**O doce que não era só doce: Era amargo e azedo**
Eu não falo meu nome aqui. Quem acompanha desde 2000 já sabe. Sabe do motel, sabe do corno com a câmera, sabe que isso não começou ontem. Começou com foto, virou vídeo, virou conto, virou vício de macho que volta pedindo a mesma porcaria com outro gosto. Clica em meu nome, para veronde baixar minhas fottosme víddeos, todos.
Naquele dia o sol batia direto na laje. Cadeira de madeira descascada, parede cinza, piso de pedra quente. Eu estava deitada de bruços, pelada, o cabelo molhado colado nas costas, a bunda pra cima. O corno já filmava. O macho do lado abriu o potinho de doce de leite. Aquela tampa de alumínio puxada, o dedo dele já sujo da pasta grossa, doce, amarelada.
— Vai passar aí? — eu perguntei, sem virar o rosto.
— Vou. E depois vou lamber.
Eu ri. Não era a primeira vez que um homem pedia comida na minha bunda. Já tinha sido mel, chocolate, banana, calda, iogurte. Doce de leite era o que mais rendia. O cheiro doce demais misturado com o cheiro do meu corpo no calor. Quem não está viciado sente nojo. Quem está viciado fala que o cheiro ficou bom.
Ele passou o doce primeiro por fora. O dedo grosso, a pasta escorrendo entre as nádegas, descendo pro cu, grudando no suor. O sol esquenta tudo. Doce de leite no calor fica mais mole, mais grudento, mais fedido de leite queimado. Eu senti o frio da pasta e o quente da pele ao mesmo tempo.
— Tá gelado — eu falei.
— Daqui a pouco esquenta.
Ele enfiou o dedo. Sem pressa. Abriu, girou, empurrou o doce pra dentro. Eu fechei os olhos. O cu puxou. A mistura era doce e salgada ao mesmo tempo: o leite condensado cozido e o gosto do meu corpo. Ele tirou o dedo, olhou, cheirou e meteu na boca.
— Porra…
— Que foi? Tá ruim?
— Tá nojento. E tá gostoso. Eu não sei explicar.
Esse é o ponto que eu nunca entendi. O macho sente o fedor, faz careta, fala que é imundo — e pede mais. Fala que o cheiro é ruim e no mesmo segundo fala que ficou bom. Tesão e nojo no mesmo gole. Eu sinto o corpo reagir e a cabeça perguntar: por que eles gostam cada vez mais disso?
Ele passou mais. Desta vez um naco maior, empurrando com dois dedos. O doce escorreu pela beirada do cu e desceu na coxa. O corno chegou perto pra pegar o close. Eu olhei por cima do ombro.
— Registra o dedo saindo. Quero ver o fio.
O fio veio. Doce de leite misturado com o que já estava dentro. Ele lameu o fio. Depois lameu o cu. A língua quente, larga, entrando e saindo, puxando o doce de volta. Eu gemi. Não foi um gemido bonito. Foi aquele gemido de quem está no limite entre “para” e “não para”.
— Tá fedendo doce — eu falei.
— Tá fedendo você com doce. É diferente.
Ele enfiou a língua mais fundo. Eu empurrei a bunda pra trás. A cadeira rangeu. O corno mudou de lado, filmou a mão dele abrindo, o doce brilhando no sol, o cu piscando. Eu comecei a me tocar na frente, os dedos no clitóris, a barriga colada na madeira quente.
— Chupa direito. Tira tudo que você enfiou.
Ele chupou. Fez barulho. O barulho molhado de língua com doce. O cheiro subiu. Doce de leite quente tem um cheiro que gruda no nariz: leite, açúcar, um fundo quase azedo. Misturado com o cheiro do meu cu no calor da laje, virava outra coisa. Eu sentia nojo do cheiro e ao mesmo tempo abria mais.
— Você gosta disso, né? — ele perguntou, a boca suja.
— Eu gosto de ver vocês gostando. Eu não entendo. Vocês têm mulher, têm casa, têm comida boa na mesa. E pedem pra lamber doce no meu cu.
— Porque aqui o gosto muda.
Ele passou o resto do potinho. Não economizou. A bunda ficou lambuzada, o doce escorrendo pelas duas nádegas, um filete descendo até a buceta. Ele desceu a língua por esse filete. Lambeu a buceta com gosto de doce de leite e de mulher. Eu gemi mais alto. O peito colado na cadeira, o mamilo arranhando a madeira, a vontade subindo rápido demais.
— Mete o dedo de novo. Quero sentir o doce dentro.
Ele meteu. Três dedos. O cu ardeu e cedeu. O doce fez barulho. Ele tirou, mostrou pra câmera, meteu na boca de novo e voltou a enfiar. Eu gemia e ria no mesmo fôlego.
— Nojento… — eu falei. — Tá nojento e eu tô gozando.
— Então goza.
Eu gozei com o dedo dele dentro, o doce saindo pelos lados, a língua dele tentando alcançar o clitóris por baixo. O corpo tremeu na cadeira. O corno não falou nada. Só segurou o quadro.
Depois ele quis o pau. Passou o que restava de doce na cabeça e enfiou no cu de uma vez. O volume abriu, o doce fez o caminho. A cada estocada um pouco saía. Ele tirava, olhava o pau brilhando de doce e de cu, e metia de novo. Eu gemia com a boca na madeira.
— Chupa — eu mandei, quando ele tirou.
Ele ajoelhou e chupou o próprio pau com gosto de doce de leite e de mim. Depois voltou a meter. O corno filmou o close do cu engolindo. Eu falava baixo, suja, direta:
— Mais fundo. Quero sentir o pote inteiro saindo de dentro.
Ele gozou lá dentro. Quente. O doce, a porra e o meu corpo no mesmo lugar. Quando tirou, escorreu misturado: branco, amarelo, brilho de sol. Ele juntou com o dedo e me deu na boca. Eu chupei. O gosto era doce demais e podre demais ao mesmo tempo. Eu fiz careta e pedi o resto.
— Agora lambe o que escorreu.
Ele lambeu. A língua subindo pela nádega, pelo meio, pelo buraco ainda aberto. Eu gemia de novo, o peito apertado, a vontade voltando. Não era tesão limpo. Era tesão com nojo. O cheiro já tinha mudado de “doce” pra “doce estragado no corpo”. E mesmo assim eu abria.
O corno pediu pra eu falar pra câmera. Eu virei o rosto, ainda de quatro, a bunda suja, e falei:
— Desde 2000 a gente registra merda dessa. Comida na bunda, dedo, língua, pau. O macho fala que é nojento e pede pra repetir. Fala que o cheiro é ruim e no minuto seguinte fala que ficou bom. Eu não entendo. Eu só sei que quanto mais nojento, mais eles voltam.
Ele passou a mão na minha bunda uma última vez, juntou o que ainda escorria e comeu. Eu olhei e senti o estômago virar e o clitóris latejar juntos.
— Guarda o potinho — eu falei pro corno. — Na próxima a gente usa o fundo.
A laje continuava quente. O doce já tinha virado uma película grudenta. O cheiro não saía. Eu fiquei ali mais um pouco, deitada, sentindo o cu pulsar, o gosto ainda na boca, o corno desligando a câmera só depois de pegar o último close.
Quem quiser ver as fotos, o vídeo, o fio do doce saindo, o dedo, a língua, a gozada misturada — está no perfil. Como sempre esteve. De 2000 pra cá o pedido só aumentou.
Eu continuo sem entender.
Eles continuam pedindo mais doce.
E eu continuo abrindo a bunda no sol.