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Um Banho Diferente - Parte 5

Um conto erótico de Eros Monte
Categoria: Heterossexual
Contém 3238 palavras
Data: 28/08/2026 10:39:20

Um Banho Diferente - Parte 5

A Beatriz estava de calcinha preta, rendada, recolhendo a blusa amarela do chão.

— Fecha a porta.

Fechei.

Do outro lado da parede a cama da Helena rangeu pesado. Depois outra vez, mais curta. Um corpo se jogando. Um lençol puxado. Um som que não chegou a ser gemido — ficou preso no meio.

A Beatriz levantou o rosto.

— Você ouviu?

— A cama dela.

— Ela está bem?

— Disse que a cabeça doía.

A Beatriz ficou parada com a blusa no colo, olhando a porta, depois olhando para mim.

— O que vocês estavam fazendo no corredor?

— Ela perguntou se a gente ia almoçar aqui.

— Precisava ficar os dois parados daquele jeito? Minha mãe com o olho vermelho. Você com essa cara.

— Que cara.

— Essa. De quem saiu de uma conversa que não era conversa.

Sentei na beira da cama. O corpo ainda estava ligado. A cabeça, não. O cansaço veio de uma vez — não só de sexo, de susto, de mentira...

— Beatriz. Estou morto.

Ela cruzou os braços.

— Morto de quê? Você acabou de me comer. Não era para estar morto.

— Estou com a cabeça cheia. Trabalho. Cliente. Essa casa, a tensão entre eles.

— Sempre essa casa.

Ficou em pé, de calcinha, a blusa pendurada num dedo. Bonita. Desconfiada. Não veio sentar no meu colo. Não puxou o zíper. Só me olhou.

— Rafael. Tem coisa que vocês não estão me contando.

— Não tem.

— Tem. Minha mãe anda calada. Você anda ausente. Meu pai anda fazendo pose de namorado. E eu no meio, parecendo boba.

— Você não é boba.

— Então me fala.

Não falei. Ela respirou fundo, puxou um short por cima da calcinha.

— Tá. Não fala. Mas não vem com mão agora. Não tenho saco para transar com um homem que está com a cabeça longe.

— Eu também não ia pedir.

Isso a deixou ainda mais quieta.

Ela deitou do lado da parede, de costas. Eu deitei atrás, sem encostar de verdade. O perfume dela era limpo, de quem tinha acabado de se arrumar. Quando virei o rosto perto do cabelo, senti só isso: asseio, cuidado, a Beatriz se cuidava como uma princesa, que não ia para a cama sem se ajeitar.

— Você está distante até quando está dentro de mim — murmurou, já com sono e raiva misturados. — Eu sinto.

— Estou cansado.

— Cansado é desculpa de homem.

Não respondi. A mão dela procurou a minha por um segundo, apertou, soltou.

— Se for outra pessoa, Rafael, eu quero saber. Não sou besta.

O coração bateu errado.

— Não é outra pessoa.

A frase saiu limpa. E era mentira do tamanho da casa.

Do outro lado da parede, a cama da Helena não rangeu mais. Só um silêncio grosso. Como quem tinha escutado a gente não transar. Como quem tinha escutado a filha perguntar.

A Beatriz dormiu primeiro, resmungando alguma coisa. Eu fiquei olhando o teto. O pau ainda latejava por reflexo. Não fiz nada. Qualquer movimento ia parecer o que ela já desconfiava.

Trabalhar no dia seguinte me deu desculpa para sair cedo.

Sou representante comercial. Linha para mercado do interior: Itatiaia, Resende, Barra Mansa. Notebook, planilha, WhatsApp, visita quando o cliente pede. A base é em casa, então o meio do dia fura. E todo furo eu acabava nessa casa — não porque eu não tivesse o que fazer. Porque eu inventava que a rota passava aqui.

Mandei duas propostas de manhã, no meu apartamento. Café ruim. Planilha. A Beatriz ligou.

— Você sumiu de novo.

— Trabalho. Tenho que entregar isso hoje.

— À noite você vem? Meu pai quer jantar em família. Está estranho. Bonzinho demais com a minha mãe.

— Vou.

— Rafael… ontem eu dormi com uma pulga atrás da orelha. Ainda está lá.

— Eu sei.

— Então se comporta. Não me deixa parecendo louca.

À tarde o portão do Curso Horizonte abriu. O Paulo estava na varanda, camisa social azul, manga dobrada, cerveja na mão. Sem time no peito, parecia querer agradar a esposa.

— Genro. Senta. A Helena está no banho.

Sentei. Ele olhou o terreno vazio das férias.

— Trinta e cinco anos, Rafael. Se eu encosto, ela endurece. Tô tentando. Hoje eu vou tentar de novo. Eu não sei mais o idioma.

A Helena saiu do banho. Cabelo preto úmido, argolas, vestido simples. O Paulo puxou a cadeira, elogiou o cabelo, pôs a mão na cintura. O beijo começou. Ela virou o rosto no meio.

— Paulo.

— Só um beijo, Lena.

— Depois.

Ele foi buscar vinho. Beatriz ainda na varanda. Helena passou por mim. O vestido roçou a minha perna.

— Você veio — sussurrou.

— Vim. Trouxe o notebook. Tenho reunião à tarde, se precisar.

— Ele está assim desde ontem, quando chegou de madrugada. Flor. Mão. Cama. Eu quase deixei. Aí eu pensei em você e parei. Isso é doentio.

— Helena.

— Não fala meu nome agora. A Beatriz já está de olho.

No jantar o Paulo serviu ela primeiro. Falou de viagem. A Beatriz olhava de um para o outro, depois para mim. Debaixo da mesa o joelho da Helena achou o meu. Ficou. Saiu quando a filha levantou a cabeça.

— Vocês três estão raros — disse a Beatriz, sem sorrir direito. — Parece reunião de gente que esconde merda.

O Paulo riu.

— Drama de filha única.

A Helena não riu.

Após o jantar, ele chamou a mulher para o quarto. A porta não fechou até o fim. Fiquei na sala com a Beatriz, o notebook aberto, uma planilha que eu não via.

— Está trabalhando de verdade ou fugindo da conversa? — ela perguntou.

— Das duas.

— Pelo menos é honesto.

Ouviu-se a voz do Paulo, baixa, no corredor:

— Me deixa te beijar direito.

Silêncio. Um beijo. Um “espera” da Helena. O range da cama. Depois a voz dela, falhando:

— Encosta. Só encosta. Não enfia.

A Beatriz franziu a testa.

— Meu pai está tentando.

— Está.

— Ela vai deixar?

Não deu tempo de responder. Veio o “para, Paulo, não consigo”. Depois passos. O Paulo passou pela sala com a cara desfeita, foi fumar na varanda. Nem olhou para a gente.

A Beatriz baixou a voz.

— Eu deveria ir lá.

— Deixa.

— Por que você fala como quem já sabe o final?

A Helena apareceu no vão da porta. Vestido no lugar. Olhos fora do lugar. Viu a filha. Viu a mim. Ajeitou o cabelo.

— Vou deitar. A cabeça…

— Mãe.

— Estou bem, filha. Seu pai só… esquece a hora.

A Beatriz não comprou. Mas também não empurrou. Ficou me olhando.

— Vamos dormir. Sem sexo. Não tenho cabeça. E você também não tem, mesmo que o corpo tenha.

No quarto, ela deitou longe. O cheiro dela era de banho recente, de toalha limpa, de mulher que se lava por inteiro antes de encostar em alguém. Quando beijei a testa dela, a pele tinha gosto de asseio. Nada de boca molhada. Nada de convite.

— Se for outra, Rafael, eu descubro.

— Não é outra.

Do outro lado da parede, a cama da Helena rangeu uma vez. Curta. Como quem se vira para não chamar o marido de novo. E para não gemer o nome que não podia.

No sábado o Paulo mandou mensagem.

“Bar do Alcides. Onze. Preciso conversar. Só nós.”

Li três vezes. O estômago virou. A Beatriz viu a tela por cima do meu ombro, no meu apartamento, onde ela tinha ido tomar café pela manhã e trabalhar no notebook dela.

— Meu pai te chamou para o bar.

— Chamou.

— Sobre o quê.

— Não sei.

Ela fechou o computador.

— Se ele souber de alguma coisa que eu não sei, você me liga. Não me deixa por último.

O bar do Alcides era escuro, chope gelado e amendoim, rock baixo no canto, tocava Rush, Limelight. O Paulo já tinha dois copos suando. Camisa xadrez.

— Senta, genro. Relaxa a cara. Não é briga.

Sentei com o copo gelando a palma, certo de que o ar da casa tinha denunciado.

— A Helena — ele disse.

O copo parou.

— O que tem ela.

— Eu perdi minha mulher. Não de papel. De corpo. Ontem ela me deixou encostar e me tirou de cima. Eu não vou perguntar isso pra amigos. Quero sua opinião. Você está sempre em casa. Ela fala com você.

O chão voltou um pouco. Não era denúncia. Era pior.

— O que uma mulher de cinquenta e cinco quer quando cansou do marido.

Eu sabia. Não podia falar.

— Tempo — disse. — Sem mão. Sem vinho. Conversa. Se você insistir de noite, ela foge mais.

Ele assentiu como quem recebe mapa.

— Você acha que ainda tem jeito.

A pergunta ficou na mesa. Se eu ajudasse de verdade, o corredor acabava.

— Tem — falei, e odiei a frase. — Mas não na força.

— Segunda eu viajo para Resende. A casa fica com a Lena. A Beatriz tem reunião cedo. Se puder passar. Ela não gosta de casa vazia.

— Posso. Levo o notebook.

— Bom rapaz, Rafael. A Beatriz teve sorte.

Quando ele foi ao banheiro, a Helena mandou mensagem.

“Ele te chamou.”

“Chamou.”

“Ele sabe?”

“Não.”

“O que você vai fazer.”

“Não sei.”

Ela apagou um texto longo e mandou:

“Não ajuda demais. Eu não aguento voltar a ser só a mulher dele agora. E eu me odeio por escrever isso.”

No estacionamento o Paulo me abraçou, alto e magro, cheiro de chope, cigarro e colônia.

— Se pensar em mais alguma dica, me fala. Eu quero minha mulher de volta.

Na segunda cedo, dirigi até a casa deles com o notebook no banco. A Beatriz tinha ido ao escritório. O Paulo saiu para o serviço em Resende. A Helena abriu o portão.

— Como foi.

— Ele quer um mapa para te reconquistar.

Ela riu sem humor e me puxou para dentro.

— E você deu.

— Dei metade.

— Põe o notebook na mesa. Liga. Se a Beatriz ligar, você está em reunião. Ela já desconfia. Não me beija na frente de porta aberta. Não me toca se o portão ranger.

A tela acendeu. Planilha. Cliente. A Helena ficou atrás da cadeira. Não desceu o vestido. Não ajoelhou. As mãos pararam nos meus ombros.

— Ele me beijou — sussurrou. — Encostou. Eu recuei. E mesmo assim fiquei molhada. Não por ele. Por saber que você estava na casa.

— Helena.

— Eu não vou te dar agora. A Beatriz dormiu de costas. Eu ouvi. Ouvi ela te acusar. Se a gente foder hoje, eu confirmo o que ela já está cheirando.

Minha mão subiu por fora do vestido e parou na coxa. Ela deixou. Abriu um pouco. Tirou. Abriu de novo.

— Perto — pediu. — A mão por cima. Só isso. Se você enfiar o dedo, eu gemo. E se eu gemer, eu não paro.

Fiquei assim. A palma no tecido quente. O pau duro. A planilha acesa. A Helena respirando no meu cabelo, sem sentar, sem beijar a boca, o corpo pedindo o que a voz recusava.

— Não ensina ele a me ter de volta — sussurrou. — Mentira. Ensina. Não ensina. Rafael… eu não sei mais de que lado eu estou.

O portão continuava quieto.

A pulga da Beatriz, não.

E a linha que a Helena tinha riscado — perto, não dentro — já estava tão fina que qualquer frase a mais ia romper.

A palma parou no vestido. O tecido já estava quente. A Helena não sentou. Não beijou a boca. Só abriu um pouco as pernas atrás da minha cadeira e deixou a mão ficar.

— Mexe — pediu, baixo. — Por cima. Devagar.

A planilha continuava acesa. Uma mensagem de cliente piscou no canto. Eu não abri. Os dedos subiram entre as coxas dela, ainda por fora, e acharam o meio. O vestido grudou. Ela estava molhada o bastante para o tecido denunciar.

— Assim?

— Assim. Não entra. Se entrar, eu…

Não terminou. O quadril dela veio para frente, um recuo curto contra a minha mão. Um vai-e-vem mínimo, como se estivesse se sentando sem sentar. A respiração bateu no meu cabelo.

— Rafael.

— Fala.

— Fala você. Quero ouvir. Quero que você descreva o que está sentindo. Se ficar quieto, eu penso. Se eu pensar, eu paro.

— Estou sentindo o vestido colado. Estou sentindo você quente. Estou com o pau doendo na calça.

Ela riu, sem graça, sem humor.

— Mostra.

— Helena.

— Mostra. Não tira para meter. Tira para eu ver. Igual no banheiro. Só que agora eu já sei o que eu fiz.

Afastei a cadeira. O zíper desceu no silêncio da casa. O pau saiu pesado, vermelho na ponta. A Helena olhou de cima, atrás de mim, e a mão direita desceu por cima do meu ombro, desceu o peito, parou no ar.

— Posso.

Não era pergunta. Era ela pedindo permissão para si.

— Pode.

Os dedos dela fecharam em volta. Quentes. Úmidos de suor. A primeira subida foi lenta, insegura. A segunda já apertou. Ela se curvou, o peito no meu ombro, o vestido abrindo na frente quando o corpo acompanhou.

— Grosso — sussurrou. — Eu esqueci que era assim de perto. No box eu vi. Agora eu sinto.

A outra mão dela pegou a minha e colocou de novo entre as pernas. Dessa vez puxou o vestido para cima, até a cintura. Sem calcinha. Pelos pretos. A fenda brilhando. Encostou meus dedos nos lábios e segurou ali, sem deixar entrar.

— Esfrega. Fora. No meio.

Esfreguei. O clitóris inchado sob o dedo. Ela gemeu no meu ouvido e a mão no pau acelerou sem ritmo.

— A Beatriz pode ligar.

— Então atende se ligar — ela falou, a voz falhando. — E eu solto. E você fecha a calça. E a gente finge planilha.

O celular vibrou na mesa.

Beatriz.

Os dois congelamos. A Helena não soltou o pau. Eu não tirei a mão. O nome da filha piscando na tela, a buceta da mãe na minha palma.

— Atende — ela mandou. — Agora. Se deixar cair, ela desconfia mais.

Passei o dedo na tela com a mão esquerda. A direita ficou onde estava. A Helena apertou a minha, um aviso: não entra.

— Oi.

— Cadê você? — a voz da Beatriz saiu seca. — No escritório ou na casa da minha mãe?

— Na casa. Trabalhando. Notebook na mesa.

— Minha mãe está aí?

A Helena encostou a boca no meu ombro e desceu a mão até a cabeça do pau, espalhou o líquido, subiu de novo. Eu fechei os olhos.

— Está. Tomando banho, acho.

Mentira. Ela estava ali, o vestido na cintura, me batendo uma.

— Põe ela.

— Beatriz…

— Põe. Quero ouvir a voz dela. Estou com uma pulga enorme.

A Helena pegou o celular da minha mão sem largar o pau. A voz saiu quase firme.

— Oi, filha.

— Mãe. O Rafael está trabalhando mesmo?

— Está. Tela acesa. Cara de quem não quer ser atrapalhado.

— Vocês estão na mesma peça?

Pausa. A Helena olhou para mim. Os olhos pretos. A mão subiu e desceu uma vez, lenta, enquanto respondia.

— Cozinha. Eu vim beber água. Já vou sair.

— Tá. Me liga se ele sumir de novo. Estou saindo daqui em uns quarenta minutos.

— Quarenta — a Helena repetiu, olhando o relógio da parede. — Tá.

Desligou. Pôs o celular de bruços. A mão no pau parou.

— Quarenta minutos — sussurrou. — Não dá para foder. Dá para sucumbir um pouco.

Virou a cadeira com o pé. Ficou na minha frente, entre a mesa e eu, o vestido ainda erguido. Abaixou o quadril e encostou a buceta no pau. Só encostou. A fenda abriu em volta da cabeça, quente, escorregadia, e parou ali.

— Não desce — pediu, para os dois. — Se descer, entra. Se entrar, acabou.

Ficamos assim. A cabeça do pau no meio dela, pulando contra o clitóris quando ela respirava. As mãos dela nos meus ombros. As minhas na bunda mole, por baixo do vestido, sem puxar para baixo.

— Fala — ela exigiu. — Está quase dentro. Fala o que você quer.

— Quero enfiar.

— Eu sei. Fala outra coisa.

— Quero gozar assim. Por fora. Em você.

— Onde.

— Na buceta. Nos pelos. No vestido, se precisar.

Helena rebolou um centímetro. A cabeça escorregou, quase achou a entrada, e ela segurou o meu quadril com força.

— Não. Aí não. Esfrega. Me fode por fora.

O vai-e-vem ficou mais sujo. O pau inteiro no meio da fenda, saindo molhado, voltando, batendo no clitóris. Ela gemia baixo, com ódio do próprio som. O peito caído quase saindo do decote. Argolas balançando.

— Isso… caralho… eu estou gozando com o pau do namorado da minha filha na porta da buceta.

— Helena.

— Cala a boca e aperta minha bunda.

Apertei. Ela veio mais forte. O notebook apitou outra notificação. Ninguém olhou. O pau latejava, a cabeça inchada, a entrada dela se fechando e abrindo contra a pele, sem engolir.

— Vou gozar — ela falou, surpresa, raivosa. — Só com isso. Só com você aí. Não segura.

Gozei primeiro. O primeiro jato saiu grosso entre os lábios dela, subiu na barriga, manchou o forro do vestido. O segundo ficou escorrendo na fenda. Ela olhou para baixo, viu o leite branco no pelo preto, e gozou no mesmo segundo, as coxas tremendo, a unha cravada no meu ombro, um gemido preso nos dentes.

Não caiu no meu colo. Ficou em pé, ofegante, o vestido caindo sozinho por cima da sujeira.

— Meu Deus.

Passou dois dedos entre as pernas, juntou o que escorria, olhou. Não levou à boca dessa vez. Limpou no meu pau, devagar, como quem esconde prova.

— Quarenta minutos viraram trinta — disse. — Vai no banheiro. Lava a mão. Lava isso. Se a Beatriz chegar e a cozinha cheirar a sexo, ela não pergunta. Ela sabe.

Fui. Água fria. Sabão. O pau ainda sensível. Quando voltei, a Helena estava com outro vestido. O manchado sumiu. O notebook na mesma tela. Um copo de água na mesa.

Ela não chegou perto.

— Não me beija. Se beijar, começa de novo.

— Eu sei.

— Você gozou em mim e ainda não comeu. Isso é pior. Eu vou andar o resto do dia com o tesão no lugar onde você quase entrou.

O portão não rangeu ainda. O relógio sim.

A Helena encostou na pia, longe, e cruzou os braços.

— Quando a Beatriz chegar, você senta nesse notebook e fala de cliente. Eu falo de dor de cabeça. E de noite… de noite o Paulo tenta de novo. Se eu deixar ele encostar, é porque você deixou meu corpo ligado. Não é reconquista. É resto seu.

— E se ela quiser transar.

— Aí você decide se aguenta. Eu não vou pedir para você recusar a minha filha. Só não goza nela pensando no vestido. Mentira. Você vai. E eu vou odiar saber.

O portão rangeu.

A Helena ajeitou o cabelo. Eu sentei. A planilha voltou a fazer sentido nenhum. A Beatriz entrou com a bolsa, o olho fino, o cheiro de escritório.

— Ainda na mesma peça — disse, olhando a cozinha. — Que reunião longa.

— Cliente chato — respondi.

Ela beijou minha boca. Rápido. Afastou. O olfato dela era bom demais para uma casa que tinha acabado de ser usada.

— Cheira a perfume da minha mãe aqui.

A Helena, na pia, não virou.

— Passei perto. Desculpa.

A Beatriz ficou dois segundos no meio da cozinha. A pulga mexeu. Não furou.

— Vou tomar banho. Hoje vocês dois não me deixam sozinha na sala com essa cara.

Foi pelo corredor. A água ligou.

A Helena olhou para mim por cima do ombro. Os olhos ainda acesos. A mancha que não estava mais no vestido ainda estava nela.

— Amanhã o Paulo viaja — sussurrou, por cima do barulho do chuveiro. — Aí não é vestido. Aí é cama. A minha. Perto. Se eu aguentar. Se eu não aguentar…

Não completou.

O chuveiro da filha corria.

O pau, lavado, já começava a lembrar do meio molhado.

E a linha — perto, não dentro — tinha levado porra, gemido e quarenta minutos. Só não tinha levado o resto.

Ainda...

(continua)

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Foto de perfil genéricaEros MonteContos: 8Seguidores: 18Seguindo: 1Mensagem Sou um cara cheio de vontades e desejos, nem todos (ainda) revelados...

Comentários

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Você escreve muito bem. Contos bem psicológicos e erotizados. Delicioso de ler.

É angustiante, ver um cara fazer isso com uma mulher. Fora o tesão não tem justificativa nenhuma para vc e a sogra. A marido ta disposto a reconquistar, a namorada está se humilhando para chamar a atenção, pra ter carinho.

Mulher sabe o quanto é dolorido ser enganada, traída, manipulada... agora uma mãe proporcionar esse tipo de dor pra própria filha é injustificável demais, uma mulher assim é capaz de fazer qualquer tipo de maldade.

Agora, no seu caso, sua namorada nao ficou distante de você, trabalhadora, parece ser atenciosa, não recusa nada na cama, e até se arrumar, ficar cheirosa e tentar ser sensual pra vc é causa de repulsa, realmente é doideira. Por um fetiche vc quer fuder com a vida toda dela? Por que não é sua a relação de vcs que se destrói, mas a dela com a mãe.. tem que ser muito crápula. Mulher madura vc vai encontrar aos montes, nao necessariamente precisa ser sua sogra. Fetiche e fantasia passa, relação amorosa não é somente sexo e a carga negativa dessa traição pesará para os dois numa futura relação entre si.

A namorada já pegou a intenção de vcs, só nao tem certeza que concretizou. Vale a pena a destruir emocionalmente, ela é tão ruim assim? Se vc for hábil dá pra resolver o problema da sogra com o sogro e de quebra realizar sua fantasia, sem destruir sua namorada.Agora o que da mais raiva é vc deixar uma mulher na seca, não saciada, e, justamente a sua. Vc não tem moral nenhuma pra criticar seu sogro, pois, está fazendo algo muito pior com a filha dele.

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Exatamente! Mas acho que o Rafael não vai recuar, assim como a Helena também não. Ela quer, tem medo, mas no fundo ela quer. Sente que precisa sentir o pau do namorado da filha, devorando sua buceta madura. Em breve, será que isso acontecerá?? 🤭🙈 Obrigado pelo comentário, é muito importante essa interação.

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