O Aniversário Dele
Eu organizei aquela noite achando que estava dando um presente pro meu marido.
Terminei descobrindo que o presente era meu.
Prazer, somos o Casal Apimentados. Quem escreve dessa vez sou eu, a Lúcia. Somos nomes fictícios, por motivos que qualquer casal liberal entende.
Eu: 1,72 de altura, loira natural, olhos verdes, seios fartos e umas coxas grossas que o meu marido elogia há vinte e três anos e que eu levei uns quinze pra aceitar. Quarenta e três anos.
Ele, Jorge: negro, 1,85, corpo forte sem ser musculoso, mesma idade que eu.
O aniversário dele cai em maio, e ele nunca pede nada. Nunca. Todo ano é a mesma novela: eu pergunto o que ele quer e ele responde que quer um churrasco em casa com os amigos, e todo ano eu faço o churrasco e ele fica feliz e eu fico com aquela sensação de não ter dado nada.
Esse ano eu resolvi não perguntar.
Chamei a Val, que é minha amiga de uns seis anos e é do meio há mais tempo que eu, e falei que queria fazer uma noite no Enigma pro Jorge. Que eu queria que ele fosse o assunto pra variar, porque em todos esses anos ele sempre foi o cara que organiza, que dirige, que toma conta, que fica na poltrona vendo eu me divertir.
A Val ouviu tudo e falou:
— Deixa comigo.
Meninas, nunca deixem com a Val.
No sábado, ela me mandou mensagem no fim da tarde avisando que ia levar mais duas pessoas: a prima dela, a Kelly, que tinha entrado no meio fazia pouco tempo, e um amigo, o Everton.
Eu li aquilo já maquiada, e vou confessar uma coisa: eu tive um segundo de irritação. Era pra ser a noite do Jorge, com gente escolhida por mim, e agora tinha duas pessoas que eu não conhecia.
Respondi que tudo bem.
Ainda bem que respondi.
A gente chegou lá pelas onze. Ele de camisa preta, cheirando bem, sem fazer ideia de nada, achando que ia ser uma noite normal. Eu de vestido bordô, curto, com o cabelo solto.
A Val já estava no bar com os dois.
A Kelly é o oposto da prima. Baixinha, morena, uns trinta e dois anos, tímida de um jeito que dá vontade de proteger, com uma risada nervosa que ela dava a cada duas frases. Estava no meio havia uns oito meses e tinha ido em três festas na vida.
E o Everton é aquele tipo de homem que a gente vê e leva um susto. Negro, uns quarenta, altão, ombro largo, cabeça raspada, barba feita. Camisa branca. E, ao contrário do que a aparência promete, o sujeito mais tranquilo daquele salão inteiro: voz baixa, olho no olho, e ele passou a noite inteira perguntando antes de fazer qualquer coisa.
A gente pediu uma rodada. A Val fez um brinde constrangedor pro aniversariante, o salão inteiro olhou, e o Jorge ficou vermelho, o que é uma coisa raríssima e que eu não vejo desde 2003.
E aí, quando ele foi buscar mais uma bebida no balcão, a Val encostou em mim e falou:
— O seu marido é lindo.
— Eu sei.
— Não, Lú. Olha ele lá.
Eu olhei.
E eu vou tentar explicar uma coisa que eu não sei se todo mundo entende.
Depois de vinte e três anos, você para de ver o seu marido. Ele vira o cara que ronca, que deixa a toalha na cama, que esquece de comprar pão. Você olha pra ele mil vezes por dia e não vê nada.
Naquele instante, encostada no balcão de uma casa de swing em São Paulo, eu vi.
Um homem de quarenta e três anos, alto, de costas pra mim, de camisa preta, conversando com o barman, com três mulheres naquele salão olhando pra ele ao mesmo tempo. E eu senti uma coisa no meio do peito que não era orgulho, não era ciúme, e que eu levei semanas pra conseguir nomear.
Era vontade. Vontade dele, do jeito que eu tinha aos vinte.
E foi aí, meninas, que a noite virou pra mim. Muito antes de qualquer coisa acontecer.
Na pista, a coisa desandou rápido e do jeito bom.
Eu dancei com ele primeiro, e dancei com má intenção. Colada, de costas, com a mão dele na minha barriga, cantando no ouvido dele. Faz vinte e três anos que eu sei exatamente o que fazer pra ele perder a linha, e eu fiz tudo, com calma, uma coisa por vez.
Aí eu peguei a mão da Kelly e puxei ela pra dançar com a gente.
Fiz isso de propósito. Ela estava sentada no sofá havia quarenta minutos com aquela risada nervosa, e eu já fui aquela mulher no sofá.
A Kelly dançou travada uns dois minutos e depois soltou. E, quando o Jorge encostou nela pela primeira vez, com aquele cuidado dele, perguntando com o olhar antes, ela olhou pra mim.
Eu sorri e fiz que sim com a cabeça.
Ela fechou os olhos e encostou nele.
E eu fiquei ali, a um metro, vendo o meu marido beijar uma mulher que tinha entrado no meio fazia oito meses, e a única coisa que eu senti foi calor subindo pelo pescoço.
A Val não perdeu tempo. Beijou ele em seguida, no meio da pista, e a Val beija de um jeito que eu já conhecia de outras noites e que faz qualquer um perder o rumo.
E o Everton chegou por trás de mim, encostou de leve, e falou no meu ouvido:
— Posso?
Eu disse que sim.
Perto da uma, apareceu a Carol.
Vou explicar quem é a Carol, porque isso tem história.
Uns anos atrás, a gente passou uma noite num sítio em Ibiúna, numa festa em que os casais eram separados até o amanhecer. Naquela noite, o Jorge ficou com uma ruiva na outra ala da casa. Eu ouvi falar dela por anos e nunca tinha visto a cara.
Naquele sábado, ela apareceu no Enigma, sozinha, com uma tatuagem de cobra no antebraço, e o Jorge ficou branco quando viu.
Ela veio na minha direção primeiro. Isso eu achei elegantíssimo.
— Você é a Lúcia.
— Sou.
— Eu sou a Carol.
E a gente ficou uns três segundos se olhando, com o Jorge atrás dela querendo sumir do planeta, até eu começar a rir.
Eu abracei ela. Não sei explicar por quê. Abracei e falei no ouvido dela:
— Eu queria ter te conhecido naquela noite.
— Eu também.
E foi isso. Sem nenhum drama, sem nenhuma cena. Duas mulheres adultas resolvendo em dez segundos uma coisa que homem levaria três anos.
A Carol ficou com a gente o resto da noite.
Subimos por volta das duas.
Éramos sete: eu, o Jorge, a Val, a Kelly, o Everton, a Carol e uma menina que a Val conhecia do bar e que acabou vindo junto, uma morena alta de vestido verde que eu vou chamar de Duda e que eu não conhecia de lugar nenhum.
Pegamos a sala maior, aquela com o colchão gigante no chão e uma cama de casal do lado.
E, quando todo mundo entrou, eu fiz uma coisa que eu nunca tinha feito na vida.
Eu tomei a frente.
Sentei o Jorge na beirada da cama, fiquei de pé na frente dele e falei alto o suficiente para a sala inteira ouvir:
— Hoje é aniversário dele. E hoje ele não vai fazer nada. Hoje fazem com ele.
A sala explodiu. O clima mudou instantaneamente; não era mais apenas sexo, era uma missão. A luxúria ficou densa, quase palpável.
Eu comecei. Tirei a camisa dele botão por botão, mas não com delicadeza. Eu queria sentir a pele dele, queria que ele sentisse a minha urgência. A cada botão que abria, eu descia a boca, sugando seus mamilos, lambendo o peito forte e descendo até a linha da cintura. Eu sentia o pau dele pulsar contra o tecido da calça, um volume imenso que já clamava por liberdade.
— Agora, Kelly — eu ordenei.
A Kelly, ainda trêmula, ajoelhou-se no colchão. Eu peguei a mão dela e a guiei até o volume do pau do Jorge. Quando ela sentiu a dureza do membro sob o tecido, soltou um gemido baixo. Eu ajudei a baixar a calça e a cueca, e o pau do Jorge saltou, ereto, negro e imponente, latejando diante dos olhos dela.
Kelly não precisou de segunda instrução. Ela envolveu a glande com os lábios, começando com uma sucção lenta que fez o Jorge fechar os olhos e soltar um rosnado gutural. Ela mergulhou a boca com força, tentando engolir cada centímetro daquele pau, enquanto eu, ao lado, apertava as coxas do meu marido, sentindo a vibração do prazer percorrendo o corpo dele.
Foi então que a orgia começou de verdade.
A Val e a Carol entraram no jogo. Enquanto Kelly trabalhava na base, Val e Carol atacavam o peitoral e o pescoço do Jorge. Era um emaranhado de línguas, mãos e seios pressionados contra a pele dele. Jorge estava no centro de um redemoinho de carne. Ele soltou um gemido rouco, a cabeça jogada para trás, enquanto sentia cinco pares de mãos explorando cada centímetro do seu corpo.
Eu me afastei um pouco para observar. Vi a Carol — aquela ruiva de Ibiúna — montar no meu marido. Ela abriu as pernas e desceu sobre ele com tudo, sentindo o pau do Jorge preencher sua vagina até o limite. O som de carne batendo contra carne começou a ecoar na sala. Jorge a fodaçava com vigor, as mãos cravadas na bunda dela, enquanto a Val e a Kelly se revezavam sugando seus mamilos e lambendo seu abdômen.
— Puta que pariu, Jorge! — Carol gritava, os olhos revirados, enquanto era possuída por ele.
Eu estava em chamas. Ver meu marido sendo devorado por aquelas mulheres, ver a luxúria nos olhos delas e a potência dele, me deixou em um estado de excitação que eu não sentia há anos.
Enquanto isso, o Everton me possuía. Ele me colocou de lado no colchão, o peito colado nas minhas costas. Ele entrou em mim com força, sem pressa, mas com uma profundidade que me fez arquear as costas. Enquanto eu sentia o pau do Everton me preencher, eu olhava para o Jorge. Ele estava com a Duda agora; ela estava de quatro, e ele a fodaçava por trás com uma brutalidade deliciosa, as mãos imensas segurando os quadris dela, imprimindo um ritmo frenético que fazia a cama rangeu.
— Olha para mim, Lúcia! — Jorge gritou, enquanto dava uma estocada profunda na Duda.
Eu olhei. E naquele momento, eu gozei. Gozei sentindo o Everton dentro de mim e vendo o meu marido destruir a Duda à minha frente. Foi um orgasmo visceral, um colapso de prazer que me deixou sem fôlego.
A madrugada virou um caos de fluidos e gemidos. O colchão gigante tornou-se um campo de batalha erótico. Em certo momento, Jorge estava deitado de costas, e as cinco mulheres se revezavam sobre ele. Era uma chuva de beijos, lambidas e dedos explorando cada orifício.
O ápice veio quando ele decidiu que era hora de encerrar o banquete.
Ele me puxou para cima dele. A Duda e a Carol abriram espaço rindo, mas ainda ofegantes, com as vaginas escorrendo lubrificação e sêmen. Eu sentei nele de frente, sentindo o pau dele — agora quente e pulsante — entrar em mim com toda a força.
— Agora sou eu — sussurrei no ouvido dele, enquanto cavalgava com tudo, sentindo cada nervo do meu corpo vibrar.
Eu não queria sutilezas. Eu queria a brutalidade daquela noite. Eu me movia sobre ele com vigor, as mãos no seu peito, os olhos fixos nos dele. O quarto estava impregnado com o cheiro forte de sexo, suor e esperma.
Quando o clímax chegou, foi explosivo. Jorge me apertou contra si com uma força descomunal e disparou seu sêmen profundamente dentro de mim, enquanto eu contraía as paredes da minha vagina em um orgasmo devastador. Eu senti cada gota daquela porra quente inundando meu útero, marcando a posse definitiva dele sobre mim após aquela noite de partilha.
Descemos as escadas quase seis da manhã, exaustos e com a pele brilhando de suor.
No carro, enquanto o sol nascia na Radial, eu olhei para o Jorge. Ele tinha aquela expressão de quem tinha sido levado ao limite. Ele não tinha apenas recebido um presente de aniversário; ele tinha sido coroado rei de uma noite de luxúria absoluta.
E eu, enquanto sentia a umidade do sexo ainda entre as minhas pernas, soube que aquele era o melhor presente que eu poderia ter dado a nós dois: a descoberta de que, mesmo cercado por cinco mulheres, o único lugar onde o Jorge realmente queria estar era dentro de mim.
Saímos de lá quase seis da manhã.
Comemos alguma coisa no bar de baixo, os sete, todo mundo de cabelo molhado e cara de sono, conversando sobre trânsito e sobre o preço do estacionamento como se a gente tivesse acabado de sair do cinema.
A Kelly veio me abraçar antes de ir embora e falou baixinho:
— Obrigada por ter me puxado pra dançar.
Ela não fazia ideia do quanto essa frase é grande pra mim.
No carro, na volta, o Jorge dirigiu quieto uns dez minutos. Eu estava descalça, com os pés no painel, com o vestido bordô amassado e o cabelo impossível.
Aí ele falou:
— Eu não sei o que dizer.
— Você não precisa dizer nada.
— Lú, cinco.
— Eu sei. Eu contei.
Ele riu.
E aí ele parou de rir e falou uma coisa que ficou comigo:
— Sabe qual foi a melhor parte? Quando você levantou e atravessou a sala.
Eu chorei um pouquinho ali no carro, na Radial, com o sol nascendo. Não vou fingir que não chorei.
Porque eu passei aquela noite inteira achando que eu estava dando um presente pra ele.
E, no fim, quem ganhou fui eu: eu passei uma madrugada inteira olhando pro meu marido com os olhos de quem acabou de conhecer ele.
Vinte e três anos depois.
Se você chegou até aqui, obrigada por ler. A gente escreve essas histórias do jeito que elas aconteceram, sem inventar muito, e é sempre bom saber que tem gente do outro lado. Se curtiu, segue a gente, deixa um comentário contando o que achou e dá uma olhada nos nossos outros contos, tem bastante coisa por lá.
Casal Apimentados
