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Tequila - Quem bebe esquece!

Um conto erótico de Casal Apimentados
Categoria: Grupal
Contém 2075 palavras
Data: 27/08/2026 00:15:16

Existe uma regra na nossa casa que vale há mais de vinte anos e que a gente quebra umas duas vezes por década.

A regra é simples: a Lúcia não bebe tequila.

Naquela sexta-feira, a gente quebrou.

Prazer, somos o Casal Apimentados. Vamos nos apresentar como Jorge e Lúcia, nomes fictícios.

Eu, Jorge: negro, 1,85 de altura, corpo forte sem ser musculoso, 43 anos.

Ela, Lúcia: 1,72, loira natural, olhos verdes, seios fartos e umas coxas grossas que sempre foram o meu ponto fraco. Mesma idade que eu.

A adega fica ali no Tiquatira. Uma daquelas casas antigas de esquina, com mesa de plástico na calçada, luz amarela, televisão ligada num jogo que ninguém está assistindo e um cheiro de alho que chega antes do garçom. Chope gelado, porção de linguiça, pastel de carne, aquele lugar que não muda faz trinta anos e que é bom exatamente por isso.

A gente foi sem plano nenhum. Sexta-feira, semana longa, cansaço acumulado, a ideia era tomar duas e ir dormir.

Ela foi de calça jeans e uma blusa de alcinha preta. Nada de produção, nada de salto, cabelo preso de qualquer jeito. E, para o meu azar ou para a minha sorte, ela estava bonita justamente por causa disso. Tem uma beleza da Lúcia que só aparece quando ela não está tentando, e naquela noite ela não estava tentando nada.

Eu não bebi. Isso é importante para o resto da história, e não é frescura: quem dirige não bebe, e naquela noite era eu.

Ela bebeu dois chopes tranquilos e a coisa teria terminado ali, se não fosse a mesa do lado.

Um pessoal comemorando alguma coisa, sei lá o quê, umas oito pessoas fazendo barulho. Lá pelas onze e meia, o cara da mesa levanta, pede uma rodada de tequila para o salão inteiro e o garçom sai distribuindo dose com limão e sal em toda mesa da calçada.

Eu olhei para ela.

Ela olhou para mim.

— Uma só — ela disse.

— Lú.

— Uma. Só. Jorge.

Eu preciso explicar por que a tequila é proibida na nossa casa, e não é por causa de ressaca. É porque a tequila desliga um botão específico dentro da minha esposa. Cerveja deixa ela alegre, vinho deixa ela carinhosa, caipirinha deixa ela dormindo no sofá. Tequila desliga a parte dela que se preocupa com o que os outros vão achar.

E, quando aquela parte desliga, a Lúcia vira uma mulher que eu conheci uma vez em 2017 e que aparece de vez em quando para lembrar que ainda mora ali dentro.

Ela virou a dose com sal, limão e cara de nojo. Bateu o copo na mesa.

Foram três, no fim das contas. A terceira ela pediu por conta própria e não me consultou, o que já era um sintoma.

E aí a noite ficou boa.

Ela começou a rir alto. Começou a contar história para a mesa do lado, gente que ela não conhecia, e em vinte minutos aquele pessoal estava todo virado para ela. Ela ganhou o salão inteiro sem fazer esforço nenhum, do jeito que ela faz quando está solta.

Eu fiquei ali, encostado na cadeira, com o copo de refrigerante na mão, olhando aquilo.

E vou dizer uma coisa que talvez seja o centro deste conto: não tem nada mais gostoso do que olhar a sua mulher sendo desejada por uma mesa inteira e saber que ela vai embora com você.

Uma hora ela voltou a atenção para mim. Sentou de lado na cadeira, encostou o joelho na minha perna e ficou me olhando de um jeito específico.

— Que foi? — perguntei.

— Nada. Estou olhando você.

— Está bêbada.

— Estou. E você está gostoso. As duas coisas podem ser verdade.

Ela passou a mão pelo meu peito por cima da camisa, sem pressa nenhuma, na calçada de uma adega, na frente de umas quinze pessoas.

— Sabe o que eu estava pensando? — ela falou. — Que faz três semanas que a gente não transa direito. Transou correndo, de terça, antes de dormir. Não conta.

— Não conta.

— Pois é. — Ela pegou o meu queixo. — Hoje conta.

Pedi a conta.

Saímos de lá quase uma da manhã. Ela desceu a rua rindo, apoiada em mim, cantando um pedaço de música que estava tocando lá dentro, e eu abri a porta do carro para ela como faço desde 2003.

E aí, quando eu sentei no banco do motorista e liguei o carro, ela já estava com a mão dentro da minha camisa.

A radial estava vazia. Sexta de madrugada, aquele trecho longo e escuro, sinal aberto atrás de sinal aberto.

Ela abaixou o vidro do lado dela inteiro. O vento entrou de uma vez, bagunçou o cabelo dela, e ela colocou o braço para fora com a mão aberta contra o ar, do jeito que criança faz.

— Fecha esse vidro, mulher.

— Não.

— Está frio.

— Não estou com frio.

E aí ela olhou para mim, e eu vi o sorriso dela mudar de categoria.

Ela soltou a primeira alcinha do ombro.

Eu ri, achando que era brincadeira.

Ela soltou a segunda.

— Lúcia.

— Presta atenção na pista, amor.

E ela puxou a blusa para baixo, de uma vez, e ficou de peito de fora dentro do carro em movimento, na radial, com o vidro aberto e o braço para fora.

Eu não sei quantos segundos eu fiquei olhando para ela em vez de olhar para a rua, mas foi mais do que o recomendável e eu não vou fingir arrependimento.

Ela recostou o banco. Encostou a nuca no apoio de cabeça, com os olhos fechados e o vento batendo nela, os seios livres, aqueles seios fartos que são metade do motivo pelo qual eu me casei — e a outra metade é a risada dela, para constar.

— Você está louca — eu falei.

— Estou.

— Se um guarda parar a gente...

— Aí você fala que a sua mulher é maluca e eu visto a blusa. — Ela virou o rosto para mim, ainda de olho fechado. — Jorge, para de ter medo por dez minutos.

Eu fiquei quieto.

Ela abriu um olho.

— E não vem me dizer que você não está gostando, porque eu estou vendo daqui.

Ela não estava errada.

O que aconteceu nos vinte minutos seguintes foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz na vida, e eu já fiz coisa difícil. Dirigir com aquilo do meu lado. Ela ficou ali, deitada no banco, brincando com o próprio corpo de um jeito preguiçoso, com uma mão passeando entre os seios e a barriga, sem pressa, sabendo exatamente o que estava fazendo comigo.

Ela pegou a minha mão direita do câmbio e colocou no peito dela.

— Fica aqui.

— Eu preciso trocar a marcha.

— Deixa na quarta.

No semáforo da altura do parque, um caminhão parou do nosso lado. Alto, daqueles em que o motorista fica bem acima do teto do carro.

Eu percebi antes dela e falei baixo:

— Lú, caminhão.

Ela olhou para cima. Olhou para mim. E, em vez de se cobrir, ela sorriu e não fez absolutamente nada.

Ficou ali, de peito de fora, olhando para frente, com o cotovelo na janela e a maior cara de paisagem do mundo, enquanto aquele homem, três metros acima da gente, teve os quarenta segundos mais afortunados da carreira dele.

O sinal abriu. Eu arranquei.

E ela caiu na gargalhada. Uma gargalhada de menina, alta, de segurar a barriga, que durou uns bons vinte segundos.

— Você é maluca — eu falei, rindo junto.

— Você viu a cara dele?

— Eu estava olhando para a pista, ao contrário de você.

— Mentira deslavada.

Eu não aguentei mais.

Peguei a primeira saída, entrei numa rua transversal e depois numa via de acesso lateral, dessas de mão única, com muro dos dois lados e nenhuma casa, iluminação fraca e nenhum movimento à uma e meia da manhã.

Estacionei e desliguei o farol.

Ela virou para mim.

— Ah, é? — ela falou.

— É.

Eu puxei ela pela nuca e beijei de um jeito que eu não beijava havia semanas. Ela veio com tudo, subiu no meu colo no banco do motorista com uma agilidade impressionante para uma mulher de quarenta e três anos com três tequilas no corpo, e o volante atrapalhou os dois igualmente, o que fez ela rir dentro da minha boca.

Eu recostei o banco até o limite.

Ela tirou a blusa de vez, jogou no banco de trás e ficou ali, em cima de mim, só com a calça jeans, com o cabelo desmontado e a luz do poste entrando pelo vidro traseiro e desenhando ela por trás.

Eu passei as duas mãos pelas costas dela, subi até a nuca, puxei o cabelo dela para trás com jeito e desci a boca pelo pescoço, pela clavícula, pelo meio dos seios. Ela arqueou, encostou a mão no teto do carro para se apoiar e soltou o primeiro gemido de verdade da noite.

— Devagar — ela pediu.

E eu fui devagar. Fiquei um tempo grande ali, só com a boca nela, sem pressa nenhuma, enquanto ela mexia o quadril em cima de mim sem nem perceber que estava fazendo isso.

Ela abriu a minha camisa. Todos os botões, um por um, e cada botão vinha com um beijo no meu peito. E aí ela parou, encostou a testa na minha e falou, com a voz completamente diferente:

— Eu esqueço de fazer isso com você. De prestar atenção em você. Você é sempre quem toma conta de tudo.

Isso me pegou muito mais do que qualquer coisa que ela tinha feito na radial.

Ela abriu a minha calça. E ali, naquele carro, naquela rua sem nome, ela cuidou de mim com uma atenção que eu não recebia havia muito tempo, olhando para cima, para a minha cara, checando cada reação, sem pressa e sem pressa nenhuma de terminar.

Quando eu não aguentei mais, eu levantei ela pelos braços e falei o nome dela.

Ela tirou a calça no meio de um carro, o que exigiu um contorcionismo que a gente comenta até hoje, e voltou para o meu colo.

Ela sentou em mim de frente, devagar, com as duas mãos no meu rosto, e ficou parada assim uns segundos, respirando na minha boca sem se mexer.

— Oi — ela falou.

— Oi.

E aí ela começou a se mexer.

Foi lento no começo. Ela com a testa colada na minha, olhando dentro do meu olho, sem desviar nenhuma vez, e eu com as duas mãos naquele quadril, controlando o ritmo dela até ela tirar as minhas mãos dali e assumir o controle sozinha.

O vidro embaçou. O carro balançava de um jeito que qualquer um que passasse ia entender na hora, e não passou ninguém, e se tivesse passado eu duvido muito que a gente teria parado.

Ela gozou primeiro, com o rosto enterrado no meu pescoço, mordendo o meu ombro para não fazer barulho, e as unhas dela nas minhas costas eu senti no banho do dia seguinte.

Eu vim logo depois, com ela ainda em cima, segurando ela com força contra o meu peito.

Ficamos assim uns bons minutos. Ela sentada no meu colo, pelada, ofegante, o carro inteiro embaçado, o motor desligado e a rua em silêncio absoluto.

Ela levantou a cabeça e falou, séria:

— A minha calça foi parar embaixo do banco.

A gente riu por uns cinco minutos. Cinco minutos de verdade.

Voltamos para casa às duas e meia. Ela colocou a blusa e a calça no carro mesmo, com dificuldade, e chegou em casa descalça porque uma das sandálias sumiu e só apareceu três dias depois, embaixo do banco do carona, junto com um limão da adega.

Na cama, já deitada, com a luz apagada, ela falou:

— Amanhã eu vou ter vergonha disso.

— Vai.

— Muita.

— Muita mesmo.

Ela puxou o meu braço para cima dela e falou, já quase dormindo:

— Mas valeu.

No dia seguinte ela acordou com uma ressaca digna, tomou dois copos de água, sentou na mesa da cozinha com a cabeça entre as mãos e falou uma frase só:

— Nunca mais tequila.

E olhou para mim por cima da caneca de café, com aquele meio sorriso.

— Até a próxima.

Se você chegou até aqui, obrigado por ler. A gente escreve essas histórias do jeito que elas aconteceram, sem inventar muito, e é sempre bom saber que tem gente do outro lado. Se curtiu, segue a gente, deixa um comentário contando o que achou e dá uma olhada nos nossos outros contos, tem bastante coisa por lá.

Casal Apimentados

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