Durante as férias, eu estava adorando acordar com a cama cheia de bebês. Alice e Tiago sempre davam um jeito de me tirar do sono com aquelas risadinhas gostosas. Quando eu abria os olhos, os dois já estavam sentadinhos, me observando como se estivessem esperando o momento exato em que eu despertaria para começarmos a bagunça. Era impossível não acordar sorrindo.
Dom também amava brincar com eles, contudo, nesses momentos pela manhã, surgia um pouquinho de ciúme. Bastava meus sobrinhos se aproximarem demais de mim que ele me agarrava e não deixava nenhum dos dois sequer encostar. Ficava coladinho, querendo deixar muito claro que eu pertencia a ele.
Em um determinado dia, acordei apenas com Alice e Tiago e logo percebi que Júlia estava dando banho em Ninho. Aproveitei a tranquilidade momentânea para me divertir com os dois. Intercalava entre pegar um e outro no colo, erguê-los para o alto e receber em troca aquelas gargalhadas deliciosas, acompanhadas dos insistentes “de novo, titia!”. E eu, obviamente, obedecia. Era difícil resistir à animação deles.
Pouco depois, Juh apareceu no quarto com nosso neném enrolado na toalha e o choro foi imediato. Ninho fez o biquinho de sempre e abriu o berreiro e, em segundos, presenciamos o maior chororô, com as lágrimas escorrendo pelo rosto e tudo. Assim que me viu, se agarrou em minha gatinha, virou as costas para nós e começou a balançar as perninhas energicamente, completamente indignado com tudo o que tinha acabado de acontecer.
Eu olhei para aquela cena e só consegui rir. Enquanto dois bebês estavam completamente entretidos com a brincadeira, o terceiro fazia questão de deixar bem claro que não tinha gostado nem um pouco de estar dividindo a mamãe.
— Seus pliminhos, amor, vem cá — O chamei com os braços e ele veio.
Se aninhou todo em mim, soluçando e eu o abracei forte, enchendo de beijinhos.
— Deem um beijinho nele também — Falei, para mês sobrinhos.
E eles além do beijo, ficaram fazendo carinho em sua bochecha.
— Que menino ciumento — Juh falou e me deu um selinho.
— Igualzinho a você — Brinquei e ela riu.
Minutos depois tudo passou. Ninho já ria com os primos e já rolava na cama de um lado para o outro com eles. Inclusive, foi uma luta vesti-lo com toda a agitação já criada.
Estávamos tentando dar um tempinho para Loren e Victor respirarem. Depois de uma noite agitada com os gêmeos, naquele dia saímos e deixamos os dois em casa, dormindo. Se quisessem aproveitar para descansar, que descansassem. Se preferissem namorar, também estavam liberados. E, caso a única coisa que desejassem fosse simplesmente existir por algumas horas sem precisar fazer absolutamente nada, também seria possível. Às vezes, tudo o que dois pais precisam é de um pouco de silêncio e da sensação de que ninguém vai chamá-los no minuto seguinte.
Fomos para a praia, mas, antes de entrarmos no mar, Mih e Kaká levaram Alice e Tiago até um parquinho. Dom, porém, não quis saber de parquinho. Ficou no meu colo, apontando insistentemente para a água, completamente decidido sobre o que queria fazer.
— Á! — Ele dizia.
— Á-gua — Tentei ensinar, rindo.
— Á! — Meu filho insistia.
— Vai com sua mamãe — Falei, porque Juh também queria entrar no mar.
Foi rapidinho que ele me trocou. Grudou os bracinhos no pescoço dela e continuou apontando para a água, ainda mais animado.
— Á! — Ninho repetia.
— Vamos para o mar? Dar um mergulho? — Júlia perguntou, enfiando o rosto na barriguinha dele e arrancando uma gargalhada gostosa.
— Titio te leva, venha — Lorenzo tentou, fingindo que ia pegá-lo.
— Nããão... Ele vai com a mamãe... — Juh respondeu, puxando-o de volta de brincadeira.
E assim nosso neném ia se divertindo, ora se agarrando nela, ora olhando para Lorenzo, enquanto todos nós entrávamos na brincadeira.
Pouco tempo depois, os pitoquinhos dos meus sobrinhos apareceram correndo até onde eu estava com Sarah. Milena e Kaique vinham logo atrás, caminhando apressados para acompanhar os dois e evitar que alguma daquelas perninhas tropeçassem e terminassem em tombo.
— Titia, leva eu — Tiago pediu, apontando para o mar.
— Pois eu não deixei tia Sarah aqui justamente para fazer companhia a vocês — Brinquei.
— Achei que era porque gostava de mim — Ela respondeu, zoando.
— Se você entrar no mar com eles, te amarei ainda mais — Prossegui brincando.
Sarah riu, e Kaique a acompanhou. Milena sentou ao meu lado e começou a mexer no celular.
— Mãe, meu pai está perguntando se pode vir me ver aqui — Ela falou.
— Ele também está aqui, é? — Questionei, desanimada.
— Sim, chegou agora — Mih respondeu.
— Marque com ele... — Foi o que me restou responder.
Ela olhou para mim sorrindo e passou os braços atrás do meu pescoço, me abraçando. Encostou a cabeça sobre o meu peito ficou ali, fazendo carinho em mim.
Milena sempre foi linda, porém estava se tornando uma mocinha ainda mais bonita. O rosto já começava a perder alguns traços infantis, embora ainda tivesse aquela delicadeza própria dela. O corpo também estava mudando aos poucos, ganhando contornos mais próprios de uma adolescente.
Naqueles dias de praia, a pele estava ainda mais bronzeada por causa do sol. O tom dourado destacava ainda mais os traços do rosto e combinava com o cabelo, que parecia estar brilhando sob a luz daquele dia. Naquele momento, os fios esvoaçavam com a brisa do mar, bagunçando-se ao redor do rosto enquanto ela permanecia encostada em mim. Era uma imagem bonita, e eu simplesmente gosto pra caramba de observar esses momentos.
Apesar de todas as mudanças, algumas coisas continuavam exatamente iguais. Milena ainda tinha aquele sorriso doce de sempre e continuava sendo uma menina extremamente carinhosa com todos. Gostava de abraçar, de ficar perto, de fazer cafuné e bastante contato físico.
Ela também estava ficando mais independente. Na verdade, sempre teve suas próprias opiniões e nunca foi exatamente o tipo de criança que simplesmente concordava com tudo. Desde pequena, gostava de questionar, argumentar e deixar muito claro quando pensava diferente. A diferença é que agora começava a compreender melhor o valor de ter as próprias opiniões. Estava percebendo que crescer também significava aprender a pensar por si mesma, fazer escolhas e entender que nem sempre precisava seguir aquilo que os outros esperavam dela.
Eu gostava de acompanhar esse processo. Não queria que Milena fosse uma cópia de qualquer um de nós, nem que concordasse conosco apenas porque eu éramos seus pais. Queria que ela aprendesse a construir o próprio caminho, inclusive tendo coragem para discordar quando achasse necessário. Então, já me orgulhava bastante observar esse traço sendo desenvolvido.
Passei a mão pelos cabelos dela enquanto ela continuava abraçada em mim. Mih continuava menor do que eu, e eu já tinha certeza que dificilmente aquilo mudaria. Isso faz com que ela caiba confortavelmente contra o meu peito até os dias atuais... E eu amo isso!
Apertei Mimi um pouquinho mais, aproveitando aquele nosso momentinho juntas, que mesmo sendo comum, muito contribui na minha animação.
Valorizo muito esses instantes em que eles simplesmente vêm para os meus braços, e eu adoro saber que continuo sendo um lugar seguro para eles.
— Minha filha é muito gatinha — Falei, tocando no rosto dela.
— Te amo muito, mãe — Milena disse, quase ao mesmo tempo que eu e nós rimos.
— Também te amo, amor — Falei, dando um beijinho na testa dela.
— Eu tenho as melhores mamães do mundo — Ela disse e me beijou.
— Vocês são filhos maravilhosos também — Respondi e ficamos mais um tempinho ali, imersas no dengo uma da outra.
Juh já vinha pela areia com Dom e Kaique. Ela segurava uma das mãozinhas do nosso neném, enquanto Kaká segurava a outra, e os dois tentavam fazê-lo caminhar entre eles. Dom até ensaiava alguns passinhos, mas, depois de um pequeno percurso, simplesmente empacou. Parou no meio da areia, dobrou as perninhas e sentou. Acho que na cabeça dele aquela caminhada já havia sido longa demais.
De onde estávamos, Mih e eu acompanhávamos tudo, rindo da cena. Ninho ergueu os bracinhos na direção de Júlia, pedindo colo com a maior naturalidade do mundo, e ela precisou se abaixar para pegá-lo. Ele imediatamente se aconchegou, satisfeito por ter conseguido exatamente o que queria.
— Preguiçoso! — Chamei de onde estávamos, arrancando mais uma risada de Mih.
Mais adiante, Sarah e Lorenzo também vinham caminhando pela areia com Tiago e Alice, e os pequenos pareciam chateados por terem saído do mar. Assim que chegaram, fizeram questão de expressar toda a indignação que sentiam.
— Não gosto de voxê, titio — Tiago disse, ficando ao meu lado.
— E titio ama vocês — Meu irmão respondeu.
— Titio malvado — Completei, rindo.
— É, titio malvado — Alice esbravejou.
— Olha o que a titia pediu para vocês — Falei mostrando batatas fritas.
— Patata! — Tiago exclamou, fazendo a gente se acabar de rir.
E imediatamente o foco mudou. Eles esqueceram que estavam bravos e foram se deliciar com aquela porção, que certamente os pais deles não ofertariam naquela quantidade.
— Bonito... Comprando os sobrinhos com comida... — Meu irmão me zoou.
— Dá próxima vez, seja mais criativo ao tentar roubar meu posto de tia favorita — Brinquei.
Milena estava com Dom no colo. Ela tinha levado ele para um chuveirinho e ele voltou agarradinho com ela.
— Acho que ele vai dormir, mamãe — Mih comentou.
E Juh que estava conversando com Kaique sobre algo que eu não estava prestando tanta atenção, me passou uma roupa para que eu ajudasse Milena a trocá-lo.
Foi bem rapidinho e em poucos minutos, Dom já voltou a se agarrar nela, aconchegado contra seu corpo. Ela ficou ali, ninando o irmãozinho devagar, porém não demorou muito para o pai de Mih chegar. Assim que percebeu a presença dele, ela me passou Dom, que estava quase dormindo. O movimento, porém, foi suficiente para despertá-lo. Ele abriu os olhos, olhou imediatamente para a irmã e acompanhou cada passo dela enquanto se afastava.
— Á! — Apontou para ela, inconformado.
— Tudo é A, não é, filho? — Perguntei, rindo.
Ele fez um biquinho de quem ia chorar e eu imediatamente levantei para continuar o denguinho que meu filhote queria, e então que pude ouvir a conversa entre Juh e Kaká, ele estava tentando convencê-la a procurar um lugar ali na ilha para fazer a perfuração dos lóbulos das orelhas dele e a minha gatinha estava dizendo que quando chegassem em Salvador seria melhor.
— Que preconceito com minha ilha, amor — Brinquei.
— Não é nada disso — Ela rebateu, convencida.
— A maioria dos meus furos foram aqui, você sabe, né? — Perguntei, rindo.
— O meu primeiro foi aqui também... E escondido de meus pais. Lore que me levou — Meu irmão contou, e nós rimos.
— Aí, tá vendo, mamãe... Deixa, por favor... — Kaká pediu.
— Está bem... Pesquisa aí, quero ver o lugar primeiro... — Juh topou.
E Kaique feliz da vida a agarrou, comemorando.
Milena se despediu do pai e veio para onde estávamos a sua espera para irmos para casa. Chegando lá, encontramos Victor e Loren enrolados em um lençol no sofá assistindo a um filme.
— Mamãe, a zente comeu batatinha! — Alice exclamou.
— Foi mesmo? Quem deu batatinha? — Loren perguntou.
— É, quem deu??? — Lorenzo reforçou a pergunta, me encarando.
— A titia Loli — Tiago me entregou, inocentemente.
PS: Mais fofo que titia Loli, somente mamãe Loli 🤏🏽❤️
— Mas foi só um pouquinho — Tentei me defender.
— Aaaaah, não foi, não — Meu irmão falou, colocando lenha na fogueira.
— Um dia ou outro nas férias não tem problema... — Eu continuei tentando, enquanto minha irmã estreitava os olhos para mim e balançava a cabeça negativamente.
— E ninguém trouxe para o papai? — Victor perguntou, fingindo estar chateado.
— Amanhã — Tiago respondeu, batendo palminhas.
— Já estão fazendo planos? — Minha irmã questionou.
— Com coisa boa a gente se acostuma rápido — Falei e rimos.
Carreguei os dois para brincar no quintal. Na verdade eu queria tomar e dar banho neles, então peguei a mangueira e ficamos um tempão lá. Eles estavam as coisas mais fofas do mundo. Tenho apreço por todas as fases, porém essas dos dois aos quatro anos, para mim, é uma da mais engraçadinhas.
Eles começaram a perguntar porque não tinha piscina ali e eu liguei para meu pai.
— Fala para o vovô o que vocês querem — Disse, em chamada de vídeo.
— Vovô, cadê a pixina? — Alice questionou.
— Vovô vai fazer, meu amor, uma bem grande para todos os netinhos — Ele disse, todo bobo.
— Huuuum... — Kaká comentou, aparecendo também.
— Todos os netinhos — Meu pai repetiu, rindo.
— Agora dá tchau para o vovô e manda um beijo para a vovó — Falei.
Meus sobrinhos imediatamente começaram a dar tchauzinho e soltar beijinhos.
— Todos os netinhos — Disse, apontando a câmera para Kaique e ele riu, mas também mandou os beijinhos dele.
Fizemos uma noite do hambúrguer para finalizar aquele dia. Foi aquela bagunça gostosa de férias, aproveitando a noite sem muita preocupação com horário. Não demorou muito para os pequenos começarem a demonstrar o cansaço. Alice e Tiago capotaram cedo, completamente entregues ao sono depois de um dia inteiro de diversão. Dom também não resistiu. Meu filhote estava tendo um sonho diferente a cada mordida na carne, os olhinhos ficando pesados enquanto tentava continuar comendo. A cada pedacinho, parecia um pouco mais perto de apagar. Eu só conseguia rir daquela figura.
Loren agradeceu pelo descanso que tínhamos proporcionado naqueles dias, e eu fiz questão de dizer que eles mereciam muito mais do que aquilo. Os dois estavam sobrecarregados nas últimas semanas por conta de outras responsabilidades inesperadas que tinham surgido, além de toda a rotina naturalmente intensa de cuidar dos gêmeos. Victor e Loren se tornaram pais excelentes, dividiam as funções com uma parceria linda demais, estavam sempre atentos aos dois e conseguiam conduzir a rotina dos filhos com uma sintonia que eu admirava muito. Se existia alguém que merecia receber aquele pequeno afago, eram eles.
Quando percebemos que todos estavam apagados e que provavelmente só acordariam no dia seguinte, Loren decidiu que levaria os nenéns para dormir com eles, e Sarah ainda aproveitou para roubar Dom de mim. Pegou meu neneco para dormir com ela e Lorenzo. Eu nem tive tempo de protestar. Dom já estava nos braços dela de sono solto.
— Sem naninha e sem chupeta. Já dá para começar a tirar — Comentei.
— Malvada! — Minha cunhada sussurrou, já se dirigindo para o quarto.
— Já, mãe? — Milena me perguntou.
— Deixei você até os dez meses, ele já fez onze — Comentei.
— Mas ele é tão pitititico — Kaká tentou.
— Assim é melhor, menos sofrido — Falei.
— Um de cada vez então — Juh propôs.
— Certo, primeiro a chupeta e depois a naninha — Concordei.
Ficamos por mais ou menos uma hora ali, conversando e rindo, enquanto Kaique estava cada vez mais ansioso para colocar os brincos. Júlia descobriu que no mesmo lugar também havia trancistas e começou a dizer que achava que combinaria muito comigo e com Milena. Nossa filha topou na mesma hora, eu demorei um pouco mais, pensando, porque não gosto muito de procedimentos que levam tanto tempo, mas aceitei porque praticamente tudo que Juh sugere para eu mudar, além de combinar muito comigo visualmente, mexe com alguma coisa dentro de mim no sentido de “vai lá, agrada sua muié”. Sempre dá muito certo!
Eu poderia dizer que esse dia foi todo fofinho, e parando para pensar, realmente foi... Porque o relato a seguir aconteceu durante a madrugada.
Acordei com Juh se remexendo dentro dos meus braços. Ela estava de costas para mim, perfeitamente encaixada em meu corpo, e eu depositei um beijo em seu pescoço. Antes que pudesse perguntar se estava tudo bem, ela virou o rosto à minha procura, e nossas bocas se encontraram. Juh entreabriu os lábios, aprofundando o contato, enquanto sua mão alcançava minha nuca para impedir qualquer distância entre nós. A nossa respiração já se misturava, estava completamente irregular, e cada movimento despertava ainda mais urgência em nós duas.
Ela se aproximou ainda mais, buscando meu corpo, empinando sua bunda para mim e eu apertei seus peitos, enquanto a gente seguia roçando gostosinho. Quase de imediato senti a perna dela se erguendo e abraçando a minha, literalmente se abrindo e logo entendi o recado. Desci a minha mão para sua pepeca e a senti estremecer sob meu toque, quando encostei em seu clítoris. Estimulei um pouco e logo a penetrei, Júlia estava tão molhadinha que foi fácil e eu adorando os seus gemidos abafados contra minha boca. Quando meus lábios desceram até seu pescoço, ela inclinou a cabeça para me dar espaço e se agarrou a mim com mais força.
Ficamos completamente entregues uma à outra, tentando conter os nossos sons para não acordar a casa inteira.
— Não... Para... Por... Favor... — Juh pediu, com dificuldade.
Eu cravei meus dedos dentro dela, tocando onde Júlia mais desejava, e joguei o meu corpo por cima, fazendo-a deitar de bruços com o meu peso. Em segundos senti o seu melzinho adoçando meus dedos, enquanto sua pepeca contraia, ainda os apertando.
— Agora você dorme bem, safadinha — Brinquei e ela só conseguiu dar um sorrisinho.
A trouxe novamente para dentro dos meus braços, para que minha gatinha recuperasse o fôlego bem pertinho de mim, enquanto eu espalhava beijos delicados por seu rosto. Juh procurou minha mão e entrelaçou nossos dedos, acomodando-se novamente contra meu peito. Apertei-a um pouco mais junto a mim, e deixei que o silêncio da madrugada nos conduzisse novamente ao sono.
