**Amostra**
Casada do interior. Marido no telhado. Ela chamou o André. Primeiro pau daquele tamanho. Queria dar a bunda. Sempre deu. Nunca tinha dado merda. Dessa vez estourou. Gritou. Se cagou. Melou o quarto. O marido já tinha visto o ânus no banho e ela inventou diarreia. Mentira. Era outro pau, menor, no dia anterior. Este aqui não era menor.
Quem parar aqui fica só com o grito. O resto é o dia inteiro, as outras vezes, o perigo, o que ela pensou com a cara no colchão.
---
Eu sou casada. Interior. Casa de parede suja, janela alta, colchão no chão, lençol bege que já era velho antes de ontem. Meu marido estava no telhado. Martelo. Telha. Sol na lata. Eu chamei o André.
Não julgo o André. Ele foi gente boa. O pau é que era um absurdo. Eu queria. Eu pedi. Eu nunca tinha levado um daquele no cu. Os outros cabiam. Doíam e cabiam. Este não cabia.
Eu trai o meu marido há anos. Sempre pela bunda. Buceta eu ainda finjo que é dele. Cu eu entrego. No banheiro da roça. No quarto da sogra quando ela viaja. No carro atrás do campo. No mato depois da festa. Nunca deu confusão. Nunca sai nada. Nunca gritei. Nunca um vizinho bateu na porta. Até ontem.
O primeiro foi um primo do trabalho dele, numa viagem. Motel barato. Eu disse que doía e mesmo assim pedi mais. Depois foi o pedreiro que veio fazer o muro. Meu marido saiu pra comprar cimento. Dez minutos. Eu de quatro na obra, calça no joelho, ele com medo de concreto no pau. Rimos. Ele gozou rápido. Eu lavei com a mangueira. Quando o marido voltou eu estava varrendo. O cu ardia e eu sorria.
Teve o motoboy da farmácia. Teve o amigo da igreja que “só ia deixar um bolo”. Teve o cunhado uma vez, bêbado, na despensa, minha mão na boca dele. Teve o safado do bar que me pegou no banheiro e eu saí andando torto. Sempre pau de gente. Grosso no máximo no tamanho de gente. Nunca um pau de assustar.
André eu vi numa foto que uma amiga mandou. Rí. Depois não rí. Chamei. Combinei o dia da telha. Meu marido ia ficar o dia no telhado. Perfeito. Cruel. Perfeito.
Ele chegou pelo quintal. Beijo na cozinha. Minha mão no short.
— Meu Deus.
— Tu pediu.
— Pedi. Vai com calma. Ele tá em cima.
— Eu ouço o martelo.
Fomos pro quarto dos fundos. Eu tirei o vestido. Fiquei de quatro. Ele cuspiu. Dedo. Dois. Ardia barato, conhecido. Depois encostou a cabeça. Eu empurrei. Não entrou. Empurrei de novo. A carne fechava como porta.
— Faz força. Como se fosse cagar.
— Tô fazendo.
— Relaxa.
— Não relaxa um negócio desse.
Quando passou, não foi gostoso. Foi um estouro. Eu gritei. Gritei alto. Acho que o vizinho ouviu. Acho que o marido no telhado ouviu e pensou em rádio. A cabeça entrou e puxou o resto. Eu sentei sem querer. Quase varou a barriga.
— Para. Para, André.
Ele parou dois segundos. Beijou minha costa. O cu pulsava. Vontade de cagar na hora. Com pau comum isso é um aviso. Com aquele tamanho era alarme.
— Devagar.
Saiu um pouco. Entrou. Eu tentei levantar. A dor estava foda. Acho que ele pensou que era tesão. Aquela frescura. Eu não. Estava doendo. Ele me puxou pela cintura. Eu subi. Ele cravou de novo.
— André, tá doendo.
— Tu pediu grosso.
— Pedi, mas porra.
— Aguenta.
Eu aguentei. Unha no colchão. Cabeça baixa. Cada estocada um som úmido. Aí eu peidei no pau. Alto. Ele riu e meteu mais. Outro peido. Quente. Aí não foi peido.
Saiu. Quente. Mole. No pau. Na bunda. No lençol. No chão. Cheiro de merda misturado com cimento e suor. Eu chorei. Ele perguntou se parava. Eu disse que não. Baixinho. Porque o tesão estava no mesmo lugar da vergonha.
— Tá sujo.
— Eu sei.
— Continua.
Continuou. O pau ia e vinha sujo. Eu sentia a textura. Sentia o cu não fechar. Sentia o marido andar na laje. Passos. Martelo. Minha boca no braço.
Teve uma hora que o martelo parou. A gente parou. Meu coração na garganta. Passos no madeiramento. Ele desceu? Não. Cuspiu e bateu de novo. André voltou a meter. Eu voltei a morder o pano.
Ele gozou dentro. Quente. Empurrou até o talo. Eu gozei feio, barriga no colchão, cu aberto escorrendo mistura. Quando saiu, o ar entrou no buraco. Eu me peidei de novo. Saiu mais.
Fiquei de quatro olhando a parede. Ele limpou com a toalha. A toalha ficou pior. O quarto ficou pior. A casa inteira parecia saber.
— Desculpa.
— Pra quê.
— Ficou uma zona.
— Tu pediu pra estourar.
Não tinha pedido com essa palavra. Tinha pedido pau grande.
Ele foi pelo quintal. Eu fiquei. Balde. Sabão. O cu ardia sentada. Esfreguei o lençol. Ficou mancha. Virei do avesso. Botei outro por cima. O cheiro não saiu direito.
O marido desceu no fim da tarde, poeira no braço.
— Quente hoje.
— Tá.
— Tu tá andando estranho.
— Dor de barriga.
Ele olhou. Não falou. Tomou água.
No banho, à noite, eu me abaixei pra pegar o sabonete. Ele estava na porta. Vi no espelho o olhar dele no meu cu. Aberto. Roxo. Feio.
— Que porra é essa.
— Diarreia. O dia todo. Por isso andei torto.
— Diarreia deixa o cu assim?
— Deixa quando é forte. Não fica me olhando.
Ele ficou me olhando. Engoliu. Saiu. Corno que ainda não sabe que é corno. Ou já sabe e prefere diarreia.
Outras vezes o perigo foi outro. Uma vez o marido voltou cedo e eu estava no banheiro com o motoboy. Mandei o menino pular a janela. Ele pulou com o short na mão. O marido perguntou o barulho. Gato. Outra vez o cunhado gozou e não tirou a tempo, escorreu na minha calça, eu sentei na cadeira da sala com a família inteira. Outra vez no carro, farol de polícia, eu ergui a cabeça do colo do cara e finji que chorava. Nunca, nunca, um pau daquele. Nunca merda no quarto. Nunca grito.
Ontem teve os três.
Eu liguei pra amiga. Voz baixa. Desculpa. Eu estava a fim. Não sabia que ia acabar assim. Ele me estourou. Foi merda demais. Não quero que vire história. Não vou fazer mais. Prometo. Não deu certo.
Prometi. Dormi de bruços. O cu latejava. De manhã passei o dedo, cheirei, fiz careta e senti tesão. Nojo e tesão. Os dois.
O marido perguntou se a diarreia tinha passado.
— Passou.
Mentira. O que passou foi o André. O que ficou foi o buraco. E a vontade. E o medo de ele olhar de novo quando eu me abaixar.
Não deu certo.
Deu.
Só não deu limpo.
Só não deu do tamanho que eu conhecia.
Só não deu sem o telhado em cima da minha cabeça e o martelo marcando o ritmo.
Casada do interior. Sempre dei a bunda. Nunca tinha estourado a casa. Ontem estourei. E mesmo assim, quando o martelo bater de novo, eu vou lembrar do André. E o cu vai piscar. E eu vou odiar isso. E eu vou querer.