— Verão de 84? Não foi o primeiro ano que nossos pais começaram a vir pra cá? — perguntou o Jorge.
— Foi — eu disse. — Foi quando meu pai construiu isso aqui.
— E aí! O que vocês tão fazendo? — perguntaram o Eduardo e a Marina, entrando.
— Vem ver — o Jorge chamou. Os dois se amontoaram. A Marina bem atrás de mim, pressionando o corpo no meu. Eu sentia o peito dela roçando minhas costas.
A Jana virou a página. Tinha quatro fotos. Várias pessoas em todas elas. Algumas incluíam meu pai, minha mãe, a tia Clara, o tio Josias e alguns outros que eu nunca tinha visto. Parecia uma festa normal. Gente bebendo, gente dançando. A Jana virou a próxima página.
Mais fotos de gente dançando. Algumas pessoas no sofá pareciam desmaiadas. Tinha uma foto da mesa que segurava a bebida.
— Caralho! Olha esse tanto de bebida. Isso sim é festa! — exclamou o Eduardo.
A Jana virou a página. As próximas quatro já estavam ficando mais picantes. Gente se apalpando. Uma tinha a tia Clara sem camisa, segurando o sutiã, e três caras diferentes agarrando a bunda dela.
— Essa é a minha mãe, senhoras e senhores — disse a Marina bem perto do meu ouvido. Eu sentia o hálito dela a cada palavra.
A Jana virou a página. Aí um suspiro saiu de todo mundo. Os casais dançando na pista estavam bem pesados. Uma mulher tinha o pau do parceiro pra fora e tava batendo pra ele abertamente. Outra tinha duas mulheres no sofá puxando a saia pra cima, revelando as bucetas, uma raspada e a outra não. A próxima foto tinha a tia Clara completamente nua em cima de uma mesa, sendo chupada por uma mulher de lenço no cabelo, mas dando pra ver um pouco do cabelo escuro fugindo. A última daquela página tinha o tio Josias largado no chão com o pau dele exposto. Não tava duro, parecia ser alguma foto logo após gozar, mas ainda assim era bem impressionante.
— Talvez a gente não devesse ver mais — gaguejou a Jana, começando a fechar o álbum.
— NÃO! — veio do resto de nós em uníssono, e continuamos a invasão.
A próxima página me deu um choque. Lá estava minha mãe, nua da cintura pra baixo, esfregando o pau do tio Josias na buceta dela. Demorei um segundo, mas notei o lenço no pescoço. Ela tinha sido a que chupou a tia Clara. Não falei nada, mas a mente tava a mil.
De repente fiquei consciente de novo dos peitos da Marina. Juro que sentia os mamilos furando minhas costas. Isso com a descoberta das fotos fez meu pau ficar rígido na hora.
A próxima foto tinha a tia Clara na mesa sendo fodida pelo meu pai enquanto ela chupava um cara e batia pra outro. Tinha uma coisa branca no peito dela, e não precisa ser gênio pra saber o que era.
A gente tava hipnotizado, respirando no mesmo ritmo. Meu pau quase rasgando a calça. Enquanto isso, a Jana continuava virando as páginas.
Na próxima, algumas mulheres no sofá na famosa posição de 69. Depois um casal fodendo de quatro na pista de dança, depois todas as mulheres alinhadas chupando os homens, depois os homens chupando as mulheres, seguido de foto atrás de foto de troca de parceiros. Não havia nada explicitamente entre os homens, mas entre as mulheres tudo parecia liberado e acho que vi todos os homens interagirem com todas as mulheres ali. A última foto era a tia Clara e minha mãe lambendo porra dos peitos uma da outra. A Jana fechou o álbum devagar.
— Não acredito no que eu acabei de ver — disse o Jorge. O rosto um pouco vermelho. A calça marcada.
— Bem selvagem, né... Quem diria que eles seriam tão safados. — disse a Sara. Ela tava claramente orgulhosa de si mesma, encostada na parede. Era bem óbvio quando ela olhava pras virilhas dos caras ali naquela sala pra ver a reação que as fotos provocavam. Depois virou e saiu sorrindo.
Todos ficaram meio abalados, meio sem palavras para reagir com o que estava acontecendo, então aos poucos fomos dispersando, ainda meio em choque e excitados com o que acabamos de ver.
Cerca de uma hora depois, eu tava no porão tentando consertar o aquecedor. Ouvi passos atrás de mim e virei pra ver a Sara. Ela tinha aquele olhar de novo.
— Eu estive pensando — ela começou.
— É mesmo?
— Estive pensando naquela conversa que a gente teve outro dia. Queria te falar o que eu acho. — Deu um passo à frente.
Virei de volta pro aquecedor.
— E o que é?
— Bem… no começo eu achei um pouco estranho. Quer dizer, pelo menos eu acho que achei. Não tenho tanta certeza.
Isso pode demorar.
— Mas depois eu comecei a perceber que eu sempre gosto de experimentar coisas novas, sabe?
Peguei uma chave inglesa e comecei a soltar um parafuso.
— Eu nunca tinha parado pra pensar nisso até a semana passada. Como seria? Aposto que seria quente. Bem selvagem. Especialmente porque todo mundo diz que não se deve fazer. Mas quantas minas realmente têm a chance de foder o próprio irmão…
A chave caiu. Até esse momento, nenhum de nós tinha falado isso de verdade. Só ficava dando volta. Mas ela acabou de falar. Ouvi ela dar mais um passo pra perto.
— Você me pediu pra considerar tudo. Eu considerei. Confia, eu considerei. Acordei no meio da noite e tive que considerar de novo e de novo até eu me considerar dormindo…
Entendi o recado.
— Com você bem ali, foi fácil imaginar o que você diria…
Senti que quase tinha terminado o aquecedor. Só precisava encaixar esse último fio.
— Eu fiz isso, e quero que você saiba que, aconteça o que acontecer, eu tô de boa com isso. Já me preparei pra tudo que possa acontecer. Seja o melhor ou o pior. Então agora depende de você…
Ela deixou a última palavra pairando no ar enquanto saía.
Fechei a caixa de controle e girei o botão. Teve um clique, um zumbido e um grito de comemoração lá de cima. Mesmo ainda frio lá embaixo, limpei o suor da testa.
Pra comemorar o retorno do nosso bendito aquecedor, decidimos fazer um churrasco “estilo praia” mesmo que o clima fora da casa não fosse dos melhores. O que isso significava na prática era se vestir como se fosse pra praia (sunga, biquíni e shorts), acender a churrasqueira na varanda e deixar o aquecedor da casa no máximo para dar a sensação do calor que a chuva não trazia.
O Eduardo assumiu o posto de chef. Jogou as carnes e as linguiças na grelha. As minas ficaram dentro cortando legumes para um vinagrete e fatiando queijo pros lanches. Eu e o Jorge ficamos ocupados fazendo fogo e criando um estoque de caipirinha e cerveja gelada.
— Isso é foda, cara — disse o Jorge. — Estar aqui de novo. Realmente te leva de volta.
— Eu sei o que você quer dizer.
Ele tomou um gole da caipirinha enquanto eu fazia o fogo pegar.
— Pronto — falei depois de olhar pro meu feito. — Tô me sentindo pronto pra ser abandonado numa ilha com nada além de uma bola de vôlei e um sorriso.
Ele riu.
— E aí, faz quanto tempo que você e a Jana tão juntos? — perguntei.
— Uns oito meses.
Soltei um assobio.
— Tempo longo pra você, hein?
— É. Mas ela… caralho, mano! — Olhou por cima do ombro pra cozinha. Costa limpa. — Cara, aquela mina é uma onça quando entra no clima. As vezes penso até que ela é ninfomaníaca...
— Parece bem sério.
— Não sério de verdade. Mais tipo a gente quase não leva nada a sério
— É, isso corre no sangue da família — comentei. A mente flashou pras imagens do álbum de fotos mais cedo. Pelo olhar em branco do Jorge, a dele também. Os dois tomamos um gole grande.
O Jorge se inclinou.
— Você se importa se eu te fizer uma… pergunta esquisita? — perguntou quase em voz baixa.
— Manda — respondi.
— Tem um clima… estranho no ar? Pode ser só eu. Mas… você sabe o que eu quero dizer?
Respirei fundo.
— Sei. É tudo novo pra mim, mas…
A Marina entrou balançando na sala.
— E aí, gente, janta pronta!
Eu e o Jorge nos levantamos e trocamos um olhar que só podia ser lido como “boa sorte”.
O jantar foi ótimo. Comemos os lanches mais bagunçados possíveis. Acabamos com jarra atrás de jarra de caipirinha. Todo mundo tava se sentindo bem. E o que a gente fez? Dançou!
A Sara conectou o celular na caixa Bluetooth da sala — playlists que ela tinha baixado antes de a gente perder o sinal — e colocou um mix de funk, pop e umas faixas mais antigas. A gente tava pulando e se jogando. Basicamente, fez o sangue de todo mundo circular.
Em certo momento, eu só precisei sentar e absorver tudo. A Jana dançava com uma camisa de colarinho aberta, revelando o top de biquíni amarelo. Embaixo, a calcinha do biquíni mal aparecia por baixo do jeans rasgado. Não consegui deixar de olhar pra ela de outro jeito depois da informação que o Jorge me deu.
Varrendo a sala de novo, meus olhos caíram na Marina pela enésima vez naquele dia. Ela tava de regata preta que mal cobria o sutiã esportivo cinza por baixo. Quando os olhos desceram, pararam no short de corrida curto e justo. Prata com uma faixa azul nas laterais. Meu Deus, era magnífico.
E aí tinha a Sara. Se contorcendo e conversando com o Eduardo, só de top de biquíni e calça de moletom. A tatuagem dela tava escapando dos dois lados da barriga, o que eu notei que os caras também viram.
Não demorou pra Jana e Marina perceberem que eu tava sentado. As duas correram e me arrastaram de volta pra nossa pista de dança improvisada. Fiquei preso entre as duas enquanto os corpos se moviam no ritmo da música. Em certo momento senti alguém apertar minha bunda, mas com todo mundo amontoado, não dava pra saber quem. As duas pareciam culpadas.
— E se a gente jogar um jogo? — veio da Jana.
— Parece divertido. Ainda falta terminar o de ontem à noite — eu disse, olhando pra Marina. Ela ergueu uma sobrancelha com um sorriso.
— Que tal Twister? — veio da Sara, puxando o jogo da “Caixa da Clara”.
— Ah, vocês tão tão fodidos — veio da Jana.
Ah, sim… um desafio.
— A gente não tá um pouco velho pra… — o Jorge começou.
— Cala a boca! — a Marina explodiu. — Eu tô me sentindo um pouco mandona agora, então eu digo que a gente joga.
Então tiramos os móveis da sala e armamos o tapete. Todo mundo tirou o sapato. Por causa do número de pessoas e do número que cabe no jogo, duas pessoas ficavam de fora. Um girava. Um reserva. E quatro jogadores. Como a gente queria que todo mundo jogasse, montamos um rodízio.
A primeira pessoa que caísse saía. Todo mundo mantinha a posição. O “reserva” entrava como novo jogador começando do zero enquanto os outros já estavam enroscados. O antigo “girador” virava o “reserva”. Quem tinha acabado de cair virava o “girador”. Assim criamos o jogo infinito de Twister.
Primeiros no campo: Eduardo, Jana, Marina e Sara. Jorge girava, eu era o reserva. A gente ia um de cada vez.
O Jorge girou. — Eduardo, pé direito no amarelo…
Não demorou pra o nó se formar. A Sara tava mais embaixo, com uma mão em cada vermelho, um pé no amarelo e outro no verde. Pairando sobre a perna dela tava a Jana, que tinha as mãos e pernas forçando-a a fazer um arco por cima da Sara. A Marina parecia bem confortável ao lado da Sara, com dois pés e uma mão no azul e a outra mão no vermelho. Isso a mantinha numa posição quase de sapo. O Eduardo, por sorte, só tinha trocado os pés entre amarelo e verde. Agora os dois tavam no amarelo. Mas era a vez dele de novo.
O Jorge girou.
— Eduardo, pé esquerdo no verde.
A Sara não aguentou:
— Você tá de sacanagem comigo?
— Não tô! Olha — ele ergueu o disco. — Vê? Pé esquerdo no verde.
Ele moveu o pé esquerdo pro verde. Quando fez isso, abriu minha linha de visão pra Marina. A posição em que ela tava esticava o short bem apertado. Tão apertado que eu via o contorno da calcinha moldando a buceta.
O Jorge girou de novo.
— Jana… pé esquerdo no vermelho.
A Jana olhou pro ponto mais perto. Infelizmente ela teria que se esticar por cima da Sara. Devagar levantou a perna.
Eu e o Jorge assistimos enquanto ela esticava a perna pra cima, numa posição que parecia uma abertura no meio do ar.
O Jorge sussurrou pra mim:
— Ela sempre praticou ginástica.
Com cuidado e sem esforço, ela pousou a perna perto da cabeça da Sara. Quando fez isso, a Sara olhou pra cima, de baixo, entre as pernas dela.
— Sara, eu acredito que você é a primeira mulher a ter essa visão tão de perto.
A única resposta da Sara:
— Tô honrada.
O Jorge girou.
— Sara, vamos ver… mão esquerda no azul.
A Sara olhou pra baixo e começou a esticar o braço. Quando fez isso, ergueu a bunda e colocou ela bem entre as pernas abertas da Jana. Colocando as bucetas juntas. A Jana ofegou primeiro. A Sara só olhou pra trás e piscou.
Depois a vez da Marina. Ela teve que esticar a mão direita pro amarelo. O único disponível era bem na frente dela. Pegou sem esforço.
Aí veio o momento que a gente esperava.
— AH-HAH!!! EDUARDO, MÃO ESQUERDA NO AMARELO!!
O único disponível ficava debaixo da dupla enroscada de Sara e Jana. Mesmo assim ele tentou alcançar e caiu. Quando caiu, esbarrou na Jana, que por sua vez aplicou um pouco mais de pressão na Sara. Pra não cair, a Sara empurrou de volta. Aparentemente a situação delas começou a ter efeito.
Mas agora era a minha vez de entrar no jogo.
Não demorou pra eu me enroscar também. Logo me vi com a Marina bem embaixo de mim. Eu arqueado por cima dela, a Jana se esticando atrás de mim e a Sara de boa do lado. Aí a Marina teve que mover um pé.
— Marina, pé direito no verde.
Ela olhou pra trás e viu um espaço bem ao lado do meu direito. Deu um passo pra trás e encaixou a bunda na minha virilha pra chegar lá. Meu Deus, encaixou perfeito. Eu sentia o pau endurecendo. Com a nossa posição, a Marina também sentia. Ela só mantinha uma pressão leve. De vez em quando eu a sentia mudar o peso pra esfregar pra cima e pra baixo. Porra, eu queria que isso durasse. Mas não durou.
Com o tempo as pessoas entravam e saíam do grupo. A gente continuava se encontrando nessas posições. Corpos pressionando uns nos outros. Enroscados de jeitos que só se sonha. Em certo momento eu me vi forçando o corpo pra não tocar o chão, de bruços, esticando um pé e uma mão fora da minha visão. O Jorge tava embaixo de mim de um jeito que eu não conseguia entender. A Marina misturada com ele e uma das pernas enrolada na minha. À minha direita, a Sara; e era a vez dela.
— Sara — a Jana chamou. — Pé esquerdo no vermelho.
A Sara olhou por baixo de mim, depois por cima. Quando olhou pra mim, eu vi a luz nos olhos dela de novo. Levantou a perna e começou a passar por cima do meu corpo, colocando a bunda aberta bem no meu queixo. No processo, teve que inclinar o rosto diretamente sobre a minha virilha. A posição era tão esquisita que ela teve que apoiar o peso em mim. Eu conseguia imaginar o hálito dela bem acima da minha virilha. Os lábios a centímetros do meu pau latejando. Meus lábios a centímetros do segredo mais escondido dela. Consegui detectar o cheiro mais leve. Quando olhei pra baixo, vi uma mancha mais escura onde eu sabia que a buceta dela tava pressionando a calça o bastante pra revelar que talvez ela não estivesse de calcinha.
Quando o pé dela se encaixou no lugar, ela gemeu com o esforço da posição. Devagar começou a apoiar mais peso em mim. Eu resistia, mas não aguentei por muito tempo. Os músculos tensionados naquela posição desconfortável até que, finalmente, a gente caiu. Todos juntos, num monte de carne.
A queda fez a Sara deslizar pra trás e pousar a buceta direto na minha boca. Meus olhos arregalaram de surpresa e juro que consegui sentir o gosto dela através do tecido. Pra minha própria surpresa, a língua saiu e passou pela barreira. Um gemido baixo escapou dos lábios dela, escondido pelos gemidos de baixo.
De repente me dei conta do que tava acontecendo. Rolei a Sara pra fora e me levantei pra tentar ajudar a dupla presa. O que eu não sabia era que, quando caí, fiz a Marina cair em cima do irmão de um jeito que prendeu a mão dele no peito dela. Só se descobriu quando a Marina começou a se levantar e a mão do Jorge, inconscientemente, ficou. A Marina encarou a mão dele nela enquanto o Jorge de repente voltou à realidade. Rapidamente ele puxou a mão enquanto todo mundo olhava.
— Meu Deus! Desculpa, Marina. Eu não quis, juro! — ele gaguejou.
A Marina só piscou. — Tá… tá tudo bem. De verdade.
Ficou um clima estranho no ar. Ninguém sabia exatamente o que dizer.
— Bem… eu topava outra bebida. Alguém topa? — comecei.
Na hora veio uma resposta aprovadora de todo mundo. Fui pra cozinha, preparei um mix bem forte, coloquei uns copos e voltei. Quando trouxe, quase engoliram de uma vez. Depois de uma coisa daquelas, não demora muito pra o clima voltar a ficar leve.
— E agora? — veio da Jana. Os olhos dela com aquele brilho meio nublado.
A Marina tomou um gole. — A gente deveria terminar o jogo de ontem à noite. Eu ainda preciso de um desafio — disse ela com um sorriso, lambendo o canudo.
— Depois disso só vai virar outro jogo de verdade — comentou o Jorge.
— Eu tenho uma ideia — veio da Sara. — Por que a gente não dá uma apimentada em outro jogo pra manter a diversão?
— O que você tem em mente? — o Eduardo arrastou as palavras. Pra um cara grande, a bebida tava pegando pesado nele.
— A gente podia jogar poker… — a Sara começou.
— Isso não é justo! Eu sou péssima em poker — gritou a Jana, tropeçando ao se levantar. Pela minha experiência, o Jorge também era.
— Então que tal “Mentira”? — ela respondeu. — Tudo que você precisa é saber blefar, ou contar.
— E onde entra o tempero? — perguntou a Marina. Ela tinha cara de quem já sabia.
— Olha, eu tava pensando… como a gente não pode jogar por dinheiro… e se a gente jogar por roupa?
Isso ficou pairando no ar. Todo mundo se olhou tentando esconder o quanto tava bêbado.
— Você tá falando sério? — perguntei. Não tenho certeza de como isso soou.
Ela deu de ombros. — Claro. Por que não? A gente é adulto, né? Achei que seria uma mudança interessante.
— Mas espera aí — começou a Jana. — Eu nunca joguei isso.
— Faz tempo pra mim também, Jana, mas acho que vou estar com você nisso — veio da Marina. — Vai, vamos tentar. — Ela olhou pro resto do grupo.
— Eu tô de boa se vocês estiverem — disse o Eduardo. Os olhos dele nem focavam direito.
— Eu topo! — gritou a Jana, que começou a rir pra caralho.
Ficamos só eu e o Jorge.
O Jorge me olhou. — A gente é adulto, né?
— Tenho quase certeza — murmurei.
— É só um jogo mesmo… eu topo.
Sobra eu. Olhei pro fundo do copo vazio. Sentia todos os olhos do grupo esperando minha resposta. Acho que tá na hora de começar a chamar uns blefes.
— Bora.
— Como é que joga exatamente? — perguntou a Jana.
— Tá. O jogo é o seguinte… — a Sara começou. — A gente distribui todas as cartas do baralho. Sem coringa. Quando todo mundo tiver a mão, vocês têm um minuto pra organizar se quiserem. Só colocar em ordem numérica. Ás até rei…
O grupo tava ligado.
— A primeira carta a ser jogada tem que ser um ás. Pra decidir quem começa, o Ás de Espadas. Essa pessoa começa e coloca a carta virada pra baixo. Pode colocar quantos ases tiver junto, mas não é obrigatório. Quando você joga uma carta, fala o que é e a quantidade. Por exemplo: se eu estiver nos três e tiver dois, eu baixo e falo “dois três”. Tão acompanhando?
A maioria já conhecia as regras, mas mesmo assim escutou e balançou a cabeça.
— Depois que o ás é jogado, quem está à esquerda joga. A carta tem que ser dois. Mesma coisa. Pode baixar quantos quiser, mas tem que anunciar. Depois vêm os três, e assim por diante até o rei. Obviamente, em algum momento você vai ter que jogar uma carta que não tem. Digamos que seja pra jogar valete e você não tem nenhum. É aí que fica bom… — Ela olhou pra gente.
— Você vai ter que ser safado nessa hora. Usa quantas cartas quiser, mas baixa qualquer outra. Um cinco, um sete, tanto faz. Você tá substituindo. Então você tem um sete e joga como se fosse valete. Coloca virado pra baixo e fala: “um valete”.
— Então você blefa? — veio da Jana.
— Isso. Você blefa. Ou tenta. É melhor torcer pra ninguém chamar.
— E se chamarem?
— Em qualquer momento, depois que uma carta ou um grupo é jogado, qualquer um pode gritar “Mentira”. Se gritar, tem que conferir as últimas cartas. Se era blefe, quem blefou leva o monte inteiro. Se era verdade, quem chamou “Mentira” leva o monte. O objetivo é ficar sem carta primeiro.
— E quando a gente… você sabe… — o Jorge gaguejou.
— Se você for pego no blefe, leva o monte e perde uma peça de roupa. Se chamar “Mentira” errado, a mesma coisa — a Sara sorriu aquele sorriso malandro. — O detalhe é o seguinte: a outra pessoa é quem tira a roupa.
Teve uma pausa curta.
— Ainda querem jogar? — ela provocou.
A gente se olhou. Um por um, cada um assentiu pra continuar.
— Espera. A pontuação fica meio injusta, uns têm mais peças que outros, não é desleal? — perguntou a Jana.
— Então vamos igualar. Todo mundo fica com quatro peças — disse a Marina.
Os caras fizeram as contas. Short ou calça, camisa e cueca. As meias contavam como a quarta. A gente já tava pronto.
As minas tiraram as meias. Todas menos a Sara. Ela ficou parada.
— Só um segundo — ela disse, pegou uma bolsa e correu pro banheiro.
— Que que é isso? — perguntou o Eduardo, virando pra mim.
Eu desconfiava, mas fiquei calado. Contando as meias, ela só tinha três peças com o top e a calça. Foi colocar mais uma.
— Todo mundo pronto? — perguntou ela quando a gente se sentou em círculo na sala.
— Mais do que eu jamais vou estar — respondeu o Jorge, sentando também. O círculo se formou. Primeiro a Sara, depois eu, depois a Marina. Ao lado da Marina o Jorge, ao lado dele a Jana, e ao lado dela o Eduardo.
Quando a gente se acomodou, a Sara tirou o baralho. Distribuiu. Por causa do número, quatro de nós pegaram nove cartas e a Jana e o Eduardo só oito. Ninguém reclamou. Deu um momento pra organizar. Nem eu nem a Sara organizamos. É um dos jeitos que a gente gosta de se preparar pra blefar se precisar. Eu e ela já jogamos isso antes, óbvio, mas nunca com essas apostas.
— Quem começa? — perguntou o Jorge.
— Quem tiver o Ás de Espadas — respondeu a Sara.
— Um ás — veio do Eduardo, baixando uma carta virada. Olhou pra gente. Quem sou eu pra chamar ele. Sem ofensa, mas vou deixar os caras blefarem à vontade.
— Dois dois — anunciou a Sara, baixando duas viradas. Olhei minha mão. Três pra mim. Eu tinha um. Podia acrescentar outra carta e ir no blefe, mas vou deixar esquentar primeiro.
— Um três — baixei a carta.
— Dois quatros — a Marina baixou duas.
O Eduardo olhou a mão. — Mentira! — gritou com um sorrisão.
— Confere você mesmo — ela rebateu.
O sorriso do Eduardo começou a murchar. Ele esticou a mão e virou as cartas. Lá estavam um quatro de paus e um quatro de ouros. As minas explodiram em vaias e gritos.
— Porra! Eu tinha dois na mão, tinha certeza que alguém tinha pelo menos um — resmungou o Eduardo.
— Agora você tem quatro. Vem, grandão! — a Sara provocou. — Tira.
— Tá, tá. Fica de calça… por enquanto. Vou só perder as meias. Marina, você faz as honras. — O rosto da Marina se contorceu em nojo brincalhão. Ela rastejou pelo chão, tirou as meias dele e jogou pra fora do círculo. O Eduardo pegou o monte.
E o jogo continuou.
— Cinco pra você, mano — a Marina disse, dando um soquinho no braço dele.
— Tenho. Um cinco. — O Jorge esticou a mão pra baixar a carta.
— Mentira! — veio da Marina.
— Porra! Que que você tá fazendo? Olhando minha mão? — gritou o Jorge. Tinha acabado de ser pego no blefe. Esticou a mão e pegou a carta de volta.
— Então, o que vai ser? — ela provocou.
— O que você acha? — o Jorge disse. A Marina esticou as mãos e pegou a cintura do short dele.
— As meias! As meias! Jesus, Marina — exclamou o Jorge.
— Tava brincando, irmãozinho — e ela tirou as meias dele.
A Jana era a próxima.
— Dois seis — da Jana.
— Um sete — do Eduardo.
— Três oitos — da Sara.
— Mentira — do Jorge.
A Sara olhou pra cima. — Pode conferir.
— Não precisa. Eu tenho dois — o Jorge respondeu.
A Sara começou a encarar ele, mas o olhar virou um sorriso. — As meias, por favor — ela pediu.
O Jorge rastejou até o centro do círculo. A Sara recostou, descruzou as pernas e as abriu um pouco, se sustentando nos cotovelos. Olhou pro Jorge enquanto ele olhava pra ela de entre as pernas dela.
— E aí? — perguntou, levantando uma perna e apontando o pé.
O Jorge esticou a mão, passou a palma pela sola do pé dela, dos dedos até o calcanhar. Tirou uma meia, depois a outra. A Sara ficou na mesma posição, inclinou a cabeça pra um lado e, com aqueles olhos grandes, encarou o Jorge. — Obrigada — quase ronronou.
Minha vez.
— Um nove — blefei.
— Dois dez — a Marina.
— Um valete — o Jorge.
— Três da— — começou a Jana, mas quando tirou as cartas, uma caiu. Todo mundo olhou e viu um nove de copas.
— MENTIRA!!! — os três caras gritaram juntos.
— Espera! Isso não é justo — se defendeu a Jana. — Escorregou. É do-over.
— Você blefou e foi pega. Vai, Jana, qual peça? — o Jorge provocou.
A Jana olhou pras outras duas minas pedindo ajuda. Elas não ofereceram nada. Relutante, olhou de volta pro Jorge. Olhando pra baixo, disse: — A camisa. — O Jorge esticou a mão pra tirar.
— Espera! — veio da Sara. — Vocês três chamaram. Então os três tiram.
Eu, o Eduardo e o Jorge nos viramos pra Jana. Os olhos dela arregalaram, mas depois apareceu outro olhar. Ela assentiu. Devagar, três pares de mãos se estenderam e começaram a abrir os botões da blusa. As mãos do Jorge deslizaram por baixo da camisa, subindo pelas laterais da pele até os ombros. O Eduardo abriu a camisa devagar, expondo o top de biquíni amarelo pra todo mundo. Empurrava o peito pra cima, mostrando mais pele do que um top deveria. As mãos do Eduardo passaram pelas bordas dos peitos dela enquanto levava a camisa até os ombros. Pela primeira vez a gente notou o brilho na barriga. Tinha um piercing no umbigo. O lado selvagem da Jana aparecendo. Isso só incentivou a exploração rápida. Trinta dedos deslizando pela pele, por um monte de arrepios, até a camisa sair dos braços, deixando ela só de top amarelo, jeans e um vislumbre da calcinha de biquíni.
— Quem é o próximo? — veio da Marina.