Do lado de fora, Chuck desceu os degraus. Bateu a mão no bolso do colete, mas não encontrou o relógio de bolso que antes batia levemente contra o peito a cada passo. Apenas caminhou até o Jeep, entrou e ficou sentado longos minutos com as mãos no volante.
Dentro da casa, Kelly recostou a testa na madeira da porta e finalmente deixou as lágrimas descerem. Em silêncio, sem soluços. Apenas o peso de mais uma verdade que agora existia entre os três e que ninguém ainda sabia como carregar.
Lá fora, o dia seguia.
Lá dentro, o tempo parecia ter parado outra vez.
[CONTINUANDO]
À tarde, Jerry e Katie retornaram de suas rotinas. Kelly estava mais quieta do que o normal. Ainda assim já havia preparado o jantar para todos, um tradicional macarrão com queijo. Após seus banhos, jantaram como uma família e depois assistiram a um filme na televisão, perfilados, lado a lado: Jerry, Katie e Kelly. Sobre o colo da pequena, uma imensa bacia de pipoca. Sobre os ombros dos adultos, o peso de uma história que não teve fim.
Findado o filme, Katie foi colocada para dormir por Jerry. Ele sequer voltou à sala, preferindo se recolher à suíte do casal, onde pegou um livro para fingir para sim mesmo que lia. Kelly chegou pouco tempo depois, entrou no banheiro e saiu vestida com uma linda camisola preta. Ela se deitou ao lado dele, mas de costas. Por pouco tempo, pois logo se sentou de frente para ele:
- Eu te amo, ouviu? Nunca duvide disso.
Jerry a olhou por cima dos óculos. Fechou calmamente o livro, tirou os óculos e a encarou em silêncio um momento a mais:
- Eu também te amo, Kelly. Se eu não te amasse, já teria ido embora.
- Analogia interessante... Acho que é por isso que eu também estou aqui.
- O que você está querendo me dizer, que ainda ama ele também?
- Eu já te disse isso, Jerry. Eu amo o Chuck. De forma diferente à você, mas eu... sim... eu o amo também.
Jerry pegou os seus óculos, o livro e a olhou assim que os colocou:
- Você começou bem. Mas já está indo por um caminho estranho e...
Ela não esperou que ele terminasse e se jogou sobre ele, beijando-o com paixão. A surpresa foi grande ao ponto de embaçar as lentes dos óculos dele. Jerry, atordoado e surpreso, tirou os óculos, colocando-os novamente sobre o criado mudo, fazendo o mesmo com o livro:
- Não sei se é uma boa ideia.
- Te amar é sempre uma boa ideia. – Ela retrucou, voltando a beijá-lo, mas logo encarando-o a centímetros de distância: - A não ser que você não me queira mais... Não quer?
Jerry a observada a centímetros, sentindo o seu discreto mas sempre agradável perfume com notas de jasmins. A saudade, o medo, a decepção, o amor, a paixão, tudo misturado dentro de si deu o destino mais que previsível àquela situação: ele a puxou para si, colando a boca dela à sua.
Entretanto, algo enquanto eles se beijavam, buscando encontrar o ritmo, forças pró e contra Kelly se debatiam dentro dele. Aquelas não tão favoráveis acabaram vencendo, lembrando-o de toda a dor causada, de todo o medo, do risco dele não ser o pai do bebê que ela esperava:
- Tira a camisola! Quero te ver peladinha, nem que seja uma última vez...
Kelly sorriu e se levantou, rebolando suavemente, enquanto puxava a camisola por cima de sua cabeça, deixando claro que ela usava somente aquela peça. Nada mais. Quando terminou, ela colocou as mãos na cintura e um olhar lascivo sobre Jerry:
- No que depender de mim, teremos muitas e muitas noites como essa.
- Será!? – Ele retrucou, puxando-a para si e enfiando a boca em sua buceta.
- Ahhhhhhh! – Gemeu ela, ao sentir sua língua ávida começando a trabalhar em seu clítoris.
Ela imaginava que teria uma noite de amor, para reforçar os laços do casal. Jerry tinha outros planos...
Enquanto ele lambia, chupava, e esfregava seu rosto em toda a intimidade úmida da esposa, ela acariciava sua cabeça, às vezes, apertando-a em si quando o contato exigia um pouco mais de pressão. Após segundos, suas pernas começaram a tremer:
- Eu vou cair, Jerryyyyyyyy...
Não houve tempo, ele tirou a cabeça toda babada de sua buceta e a puxou para baixo, colando novamente suas bocas. Não durou muito:
- De quatro, safada!
- De quatro? Ui! Delícia...
- Vamos ver...
Esse “vamos ver” trouxe um leve arrepio à coluna de Kelly. Ela adorava quando o marido se impunha na cama, mas havia algo de diferente em seu tom de voz. Algo que ela não conseguiu identificar de imediato. Ainda assim, ela fez o que ele mandou, colocando-se de quatro sobre os joelhos e cotovelos:
- Prefere assim, ou assim? – Ela perguntou, enquanto colava a cabeça no colchão.
Jerry não respondeu. Apenas enfiou a boca em seu cu, fazendo Kelly gemer alto e agarrar os lençóis como se sua vida dependesse disso:
- Eu... Eu não me preparei para isso, Jerry. – Resmungou, embora os arrepios de tesão lhe percorressem o corpo.
- Foda-se! – Ele respondeu, dando um audível tapa na bunda de Kelly.
- Ai! Calma aí, Jerry. Caramba...
Ele não se importou com os lamentos dela e se colocou atrás, esfregando o pau em sua buceta. Lentamente e suavemente fez a glande achar o caminho. Quando a cabeça já estava dentro, ele, de surpresa, agarrou sua cintura e deu uma estocada profunda e seca, fazendo Kelly gritar, abafadamente nos lençóis, afinal, Katie também estava na casa.
Jerry passou a bombar feito um louco. Às vezes, diminuía o ritmo, quando dava um bom e sonoro tapa em sua bunda, acariciando pouco depois para logo voltar a bombar com força e intensidade, fazendo os corpos de ambos ecoarem pelo quarto. Num certo momento, cansada de ser chacoalhada, Kelly tentou se livrar dele e quase conseguiu, quase porque Jerry aproveitou o momento para mirar no cu dela, penetrando-o até a metade de seu pau.
Nesse momento, Kelly gritou alto, pouco se importando com a filha. Além disso, jogou-se para a frente e torceu seu corpo para a direita, conseguindo livrar-se de Jerry:
- Você está louco, Jerry!? O que foi isso?
Jerry respirava feito um boi bravo. Aliás, seu olhar estava perdido em algum mundo ou momento que não aquele. Kelly, brava num primeiro momento, estranhou a face do marido:
- Jerry? – Ajoelhando-se a frente dele e aumentando o tom de sua voz, insistiu: - Jerry!?
Ele então piscou duas vezes e a encarou. Lágrimas brotaram de seus olhos e ela o abraçou, afagando sua cabeça. Quase imediatamente, seus olhos também marejaram:
- A gente vai superar tudo isso, amor. Eu te prometo. A gente vai superar...
Por um momento, eles ficaram ali. Não queriam sexo. Não queriam mágoas. Queriam apenas aquela sensação de pertencimento intencional, de duas pessoas que se elegeram, que se querem, que se escolheram.
Após segundos, ou minutos, porque o tempo tomou proporções relativos, Jerry lhe deu um beijo na testa, balbuciando um “Desculpa” e se afastou delicadamente, saindo daquele contato e indo até o banheiro, fechando a porta atrás de si.
Kelly, por segundos, pensou em ficar, pois imaginava que ele queria um momento para chorar, mas não aceitou a distância e foi até o banheiro, decidida: se ele tivesse trancado a porta, ela respeitaria; se não, era sinal para que ela entrasse.
Click!
A porta se abriu e ela viu que ele havia entrado debaixo da ducha e encostado a cabeça no piso, enquanto a água caía. Ela entrou no banheiro, no box, sob a ducha e abraçou ele por trás. Jerry reagiu como se tivesse tomado um choque, tentando fugir ao contato:
- Calma, sou eu. A Kelly de sempre. Melhor: a Kelly de antes de todo esse tormento.
Ele gostou do que ouviu. A “Kelly de antes”... Quando ela era só dele, quando a família tinha um futuro, quando sonhos se realizavam. Ele se virou para ela e a beijou, com carinho, quase devoção. Ele sabia que havia extrapolado. Embora eles tivesse um sexo variado, aquela agressividade não era comum, não dele, nunca de Jerry:
- Desculpa, Kelly. Eu... não sei o que me deu.
- Está tudo bem. Eu só não esperava tanta... intensidade. Mas não estou brava.
- Desculpa mesmo. – Ele insistiu, cabisbaixo.
Ela levantou seu olhar, fixando-o no dela e beijou sua boca:
- Está tudo bem mesmo. Por que você não pega um vinho para a gente? Eu terminar a minha ducha e te encontro no quarto depois.
- Ainda está querendo ficar comigo, mesmo depois do que eu fiz!?
- Sim. Sempre, Jerry. – Ela o beijou novamente e insistiu: - Pega um vinho suave, duas taças e me espera. Vai valer a pena.
Jerry se enxugou e saiu para o quarto, encostando a porta do banheiro.
Kelly, embora dolorida, decidiu fazer uma rápida limpeza interna, preparando-se para dar o que o marido queria, mas agora por vontade própria. Passou a mão pela bunda e viu uma marca vermelha, sorrindo, meio constrangida. Mas sorrindo.
Enquanto isso, Jerry fez o que ela pediu e aguardou sentado sobre a cama, recostado na cabeceira.
Kelly logo saiu do banho e veio até o lado dele, pegando as duas taças e erguendo na sua direção:
- Por favor, cavalheiro...
Jerry serviu e pegou uma taça. E estranhamente brindaram. Ele não sabia o que falar, mas ela sim:
- Pela reconstrução de nosso amor e nossa família.
Tim-Tim!
Eles se olharam. Fixamente. Um para o outro. Kelly se aproximou um pouco mais e o beijou. Jerry foi sincero:
- Tenho medo de te machucar.
- Talvez eu mereça uns bons tapas mesmo.
- Nem brinca com isso, Kelly! Eu... não sou assim...
- Não. Mas... eu até que gostei dessa sua versão mais... Hããããã... insana! – Ela arregalou os olhos e riu: - Desculpa. Péssima palavra... Selvagem. Isso! Sua versão mais selvagem.
Jerry sorriu meio acanhado e serviu novamente as duas taças. Beberam mais um pouco, sempre se olhando, se tocando. A pele dela se arrepiando a cada contato; a dele reagindo também, mais lentamente.
Ao final da terceira taça, Kelly colocou a dela e a dele sobre o criado mudo e subiu em seu colo, de frente para ele, oferecendo os seios de mamilos eriçados:
- Chupa gostoso, amor. Adoro quando você faz isso...
E ele fez... Igual ao que sempre fazia, fazendo ela se arrepiar toda. Kelly sentiu o pau dele endurecer sob sua vagina ainda úmida e começou a se esfregar nele. Sentia a cabeça dele ficar cada vez mais inchada e o toque ficar cada vez mais gostoso em seu clítoris. Passaram a se beijar e acariciar novamente, com gemidos cada vez mais audíveis, mas agora dos dois, da paixão que ainda ardia dentro deles. Num certo momento, ao pé do ouvido dele, ela perguntou:
- Quer meu cuzinho, amor da minha vida?
- Quero. Você quer?
- Quero te fazer feliz, sempre.
Ela deu mais um beijo na boca dele e se levantou, apenas para voltar a se sentar, mas agora de costas para ele. E foi escorregando pela sua coxa, para a frente e para trás... para a frente e para trás... para a frente e para trás... Mas agora abriu sua bunda e esfregou o cu no pau dele:
- Ahhh, caralho! – Gemeu Jerry.
- Ele é seu, amor. Quer o meu cuzinho, quer? Então, toma o que é teu! Eu quero. Mas vai devagar, por favor. Você é muito grande.
Jerry sabia que não era nenhum dotado, nem pouco servido. Estava na média, talvez na média superior. Ele até pensou em abortar, mas ver a bunda da esposa e ainda mais o cuzinho sendo oferecido, foi demais para sua vontade. Ele apenas apontou a cabeça para o cuzinho dela e falou:
- Se você quer, então é só vir de ré.
Kelly deu uma risada com a piada, e se inclinou para pegar um lubrificante na gaveta do criado de Jerry. Ela mesma passou em si. Depois, voltou a se esfregar, rebolar devagar, forçar a bunda para trás, até que sentiu a glande do pau do marido voltar a penetrá-la.
Com a glande já dentro, ela parou, sentindo seu cu involuntariamente tentar “mastigá-lo”. Então, foi relaxando... relaxando... relaxando... até voltar a se movimentar para a frente e para trás. Logo, o pau dele estava todo dentro dela. Um simples toque de Jerry em sua coluna, a fez ter um arrepio e uma contração anal involuntária, que a levou a gemer alto. Jerry sentiu a pressão, e adorou:
- Safada! Que saudade eu estava disso.
- É!? Que delícia ouvir isso, amor! – Ela respondeu, passando a rebolar novamente e dar pequenas “quicadas” em seu colo: - Então aproveita. Aproveita e goza bem gostoso dentro de mim. Vem!
Kelly passou a cavalga-lo com paixão. Às vezes diminuía o ritmo, mas não parava. Ao invés, começava a rebolar sensualmente balançando todo o seu corpo para delírio de Jerry. E assim ficaram por minutos, até Jerry anunciar que iria gozar e ela começar a contrair e relaxar o ânus, num movimento que o deixou totalmente desconcertado. Foram segundos de uma deliciosa agonia até ele gemer mais alto e despejar tudo dentro dela. Ela, ao sentir o desejo do marido explodindo dentro de si, também teve um delicioso orgasmo, gemendo enquanto sentia ele se derreter dentro dela.
Ela então se permitiu encostar no peito dele, onde ficaram ambos respirando descompassadamente, recuperando-se daquele sexo que parecia ter tudo para dar errado, mas que, no final, acabou dando muito certo.
Kelly depois de um tempo saiu de cima de Jerry e se deitou ao seu lado. Ele fez o mesmo, escorregando o corpo pela cama até ficarem praticamente na altura dos olhos dela. Ela então se aconchegou no peito dele, recebendo um abraço justo. Por minutos ficaram apenas ali em silêncio, sentindo-se, recuperando-se:
- Chuck faz melhor do que eu? – Perguntou Jerry, de repente.
- Oi!?
- É. Eu queria saber o que te levou a transar com ele.
Kelly levantou a cabeça rapidamente, encarando o marido, surpresa com a pergunta. Depois, baixou novamente a cabeça sobre seu peito e ficou pensando no que dizer. Ele se adiantou:
- Não precisa responder. Foi idiotice minha.
- Não. Está tudo bem... – Ela suspirou: - O que você quer saber exatamente? Não acha que vai apenas cutucando ainda mais uma ferida?
- Sei lá... Acho que é uma curiosidade, uma... Deixa pra lá. Foi besteira.
Kelly ajeitou sua cabeça de modo que pudesse olhar nos olhos dele e disse:
- Se quiser saber de alguma, eu respondo. Só peço que não leve isso para o lado pessoal, ou que tente se diminuir. Você não precisa disso.
Jerry a encarou por um segundo, como se refletisse sobre a real necessidade disso e continuou:
- Tá. Ele transa melhor do que eu?
- Não. É diferente, mas não é melhor.
- Diferente, como?
Kelly ficou em silêncio por um segundo, pensando em como explicar. Depois, se ajeitou de forma que pudesse olhar o marido nos olhos, ficando sobre o peito dele, apoiada no próprio braço. Então, falou:
- Eu não sei explicar. Só foi... diferente. Acho que tinha aquele negócio de expectativa, sabe? Então, aconteceu. Mas não posso dizer que é melhor do que quando fazemos amor, porque não foi.
Jerry concordou com um discreto meneio de cabeça e continuou:
- Ele é... O pau dele é do que o meu?
- Sério, Jerry!? Desde quando você tem esse tipo de medo?
- Não é medo. É curiosidade...
Kelly balançou negativamente a cabeça e respondeu:
- Nem maior, nem menor... Talvez um pouquinho maior, mas o seu é mais grosso. Satisfeito?
Jerry coçou o queixo e deu um sorriso bobo que ela não entendeu, e continuou:
- Você gozou com ele?
- Ah, Jerry...
- Qual o problema de responder?
- Tá... – Ela suspirou, desviando o olhar rapidamente, mas voltando a encará-lo: - Gozei. E antes que você pergunte, foram duas vezes, se não me engano.
Jerry pareceu se surpreender, mas ela foi rápida:
- Nem vem! Quando a gente faz amor, eu gozo bastante com você também.
Jerry ficou sério por um instante, mas emendou com um tom de voz neutro:
- Vocês transaram mesmo sem camisinha?
Kelly entendeu a pergunta e balançou a cabeça, confirmando. Ainda disse:
- Infelizmente sim. Isso foi a burrada da minha burrada...
- E lógico que ele gozou dentro de você, né?
- Gozou... – Kelly concordou, abaixando o olhar por um instante.
- Muito?
Ela deu de ombros e explicou:
- O suficiente para vazar para fora depois.
Jerry se movimentou de modo que ela precisassem sair de cima dele. Sentou-se na beirada da cama com os pés para fora e ali ficou em silêncio por um instante. Então, olhou para a garrafa de vinho e serviu o restante nas duas taças, entregando uma para Kelly:
- Você acha mesmo que esse filho é meu?
Ela sorriu genuinamente feliz com a chance de se explicar:
- Tenho certeza! Nós já estávamos tentando. Eu não estava no meu período fértil. E eu transei com ele só uma vez, com você foram várias. – Bebeu um pouco do vinho, olhando nos olhos dele: - Só não tenho como provar ainda. Mas aqui no meu coração, eu tenho certeza de que ele é seu.
Jerry sorriu e a puxou para um beijo, não tão profundo, poucas língua envolvida, mas o suficiente para deixa-la feliz. Assim que se separaram ele fez a derradeira pergunta:
- Você ainda gostaria de transar com ele?
- Mas que pergunta mais sem cabimento, Jerry!
- Foi só uma pergunta. Por que evitar de respondê-la?
- Por quê!? Porque... Porque... – Ela virou o restante de sua taça, desviou o olhar, pensou um pouco e voltou a encará-lo: - Porque veja o tanto de sofrimento que eu te causei! Acha mesmo que eu quero o seu mal?
- Tenho certeza que não! – Ele também virou a taça: - Mas, hipoteticamente, ok? Se eu deixasse você ir... você iria? E o mais importante, você voltaria?
- Ah... Que pergunta, viu! – Kelly se levantou da cama e foi até o banheiro, onde se trancou.
Jerry não impediu. Apenas queria uma resposta. Queria entender qual a profundidade do que ainda unia a esposa ao seu concorrente. Vendo que ela não voltava, decidiu vestir uma cueca samba canção, pegar as taças, a garrafa vazia e leva-as até a cozinha. Ali, enquanto lavava as taças, passou a raciocinar o que significava aquela pergunta ainda sem resposta.
No banheiro, Kelly entrou embaixo da ducha para tirar o suor daquele recente momento íntimo. Não entendida exatamente o que Jerry pretendia. E aquela última pergunta... martelava em sua mente. Se assumisse a verdade em seu coração, Jerry se magoaria; se mentisse, e ele percebesse, a mágoa poderia ser ainda maior. Como falar que o sexo com Chuck era bom, intenso, instigante? Como contar que, com ele, ela se sentia jovem novamente?
- Ele quer a verdade, Kelly? Mas não precisa ser a verdade nua e crua... – Balbuciou para si mesma.
Saiu da ducha, se enxugou rapidamente, enrolou-se numa toalha e saiu para o quarto novamente. Jerry não estava. Um calafrio percorreu sua coluna e ela saiu praticamente correndo, apenas para encontra-lo sentado à bancada que separa a cozinha da sala de estar, comendo um lance de pão com frios. O olhar dela era pura preocupação e ele notou:
- Quer? – Indicou ele para o lanche.
Sem saber o que dizer ou fazer, ela apenas anuiu. Ele preparou um lanche rápido para ela, colocou num prato e depois à frente dela. Após a primeira mordida, ela respondeu:
- O sexo com ele foi bom... – Ela disse sem encará-lo novamente: - Mas eu não repetiria se isso te magoasse.
- Mas se não magoasse... – Jerry insistiu.
- Se não te magoasse, se fosse algo permitido, uma decisão adulta... talvez eu repetisse sim. – Ela falou e respirou profundamente, como se tivesse tirado um peso das costas: - Mas isso não quer dizer que eu vou fazer, entendeu? Como você mesmo disse, hipoteticamente...
- Entendi... Entendi... – Jerry repetiu, mordeu seu lanche e fixou o olhar na aliança de casamento na mão dela: - Você iria... Mas voltaria?
- Claro que voltaria, Jerry! Disso, eu não tenho dúvida alguma!
- Tá... – Jerry agora encarou Kelly, olhando no fundo de seus olhos.
Kelly sentiu um arrepio percorrer sua coluna novamente. Seu sexto sentido estava mais do que aguçado. Ela sentia que algo estava para mudar em suas vidas. Só não entendia o quê. E o pior: não entendia se essa mudança viria para o bem ou para o mal.
OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.
FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.
