Ele me agarrou pelo braço, me sentou na cama e abriu o cinto. A calça e a cueca foram ao chão de uma vez só.
— Você chegou do trabalho e nem tomou banho. Isso aí tá limpo pelo menos? — falei, revoltada.
— Se tiver sujo, chupa até ficar limpinho. Chupa, vai.
Eu revirei os olhos. Mas peguei.
E, sinceramente? No primeiro minuto eu até gostei. Faz diferença, sabe. Depois de semanas sendo só mãe, funcionária e dona de casa, ter alguém me querendo daquele jeito grosseiro — mesmo daquele jeito — mexeu comigo. Fechei a mão nele e comecei devagar, sentindo endurecer contra a minha palma, crescendo dentro do meu punho. Passei o polegar na cabeça, espalhando o que já tinha escorrido. Ele latejou. Apertei um pouco mais forte, do jeito que eu sabia que ele gostava, e subi e desci com o pulso firme.
Eu ainda sabia fazer aquilo. Dezoito anos de casamento e a minha mão ainda conhecia o corpo dele melhor do que ele algum dia conheceu o meu.
— Ahh, caralho… — ele gemeu alto, jogando a cabeça pra trás.
E foi aí que acabou.
— Shhh! — Parei a mão no meio do movimento. — Eu já falei.
— Foda-se.
— Foda-se nada. — Apertei ele na base e não mexi mais. — Ou você fica quieto, ou eu solto agora e vou dormir.
Ele bufou pelo nariz. Mas ficou quieto.
Pronto. Em dez segundos eu tinha deixado de ser mulher e voltado a ser mãe. É isso que ninguém conta sobre sexo depois dos filhos: não é o tesão que morre primeiro, é o ouvido. Uma parte de mim nunca sai do corredor.
Me inclinei e botei na boca.
Fiz direito, como sempre fiz. Deixei escorregar até onde dava, voltei devagar com a língua achatada por baixo, chupei a cabeça, desci de novo. A mão acompanhando na base, girando no que a boca não alcançava. Ele tinha gosto de dia inteiro de trabalho — não estava sujo, mas também não estava limpo. Suor e cheiro de tecido de calça.
Eu já tinha chupado aquele homem com vontade de verdade na minha vida. Sabia exatamente a diferença entre aquilo e o que eu estava fazendo ali. Porque eu não estava ali. Eu estava fazendo com a boca uma coisa que a minha cabeça já tinha desistido de fazer.
Ele pôs a mão na minha nuca e começou a empurrar no ritmo dele. Não com violência — com pressa. E enquanto isso eu me peguei calculando, sem querer calcular, que se ele terminasse rápido ainda dava tempo de botar uma máquina de roupa antes de dormir.
— Vira a bundinha pra mim, vira. Quero gozar na sua bucetinha.
Por melhor que eu fosse como esposa, eu não merecia um oral. Nunca mereci. Me virei sem discutir, só pra acabar logo, e deixei o aviso de sempre:
— Vê se não enfia nada no meu cu. Você sabe que eu odeio quando você faz isso.
— Você é um saco. Reclama de tudo.
Mas não insistiu. Cuspiu na mão e passou a saliva entre as minhas pernas com dois dedos, rápido, como quem unta uma forma de bolo com pressa. Depois empurrou.
Entrou dolorido. Apertado. Não pronto.
Você sabe o que uma mulher sente quando é penetrada e não está pronta? Nada. Literalmente nada.
Não que eu ficasse travada — não era isso. Eu relaxava, eu sentia ele entrando, e até era gostoso de um jeito morno. Mas nunca passava de uma coisinha que não chegava em lugar nenhum. Uma cócega funda parada sempre no mesmo ponto. E bastava uma estocada descuidada, dessas que fazem o útero doer lá no fundo, ou um tapa dado na hora errada, pra jogar fora o pouquinho que tinha juntado. Voltava tudo pro zero, e eu tinha que começar de novo a levantar uma coisa que eu já sabia que não ia ficar de pé.
Ele segurou na minha cintura e foi. Rápido, do jeito dele. Eu de rosto no travesseiro, de olhos abertos, ouvindo o barulho do corpo dele batendo no meu e torcendo pra televisão da sala estar mais alta.
Umas trinta estocadas. Eu não contei. Mas eu sabia, do mesmo jeito que a gente sabe quanto falta pro micro-ondas apitar. Ele grunhiu, enterrou fundo e ficou parado, tremendo em cima de mim. Depois desabou de lado na cama, respirando pesado, satisfeito da vida.
Eu continuei de bruços mais um segundo, sentindo escorrer quente pela coxa até o lençol.
— Ah, ó. Sujou a cama de novo.
— Depois você lava.
Depois você lava. Duas palavras e dezoito anos de casamento.
— E aí, gozou? — ele perguntou, a voz já mole de sono.
— Gozei — respondi na hora. — Foi muito bom.
Menti porque, se eu dissesse a verdade, ele poderia querer consertar. E consertar significava mais vinte minutos de uma coisa que não ia dar certo, agora com ele emburrado e eu pedindo desculpa no fim. Era mais barato mentir. Sempre foi mais barato mentir.
Levantei e fui pro banheiro.
Fiquei ali muito mais tempo do que eu precisava. Me limpei, sentei na tampa da privada e não fiz nada. Fiquei olhando o rejunte do box, aquele que eu vivia dizendo que ia limpar. E escutando. Esperando a respiração dele mudar do outro lado da porta, virar aquele ronco baixinho — porque se eu voltasse antes ele podia acordar, me puxar de novo, e eu não tinha mais nada pra dar naquela noite.
Mas eu devo dizer que eu também tive culpa. Eu nunca falei o que eu queria, era sempre eu dizendo algo para agradar a ele. Também não me oferecia nunca. Deixava ele vir, aguentava, e depois ficava com raiva por ele não adivinhar. Que direito eu tinha de esperar adivinhação, se nem eu sabia direito o que queria?
E tinha o corpo. Eu chegava acabada em casa todo dia. Tinha engordado depois do segundo, tinha ficado azeda, cansada, chata de conviver. Se ele foi perdendo a vontade, alguma parte daquilo era comigo. Eu não era mais a menina de dezenove com quem ele casou.
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