Sou um putanheiro, não adianta, sempre fui. Mas desde a adolescência até agora, aos quarenta e três anos, meu negócio foi buceta. E, assim, nenhum preconceito com os putos. Meu filho, inclusive, é, e eu sempre fui tranquilo com isso. Quer dizer, claro que saber que, a partir de determinado momento, tinha marmanjo farejando o Davi me deu umas dores de cabeça. Só que eu sempre entendi que era do jogo. Quando a gente coloca alguém no mundo, tem que se submeter a algumas coisas.
Por exemplo, azar dos pais das novinhas que eu metia por fora do casamento. E, olha, como metia! Parece que quando cheguei aos quarenta o meu instinto predador despertou. Sempre fui de fazer tudo na encolha, mas, apesar disso, não deixava passar uma. Se desse mole e aguentasse levar pica, eu atravessava. Como eu disse, um verdadeiro viciado em buceta. Até o dia em que descobri que meu melhor amigo estava comendo meu filho. Ali, tudo começou a mudar.
Sempre soube que o Marcelo não era santo. Nos conhecíamos há mais de vinte anos, desde a universidade, éramos sócios e melhores amigos. Então, tinha convicção de que sabia de todos os segredos dele, que, como eu, era chegado em uma gandaia. Para ser sincero, eu até desconfiava que ele já tinha passado a linguiça em uns viados. Lembro bem de um moleque todo fresquinho que era do nosso grupo na faculdade. Vivia correndo atrás e se oferecendo para a gente. Eu até senti vontade, mas nunca comi. Um dia flagrei ele e o Marcelo sozinhos no banheiro da casa de uma das nossas amigas. Ambos riram, desconversaram, tudo mundo já estava de cara cheia, mas o cheiro naquele espaço denunciava que alguém tinha fodido forte por ali. E a carinha de piranha alegre daquele menino dizia mais do que qualquer palavra.
Cheguei até a perguntar se ele tinha arroxado aquele boiola, mas nunca recebi uma confirmação. Pouco tempo depois, Marcelo apareceu com uma menina, teve outros rolos, se meteu em confusões – assim como eu – e casou, finalmente. Só não teve filhos. Virou tio postiço do meu. E, por anos, nunca deu qualquer motivo para desconfiarmos da sexualidade dele. Nem mesmo quando começou a ficar evidente que o Davi, meu filho único, era gay.
Digo, evidente porque minha mulher e eu sempre soubemos. Davi sempre foi delicadinho, não gostava das coisas de menino, andava só rodeado de amiguinhas. Então, foi desde muito cedo que tudo ficou claro. Na adolescência, só aflorou. O garoto começou a ficar mais amostrado, malhava a bunda, andava de shortinho, ficou mais soltinho e oferecido. E, claro, apareceram os urubus.
Na ânsia de proteger o menino, acabei colocando um leão para cuidar da carne fresca e fui inocente até o fim. Pedi ao Marcelo, que tinha uma relação legal com o Davi, para dar uns conselhos, não deixar o garoto cair no papinho de qualquer gavião. Com isso, não estranhei que os dois tivesse se aproximado mais ainda. Pelo contrário, achei ótimo não ter mais aqueles garotões em cima do meu filho. Afinal, sabia bem o que eles queriam. Só não desconfiava que o meu melhor amigo quisesse o mesmo.
Como foi que eu descobri? Quando Marcelo pediu o divórcio e, dias depois, junto com o Davi, na minha sala, abriu o jogo.
— Quer dizer que tu tá comendo meu filho, seu merda? — berrei e já fui partindo para cima dele.
— Para, pai, ficou maluco? — Davi se meteu entre nós e tentou me segurar. — Eu não sou mais criança e o tio Celo não me obrigou a nada.
— Tio Celo, Davi? Tio Celo? — gritei com ele também. — Desde quando essa putaria tá acontecendo debaixo do meu nariz?
— Não é putaria, a gente tá namorando, pai, a gente vai ficar junto. Por isso, que contamos para o senhor primeiro. Por respeito.
— É, cara, tá rolando uma coisa legal comigo e com o Davizinho — meu amigo completou.
Nada, porém, era capaz de aplacar minha ira:
— Respeito? Respeito? — berrei e dei uma risada de puro desespero. — Minha vontade é moer os dois na porrada, com todo esse respeito, seu fedelho sem vergonha e tu também, seu filho da put-
— Pai...
— Cala boca! Fora da minha sala! Não quero enxergar nenhum dos dois — estava completamente exasperado.
Naquele dia, eu fiquei transtornado. Não conseguia assimilar que o meu melhor amigo, aos quarenta e tantos anos, tinha feito meu filho de amante e, agora, queria um relacionamento com ele. O cara que frequentou minha casa desde sempre, viu o Davi crescer. Viu o Davi crescer. Essa foi a origem do grande ponto de interrogação que surgiu na minha cabeça e que, depois de dias surtado, evitando todo mundo, fez eu ir atrás do Marcelo.
— Eu quero saber desde quando — pedi, sentado do outro lado da mesa da sala dele, na empresa.
Dessa vez, meu amigo parecia um pouco menos intimidado. Mas se fez de desentendido de qualquer
modo:
— Desde quando o quê?
— Não se faz de louco, Marcelo — suspirei, impaciente, passando a mão no rosto. — Quero saber desde quando tu tá comendo o Davi.
Foi a vez de ele suspirar, desviando o olhar:
— Ricardo...
— Fala, Marcelo! — pus as mãos sobre a mesa, medindo minha força. — Foi tu que tirou o cabaço dele?
A pergunta causou surpresa nele, que me olhou um pouco incrédulo. E, confesso, me fez reprocessar as palavras, me surpreendendo também. Mas mantive a pose e fiz um gesto, mostrando que queria ouvir a resposta.
O “sim” veio contido, mas nem por isso deixou de me atingir. Um baque.
— Olh-
— Eu confiei em você pra proteger o Davi, e tu fez o que? Cheio de viado pra tu te divertir por aí, se é disso que tu gosta...
— Olha, Ricardo, eu entendo — começou, enquanto eu negava com a cabeça. — Mas o Davizinho não é mais criança, ele quis iss-
— O quê? Vai me dizer que meu filho pediu pra tu socar rola no cu dele? — falei sem papas e só depois de dizer é que senti o efeito. Dessa vez, muito mais intenso do que antes, como se um choque atingisse meu corpo.
Do outro lado, ele engoliu em seco, mas parecia menos surpreso dessa vez.
— Foi ele que pediu pra eu ser o primeiro homem dele, sim, se é isso que você quer saber — disse de pronto.
— Onde?
— Ahn? — pareceu não entender.
— Onde foi que tu comeu o cabaço dele?
— Car-
— Onde, Marcelo, eu quero saber.
— Nossa primeira vez foi na minha casa, mas eu fiz tudo com muito carin-
— Tu enrabou o meu filho na cama em que tu dorme com a tua mulher, seu filho da mãe? — mais uma vez as palavras pularam da minha boca.
— Ric-
A resposta era óbvia, então me apressei em interromper:
— Na minha casa... Tu já meteu no Davi na minha casa? — mais um choque por todo o meu corpo.
Dessa vez, ele apenas assentiu. Claro que eles tinha fodido dentro da minha casa! E eu cego não vi.
— Onde mais?
— Ricardo, pra quê isso, cara?
— Fala, Marcelo.
— Isso é uma coisa íntima — justificou.
— Meu melhor amigo transformou meu filho em fêmea bem na minha fuça e vem me falar de intimidade. Meu melhor amigo e meu filho... Eu tenho direito de saber onde mais vocês treparam — insisti, mas a verdade é que nem eu sabia por que me interessavam tantos detalhes. Era como se eu não conseguisse sair daquilo, como se eu precisasse entender.
— Já te disse que foi na minha casa, na tua — e fez uma pausa, mas eu assenti esperando, quase ansiando, que ele contasse mais. — No meu carro, no motel...
— No motel... — repeti.
— Ele queria conhecer um motel, então, fomos — confessou, já um pouco mais despudorado.
E mais um arrepio me percorreu. Senti ele no íntimo, mas não tinha tempo. Precisava de mais:
— Aqui? Tu já currou o Davi aqui?
— Aqui, não — ele respondeu rápido, mas desviando o olhar.
— Não mente pra mim — rebati, sério — O Davi vive aqui, é claro qu-
— Não, Ricardo — cortou, agora, impaciente, com o tom de voz mais firme. — Tu quer mesmo saber? Aqui, o Davi só me mamou. Depois de ele insistir muito, eu deixei ele me chupar aqui na semana passada, quando ele veio pegar o cartão de crédito dele. Só isso, porque eu respeito nossa empresa.
Aquilo me arrancou uma risada nervosa.
— Ele insistiu e tu cedeu, coitadinho de ti! Respeita muito nossa empresa, mas na minha casa tudo bem empurrar ferro no meu filh-
— E tu queria o quê? — reagiu, dessa vez realmente irritado. — Já te disse que o Davi não é mais criança. Ele é jovem, sim, e curioso. Mas é um adulto, um adulto que gosta de pica. Que gosta do que eu dou pra ele. Não era isso que tu queria? Alguém que cuidasse do teu filho? Eu cuido. Tô metendo nele, sim, a gente tá namorando e eu faço com ele só o que ele gosta. O que a gente gosta. Tá satisfeito? Matou tua curiosidade?
Uau! Não era possível.
— Chega — disse, batendo na mesa e levantando.
Saí daquela sala desnorteado. Entrei na minha e me tranquei. Ofegante, me esparramei no sofá que ficava por lá. Tinha ouvido demais.
Marcelo tinha praticamente dito que o Davi era uma puta e que era assim que ele o tratava. O meu filho.
Meu filho, que perdeu o cabaço na cama em que o meu melhor amigo dormia com a esposa dele. Que, se duvidasse, já tinha dado na minha cama, debaixo do meu teto. Que saiu da nossa casa e foi ganhar pica em um motel. Que há poucos dias esteve na empresa, me abraçou carinhosamente e depois foi mamar a rola do meu sócio na sala ao lado.
Meu filho, pequeno, delicadinho, todo lisinho, quase feminino, há meses, tinha virado mulherzinha de verdade, a amante do meu melhor amigo, um cara da minha idade, com experiência de vida, que já tinha feito muita putaria por aí.
Tudo isso era... Não sei, não sabia explicar, mas então me dei conta. O volume escandaloso na minha calça social dizia que era... Excitante pra caralho!
E foi aí que minha mente deu voltas. Meu pau estava duro como uma rocha. E, quando me dei conta, num passe de mágica a minha imaginação complementou o trabalho.
O que será que o Marcelo fazia com o meu filho? Será que Davizinho gostava de tomar no cu com força. Será que meu filho era que nem as cadelinhas manhosas que a gente comia na rua?
— Será? — soltei em voz alta, já com a mão esfregando meu volume sobre a calça.
“Depois de ele insistir muito, eu deixei ele me chupar aqui”, as palavras ecoaram e a imagem do meu filho, de joelhos, ali, aos pés de um sofá igualzinho ao meu, vieram à minha mente, enquanto eu abria meu zíper e colocava minha rola toda babada para fora.
Meu filho mamou o Marcelo assim, ajoelhadinho. Boca cheia de piroca, que nem uma vadia pronta para
aliviar em um dia de trabalho cansativo. Depois, deve ter engolido toda a gala do meu amigo.
E pensando se o Davizinho gostava de ficar com a boca cheia de leite, foi que eu sujei tudo, minha roupa, sofá, chão, até a minha mesa ficou esporrada, de tão intensa que foi a gozada que eu dei.
Uma punheta louca, que arrancou todas as minhas forças. Tudo isso com a imagem insana do meu filho mamando uma rola.
“Puta que pariu, que merda é essa?", pensei.
Se antes, eu estava aflito pela situação envolvendo meu filho e meu melhor amigo, meus problemas, agora, eram mais graves e só meus. O que tinha acontecido? Eu sempre gostei de buceta. Nunca quis comer outro homem. E olha que não faltou nem faltam putos se oferecendo para mim. Afinal, feio eu nunca fui. Mesmo aos quarenta e três, sigo malhando, tenho um peitoral legal, estufado, uma barriguinha da idade, todos os pelos no lugar certo e um pau de respeito – vinte centímetros que já botaram muitas novinhas para chorar, principalmente na hora de dar o cu.
Porra, e lá vinham os pensamentos de novo. Cu. Era isso que o Davizinho tinha usado para virar a cabeça do Marcelo? Foi a facilidade de empurrar no rabo dele que seduziu meu amigo? Só poderia ter sido. E não posso dizer que não entendo, porque comer cu era uma delícia, mas de mulher era uma burocracia do caramba. Sempre uma frescurada, uma choradeira. Parecia até que não gostavam.
“Tô metendo nele, sim, a gente tá namorado e eu faço com ele só o que ele gosta”, as palavras voltaram para minha mente. Meu filho gostava de levar ferro no rabo. Gostava tanto que acabou com o casamento do Marcelo. E estava acabando comigo, porque eu estava ficando duro de novo.
Mas nada disso era certo. Eu precisava resolver o que estava me deixando louco, colocar um ponto final. Como? Fodendo! Eu precisava comer uma puta e as coisas voltariam para o lugar. Assim, poderia pensar direito, quem sabe até aceitar aquela relação que, por enquanto, era absurda para mim.
Passei alguns dias louco e com a vida parecendo me sabotar. Eu precisava foder, foder forte, foder sujo, que nem um cachorro, mas não com a minha mulher, claro. Tinha que ser uma putinha novinha, que eu pudesse estragar na minha vara. Eu estava morrendo por isso. Por sentir algo parecido com o que Marcelo sentia ao fazer com o meu filho. Mas quem disse que estava fácil conseguir?
Tudo que aparecia era figurinha repetida. E isso eu não queria. Meu negócio era chutar o balde legal. Só que estava demorando. Foram semanas até que a situação quase perfeita foi se construindo:
— Vai estar todo mundo lá nesse feriadão, Rick. A família inteira. Vai ficar chato se a gente não for — minha mulher alertou, me deixando ainda mais puto da vida.
De início, aquilo me parecia mais um compromisso pé no saco que o velho brocha do meu sogro tinha arranjado. Uma briga que, para ser sincero, eu não queria comprar com a minha mulher nem com ele. Então, concordei com um “uhum”.
— Tinha até pensado em sugerir que o Davi levasse o namoradinho dele. Tá na hora de a gente conhecer.
A sugestão me causou um engasgo:
— Nem pensar, Susana — disse, quando pude. — Imagina! Teu pai e teus irmãos que a gente não costuma ver com frequência, que são todos meio conservadores, tem tudo pra dar merda.
Ela me ouviu atenta.
— Não é a ocasião pra isso e eu duvido muito que o Davi queira ir — finalizei, para terminar com o assunto, já que minha mulher sabia que nosso filho estava namorando, mas não tinha nem um décimo de noção da sujeirada toda.
— É, amor, você tem um bom argumento. Mas a gente vai ter que marcar pra conhecer esse garoto misterioso.
“Uhum”, esbocei de novo. E voltei a pensar em quanto precisava transar. Só conseguia pensar nisso.
O velho, meu sogro, morava em uma mansão no litoral. Sempre foi cheio da grana e um puta cretino. Já tinha casado três vezes e tinha filhos de todos os casamentos. Nada mais do que com quatro irmãos era que minha mulher teria que dividir a herança.
Uma irmã da mesma mãe, com idade semelhante à dela. E que, assim como ela, também não queria saber muito do dinheiro do filho da puta do pai. Depois tinha um irmão mais novo, do segundo casamento. Um abobado que só sabia puxar o saco murcho do velho, achando que um dia seria o preferido. Nunca. O matusalém já estava em outra. Casado há quase vinte anos com uma mulher bem mais nova e com dois filhos adolescentes. Todos crentes, compondo uma tradicional família brasileira.
Tudo que eu mais abominava na vida. Sorte que eu só via, quando via, eles todos uma vez por ano, quando viajávamos para o litoral por causa desse feriado. Ninguém se suportava, mas todo mundo tinha que ir para agradar o maldito. Um final de semana de pura tortura. Desde a hora que chegávamos, no sábado de manhã, até a hora de voltar.
As mesmas piadas ruins, o mesmo lugar cafona, o mesmo almoço insosso, com direito a oração e o diabo a quatro. Nada tinha mudado, eu pensava.
— E a Talia e o Pedr-
— Foi só você falar que aí estão eles — Sônia, a songamonga, mulher do meu sogro, respondeu para a minha esposa.
— Como vocês cresceram — Susana se direcionou aos dois.
— Oi, mana!
— Oi, Tali!
Foi só aí que realmente reparei nos dois irmãos da minha mulher. Acho que nunca tinha feito questão de prestar atenção. Realmente, eles tinham mudado. Estavam longe de serem considerados crianças.
Pedro, apesar de ser meses mais novo, estava maior do que o meu filho. Tinha ficado mais corpulento e ganhado uma aparência de garotão. Sério, posturado.
Quem também tinha mudado era Talia, gêmea dele. Toda pequenininha, rabeta empinada, peitinho do tamanho da minha boca. A crentezinha tinha virado um projeto de piranha de primeira linha. Era cem por cento o perfil que eu gostava de desmontar na pica. E, claro, eu estava faminto, disposto a uma loucura e não deixaria passar de jeito nenhum.
A partir daquele momento, liguei uma contagem regressiva. Meu prazo para comer a Talia era de menos de 48 horas. Então, resolvi ligar o foda-se com vontade. Já na hora de cumprimentar, fui de abraço.
— Você tá enorme mesmo, Talia, e tá linda — disse envolvendo ela inteira no meu corpo e apertando o suficiente para ela sentir o que esperava por ela.
Ninguém deu muita bola, mas eu tenho certeza de que a irmãzinha da minha mulher sentiu a maldade, porque pareceu até meio desnorteada quando a soltei.
Só que eu sofri um rebote, pois, para minha surpresa, ao estender a mão para o Pedro, ele me puxou para um abraço. E, no imprevisto, o moleque sentiu meu pau meia bomba. Não recuou ou não pareceu se importar, o que foi um alívio para mim.
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