Amin e Hannah, surpreendidos na garagem do shopping por um vigilante, esperavam na sala de segurança ansiosos que suas famílias viessem buscá-los.
O que seus pais fariam? Quais seriam as consequências daquele ato de amor no subsolo? Era evidente que aquilo somente seria considerado “amor” pelo casalzinho apaixonado, já que seus pais veriam a situação como algo sujo e proibido.
“Proibido” era a palavra que mais os atemorizava. Como podiam um rapaz muçulmano e uma jovem judia trairem toda a herança transmitida por gerações em suas famílias? Como podiam ignorar todo o antagonismo e o preconceito histórico entre suas religiões, entregando-se um ao outro?
A descoberta do namoro secreto entre os dois seria como um alerta urgente para seus pais, que provavelmente tomariam ações drásticas na busca para evitar uma catástrofe maior.
Youssef foi o primeiro a chegar, pois estava em seu quiosque de fragrâncias do oriente. Ele fez menção de levar Amin logo após rápidas palavras com os vigilantes, mas o rapaz insistiu para que esperassem Eitan, pai de Hannah.
Ele não desejava deixá-la ali, sofrendo os olhares de reprovação dos vigilantes, muito menos fugiria de sua responsabilidade, deixando-a explicar sozinha ao pai o que havia acontecido.
No fundo, o casalzinho sabia que não havia feito nada demais, Amin tocara com seus dedos as partes íntimas de Hannah e a garota retribuíra aquela carícia colocando seu membro na boca, não houvera nenhum contato sexual mais comprometedor – e precisavam deixar isso bem claro para minimizar o caso.
Não tardou muito e Eitan apareceu, veio tão logo terminara de atender uma cliente na joalheria e chegou afobado, sem entender bem porque havia sido convocado.
Como se Youssef e Amin não estivessem presentes, Eitan conversou com o chefe da segurança, entendeu o problema e procurou certificar-se de que o ocorrido não sairia dali. Soltou um suspiro aliviado, quando obteve a garantia de que a polícia não seria envolvida.
Contudo, quando Eitan tomou a mão de Hannah e quis sair apressuradamente, Amin levantou-se e quis interceder. Nesse momento, Eitain o encarou com os olhos em brasa, como se quisesse fulminá-lo.
– Seu Eitan, precisamos conversar, por favor.
– Conversar o quê, garoto? Vamos colocar um ponto final neste constrangimento. Hannah já sofreu demais com isso.
– Mas eu e sua filha não fizemos nada demais, digo, não foi nada tão grave. Por favor, o senhor tem que entender que…
– Eu entendo perfeitamente bem o que você estava fazendo com ela, não precisa explicar. E lhe asseguro que você nunca mais colocará suas patas sobre minha filha, seu cãozinho vira-lata.
– Calma lá, senhor Goldman, olha como fala com meu filho. Amin é um rapaz correto, criado na verdadeira fé. Se acaso cedeu ao pecado, é porque foi desencaminhado por essa pequena vadia!
– Verdadeira fé? O único deus é Jeová, e todos os demais são falsos profetas, senhor Assaf! Minha Hanna é que foi criada numa religião decente!
– Não senhor, somente o profeta Maomé tem a verdade! Já o seu deus é tão permissivo, que o resultado são meninas assanhadas como sua filha!
– Isso é um assinte! Retire já o que disse, seu muçulmano herege!
– Retire você, seu judeu infiel!
A coisa azedou de vez. Apesar da postura reflexiva e comedida que os dois costumavam ter, Youssef e Etain perderam completamente o juízo e quase saíram no braço dentro da sala de segurança. Se não chegaram a tanto, foi somente porque os vigilantes interviram.
Vendo aquela atitude tão pouco comum de seus pais, Hannah e Amin se deram as mãos e tentaram reagir, colocando-se entre eles. A possibilidade de que pudessem ficar juntos, se já era algo um tanto difícil de ser aceita por suas famílias, agora ia se tornando inviável, e precisavam tentar alguma coisa.
– Vocês dois, por favor, se acalmem! Não faz sentido brigar por isso, se o que aconteceu entre nós não foi nenhum crime! Vocês precisam entender que hoje em dia é algo comum da juventude! – argumentou Amin, tentando apaziguá-los.
– Sim! Além do mais, nós estamos apaixonados e vamos ficar juntos! – Complementou Hannah, batendo os pés.
– Juntos? Hannah, só passando por cima do meu cadáver no chão da sinagoga você se uniria a um muçulmano! Eu te deserdo, se você insistir!– gritou Eitan, possesso.
– Amin, cale-se! Já basta! Jamais deixaria que você se condene a ser expulso da mesquita para o inferno, juntando-se com essa judia! – berrou Youssef aterrorizado.
– Pai, senhor Youssef, entendam que eu e Amin nos amamos! Não procuramos esta situação, foi algo que simplesmente aconteceu!
– É, isso mesmo! Tenham certeza de que nossas intenções são sérias, queremos comprometer-nos um com o outro!
– Nunca! Amin vamos embora! Você está destinado a casar com uma boa moça muçulmana, uma mulher direita!
– Nem pensar, Hannah! Eu determino com quem você se casará, e vai ser com um verdadeiro judeu, um homem honesto!
Após o bate-boca, Amin foi puxado da sala por um Youssef muito contrariado, enquanto Hannah foi arrastada na direção contrária por um Etain enfurecido. Os dois ouviram longos sermões ao chegarem em casa, além de passarem pela vergonha de verem suas mães envolvidas no caso.
Rachel, mãe de Hannah, queria imolar-se assumindo toda a culpa. Se a filha fez aquilo que seu marido afirmava, se foi capaz de ajoelhar-se e receber na boca a semente contaminada de um herege, foi somente porque ela não soubera orientar bem a garota.
Amira, mãe de Amin, foi mais dramática ainda, jogando-se no chão e rasgando as próprias roupas enquanto chorava. Sua culpa era ainda maior, pois ela anteviu o perigo, percebeu quando Amin falou de Hannah pela primeira vez com os olhos brilhando, mas não alertou o marido, temerosa de sua ira.
Hannah passou a ser totalmente vigiada, teve seu telefone confiscado, mal podia sair de casa e, quando o fazia, era obrigatório que estivesse acompanhada por alguém da família. Sua sentença, contudo, não terminava com este castigo: seus pais agora começavam a busca por um marido para a filha, alguém de sua comunidade, um homem que fosse capaz de trazê-la de volta ao bom caminho.
Amin, a sua vez, viu-se proibido de prestar os exames para a faculdade que desejava e foi atirado numa jornada de doze horas no quiosque de fragrâncias do seu pai, após o que tinha que voltar diretamente para casa. Pior ainda, se os pais de Hannah buscavam um marido para a filha, os pais de Amin já tinham negociado uma esposa para ele e agora apressavam o casamento para encerrar de vez aquela história.
Najla, esse era o nome dela. Filha mais velha de uma extensa família que frequentava outra mesquita, a garota já tinha vinte anos e seus pais estavam loucos para casá-la, de forma que viram como um presente do profeta o desejo dos pais de Amin em uní-los o quanto antes.
Apesar de que Amin nem conhecesse sua futura noiva, a cerimônia foi marcada para dali há poucos meses.
Duas semanas correram desde o trágico dia da garagem. Amin ainda não se conformara com o rumo das coisas, parecia um condenado trabalhando no quiosque, passava o tempo inteiro pensando em Hannah e atendia os clientes com extrema rudeza, como se quisesse decepar suas cabeças.
Tudo parecia terminantemente perdido, mas, ainda assim, os dois custavam à render-se àquela realidade cruel imposta pelos pais.
Uma noite, Amin estava resignado fechando o mostrador dos perfumes para encerrar seu expediente, quando alguém se aproximou para entregar-lhe um bilhete.
Supostamente, Hannah o estava convidando para ir até a joalheria, mas aquilo bem podia ser uma armadilha de Etain, procurando vingança. Amin nunca esquecera o olhar fulminante do pai da namorada quando se afastaram na ocasião da sala de segurança. Isso o fez duvidar, e passou algum tempo decidindo se acreditava no bilhete ou não.
Ao final, concluiu que somente a possibilidade de rever Hannah já era suficiente para que se dirigisse até lá, mesmo correndo riscos. Com o coração acelerado, o rapaz fechou o quiosque e saiu rapidamente.
Como ela mesma já havia afirmado, “o proibido é mais gostoso”, e suas famílias insistindo cegamente em separá-los somente reforçava o desejo de estarem juntos.
A joalheria já estava fechada àquela hora. Reticente, Amin bateu na grade lateral, ao que uma porta de vidro se abriu e lá estava ela, em carne e osso: Hannah. Com um sorriso no rosto, a ruiva abriu a grade e puxou Amin furtivamente para dentro do estabelecimento.
O rapaz nunca estivera ali. No salão, uma miríade de pequenos brilhos cintilavam nos mostradores como vagalumes congelados na penumbra de uma floresta. Eram as pedras preciosas incrustadas nas jóias que refletiam as luzes lá fora, criando um ambiente mágico para seu reencontro.
Qualquer outra pessoa teria ficado fascinada com aquilo e Amin não era diferente, mas dentre tantas jóias, uma em especial capturava sua atenção: uma preciosidade ruiva de olhos azuis chamada Hannah.
A primeira coisa que fizeram, antes mesmo de dizerem qualquer palavra, foi trocar um longo e ansioso beijo, abraçados em meio a tanto brilho.
– Hannah! Pelo profeta, eu já estava enlouquecendo sem te ver!
– Nem me fale, levo dias ansiosa, presa dentro de casa, até que meu pai teve um contratempo e me pediu para vir fechar a loja. Não podia perder essa oportunidade pra te encontrar!
– Está difícil, né? Meus pais me controlam o tempo todo depois do que ocorreu.
– Os meus então nem se fala, sinto-me uma prisioneira, nem telefone mais eu tenho! E o pior não é isso. Acredita que eles estão buscando um noivo pra mim?
– Acredito sim. Meus pais querem me casar com uma fulana que nem conheço, eles acertaram tudo contra minha vontade!
– Ah não… E você vai mesmo se casar?
Um silêncio incômodo se estabeleceu. Amin não sabia o que responder, consciente de que suas palavras agora determinariam tudo o que viesse ou não a acontecer entre eles. O que o rapaz tinha em mente era louco, era descabido, mas era a única solução que ele enxergava para o problema.
– Eu não quero me casar com outra, Hannah. Quero você. Só você!
– Então não casa! Diz que não e pronto!
– Não é tão simples. Eu seria expulso de casa se quebrasse o compromisso que meus pais assumiram. Ainda assim, eu o faria se pudesse ter você.
– O que nos leva ao outro lado da questão: meus pais estão irredutíveis. Eles jamais aceitariam que nos uníssemos!
– Eu sei. Por isso é que a solução seria fugirmos. A gente se casa escondido e eles não vão poder fazer nada. Com o tempo, algum dia terão que nos aceitar!
– Fugir juntos? Mas eu seria expulsa da sinagoga se me casasse com um… muçulmano. Digo, por mais que você não se pareça como os demais muçulmanos!
– É. Assim como eu teria que deixar de ir à mesquita. Esse é o preço a pagar.
– Não sei se você entende. Não é só a sinagoga. Meu círculo de amigos, minha família, minha comunidade… Todos virariam as costas para mim. E isso é a minha vida, é tudo o que conheço!
– Para mim também. Minha família nunca aceitaria que eu fosse casado com uma garota… judia. Mesmo que você não seja uma judia tradicional, eles rejeitariam a nós dois.
O casal estava num impasse. Por mais que se quisessem, era muito difícil deixar a vida que conheciam para trás. Principalmente suas famílias, que os moldaram e dirigiram até ali.
Além disso, o preconceito entre eles aparecia pela primeira vez e causava um certo desconforto, com Amin considerando que Hannah não era uma judia “tradicional” e a garota achando que ele era um muçulmano “diferente” – quando na verdade para os dois era vital que fossem consierados o verdadeiro esteriótipo de suas religiões.
– Amin, só tem uma maneira de que isso funcione. Você tem que virar judeu.
– Eu? Um judeu?
– Sim, não é complicado. Você estudaria a Torá, até saber recitá-la inteirinha em iídiche. Eu te ajudo. Depois é só evitar fazer qualquer atividade aos sábados e cuidar para comer só comida kosher. Ah, e tem a circuncisão também…
– Porra Hannah, circuncisão? Sério mesmo? E se ao invés disso você adotasse a minha fé?
– Amin, não acredito que você só prestou atenção no lance da circuncisão! Além do mais… Como vou virar uma muçulmana?
– É mais fácil que virar judeu. Basta que pronuncie a Shahada em árabe, mas é curinha. É claro que depois tem que manter as cinco orações todos os dias, jurar total obediência ao seu marido e doar parte de nossos bens aos necessitados regularmente.
– Como é? Vocês doam os seus bens regularmente? Mas então como é possível acumular alguma riqueza?
– Hannah, agora quem não acredita sou eu. Sério que você só se ligou nisso da grana?
As diferenças entre eles se faziam cada vez mais evidentes, e não era apenas porque tinham religiões distintas. Suas crenças transcendiam aspectos espirituais e moldavam o estilo de vida tanto de Amin como de Hannah.
Ser muçulmano ou ser judia, não era apenas uma escolha de fé, era toda uma maneira de viver enraizada neles que os fazia antagônicos até no que mais valorizavam. Parecia irreconciliável.
Então era disso que seus pais falavam, era isso o que viam, essa impossibilidade. É certo que eles eram movidos por outro motivo, por puro preconceito, mas de alguma maneira inexorável, pareciam ter razão. E doía fundo em Amin e Hannah constar isso.
– Isso nunca vai funcionar, nem para mim, nem para você – murmurou Amin desconsolado.
– É, não é somente que sejamos proibidos um para o outro. É mais profundo que isso… somos opostos.
– Totalmente incompatíveis. Eu jamais viveria como você, e você nunca seria feliz vivendo como eu. Nosso amor não resistiria. Eu não me perdoaria por condená-la a uma vida triste..
– Sim, esse amor se extinguiria, sufocado em queixas e reclamações cotidianas, as pequenas coisas de um que parecem um pecado mortal para o outro – completou Hannah, com os olhos mareados, já antecipando uma despedida.
– Isso mesmo. Não adianta insistir. Só nos faria sofrer, os dois. Apesar de que eu te queira tanto e nem saiba o porquê.
– E de que eu te deseje tanto, mesmo nós sendo tão diferentes.
– Então é isso. O fim. Posso ao menos te dar um beijo de despedida, pra lembrar de você para sempre? – Ele perguntou com ar consternado, dando um passo à frente e segurando as mãos de Hannah.
– É claro, bobo. Também quero ter esse momento gravado na minha boca, não só na minha memória – ela respondeu com um sorriso contido para Amin, limpando as lágrimas que agora começavam a descer dos olhos.
No momento em que seus lábios se encostaram e as línguas sentiram uma à outra, foi como se o abismo aberto entre os dois os tragasse. Estavam caindo, despencando, mas felizes por estarem juntos, possuindo um ao outro no abraço que se seguiu, com suas mãos envolvendo seus corpos e sentindo o calor humano que os conectava com uma intensidade que desconheciam.
Em meio ao leito de estrelas cintilando no espaço profundo formado pelo brilho das jóias, Amin e Hannah estavam tão imersos um no outro que nem perceberam quando se deitaram no carpete, retirando as roupas enquanto seguiam beijando-se.
Não haviam mais considerações nem reservas, agora tudo era emoção sensorial, os toques, e texturas de suas peles, os corpos entrelaçados, a exploração de suas partes antes proibidas, o membro de Amin pulsando entre as mãos de Hannah, a intimidade de Hannah recebendo os dedos de Amin, o desejo em sua forma mais pura e selvagem avançando sobre eles, dominando-os, fazendo-os renderem-se ante o clamor da carne.
Hannah sentiu pontadas agudas de prazer que a faziam gemer e implorar a Amin que a tivesse, sem nem dar-se conta de que o fazia, como algo vindo de seu corpo, não de sua mente.
Amin sequer escutava as súplicas inconsequentes de Hannah, de tão perdido que estava ao tê-la logo abaixo de si, apertando sua carne, puxando-a para junto, retendo-a pela cintura e posicionando-se entre suas pernas brancas e macias, já com o membro roçando-lhe o emaranhado de pêlos avermelhados.
Não era possível determinar se Amin consumia a Hannah, ou se Hanna era quem comia Amin, dada a entrega daquele encontro recheado de brilhos, sussurros e gemidos lânguidos.
Ele percebeu o olhar tenso de Hanna quando introduziu o membro entre suas pernas, sua respiração suspensa, as pérolas de seus olhos se arregalando, até que um gemido fino escapava por entre seus lábios finos, enquanto Amin avançava tomando posse de suas entranhas.
Já Hannah não conseguia ignorar a força do desejo de Amin se manifestando entre suas pernas, exigindo que se entregasse por inteiro, não deixando-lhe outra alternativa que receber suas investidas, rendida aos golpes que vinham acompanhados de ondas intensas percorrendo seu corpo, seu ser, sua alma, cada pedacinho dela.
Ali, durante o coito, os dois se transformaram em algo diferente. Já não eram um muçulmano e uma judia, não mais um casal proibido um para o outro, nem tampouco dois jovens descobrindo a avidez do sexo, eram somente como dois animais, seres sem consciência, sem razão, deixados à mercê um do outro, sem vontade própria, só desejo.
O membro rígido de Amin não descansava, ver Hannah se contorcendo a sentir suas unhas cravadas em seus braços era provocante e o fazia seguir sem pensar, não avaliando nenhuma consequência, somente estocando cada vez mais profundo, vencendo a resistência que o mantinha ainda meio afora, até conseguir se instalar por inteiro num prazer absoluto.
Já para Hannah, perder a virgindade nem fora algo que ela cogitara, mas a entregou sem questionamento. Neste momento, viu-se completa, inteira, desejando que Amin nunca mais se retirasse de entre suas coxas, as quais chegavam a tremer de intensidade naquele prazer inédito e ilimitado do qual desfrutava, o prazer de ser tomada com vontade pelo amor de sua vida.
Enquanto as luzes do shopping se apagavam lá fora e o brilho das pedras preciosas deixava progressivamente de existir, Amin sentiu aquele ímpeto incontrolável e urrou em desespero, jorrando adentro de Hannah e sabendo que aquele era o verdadeiro fim da história entre eles.
Já Hannah, ao sentir a semente de Amin quente e escorregadia inundando suas entranhas, não conseguiu mais segurar as convulsões que a cercavam e deixou-se vir num gozo poderoso, quase avassalador, enquanto seguia gemendo e se contorcendo entre os braços de seu homem, ainda que fosse pela primeira e última vez.
O casal jazia nú, deitado no carpete da loja, extenuado, com o coração ainda em disparada após sua primeira experiência sexual, quando sem mais aviso a portinha lateral se abriu. Era Etain, que viera até lá conferir se Hannah havia fechado tudo conforme ele esperava.
O pai de Hannah os surpreendeu, e nem precisou de maiores explicações para entender o que havia acabado de ocorrer. Sua filha estava perdida, aquele cão herege a tinha conspurcado, se aproveitado de sua ingenuidade e lhe roubado a preciosa inocência que sua filha tinha entre as pernas.
Contudo, Etain não pronunciou uma palavra, nem um grito de espanto sequer. Silenciosamente, retrocedeu e voltou a trancar a porta. Quando o casalzinho saiu de mãos dadas do local, ainda sorrindo e perdidos um pelo outro, Tanto Etain quanto Youssef os esperavam do lado de fora.
A prostação de Etain por haver visto o que sua filha havia sofrido nas garras de Amin era tanta que ele mal conseguia reagir. Por isso havia chamado Yousef. Primeiro desejou matar o rapaz, esganá-lo com suas próprias mãos. Depois, tremendo por sua própria sanidade e pelas consequências do que estava por fazer, entendeu que era melhor invocar o pai de Amin e evitar uma desgraça maior. E agora, quando os jovens finalmente apareceram, seu estado era de depressão profunda.
Já Youssef parecia haver comido carvão em brasa, seus olhos estavam vermelhos e injetados, sua respiração pesada e as veias de seu pescoço saltadas. Mal os viu sair da loja, se adiantou em passos lagos, estendeu um braço e sua mão foi diretamente ao pescoço do proprio filho, como se fosse estrangulá-lo.
– Como pôde, Amin? Como pôde desgraçar nossa família? Como me desonrou assim?
– Pa.. .pai… espera…
– Esperar? Porque? Você não foi capaz de esperar sequer um mês… em Poucas semanas, e você estaria casado! Casado com uma boa mulher muçulmana!
– Seu Youssef, espere, você está machucando o Amin! O que houve… foi consensual, eu também quis!
– De você eu não espero nada, sua judiazinha sem-vergonha! Vá lá com seu pai, vá cuidar dele, que o homem está destruído! – berrou no shopping vazio, enquanto apertava ainda mais o pescoço do filho.
– Pai, por favor, ajude o Amin! O pai dele vai matá-lo!
– Antes ele do que eu. Se o matar, está em seu direito, e eu vou adorar. Ao menos assim teria um ressarcimento pelo que o filho dele fez com você! – Respondeu Etain, retendo Hannah para que ela não interviesse por sua própria conta.
Os caminhos da curta vida de Hannah e Amin estavam prestes a separar-se de uma maneira trágica, na solidão de um shopping deserto à noite, pelas mãos de seus próprios pais. E esse agora seria seu fim, não separar-se, nem permanecerem juntos, mas sofrer com um ponto final tão determinante que nenhum dos dois teria jamais condições de reverter.
Ou ao menos, isso era o que parecia…
(CONTINUA)
