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O Espelho

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Um conto erótico de Lady Kamilla
Categoria: Heterossexual
Contém 454 palavras
Data: 01/08/2026 08:48:51
🤖 Texto produzido com auxílio de inteligência artificial

Nunca pensei que aos quarenta e cinco anos ainda pudesse descobrir uma versão de mim que desconhecia.

Sempre fui a mulher responsável. Trabalhava, pagava as contas, sorria quando era preciso e fazia o que esperavam de mim. A minha vida era tranquila, previsível... demasiado previsível.

Foi numa sexta-feira, ao sair do trabalho, que tudo começou.

Passei novamente pela pequena loja que via quase todos os dias. Nunca tinha entrado. Não por vergonha, mas porque dizia a mim própria que aquele mundo não era para mim.

Nesse dia parei.

Fiquei alguns segundos a olhar para a montra. Havia um corset preto, elegante, sem exageros. Não parecia uma fantasia. Parecia uma armadura.

Respirei fundo e empurrei a porta.

Um pequeno sino anunciou a minha entrada.

O ambiente era inesperadamente acolhedor. A luz era suave, havia música baixa e um discreto aroma a baunilha misturado com couro novo. Nada era vulgar. Pelo contrário, tudo parecia pensado para que as pessoas se sentissem confortáveis.

— Boa tarde.

Levantei os olhos.

Atrás do balcão estava uma mulher de sorriso tranquilo. Não tentou vender-me nada. Apenas esperou que eu explorasse a loja ao meu ritmo.

Foi isso que me fez ficar.

Passei lentamente pelas prateleiras. Livros. Máscaras. Luvas. Corsets. Cada objeto parecia contar uma história diferente.

Sem dar por isso, parei novamente diante do corset da montra.

— Pode experimentá-lo, se quiser.

Olhei para a funcionária, surpreendida.

— Acho que sim...

Ela conduziu-me até ao provador e deixou a caixa sobre um banco.

— Não tenha pressa.

Fechou a cortina e saiu.

Fiquei sozinha.

Quando vesti o corset, senti algo difícil de explicar.

Não era apenas a forma como moldava o meu corpo.

Era a forma como mudava a minha postura.

Endireitei as costas.

Levantei o queixo.

Olhei para o espelho.

A mulher refletida à minha frente era eu.

Mas parecia diferente.

Mais segura.

Mais firme.

Mais consciente da presença que ocupava no espaço.

Sorri pela primeira vez.

Não porque me achasse mais bonita.

Sorri porque, durante alguns segundos, senti que deixara de pedir licença para existir.

A voz da funcionária ouviu-se do outro lado da cortina.

— Como se sente?

Olhei novamente para o espelho antes de responder.

— Diferente.

Ela sorriu.

— Às vezes basta encontrarmos a peça certa.

Saí do provador já com o casaco vestido, mas trazia a caixa do corset debaixo do braço.

Enquanto pagava, a funcionária disse apenas:

— Espero voltar a vê-la.

Sorri.

— Acho que vai.

Quando saí para a rua, percebi que nada à minha volta tinha mudado.

As pessoas continuavam a caminhar apressadas.

Os carros continuavam a passar.

O céu tinha exatamente a mesma cor.

Quem mudara era eu.

E, pela primeira vez em muitos anos, tive a sensação de que a minha verdadeira história estava apenas a começar.

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Comentários

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Kamilla, Lady Kamilla, Mistress... seu português correto, e com palavras em português original, (montra no Brasil é vitrine) indica sua origem. Muito interessante esse seu começo. Não é tão erótico quanto poderia ser e estamos acostumados aqui, pois percebo que está iniciando esse processo de "revelação" de suas "transformações", mas, eu gostei da forma como contou sobre a loja, sem muitos detalhes. E como traduziu as sensações de mudança, de forma delicada e sutil. Fiquei imaginando os pensamentos que passaram por sua cabeça na hora, e você não nos contou. Acho que seria muito provocante ao leitor, saber o que essa mulher pós 40 anos, (hoje é ainda uma jovem mulher) está ainda guardando em seu mais secreto baú de fantasias e desejos. Vou acompanhar com prazer. Gostei.

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Leon, muito obrigada pelo tempo que dedicaste a ler e a comentar com tanta atenção. 😊 Sim, escrevo em português de Portugal, por isso algumas palavras acabam por denunciar a minha origem. Fico contente por teres percebido exatamente a intenção deste primeiro capítulo: não queria começar pela parte mais erótica, mas pela transformação interior da personagem. Talvez tenhas razão... ela guardou demasiado para si. Quem sabe os próximos capítulos não abrem, pouco a pouco, esse "baú" de fantasias que referiste. Obrigada pelo incentivo e espero continuar a merecer a tua leitura.

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Kamilla, quem conhece mais um pouco da alma feminina, sabe que o baú de emoções, fantasias e desejos, guardado a sete chaves dentro de sua alma geralmente reprimida, por uma sociedade machista, moralista e preconceituosa, é enorme e repleto de segredos, que quando colocados à luz da realidade, podem se incendiar, e provocar grandes transformações. Sei que basta destrancar, um virar a chave, e muitas vezes, é algo inesperado e simples, como se ver ao espalho, vestida com um corset. O espírito se incendeia. O que eu quis dizer, é que se fizesse uma simples menção das poucas mas eróticas sensações repentinamente despertas, e esta primeira parte ganharia um grande impulso. Mas está ótima. Gostei. É bom poder ler um texto em bom e genuíno português original. Não demore.

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Leon, confesso que gostei muito da tua leitura, porque foste além da história e entraste na cabeça da personagem. Foi exatamente isso que tentei construir: mostrar que uma transformação destas começa muito antes de qualquer ação, começa quando algo desperta dentro de nós. Tens razão numa coisa: talvez ela ainda tenha guardado demasiado para si. E isso fez-me pensar. Quem sabe os próximos capítulos não deixem o leitor entrar um pouco mais nesse "baú" de emoções que referiste. Obrigada pela sensibilidade da tua análise e pelo incentivo. Vou continuar a escrever com esse desafio em mente.

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Kamilla, são muitos séculos de trajetória, a experiência acumulada de várias vidas vividas em centenas de personagens, que me permitem tais leituras. É fundamental conhecer profundamente a mulher (se é que seja possível isso) para poder escrever sobre elas. Vivi toda a vida (que não é pouca) dedicado a essa minha paixão. Tenho certeza de que entendeu o que eu queria dizer, e vais saber pilotar essa sua história com talento e habilidade.

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Leon, acredito que a experiência faz mesmo diferença na forma como se lê uma história. 😊 Gostei muito da forma como olhaste para a minha personagem e, sobretudo, do facto de te teres focado na mulher por detrás da futura Mistress. Esse era o maior desafio deste primeiro capítulo. Ainda estou no início desta viagem como autora, por isso comentários como os teus fazem-me refletir e crescer. Espero conseguir conduzir esta história de forma a surpreender quem a acompanha, sem perder a essência da personagem. Obrigada por continuares por aí.

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Me deixoi curioso pelo que veio depois...usou a "armadura"?

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Talvez tenha usado... ou talvez tenha sido a armadura que me escolheu a mim. 😉 O próximo capítulo começa a responder a essa pergunta.

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Ual...quero acompanhar...depois da uma lidinha no meu conto...comecei com uns fetiches loucos depois dos 40 e tantos...kk

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É engraçado como, às vezes, nos descobrimos muito melhor depois dos 40. 😊 Fico muito contente por saber que vais acompanhar a história. Também vou passar pelo teu conto para conhecer essa tua viagem. Quem sabe não encontramos algumas inspirações pelo caminho?

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