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A Gente Que Convidou - a noite da Nina

Um conto erótico de Casal Apimentados
Categoria: Heterossexual
Contém 2462 palavras
Data: 29/08/2026 00:24:51

Todas as vezes anteriores, alguém convidou a gente.

Dessa vez, fomos nós dois, na mesa da cozinha, decidindo juntos que íamos puxar a mão de alguém pela primeira vez.

E, olha, é bem mais assustador do lado de cá.

Para quem está chegando agora: prazer, somos o Casal Apimentados.

Vamos nos apresentar como Jorge e Lúcia — nomes fictícios, por motivos que qualquer casal liberal entende.

Eu, Jorge: negro, 1,85 m, corpo forte sem ser musculoso, 33 anos na época.

Ela, Lúcia: 1,72 m, loira natural, olhos verdes, seios fartos e umas coxas grossas que sempre foram meu ponto fraco. Mesma idade que eu.

Casados havia treze anos quando tudo começou. Nada de liberal, nada de swing, nada de nada — até uma tarde de 2017, numa feira erótica em São Paulo, quando um desconhecido no escuro fez uma pergunta que mudou o rumo do nosso casamento.

A pergunta foi: "com ou sem emoção?". E ela respondeu com emoção.

É por isso que essa frase aparece em todos os nossos contos.

A Nina

Vou chamar ela de Nina.

Vinte e quatro anos, analista de marketing, entrou na empresa da Lúcia havia pouco mais de um ano. Outro time, outro andar, nenhuma relação de chefia com a minha esposa — e eu faço questão de registrar isso, porque importa e porque a gente pensou nisso antes de qualquer outra coisa.

Fisicamente: baixinha, uns 1,60 m, magra mas com bunda, cabelo preto curto na altura do queixo, uma tatuagem de cobra subindo pela costela e um piercing no nariz. Nada da beleza clássica da Lúcia. Era outro tipo de coisa — daquelas mulheres que não são as mais bonitas da mesa e são, sem discussão, as mais interessantes.

E a Nina era safada. Não tem outra palavra e ela mesma não usaria outra.

Era a pessoa que contava a vida sexual inteira no almoço, em voz alta, sem editar nada. Que fazia piada pesada na frente do gerente. Que chegava na segunda-feira e narrava o fim de semana como quem comenta um jogo. As mulheres mais velhas do escritório fingiam escândalo e não perdiam uma palavra.

A Lúcia adorava ela. Ficou amiga de verdade em três meses.

E foi a Lúcia quem começou a desconfiar de que a Nina estava jogando alguma coisa na mesa.

Os sinais

Começou com pergunta.

A Nina descobriu, num happy hour, que a gente já tinha ido a uma feira erótica. E não largou mais o osso.

"Lú, e aquela feira, tinha o quê?"

"Lú, você já beijou mulher?"

"Lú, pergunta pro seu marido se ele deixaria."

Sempre em tom de piada. Sempre rindo. Sempre com aquele meio segundo de silêncio depois da risada, esperando a resposta de verdade.

Aí ela conheceu a gente junto, num aniversário de uma colega, e o negócio ficou mais claro.

Ela sentou entre nós dois. Passou a noite inteira ali. Falava comigo com a mão no meu braço e falava com a Lúcia encostada no ombro dela. Em determinado momento, com quatro doses no corpo, olhou para mim e falou, na frente da minha esposa:

— Você é grande, hein.

E depois, virando para a Lúcia, sem tirar o sorriso:

— Desculpa, amiga. Mas é.

A Lúcia riu e respondeu:

— Eu sei.

Aquilo ficou pendurado no ar por uns três segundos, e as duas caíram na gargalhada.

No carro, na volta para casa, a Lúcia esperou eu pegar a marginal e disse:

— Ela quer.

— Você acha?

— Eu não acho. Eu sei.

A mesa da cozinha

Foi a nossa conversa mais estranha até hoje, e demorou duas semanas.

Porque todas as vezes anteriores a gente tinha sido convidado. O Rodrigo e a Helena vieram até nós no The26. A Dani ligou para chamar a gente ao sítio. Até a casa cheia da Parte V partiu de outra pessoa.

Puxar a mão de alguém é diferente. Você deixa de ser o convidado e passa a ser responsável.

A Lúcia colocou as questões todas de uma vez, com o café esfriando na frente dela:

— Ela é mais nova que a gente onze anos.

— É maior de idade, Lú.

— Não é sobre idade legal, é sobre experiência de vida. A gente tem treze anos de casamento e um ano de lifestyle. Ela tem vinte e quatro anos e uma boca solta. Não é a mesma coisa.

— Concordo.

— E ela trabalha comigo. Se der ruim, eu vejo a cara dela todo dia.

Ficamos calados um tempo.

E aí ela mesma respondeu o que estava perguntando:

— Mas ela é adulta. Ela é solteira. E ela está perguntando há quatro meses. Se eu fingir que não estou entendendo, isso também é uma resposta — e é uma resposta que trata ela como criança.

Foi isso que decidiu.

A regra que a gente estabeleceu naquela mesa, e que vale até hoje quando a gente é quem convida, é simples:

Convida uma vez, com clareza, sem insistir, e deixa a porta aberta para o não.

O convite

Foi a Lúcia quem fez, e fez pessoalmente, num almoço de terça-feira.

Nada de áudio, nada de mensagem, nada de indireta. Ela contou que falou assim:

— Nina, eu vou falar uma coisa e quero que você me escute até o fim.

— Fala.

— Eu e o Jorge somos liberais. Frequentamos casa de swing. Faz um ano.

A Nina largou o garfo.

— Eu sabia, porra.

— Deixa eu terminar. — A Lúcia respirou. — A gente gosta de você. Você é engraçada, você é gostosa e você faz umas perguntas há quatro meses que eu resolvi parar de fingir que não entendo. Então eu vou perguntar de uma vez: você quer sair com a gente?

Silêncio de dois segundos.

— Sair como?

— Sair como você está pensando.

A Nina se jogou na cadeira, colocou as duas mãos na cara e ficou assim uns cinco segundos. Quando tirou as mãos, estava vermelha até a orelha — coisa que ninguém naquele escritório tinha visto na vida.

E aí ela falou:

— Eu tenho três perguntas.

— Manda.

— Um: eu preciso fazer alguma coisa com você ou é só com ele?

— É o que você quiser. Inclusive nada.

— Dois: se eu quiser parar no meio?

— A gente para. Sem discussão e sem chateação.

— Três... — e aqui ela abaixou a voz pela primeira vez na história daquele escritório — segunda-feira eu vou ter que olhar na sua cara.

E a Lúcia respondeu a melhor frase da noite, sem nem ser noite ainda:

— Nina, na segunda-feira eu vou te trazer café igual eu trago todo dia.

A Nina levantou, deu a volta na mesa, abraçou a minha esposa por trás no meio do restaurante e falou no ouvido dela:

— Sábado.

Sábado

A gente levou ela ao Enigma.

Escolhemos aquela casa de propósito: grande, movimentada, muita gente, muito barulho. Para quem está estreando, multidão é bom — ninguém repara em ninguém.

Buscamos às onze. Ela desceu de shortinho de couro, coturno e uma blusa preta que cobria menos do que anunciava. Entrou no banco de trás falando pelos cotovelos, e não parou de falar por vinte minutos.

Foi aí que eu entendi uma coisa sobre a Nina.

A boca solta era armadura.

Ela falava sem parar porque estava morrendo de medo. Toda aquela safadeza de escritório, todas aquelas histórias de segunda-feira de manhã — muita coisa ali era verdade, mas a personagem era maior que a pessoa. E a pessoa, no banco de trás do meu carro, estava com a mão tremendo.

A Lúcia percebeu antes de mim. Virou para trás e perguntou:

— Você está bem?

— Estou ótima, amiga, por quê?

— Porque você está falando há vinte minutos sem respirar.

A Nina calou. Riu de si mesma. E falou, baixinho, do jeito que ela nunca falava:

— Eu falo muito, mas eu fiz menos coisa do que vocês pensam.

Dentro

Aquilo mudou a noite inteira, e mudou para melhor.

Não fomos direto para lugar nenhum. Sentamos no bar. Pedimos três doses e ficamos ali quarenta minutos, os três, olhando o movimento e comentando as pessoas como três fofoqueiros — que é a atividade mais divertida de uma casa de swing e ninguém fala disso.

A Nina foi soltando. A cada dose, um pouco mais.

Um casal se aproximou lá pelas duas da manhã, educadíssimo, e convidou. A Lúcia respondeu sorrindo:

— Hoje não, gente. Obrigada!

Eles agradeceram e sumiram em quinze segundos. A Nina acompanhou os dois com o olhar, boquiaberta.

— É só isso?

— É só isso.

— Cara, eu já saí de festa por menos.

E aí ela virou a dose, bateu o copo no balcão e falou:

— Beleza. Chega de enrolação. Eu quero.

A pista, rápido

Não vou me alongar, mas essa parte foi das minhas favoritas.

Elas dançaram. A Nina dançava muito melhor que nós dois somados, e sabia disso, e usou. Rebolou para a minha esposa de um jeito que provocou dois casais em volta a pararem de conversar.

Foi a Lúcia quem puxou o beijo.

Puxou pela nuca, do jeito dela, e a Nina subiu na ponta do pé para alcançar — porque tem doze centímetros de diferença entre as duas, e esse detalhe, por algum motivo, foi a imagem mais bonita da minha noite.

Quando se soltaram, a Nina virou para mim, ainda de olho fechado, e esticou a mão.

O quarto

Peguei o quarto na recepção. Antes de abrir a porta, fiz a pergunta que a gente sempre faz, e faço de olho no olho:

— Nina. Você quer isso?

Ela olhou para cima, para mim, com aquela cara de quem está prestes a aprontar.

— Com emoção — respondeu.

A Lúcia gargalhou. Tinha ensinado a frase no carro, e estava esperando a hora a noite inteira.

A porta se fechou, e o silêncio do quarto foi quebrado pelo som do zíper do short de couro descendo. Nina não esperou. Ela arrancou a blusa num movimento brusco, jogando-a no chão e ficando ali, exposta sob a luz suave do abajur. Seus seios pequenos, com mamilos já rígidos e escuros, subiam e desciam com a respiração acelerada. A tatuagem da cobra em sua costela parecia ganhar vida conforme ela arqueava o corpo, desafiando-nos com aquele olhar que misturava medo e luxúria.

A Lúcia, com a maestria de quem conhece o caminho do prazer, assumiu o controle. Ela sentou Nina na beirada da cama e se posicionou entre as pernas dela. O beijo começou lento, mas logo se tornou faminto. Lúcia segurou o rosto de Nina com as duas mãos, fundindo suas bocas enquanto descia a mão para a calcinha rendada da menina, que já estava completamente encharcada.

Com um puxão seco, a lingerie foi embora. Lúcia ajoelhou-se e mergulhou o rosto na intimidade de Nina. O som era explícito: lambidas longas, profundas, alternando com sucções intensas no clitóris pulsante. Nina soltou um grito que ecoou pelas paredes do quarto, as unhas cravando-se nos ombros de Lúcia. Ela abriu as pernas ao máximo, oferecendo-se por completo, enquanto gemia frases sujas, exigindo que Lúcia a levasse ao limite. O orgasmo de Nina veio como uma descarga elétrica; ela travou o corpo, a vagina contraindo-se violentamente contra a língua de Lúcia, inundando-a com seu gozo.

— Amiga... que isso... — sussurrou Nina, ainda ofegante, os olhos nublados.

Foi então que ela me chamou. Com um gesto atrevido, ela me puxou para perto. Quando eu a despi completamente, notei que ela tremia — não de medo, mas de uma antecipação insuportável. Eu a deitei na cama e a Lúcia, em um movimento perfeito, sentou-se ao lado da cabeça dela, acariciando seus cabelos e beijando seus lábios, criando um sanduíche de prazer que deixou Nina delirando.

Eu desci com a boca nela, saboreando o gosto do orgasmo anterior, enquanto Lúcia estimulava seus mamilos com a ponta dos dedos e a língua. A Nina não conseguia ficar calada; ela narrava cada sensação, soltando palavrões e pedidos urgentes.

— Agora, Jorge! Entra em mim agora! — ela gritou.

Eu me posicionei e entrei nela com uma estocada profunda e certeira. O contraste era magnífico: minha pele negra contra a brancura da pele dela, meu corpo forte preenchendo cada espaço do seu corpo pequeno. O ritmo tornou-se frenético. O som de carne batendo contra carne preenchia o quarto, misturado aos gemidos agudos de Nina e aos suspiros de aprovação de Lúcia.

Lúcia não ficou apenas observando. Ela se juntou a nós, movendo-se contra as costas de Nina, beijando seu pescoço e sussurrando obscenidades que faziam a menina arquear as costas ainda mais. Em um momento de pura luxúria, Nina gozou pela segunda vez, agarrada ao meu antebraço com toda a força, enquanto gritava palavras que eu nunca imaginei ouvir de uma analista de marketing, mas que agora faziam todo o sentido.

Depois, invertemos os papéis. A Nina, movida por uma curiosidade insaciável, revelou-se uma exploradora nata. Ela se ajoelhou diante da minha esposa, devorando a Lúcia com uma fome voraz. Ela imitava os movimentos de Lúcia, perguntava onde apertar, como lamber, e fazia isso com uma entrega absoluta. Vi a Lúcia fechar os olhos e jogar a cabeça para trás, soltando gemidos longos enquanto a boca de vinte e quatro anos da Nina trabalhava com precisão, levando-a ao ápice duas vezes seguidas.

O clímax final aconteceu no caos. O abajur foi ao chão, derrubado por um coturno esquecido, mas ninguém ligou. Estávamos todos nus, suados e entrelaçados. Eu possuía a Lúcia enquanto Nina beijava meu peito e acariciava as coxas da minha esposa. Era uma sinfonia de fluidos e prazeres compartilhados.

Quando finalmente relaxamos, o silêncio voltou ao quarto, mas era um silêncio diferente. Era o silêncio de quem tinha sido despido de todas as máscaras.

Naquela madrugada, a "personagem safada" do escritório morreu para dar lugar a uma mulher real, que descobriu que o prazer mais profundo não vem da atuação, mas da entrega honesta. E nós, o Casal Apimentados, tivemos o privilégio de ser a porta aberta por onde ela decidiu passar.

Epílogo

Na segunda-feira, a Lúcia levou café para ela, igual leva todo dia.

Nenhuma das duas mencionou o sábado. Nenhuma das duas ficou estranha. A Nina fez três piadas pesadas antes das dez da manhã, uma delas na frente do gerente.

Saiu com a gente mais três vezes ao longo daquele ano. Depois começou a sair sozinha, com gente da idade dela, o que era exatamente o que a gente queria — porque puxar a mão de alguém não é adotar, é abrir uma porta e sair da frente.

Hoje ela mora em Portugal, tem um relacionamento aberto com um português muito paciente, e manda áudio de dez minutos para a Lúcia todo domingo.

E, quando alguém pergunta como ela entrou nesse mundo, ela responde sempre a mesma frase:

— Um casal me convidou direito.

Se você é um casal pensando em puxar a mão de alguém, é isso. Convida uma vez, com todas as letras, olhando na cara. Deixa o não ser fácil.

O resto acontece sozinho.

Casal Apimentados

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Foto de perfil de Apimentados Apimentados Contos: 26Seguidores: 16Seguindo: 0Mensagem Casal de São Paulo que adora novas amizades 🌶️

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Adoramos o modo realista e leve como vocês escrevem seus contos. Mas o mais interessante tem sido o aprendizado. É impressionante notar as experiencias e impressões em comum, ou ler sobre as situações sobre as quais temos curiosidade. Obrigado!

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