toda a excitação que começava a diminuir.
Lucas sorrindo disse:
— Vocês são malucas.
Júlia respondeu:
— E vocês também! Faria novamente?
— Ele hesitou um pouco, mas respondeu que sim.
Lucas saiu do quarto por alguns minutos para buscar água.
Fiquei sozinho com as duas.
Mariana se aproximou por trás e tocou meus ombros. Júlia veio pela frente.
As duas começaram a me beijar e provocar ao mesmo tempo.
Eu já sabia que aquela noite ainda estava longe de terminar.
Júlia conduziu a próxima parte, colocando Mariana mais perto de mim. Dessa vez, Mariana não parecia apenas a garota de Lucas. Ela participava porque queria, tomava decisões e dizia claramente do que gostava.
— Mariana ficou de quatro para mim, e pediu para eu por no cuzinho dela.
Obedeci.
Coloquei uma camisinha e empurrei devagarinho, achando que ela ia se encomodar, ela só disse
— Mete logo, igual o Lucas fez com você!
Então enfiei tudo e com força, ela gemeu, mas não parei não.
Júlia observava e incentivava, às vezes beijando Mariana, às vezes se aproximando de mim.
Quando Lucas voltou, encontrou nós três juntos.
Ele parou na porta.
— Eu perdi alguma coisa?
Mariana olhou por cima do ombro.
— Perdeu a vez de decidir.
Lucas riu e entrou.
Nessa hora fiquei pensando, será que o Lucas vai ter coragem de comer a própria irmã, mas ele não tocou nela não.
Enquanto Lucas beijava os seios de Mariana eu continuava comendo o cuzinho dela, Júlia dessa vez ficou só olhando e incentivando, ela não queria tocar no irmão, até que acabei gozando.
Seria épico ver os dois irmãos se tocando.
Júlia tinha dito que "nunca" tocaria o irmão com tanta certeza que nem tentei incentivar.
Quando finalmente paramos, pedi para assitir a gravação.
A princípio, senti vergonha de me ver vendado e obedecendo aos comandos. Lucas ria de algumas reações minhas, mas ficou igualmente constrangido quando apareceu na gravação.
Mariana estava sentada ao meu lado.
Júlia segurava a câmera.
— Entre nós.
Júlia salvou o arquivo em uma pasta protegida por senha.
Naquele momento, a gravação parecia apenas mais um dos nossos segredos.
Eu ainda não sabia o peso que um segredo guardado em vídeo poderia ganhar com o tempo.
Dormimos tarde.
No domingo, a atmosfera mudou.
Os pais de Lucas e Júlia chegariam durante a tarde, então precisávamos fazer a casa voltar ao normal.
Recolhemos roupas, limpamos a sala, arrumamos o quarto e escondemos qualquer sinal do que tinha acontecido.
Mariana e eu ficamos responsáveis pela cozinha.
Enquanto lavávamos os copos, ela encostou o quadril em mim.
— Você está muito quieto.
— Estou cansado.
— Só cansado?
— Também estou tentando entender você.
Ela secou um prato.
— O que tem para entender?
— Você chegou como namoradinha do Lucas.
Mariana riu.
— Namoradinha?
— Foi o que pensei.
— E agora?
Olhei para ela.
— Agora não sei.
Ela deixou o pano sobre a pia e se aproximou.
— Eu gosto do Lucas. Mas nós não namoramos.
— Então vocês podem ficar com outras pessoas?
— Podemos. Desde que ninguém esconda nada.
— Ele sabe que você está se aproximando de mim?
— Você acha que ele não percebeu?
Olhei para a porta da cozinha.
Lucas estava na sala jogando videogame com Júlia.
— E isso não incomoda?
— Pergunta para ele.
— Não vou perguntar.
Mariana sorriu.
— Então vai continuar sem saber.
Ela me deu um beijo rápido e voltou a secar os pratos como se nada tivesse acontecido.
Os pais deles chegaram no meio da tarde.
Quando entraram, encontraram a casa arrumada, o almoço preparado e quatro jovens aparentemente comportados.
Conversamos normalmente.
Júlia parecia a filha discreta de sempre.
Lucas fazia piadas.
Mariana agia como uma amiga próxima da família.
Eu tentava não pensar no vídeo escondido no celular de Júlia nem nas marcas que minhas roupas cobriam.
Ficamos até o café da tarde.
Depois, chegou a hora de ir embora.
Eu e Mariana saímos juntos. Talvez os pais de Lucas achassem que existia alguma coisa entre nós.
Depois que viramos o quarteirão, parei.
— Posso falar uma coisa sem você achar ruim?
— Depende.
— Foi tudo muito louco. E você é muito gostosa.
Mariana começou a rir.
— Esse foi o melhor elogio que conseguiu preparar?
— Eu não tive muito tempo.
Ela se aproximou.
— Você também é muito gostoso.
Então me beijou.
Não foi como o beijo rápido da brincadeira.
Dessa vez, estávamos apenas nós dois, no meio da rua, sem Lucas, Júlia ou jogo algum servindo de desculpa.
Quando voltamos a caminhar, Mariana segurou minha mão.
Fomos assim até a estação.
Na condução, continuamos próximos. Ela apoiava a cabeça no meu ombro, depois me beijava quando achava que ninguém estava olhando.
Quando chegou o momento de nos separarmos, nenhum dos dois parecia com pressa.
— A gente vai se ver de novo? — perguntei.
— Provavelmente.
— Isso foi um sim?
— Foi um "você vai precisar me procurar sem estar desesperado para jogar".
A provocação me lembrou Lucas.
— Está todo mundo combinando para me dizer isso?
— Talvez você precise ouvir.
Ela me deu outro beijo e foi embora.
Fiquei observando até que desaparecesse entre as pessoas.
Eu tinha ido até aquela casa procurando Lucas.
Passei a primeira noite com Júlia e achei que ela seria a grande surpresa daquele fim de semana.
Mesmo assim, quando chegou o domingo, era a mão de Mariana que eu não queria soltar.
Na manhã seguinte, eu voltaria ao estágio.
Voltaria para Luísa, para o perfume misterioso e para o café que nunca acontecia.
Mas agora existia mais um problema.
Eu não sabia se estava pensando em Luísa porque realmente queria conhecê-la ou porque ainda não tinha descoberto de quem aquele perfume me fazia lembrar.
Com Mariana era diferente.
Não havia mistério.
Ela tinha deixado muito claro que esperava que eu a procurasse novamente.
E, pela primeira vez, percebi que talvez meu problema não fosse a falta de oportunidades.
Era o excesso delas.
