Era uma quarta-feira, dia normalíssimo, pouco movimento no bar de Jemerson, que estava sozinho arrumando algumas coisas. Íris estava nos fundos e Diego estava pra chegar ainda.Genildo chega sozinho pra conversar com ele. Se cumprimentam e então Genildo fala o motivo de sua chegada ali.
- Jemerson, fiquei pensando esses dias, ainda não comentei com ninguém, tô falando com você agora, seguinte… queria saber se no sábado da outra semana a escuna tá disponível. Queria marcar um outro passeio.
- Outro?
- É.Dessa vez, um que realmente aconteça. O primeiro foi um desastre com aquela chuva que não deixou ninguém curtir nada, nem aproveitar nada. Eu tava de fora, doente, e vocês passaram a manhã inteira ancorados no mangue, com medo, sem nem poderem curtir o mar.
Jemerson não teve muito o que dizer.
- É…realmente você não tava lá… não houve proveito…bom, vou ver aqui,acho que está disponível sim. Mas você quer chamar as mesmas pessoas??
- Sim! A gente precisa substituir aquela memória ruim por uma boa. Um dia lindo, sol, mar calmo. Eu vou poder ir dessa vez, aproveitar de verdade, rever quem não vi naquele dia, dar uma impressão diferente do passeio, e dessa vez não vou comer nada na noite anterior, ahahahahahahahah....e você, a Íris, o Diego vão finalmente poder realizar o passeio que planejaram desde o começo.
- Já fizemos outros passeios, já testamos rotas… vai ser mais um trabalho.
- É,mas acho que esse pode ser mais divertido, com os pioneiros desse tipo de excursão, né?
Jemerson ficou pensativo. Por aquela ele não esperava, pelo menos por esses tempos.
- Vou verificar tudo e lhe falo. No máximo segunda-feira que vem, lhe dou a resposta.
- Ok, vou falar com os outros. Vou me encontrar com o resto da turma, com a professora Scheila, com minha mãe, e os outros, pra ninguém agendar nada pra esse dia.
Nesse momento, Íris vem até o balcão, ela tinha escutado tudo.
- Nossa, que coisa hein? Ele quer remontar o primeiro passeio
- Pois é… não sei por que, mas isso me causou incômodo
Diego chegou e o casal contou a ele.
- Porra… que onda…
- Realmente, isso foi muito inesperado...
Encontrou com Breno, Cauê, e Beatriz no pátio e já foi logo falando
Genildo: Gente, beleza? Antes da próxima aula queria dizer uma coisa… falei com Jemerson nesse instante e propus a ele um novo passeio, dessa vez, sem chuva, sem mangue, sem tédio, e comigo, rá!
Os três pareciam não ter processado a informação logo de cara, mas levaram o papo adiante.
Beatriz: Com quem dessa vez?
Genildo: Ora, com as mesmas pessoas!O primeiro foi um fracasso. Vocês ficaram presos no mangue, eu tava aqui passando mal, ninguém aproveitou nada. Vocês não querem substituir aquela memória por algo bom?
Breno: É… uma ideia interessante. Puxa, você realmente quer reproduzir a primeira viagem mesmo, hein!
Genildo: Cara, é que eu fiquei chateado mesmo de não ter ido, apesar de saber que foi um saco, fiquei com esse sentimento de que algo que arquitetei antes não vingou e ficou pra trás. Só queria que as coisas dessem certo dessa vez.
O grupo ficou calado por um tempo, mas Cauê arrematou.
- Pô, velho, lhe entendo. Vê ai… acho que podia ser nossa turma mesmo, dessa vez, mas se você teve essa ideia de remontar o mesmo grupo, beleza, por mim tudo bem.
Genildo: Hoje mesmo falo com os outros. Vou aqui na biblioteca.
E, animado, ainda virou pra trás e falou
- Dessa vez pode ser inesquecível, ahahahahahah
Genildo falou mais em tom de brincadeira, jocosamente. Mas pro grupo não soou assim.
Beatriz:Ele não faz ideia do que já foi inesquecível…
Breno: Cara… parece que ele ficou obcecado por esse passeio
Cauê: Da missa ele não sabe a metade. Não sei como será um outro...
Logo mais, topou com Scheila saindo do departamento.
- Professora, como vai?
- Bem, Genildo! Tá animado… alguma novidade?
- Estou organizando outro passeio de escuna. Dessa vez, vai dar tudo certo. A senhora topa?
A reação sobre a proposta causava a mesma reação a todos, uma espécie de estranheza.
- Você quer que eu participe mais uma vez de um passeio desses?
- É criar uma nova memória. A primeira foi um desastre. A segunda vai ser uma chance de apagar o que houve, causar uma impressão melhor, mais proveitosa.
- Você quer chamar as mesmas pessoas?
- Sim. Eu não estive presente. Praticamente formei o grupo da primeira vez, e só estou comunicando minha vontade de poder viver isso e fazer com que vocês aproveitem algo que não deixou bons sentimentos.
Scheila não sabia por que, mas esse convite estava lhe causando arrepios.
- Bem, não sei… mas vejo que você está disposto a isso… se isso vai ser legal pra você, verei se poderei ir… às vezes nem todo mundo vai poder.
- Verei isso com o tempo. Se não puderem ir todos, paciência. Até mais, Profe!
Scheila viu Genildo se afastar e lhe caiu a ficha de que ele estava totalmente absorto dos acontecimentos do passeio original.
À noite, quando chegou em casa, falou com Bianca e Tony por telefone e eles tiveram aquele sentimento de desconforto. Naiara apareceu pra jantar com ele e Jamile. Foi então que largou na mesa
- Bem, tenho novidade. Falei com Jemerson hoje e pedi pra ele agendar um novo passeio de escuna. Com as mesmas pessoas. O primeiro foi horrível, vocês passaram a manhã inteira com medo, ancorados no mangue, sem poder fazer nada. Eu fiquei aqui, doente. A gente merece uma segunda chance.
O grupo era conectado até nas reações. As duas se entreolharam brevemente.
Naiara: Nossa… você quer exatamente o mesmo grupo de pessoas??
Genildo: Sim, como expliquei. Eu estava ausente, praticamente montei o primeiro passeio e não fui. Agora quero que as coisas saiam do jeito certo.
Jamile: Bem… compreendo sua intenção, mas nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.
Genildo: A senhora corrobora justamente o que eu imaginei! Não terá outra chuva, escuna ancorada, conversas sem graça, e tédio.
Naiara: Não ter chuva você não pode garantir…
Genildo: Olha, tô tentando me animar, animar vocês e é assim que reagem?
Jamile: Sim, desculpe, filho… é que não sei porque exatamente as mesmas pessoas. Por não ter causado boa impressão, pode ser que não se considere que uma nova viagem vai ser às mil maravilhas
Genildo: Vamos tentar, por mim. Deixa ver se dessa vez as coisas se encaixam.
Pras duas, a palavra “encaixam” levou outra conotação em mente…
Não deu outra. Horas depois, o grupo de zap explodia em mensagens.
Naiara: Gente, boa noite. Acho que todo mundo aqui está ciente da proposta do Genildo, né?
Jemerson: Ele veio falar comigo hoje de manhã.Senti um certo desconforto
Íris: Acho que isso foi geral.
Bianca: Foi! Achei esquisito
Tony: Entendo o lado dele
Breno:Ele tá empolgado
Jamile: Eu ainda tô tremendo. Ele falou em 'substituir a memória ruim'. Meu Deus, deu uma dó dele. Claro que ele está com muita boa vontade. Me veio a mente, depois de muito tempo, o ocorrido da primeira vez…
Diego: Pô, nem fale! Não tinha como não recordar
Scheila: Gente, acho que recusar esse passeio seria pior. Não dá pra ficar embromando ele, não é justo.
Cauê: Pô, pensei que é um cara ressentido, que ficou de fora da primeira, querer remontar um cenário, entendo ele completamente!
Beatriz: Gente, acho que uma hora a gente ia encarar isso de frente.
Jemerson: Podemos usar isso a nosso favor. A gente já se conhece, já confia um no outro. Se a gente for com a cabeça fria, pode ser diferente. A gente já criou laços fortes. A gente pode ir, curtir, e criar uma memória boa de verdade,sem medo, sem culpa, como amigos
Naiara: Uma coisa é nós ficarmos nesse contato online. Outra, é estar todos praticamente encenando pra Genildo que no primeiro passeio nada ocorreu!
Jamile: É isso que é o lamentável de tudo
Breno: Pensando por esse lado...
Tony: Mas também tô com Beatriz e Jemerson. É um cara que convive com todos aqui, não dava pra achar que ficaríamos sem um encontro, mesmo que não todos juntos
Íris: Mas aí TODOS estarão juntos
Tony: Sim, mas vamos encarar. O que quis dizer é que não dá pras coisas ficarem no bem bom num grupo por muito tempo
Scheila: Olha, nem sei viu…
Diego: Acho que a gente não vai encenar, se a gente realmente curtir de boa, pode ser legal mermo
Cauê: É tudo uma incógnita
Bianca: Acho que a gente superou o pior. Estamos fortalecidos pra algo assim
Beatriz: Verdade! Encaro assim também
Naiara: Gente, acho que as perspectivas são diferentes pra cada um. Minha proximidade com ele é outro nível! Não é de mesmo grau pra todos
Breno: Isso é…
Jamile: Tudo o que falaram deve ser considerado, mas meu peito inflama com esse assunto, ando tão dividida quanto a isso
Jemerson: Compreendo, Naiara e Jamile, mas pense na possibilidade do Genildo finalmente estar integrado. Acho justo que as coisas possam ser positivas
Tony: A gente vai com a cabeça limpa. Sem medo. Sem culpa. Só pra curtir
Íris: No caso, eu trabalharia, né… mas a situação de vocês é mais complicada mesmo
Diego: Eu acho que a gente merece uma memória boa, uma lembrança do mar que não seja assustadora
Scheila: O que eu penso é na possibilidade de finalmente estarmos juntos em outra situação
Jemerson: Exato
Naiara: Sim, tudo bem, nesse caso, acho que será legal…mas… a gente não pode manifestar proximidade! Pra ele, esse grupo não existe!
Jamile: Isso é o mais doloroso
Beatriz: Pessoal, a gente pode se falar de boa… não é por que a primeira viagem “foi uma merda” na cabeça dele, que a gente vai ficar fingindo que não tivemos um passeio onde todo mundo ficou papeando
Diego: Isso
Scheila: Vendo por esse lado, seria bom conversarmos pessoalmente
Bianca: O grupo aproximou muito todo mundo
Íris: Agora existe uma amizade verdadeira entre nós. E Genildo pode não perceber isso, mas ele pode pertencer a isso
Naiara: Puxa, como gostaria disso!
Cauê: Foi por causa dele que muita coisa começou
Tony: Pô, ele que formou esse grupo!
Íris: Acho que pode ser uma boa possibilidade de integrá-lo. Ainda não sei como, mas é um primeiro passo
Scheila: Seria muito justo isso
Jemeson: Estamos fechados? vou verificar a data, acompanhar a previsão do tempo com bastante antecedência e organizar tudo com calma
O grupo silenciou. A decisão estava tomada. Um novo passeio estava marcado e, dessa vez, eles sabiam pelo menos o que esperar. Havia algum receio, mas agora estava misturado com algo novo: a esperança de que, juntos, podiam transformar aquele trauma em algo bonito. A ideia de voltar à escuna já não parecia apenas lembrar um dia difícil, era também a oportunidade de reunir, agora em circunstâncias muito diferentes, um grupo de pessoas que havia construído laços sinceros de amizade.
O dia do passeio chegou, com Genildo, Naiara, e Jamile chegando cedo à marina, até mesmo antes de Jemerson, Íris, e Diego. Naiara e Jamile guardavam um sentimento confuso, de ter que estar ali agora com Genildo, e com os demais em breve, provavelmente todos dissimulando um encontro que já estava acontecendo há dois meses virtualmente, mas com potencial de ser agradável para todos, incluindo Genildo.
Breno e Beatriz apareceram de mãos dadas. Quem observasse mais atentamente, viria que ela apertava a mão dele como se quisesse esconder um objeto, tensa. Depois Cauê; Tony e Bianca desceram do carro juntos, ela aflita; Scheila surgiu com um vestido leve, os cabelos soltos, mas os olhos marejados de uma ansiedade que ela tentava esconder; por fim, Jemerson, Íris, e Diego chegaram sérios, como profissionais que estariam concentrados em realizar aquela viagem pelos mares. Quando todos se viram na marina, a alegria radiante que surgiu nos olhos de cada um foi imediata — mas foi contida, engolida, disfarçada pela presença de Genildo.
Scheila: Bom dia!
Jamile: Bom que vieram. Espero que dessa vez tudo corra bem
Tony: Pô, bicho, até que enfim o banheiro deixou você vir dessa vez
Genildo: Ah, cara, eu viria até com a latrina na cabeça, ahahahahaha
Bianca: E aí, Nai?Tudo em paz?
Naiara: Certinho...
Os abraços foram frios, as mãos se tocaram rapidamente, sorrisos educados. Mas os olhares diziam muito. Eram olhares que percorriam corpos molhados e suados,que reconheciam segredos, que lembravam noites de dúvidas, sugestões, confissões, tristezas, alegrias e promessas de uma amizade genuína.
O motor da escuna empurrou a embarcação ao mar, paulatinamente deixando o cais e a cidade que ficava mais distante. Se serviam de frutas e sucos, assim como na primeira vez, pra começarem o dia devagar. Conversas eram puxadas, diálogos iniciados, risos educados, comentários vazios, gestos mecânicos. À medida que a escuna deslizava, principiou-se sorrisos cúmplices.Os olhos de Naiara encontraram os de Breno, e um calor subiu pelo corpo dela; os de Tony encontraram os de Íris, e algo se mexeu no peito de ambos; os de Cauê encontraram os de Scheila, e a lembrança de algo que fizeram foi como um choque; os de Jamile encontraram os de Diego, e o beijo que trocaram naquele dia voltou como um eco; os de Beatriz encontraram os de Jemerson, e o 69 que eles trocaram veio à mente dela. Bianca conversava com Genildo na popa, mas por cima dos ombros dele, via a todos e suas lembranças se encheram de um monte de gente nua, emaranhados, procurando o prazer no corpo de alguém. E assim foi se desenrolando o passeio, olhares intensificando, ficando mais maliciosos, mais profundos, discretos, rápidos, carregados de intenção. Um olhar de Naiara para Tony enquanto ele passava, de Beatriz para Diego quando ele servia uma bebida, de Bianca para Cauê quando ela ria de uma piada, de Breno para Jamile quando ela se inclinava para pegar um petisco.Genildo não via nada. Ele estava ocupado demais celebrando o dia perfeito. Nem teria como ver. Era tudo muito cuidadoso.
A escuna se aproximou do manguezal. A vegetação densa beijava as águas claras
- Foi ali que vocês esperaram a chuva passar?
Nessa hora, todos congelaram. Estava lá, ele, o ecossistema observador da loucura insana e desmedida que aquele grupo guardava a sete chaves. Coube a Cauê responder.
- Rapaz, lembrar assim é complicado. Dia tava bem cinzento, hoje tá radiante, diferente, difícil detectar. Talvez. Mas o que importa é que é dia de apagar as más lembranças, você mesmo deu a idéia! O mangue é só um cenário, o que importa é o momento. Não é galera?
Todos levantaram os copos, saudando sua intervenção salvadora. A escuna passava pelo manguezal, deixando aquela paisagem pra trás. o palco que havia bagunçado a vida de todo mundo.
O passeio continuou. Jemerson margeou algumas ilhas, mas não ancorou em nenhuma. O barco deslizava, o sol brilhava, e o grupo ria e conversava. Mas era tudo meio burocrático, ensaiado, parecia uma peça de teatro. Beatriz tentou puxar assunto com Scheila sobre um livro, mas as palavras saíam vazias; Breno jogou conversa fora com Tony sobre futebol, mas não era o que ambos queriam conversar; Bianca e Cauê trocaram algumas palavras sobre moda, mas os olhos de ambos vagavam pelo convés, procurando por visagens de corpos se movimentando em orgasmos ensandecidos.
A jornada passou rápida, e às 16 horas a escuna atracava no cais da marina. Despedidas protocolares, promessas vazias de marcarem outra viagem daquelas. Nas perspectivas de cada um, tudo saiu até bem. Divertido? Não propriamente. A alegria era o encontro, mesmo que simulado.
Genildo: E aí, Nai? Tudo legal? Valeu a pena?
Naiara: Muito! A primeira viagem ficou pra trás.
Após falar isso, o coração chegou até doer. As pernas chegaram a bambear.
A noite mal chegou e a vontade de cada um era correr pro celular.
Beatriz: Gente, o que foi aquilo hoje???Me senti numa simulação emocional!
Breno: Caraca… me senti representando
Cauê: Tinha momentos que me sentia um robô. Todo mundo falando, rindo, mas parece que meu cérebro tava cheio de abelhas
Diego: Pô, velho, parecia que eu tava ensaiando
Naiara: E os olhares? Meu Deus, os olhares que a gente trocou! Eu senti cada um!
Jamile: Naiara, eu também. Quando a gente passou pelo mangue, eu quase desabei.
Scheila: Aquela pergunta do Genildo... 'foi aqui que vocês ficaram?' Meu coração parou
Bianca:Eu lembrei de tudo. De cada toque, cada beijo, cada gemido. Meu Deus, as imagens vieram muito fortes! Não esperava!
Tony: Bianca... eu também. Foi como se o tempo tivesse voltado
Iris: Eu olhei pro Jemerson e vi tudo de novo. A chuva. O medo. O prazer…
Jemerson: Reviver faz parte. Eu sabia que isso poderia acontecer
Scheila:Acho que todos nós tentávamos proteger o Genildo de um peso que ele nunca precisou carregar.
Beatriz: A gente pode falar sobre isso? Será que ter guardado isso por tanto tempo não reavivou tudo?
Cauê: Beatriz tem razão. A gente precisa falar, rir Transformar aquilo em algo que a gente possa carregar sem dor!
Diego: Pô, mas a gente tá pronto pra isso?
Naiara: Ai, gente, não sei…tô assustada…
Beatriz: Eu lembro de tudo. Dos beijos do Cauê, do pau de Diego, da língua da Bianca…
Tony: E eu lembro de você, Bianca. Montada em mim. A chuva escorrendo no seu rosto
Beatriz: E de como tudo foi… frenético
Diego: Foi brabo, viu?
Cauê: Teve uma hora que olhei o convés e veio a mente todo mundo ali misturado...
Scheila: Nossa, gente, vamos falar disso mesmo? Assim?
Jemerson: Também acho isso estranho…
Jamile: Não tenho nada a dizer…
Breno: Talvez seja uma terapia, uma forma de significar que tudo aquilo está guardado e precisa ser mencionado, expelido…
Naiara: Gente, por favor…
Íris: Eu… minhas lembranças também são frescas… sinto vontade de falar também…mas também tenho que respeitar o grupo…
Beatriz: Tudo bem, pessoal… mas acho uma forma de desabafar, o grupo não tem julgamentos!
Jemerson: Tudo bem, todos lembram de tudo…mas normalizar isso assim, depois de todos estarem cientes durante o passeio que a conexão é mais forte do que esperavamos… melhor a gente processar isso direito
Jamile: Também acho… sei que… é estranho… mas é que...parece tudo avassalador e assustador ao mesmo tempo
Scheila: Acho que tudo pode soar com mais naturalidade sim… é um sinal que aquilo não está nos assustando como antes
Beatriz: Isso é um sinal de superação!
Naiara: Mas não sabemos onde isso pode parar. Nossa, estamos rompendo barreiras…
Breno: É porque a gente finalmente entendeu que não foi errado. Foi só... humano
Diego: E aí, turma. Se Genildo faltasse hoje de novo e só nós tivesse lá?
O grupo silenciou por um tempo, como se fosse uma pergunta proibida
Jamile: Diego… eu não sei. Acho que a gente ficaria mais relaxado, talvez
Scheila: Isso não pode ser respondido nem de modo hipotético! Olha as lembranças fortes que estão sendo relembradas
Jemerson: Não acham que já temos segredos demais???
Bianca; Mas, pessoal, na boa…o que a gente sente? O que é isso que a gente sente uns pelos outros?
Cauê: Ficou evidente que é mais que amizade
Beatriz: Gente, isso aqui é um poço de confusão! A gente não consegue se nomear, saber o que de fato a gente vem se tornando!
Íris: Acho que ninguém está a fim de encarar essa resposta. Também não precisamos colocar um rótulo em nosso convívio!
Tony: Talvez a gente não precise descobrir. Talvez a gente só precise sentir
Jemerson:Talvez seja suficiente saber que nos importamos uns com os outros.
Naiara: Eu amo o Genildo… mas também adoro vocês! De um jeito diferente
Jamile: Naiara... eu também. E me sinto dividida por isso
Scheila: Jamile, não se culpe! O amor não é linear, não é simples. O que percebo é que tudo é mais complexo do que podemos refletir
Jemerson: Sigamos, então. Não há nada que possa ser conclusivo
Tony: a gente pode viver com o que a gente sente, sem precisar agir
Diego: Maneiro!
Bianca: Gente, vou dormir. Obrigado por tudo hoje
Cauê: Estamos aqui pra isso. Na dúvida, mas pra isso
O grupo caiu na risada
Íris: Até amanhã, pessoal
Jamile: Boa noite
Scheila: Boa noite
Diego: Noite boa aí
Beatriz: Tenham ótimos sonhos
Tony: Acho que teremos…
Breno: Eita, olha o outro aí influenciando pesadelos!
Jemerson: Uma ótima noite, nos falamos como sempre. Precisamos processar o dia de hoje, ver o que importa realmente para o grupo
Naiara: Espero dormir mais tranquila. Obrigada por não me deixarem sozinha
Breno: Você sempre estará conosco
Cauê: e estará no meio de nós
Diego: Porra, velho, é missa?
Bianca: kkkkkkkkkkkkk
Scheila: Boa noite, seus horríveis,rs...
Naiara: Beijo, gente, adoro vocês!!!
E, pela primeira vez, a suruba não era mais um peso. Era uma história que eles carregavam juntos.
(continua...)