— Tá bom, preguiçoso — ela disse, rindo — hora de levantar.
Eu estiquei a mão para ela, mas ela se esgueirou para longe, mostrando uma graça estranha.
— Nem pensar — ela disse, rindo e balançando o dedo indicador de um lado pro outro, no processo fazendo aqueles peitinhos e a barriga macia balançarem de jeitos interessantes — a gente tem coisas para fazer.
Eu me espreguiçei, arqueando as costas, torcendo para ela notar a ereção.
— Nem pensar — ela repetiu, rindo. Puxou o lençol de uma vez e saiu correndo do quarto antes que eu reagisse. Ia rindo pelo corredor.
Eu me espreguiçei de verdade, rolei para fora da cama e fui no banheiro mijar. Quando fui lavar as mãos tive um momento ruim ao ver as escovas de dente da mãe e do pai, lado a lado no suporte central. Aí pensei “foda-se”, peguei a escova da mãe, coloquei o creme dental e escovei os dentes.
Eu estava meio que saboreando minha nova liberdade e, bem, autoridade, enquanto andava pelado pela minha casa, seguindo o cheiro de café.
Não me surpreendi nem um pouco quando entrei na cozinha e encontrei a tia Rita vestida só com o avental se mexendo, claramente preparando o café da manhã. Ela parecia confortável no papel de chef de café da manhã. Eu ri do jeito que ela ia cantarolando baixinho enquanto trabalhava.
Eu curtia assistir e ela, claramente, curtia ser assistida. Dava olhadinhas rápidas e sorria enquanto trabalhava.
— Aqui está, Homem da Casa — ela disse, colocando uma xícara de café na minha frente — café da manhã em uns cinco minutos.
Mais do que qualquer outra coisa, aquilo cravou o que tinha acontecido e meu novo status.
— Então — eu disse, encarando os olhos da tia Rita do outro lado da mesa — você vai ficar para ser a Dona do Casarão?
Os olhos dela arregalaram.
— Você tá me pedindo em casamento, Davi? — perguntou, entrelaçando os dedos e apoiando o queixo neles, cotovelos na mesa, inclinando-se para frente, a própria imagem de alguém prestando atenção total.
— Acho que “sugerindo”, mais do que “pedindo” — eu respondi, orgulhoso daquela resposta.
Ela segurou meu olhar por uma contagem longa de dez segundos.
— Cuidado com o que você deseja, meu sobrinho — ela disse, mantendo a pose e o olhar — Seus desejos podem acabar se realizando. E meus gostos podem ser… digamos, “exóticos”.
— Rita — eu disse, deliberadamente tirando o “tia” — eu sei.
— Ah é? — ela respondeu, fazendo aquele olhar de inocência pura que só mulher consegue puxar.
Eu levei alguns segundos, entrelaçando os dedos, colocando os cotovelos na mesa, apoiando o queixo nos dedos e inclinando um pouco, espelhando a posição dela.
— Eu vi o vídeo — falei.
Os olhos dela arregalaram e, pela primeira vez desde que apareceu na minha porta (a posse ainda difícil de internalizar), ela pareceu… desconcertada.
Ela hesitou.
— Ummmmm — começou, claramente ganhando tempo — qual deles?
— QUAL DELES?!?! — pensei. — Jesus, quantos tem?
Agora era eu quem hesitava, pensando.
E eu observei o rosto dela enquanto ela recuperava a compostura e o controle.
Ela me esperou.
— Você e a mãe, um plástico no chão e, bem… — eu hesitei, procurando uma palavra apropriada, mas me sentindo idiota, e acabei com — …se molhando toda.
Ela riu.
— Ah, sim — disse, agora totalmente no comando de novo — aquela brincadeira molhada e bagunçada.
Segurou meu olhar.
— Você gostou? — perguntou.
Eu fiquei vermelho.
— Não assisti tudo — falei — eu tava meio que… experimentando.
— Então você sabe que sua mãe e seu pai tinham alguns interesses… digamos, “extremos” — ela disse.
— Sim — foi tudo que consegui.
Ela estava no comando de novo quando se levantou.
— A gente tem coisas para fazer, amor — disse, começando a recolher a louça. — Vamos fazer e depois a gente conversa sobre o futuro.
Então lavamos a louça, eu lavando e ela enxugando e guardando. Era óbvio que ela conhecia bem a cozinha da minha mãe… NÃO, a minha cozinha. Eu estava quase terminando, jogando o lixo, quando ela me deu um estalo com a toalha molhada, me fazendo pular, gritar e virar para enfrentar o que tinha me atacado, assumindo posição de luta.
Ela riu, deu um gritinho e saiu correndo em direção ao quarto.
Eu segui, andando devagar, meio que no estilo de stalker de filme. Quando cheguei no quarto, ela já estava de calcinha e terminando de colocar jeans e fazendo aquela coisa esquisita de contorcionista que todas as mulheres parecem aprender com o primeiro sutiã, fechando o sutiã.
— Nem pensar — ela disse, rindo. — Primeiro a gente cuida dos negócios.
Eu estiquei a mão, mas ela novamente se esgueirou para longe. Então desisti e fui no banheiro, escovei os dentes de novo, lavei o rosto e passei o pente no cabelo. Depois vesti uma calça jeans e uma camisa preta, meu reconhecimento de que aquilo era assunto sério, e a encontrei na sala, tomando café, assistindo uns falastrões na televisão, parecendo perfeitamente em casa.
— Tá — eu disse — Vamos cuidar dos nossos negócios para eu poder me vingar — esfreguei a bunda onde ela tinha me estalado com a toalha.
Ela riu e disse:
— Tá. Eu acho: funerária, advogado e depois o hospital para checar.
— Fechado — respondi e ofereci a mão.
No carro, digitei o nome do escritório no app do GPS e comecei a seguir a linha azul de forma automática.
— Você tá bem? — ela perguntou.
— Não sei, sendo honesto — respondi — mas eu me viro.
Ela sorriu e deu um tapinha na minha perna.
No escritório do advogado, parei na porta, olhando os nomes, e vi que ia falar com André Santana.
Eu dei uma risadinha.
— O quê? — Rita perguntou.
— Ai, Jesus — falei, tentando me controlar — eu vou entrar para conversar com o Dedé Santana.
Os olhos dela arregalaram e ela riu.
— Pelo menos não é o Zacarias.
A gente se controlou aos poucos. Olhando para trás, tenho certeza de que aquela explosão de hilaridade inadequada foi reação à situação.
— Davi Moraes para o Sr. Santana — disse para a moça da recepção, bem mais jovem do que na minha imagem mental, mas ainda soando bem profissional enquanto trabalhava o telefone e anunciava a gente.
Outra mulher, essa de cabelo grisalho preso num coque severo e rosto enrugado mas ainda atraente, veio batendo o salto pelo corredor, fazendo aquele som característico.
— Sr. Moraes? — perguntou, estendendo a mão.
— Sim — respondi, apertando e depois virando — e Rita Rodrigues, minha tia e conselheira — acrescentei, dando a ela um título que parecia apropriado.
Ela apertou a mão da tia Rita e depois disse:
— Por aqui, por favor.
O homem parecia saído direto de uma série de advogados americana. Alto, atlético e ridiculamente bonito. O cabelo grisalho perfeitamente penteado. A barba aparada com bordas de régua. O terno provavelmente custava mais que meu carro velho. E a voz convenceria um júri ou desarmaria qualquer mulher. Eu sorri enquanto observava a tia Rita pelo canto do olho, imaginando se ela realmente ia agarrá-lo ali mesmo.
Depois que sentamos ele disse:
— Bem, aqui vai a boa notícia. Seu pai acreditava muito em seguro. Ele tinha apólices de cinco milhões de reais em cima dele e da sua mãe, e as duas tinham cláusula de indenização dobrada em caso de morte acidental.
Ele pausou, imagino, para deixar isso afundar.
— Além disso, ele tinha seguro de invalidez de longo prazo e o senhor vai receber o reembolso dessas apólices — pausou de novo.
— O seguro do carro tem uma cobertura de morte de mais um milhão de reais — disse.
A sala ficou em silêncio por uma contagem longa.
— Ummmmmm — foi tudo que consegui.
— Neste momento, Sr. Moraes — ele disse — o senhor está prestes a ter um pouco mais de vinte e sete milhões de reais disponíveis.
— O que… — comecei, mas realmente não conseguia formular uma pergunta.
— Impostos? — perguntou a tia Rita.
— Não — Santana respondeu — indenizações de seguro não contam como renda para efeitos fiscais.
Eu não falei nada.
A tia Rita não falou nada.
O Sr. Santana sorriu… bem, aquele advogado deu um sorriso predador, o sorriso que se espera de um advogado que cheira um caso grande chegando.
— Tem mais — ele disse — se o senhor quiser seguir.
— O quê? — perguntei, meio zonzo.
— O relatório da polícia sugeriu que o airbag do lado da sua mãe falhou em abrir e tem alguma questão sobre a dificuldade que o cara que encontrou o carro teve quando tentou tirar sua irmã — ele disse.
— O que isso significa? — perguntei.
Agora o sorriso dele era mais como o que o nadador vê no instante antes do tubarão levar a perna.
— Isso significa — ele disse, e o jeito que falou fazia esperar que ele começasse a esfregar as mãos de antecipação — que pode haver um processo contra o fabricante.
Acho que fiquei com cara de paisagem.
— Tudo que o senhor precisa fazer, Sr. Moraes — e, de todas as coisas ditas até agora, foi o uso do “senhor” que me atingiu mais forte — é deixar a gente ir atrás deles. Sem custo pro senhor a não ser que a gente ganhe, e aí a gente fica com um terço.
— Ummmm, claro — falei, ainda processando tudo isso.
— Ótimo — ele disse e estendeu a mão. A mulher lhe entregou um papel.
— Só preciso de uma assinatura e eu começo — disse.
A tia Rita esticou o braço e puxou o papel para ela.
Não olhou, mas enfiou a mão na bolsinha que carregava — imagino que ainda se chama bolsa mesmo sendo macia, colorida — e tirou o celular. Tocava, rolava, tocava e depois colocou o telefone na mesa.
— Rita Rodrigues — começou, a voz profissional e autoritária — gravando isso para constar. Estou presente com Davi Moraes, André Santana e… — pausou e olhou para a mulher, que ficava quieta — qual é o seu nome, querida?
Ela pareceu um pouco surpresa e olhou para Santana. Ele acenou.
— Raquel Gomes — disse.
— E Raquel Gomes. Estou gravando isso para afirmar, para constar, a discussão sobre um possível processo contra… — pausou de novo — qual é o fabricante, Sr. Santana?
— Porsche — ele respondeu — o veículo era um Porsche Cayenne.
— Contra a empresa de carros Porsche a respeito da falha de um sistema de retenção. O Sr. Santana disse ao Sr. Moraes que não haveria cobrança pela preparação da ação e que, em caso de resolução bem-sucedida, o escritório do Sr. Santana receberá um terço do pagamento como honorários, pagos integralmente.
Ela pausou, franzindo a testa, a própria imagem de quem está pensando.
— Está correto como eu declarei, Sr. Santana? Responda “sim ou não” para constar, por favor — disse.
Ele sorriu e respondeu:
— Sim.
— A senhora afirma isso, Sra. Gomes? — perguntou.
— Sim — disse a atraente Raquel.
— O senhor afirma isso, Sr. Moraes? — perguntou.
— Sim — respondi, ainda um pouco zonzo.
— Pode assinar, Davi — ela disse, pegando o celular, tocando em alguma coisa e jogando de volta na bolsa.
Santana se levantou, sorrindo, e ofereceu a mão.
— O senhor tem uma boa conselheira — disse.
— O senhor tem um talão de cheques consigo, por acaso? — perguntou.
— Não — respondi.
— Tá — ele disse — quando chegar em casa liga para Raquel e passa os dados da conta. A gente transfere, digamos, cem mil reais para sua conta para o senhor não precisar se preocupar com dinheiro enquanto… bem, sendo perfeitamente frio, “faz os arranjos”.
Agradecemos, apertamos as mãos de todo mundo e voltamos pro carro.
— Meu Deus, isso foi DIVERTIDO! — ela disse, o tom ofegante.
— Você foi incrível — respondi.
Na funerária, a transação não poderia ter sido mais direta. O responsável tinha um contrato simples de duas páginas pronto. Por uma taxa fixa de cinco mil reais cada eles buscavam os corpos, cuidavam da cremação e me entregavam as cinzas. Eu assinei e disse que levaria o dinheiro no dia seguinte.
E então fomos pro hospital.
Não, a Lara não tinha acordado.
Sim, a gente podia subir e vê-la.
— Sua irmã — o médico nos disse, um residente que não lembro o nome — é um caso um pouco estranho. Ela respira sozinha, se mexe, aparentemente sonha, mas não acorda. Não é exatamente um coma. A gente gostaria de mantê-la alguns dias para ver como o caso evolui.
— Tá — eu disse.
A tia Rita e eu subimos e encontramos o quarto 617.
— Jesus — falei.
— O quê? — Rita perguntou.
— Acabou de bater em mim — respondi — a Lara é a cara e a semelhança da mãe.
Ela riu.
— Você não tinha notado isso? — perguntou.
Eu sorri.
— Rita, eu ainda era criança quando ela foi para a faculdade — falei — a gente se vê talvez quatro vezes por ano. Então não, eu não tinha notado.
Ela foi pro lado da cama e afastou alguns fios de cabelo soltos do rosto da Lara. O cabelo da Lara era escuro, quase preto, e já salpicado de grisalho. A mãe me contou uma vez que tinha começado a ficar grisalha aos trinta, e a voz na minha cabeça contando isso travou quando terminei o pensamento: na hora da morte dela estava quase completamente grisalha, mas daquele cinza prateado bom que pode fazer um homem ou mulher maduros ficarem bem para caralho.
— Tá, Sr. Milionário — Rita disse, pegando meu braço — ela está aqui e não tem nada para a gente fazer a não ser esperar. Então leva sua tia a algum lugar, alimente ela e vamos conversar.
Não fizemos nada sofisticado, só um restaurante 24 horas de fast food, um McDonald’s. Eu pedi o café da manhã completo, feliz que serviam o dia inteiro, a tia Rita pediu um sanduíche simples de carne. Comemos num silêncio companheiro.
Ela tomou o último gole do suco gelado, bateu o copo na mesa com um baque, me encarou e disse:
— A gente deveria se casar.
Gosto de pensar que sou bem rápido de raciocínio. Tenho um repertório de cem respostas prontas e acho que sou bem adaptável na conversa. Mas essa me travou.
Eu só fiquei olhando para ela.
Ela riu.
— Agora ISSO dói — disse no meio das risadas — e eu achando que nosso amor era perfeito.
Eu continuei olhando.
Ela riu e finalmente parou.
Não era que eu “estivesse esperando ela”. Eu simplesmente não conseguia, pela minha vida, pensar em como responder.
— Tá — ela disse — imagino que explicações estejam em ordem.
— Acha mesmo?! — consegui.
Ela de repente estava rindo de novo.
— Tá — disse, levantando a mão no sinal universal de “me dá um segundo”, levantou-se e pegou um refill de mais suco gelado, ou era refrigerante, sinceramente não lembro, aquela afirmação estava na minha mente ainda em loop.
Tomou um gole, teve outro ataque de riso, espirrou suco na mesa e levantou a mão de novo.
— Tá — disse, agora controlada — eu tô falando sério, Davi. Agora, neste instante, se você morresse, se um meteoro atravessasse o teto e te matasse, você morreria o que os advogados chamam de “intestado”, e com sua irmã do jeito que está, os advogados iam se alimentar do seu dinheiro até quem finalmente ficasse com ele receber tipo 87 reais.
Ela parou para tomar outro gole.
— Entããão — disse, sorrindo — a gente se casa e aquele meteoro me deixa uma mulher rica, mas deixa os advogados chupando o dedo.
Eu não falei nada.
— Além disso — ela disse, me dando um sorriso coquete que tirou pelo menos vinte anos do rosto — você perguntou se eu queria ficar e ser a Dona do Casarão. Eu tô dizendo sim.
— Você tá falando sério — eu disse.
— Você tem alguma namorada que tava traindo comigo? — perguntou.
— Bem, não — respondi, começando a envolver a cabeça em torno do que ela estava dizendo.
Ela esticou a mão pela mesa e disse:
— A gente é bom na cama.
Eu ri.
— A gente é isso — respondi.
Ela deslizou para fora do banco, deu um passo até mim e estendeu a mão.
Eu peguei, esperando me levantar com ela.
Em vez disso, ela se ajoelhou, assumindo aquela pose que a gente vê em uma dúzia de comédias românticas bobas.
— Davi Moraes — ela disse, alto o bastante para as pessoas nas mesas vizinhas virarem para olhar — você capturou meu coração. Você capturou minha alma. Você capturou minha mente. Eu te amo. Você quer se casar comigo?
Num filme o resto do cenário teria escurecido sutilmente, uma luz quase imperceptível nos teria destacado, e a música teria ficado em silêncio junto com o burburinho geral de conversas ao nosso redor.
O tempo, para usar o clichê, parou.
A adrenalina corria pelo meu sistema.
Respirei fundo.
— Sim — eu disse.
E exatamente como nos filmes, pessoas em meia dúzia de mesas bateram palmas de repente.
Ela se levantou e eu me levantei e nos abraçamos e eu a beijei sob mais aplausos.
Eu ri, fiz uma reverência rápida e disse:
— A gente vai estar aqui toda quinta-feira.
Rita enrolou os braços no meu pescoço e me puxou para baixo.
— Me leva para casa e me joga na cama antes que eu exploda — sussurrou.
Eu ri, fiz outra reverência rápida e fomos para casa.
Mal passamos a porta da frente e ela já estava em cima de mim.
— Vem para cama — ela ofegava, bem, meio que ofegava, a respiração irregular — meu futuro marido.
Aquilo era tão diferente que eu não sabia como lidar. Não era fazer amor. Nem era preliminares.
Cristo, aquilo era praticamente um assalto.
Os beijos dela eram duros, quase brutais. Quando ela mordeu meu lábio foi forte o bastante para eu gritar, tocar e olhar o dedo, perguntando se tinha tirado sangue.
— Rita? Que… — comecei, mas ela me cortou com outro daqueles beijos duros, quase selvagens.
— Me fode, bebê — ela disse, mordiscando de novo, dessa vez fazendo eu agarrar o lóbulo da orelha e checar se tinha sangue — ontem foi gostoso, mas agora eu preciso de uma foda boa e dura.
Eu ri.
— Bem, então tá bom — respondi, fazendo ela rir de volta.
Peguei a mão dela e a levei em direção ao quarto.
Ela girou com uma rapidez que me fez pensar que tinha passado um tempo num dojo de karatê, agarrou a frente da minha camisa e puxou, mandando quatro botões voando.
Deu um passo mais perto, enganchou os dedos e arranhou as unhas pelo meu peito, cruzando os dois mamilos, e me fazendo olhar para baixo para ver se tinha tirado sangue. Eu assisti oito linhas paralelas passarem de brancas para rosa.
— Jesus — falei, agarrando os pulsos dela quando ela esticou a mão de novo — eu entendi. Agora para de tentar me despedaçar, sua canibal do caralho.
Ela riu, fez uma fuga rápida de torção me deixando mais certo do tempo estudando artes marciais, e levantou os braços esticados.
Era óbvio o que ela queria, então eu puxei a camiseta para cima e deixei nos cotovelos, meio que prendendo ela naquela posição enquanto passava os braços por trás para desprender o sutiã. Depois terminei de tirar a camiseta e puxei o sutiã quando ela baixou os braços.
— Por que você usa isso? — perguntei, segurando o sutiã — não é como se você precisasse.
Ela riu e disse:
— Você acabou de me chamar de peito chapado.
— Bemmmmm — eu disse, olhando aqueles peitinhos.
Ela sorriu, aquele sorriso predador dela, e disse:
— Tá, eu sou. Agora se mexe. Eu tô prestes a explodir.
Eu me ajoelhei e peguei a mão dela.
— Rita Rodrigues — falei, e conforme começava os olhos dela arregalaram — Sei que você é minha tia, mas não é do meu sangue. Talvez isso seja pecado mesmo assim em algum lugar. Mas eu não ligo pra isso. Você capturou meu coração. Você é diferente de qualquer mulher que eu já conheci. Eu tô apaixonado. Eu sou seu. Você quer se casar comigo?
Ela me surpreendeu ao desabar em lágrimas. Não era choro quieto, era choro de verdade, de soluçando. Os olhos vermelhos. O nariz vermelho e inchado. E escorrendo. Quando abriu a boca uma folha de saliva grossa conectava o lábio de cima e o de baixo.
— Sim — ela disse — sim, sim, sim.
Eu me levantei e a beijei, um beijo escorregadio, com ranho. Um beijo muito bom, com minhas mãos subindo e descendo nas costas dela enquanto as dela espelhavam nas minhas.
Quebrei o beijo e voltei a me ajoelhar, começando no cinto e no botão do jeans dela.
Nessa posição aquele perfume doce de mulher excitada estava denso, uma mistura embriagante. Ela se contorceu um pouco, impaciente agora, enquanto eu pegava os pés dela, um de cada vez, primeiro o direito depois o esquerdo, e tirava os sapatos. Eu deliberadamente demorei, desabotoando e depois abrindo o zíper do jeans antes de trabalhar a calça pela bunda e beijar aquela mata grossa de pelos macios, cacheados e laranja-vivo.
Ela riu e disse:
— Nem pensar — agarrando meu cabelo e me puxando pra longe — eu não quero oral hoje à noite. Já te falei, eu preciso de uma foda boa e dura.
Eu ri, me levantei, beijei ela e disse:
— Tá bom, Rainha Fogosa, sobe na cama.
Eu assisti enquanto ela engatinhava pra cima da cama, avançando de quatro.
Ri quando ela começou a latir de mentira.
Subi atrás dela e parei.
Aquela foi a primeira vez que eu tive a chance de realmente olhar, só olhar, pra bunda de uma mulher.
Ah, eu tinha visto, nas cinco vezes que consegui convencer mulheres adultas a tirar a calcinha a gente ficou pelado e eu vi todas elas, mas eu não tinha… olhado de verdade.
Agora eu olhei.
A primeira coisa que me bateu foi como parecia um coração perfeitamente invertido, sabe, tipo aquelas camisetas de “I ❤ New York”, só que de cabeça pra baixo. O sulco glúteo formava as curvas de baixo do coração e a fenda glútea completava a imagem. Na base do coração, a buceta dela, os dois lábios gordinhos com a mata de pelos laranja-vivo, estava molhada, o pelo grudado com o néctar dela.
Eu fiquei olhando, absorvendo, e ela rebolou bem bonitinho.
E aquilo desviou minha atenção da buceta — a parte que um milhão de gerações de evolução me chamava — pra bunda dela.
Pousei as palmas nas nádegas e abri de leve, me dando outra primeira vez.
Eu estava fascinado. Cativado. Porra, não tinha outro termo pra usar a não ser hipnotizado.
O pelo dos lábios continuava pra trás, se dividindo em duas linhas finas, o pelo não tão grosso ali quanto crescia ao longo da linha do períneo. No botão enrugado do ânus dela, um círculo bem liso e bem escuro emoldurava a abertura minúscula.
Enquanto eu observava ela mexeu uns músculos bem lá no fundo e o cu inchou um pouco e depois recuou.
— Vai em frente, amor — ela disse — au au. Pega o que você quiser.
Ela fez aquela coisa com os músculos de novo, inchando e recuando, sim, convidando.
— Eu não quero te machucar — falei.
Ela riu, um som claro e feliz, e girou de repente pra deitar de costas, sorrindo pra mim.
— Davi — ela disse, segurando meu olhar, séria agora — quando o assunto é sexo anal existem dois tipos de mulher.
— Ah é? — consegui.
Ela riu.
— Sim — continuou — tem as mulheres que amam aquela sensação deliciosamente cheia que não conseguem de nenhum outro jeito.
— Você disse que tinha dois tipos — falei.
Ela riu de novo, rolou, ficou de quatro e disse:
— E tem as mulheres que mentem e dizem que não gostam. Au au.
Então eu a peguei pelo cu.
Naquele ponto a buceta dela estava transbordando de lubrificação. Um fio longo pendia do capuz do clitóris até o colchão, onde formava uma poça que ia crescendo.
Mergulhei o dedo naquela poça e depois explorei o cu dela, usando o próprio melzinho dela pra lubrificar, preparando-a.
— Isso mesmo, bebê — ela disse — pega o que você quiser.
Eu demorei então, deixando-a escorregadia e sentindo ela relaxar até conseguir enfiar dois dedos com facilidade.
Quando eu, como ela colocou, “peguei o que queria”, usei a mão pra guiar a ereção e depois assisti, fascinado, enquanto ela se abria e eu entrava num empurrão longo e lento só.
— ISSSSSOOO — ela sibilou — isso, isso mesmo, bebê, pega o que quiser de mim.
Estabeleci um ritmo lento e simplesmente não conseguia desviar o olhar. Eu assistia cada estocada.
Ser pega daquele jeito parecia incentivá-la a falar. Ela falava numa voz baixa, rouca, ofegante, um fluxo constante de “Isso”, “Isso mesmo”, “Eu amo isso”, “Mais forte”, “Isso, bebê, me fode no cu”.
Ela gozou, o esfíncter apertando a base da minha ereção com tanta força que doía, mas agora era minha vez de falar.
— Isso mesmo, amor, aperta meu pau com esse cuzinho — eu disse, as mãos apertando as nádegas dela — me empurra pra fora.
Senti ela gozando sem se tocar. Era quase um squirt, encharcando meus ovos.
— Me fode — ela disse, empurrando pra trás e apertando ainda mais — me fode, porra, me enche com sua porra.
Acelerei o ritmo, cada estocada terminando com um tapa audível quando minha barriga batia na bunda dela.
Ela gozou uma segunda vez, dessa vez uivando como lobo enquanto eu batia nela.
— DE NOVO! — ela gritou.
Eu continuei.
Ela gozou uma terceira vez, o mel mudando, quente e aquoso enquanto encharcava minhas coxas, e depois uma quarta e uma quinta vez, gozando em ondas agora.
Eu continuei.
— PORRA SIM — ela gritou — MAIS FORTE!
Eu estava suando e cansando naquele ponto, mas mantive, batendo nela e sentindo ela esguichar contra mim. Eu nunca havia comido um cuzinho antes. As outras mulheres com quem eu tinha ficado tinham recuado disso. A Rita não. Ela parecia especialista em gozar pelo cu e pela buceta só com a penetração.
Meu orgasmo quase me pegou de surpresa. Senti a pressão aumentando bem embaixo na barriga e a dor crescente nos ovos, mas a ejaculação me pegou despreparado. Não teve aqueles últimos empurrões curtos pra começar a bomba. Eu simplesmente explodi dentro dela. Senti aquele êxtase queimando que só homem conhece, a dor aguda súbita na barriga e a fisgada rápida de dor seguida de alívio nos ovos, e meu orgasmo foi melhor do que qualquer coisa que eu já tinha imaginado.
Ela ficou quieta enquanto eu terminava, cantarolando uma nota suave e contínua, quase um rosnado fundo na garganta.
Eu tinha um punhado de gordura do quadril em cada mão enquanto meu corpo segurava aquela rigidez pós-clímax e ela ia dizendo “Isso mesmo, pega” repetidas vezes.
Quando meu corpo finalmente relaxou com um último tremor eu segurei os quadris dela, querendo ficar dentro o máximo que pudesse. Ela empurrou pra trás contra mim, ajudando.
Mas, como tem que acontecer, eu amoleci e depois escorreguei pra fora com aquele último puxãozinho quando ela apertou só na glande que ainda restava dentro.
Ela me surpreendeu virando rápido, ainda de quatro, e levando meu pau pra boca. As mãos agarraram minha bunda, me segurando contra ela mesmo quando as sensações que ela dava ficavam tão intensas no meu pau sensível que meu corpo instintivamente tentava se afastar.
Ela chupou e lambeu por um tempo sem tempo enquanto meu corpo relaxava depois da tensão incrível.
Depois ela se afastou, esticando-me com uma sucção forte enquanto fazia isso, e então se ergueu nos joelhos de modo que nossas posições se espelhavam.
— Eu sempre limpo meu homem depois disso — ela disse, sorrindo.
Segurou meu olhar por vários segundos e depois perguntou:
— Você ainda beija sua tia velha e suja?
Eu ri e a puxei pra mim.
Foi um beijo bom.