Thiago era supervisor de uma central de atendimento. Casado, acostumado à rotina de metas, relatórios e treinamentos, sempre procurava manter uma postura profissional com sua equipe.
Até Amanda chegar.
Ela era novata e, no primeiro dia, foi encaminhada justamente para o setor de Thiago.
— Amanda, certo?
— Isso.
— Seja bem-vinda. Vou acompanhar seu treinamento nos próximos dias.
Ela sorriu, um pouco nervosa.
— Obrigada. Estou aprendendo ainda.
Thiago começou a ensiná-la a utilizar o sistema, atender os clientes e lidar com as situações mais complicadas. Amanda era dedicada e aprendia rapidamente.
Com o passar dos dias, porém, algo além do treinamento começou a acontecer.
Amanda passou a reparar mais em Thiago. Gostava da tranquilidade dele, da maneira segura como explicava as coisas e, principalmente, da aparência que inicialmente tinha tentado ignorar.
Thiago também começou a perceber a presença dela de outra maneira.
Durante os intervalos, conversavam cada vez mais.
Certa tarde, Amanda contou que seu relacionamento estava chegando ao fim e que provavelmente se separaria em breve.
— Está sendo complicado — confessou.
— Imagino.
— Às vezes eu venho trabalhar justamente para não pensar nisso.
Thiago ouviu sem julgá-la. A partir daquele momento, as conversas entre os dois ficaram mais pessoais.
Alguns dias se passaram.
Os olhares ficaram mais demorados.
Os sorrisos, mais discretos.
E os momentos em que ficavam sozinhos começaram a carregar uma tensão que ambos percebiam, mas nenhum queria admitir.
Até que, certa tarde, durante o intervalo, os dois foram para o carro de Thiago.
Thiago fechou a porta do carro, e o silêncio do estacionamento pareceu aumentar a tensão entre os dois.
Amanda se aproximou devagar. Thiago segurou sua cintura e a trouxe para perto. Ela se acomodou sobre ele, e os dois permaneceram abraçados, sentindo o calor um do outro.
Por alguns instantes, nenhum dos dois disse uma palavra. Apenas a proximidade, o silêncio e a respiração tornavam aquele pequeno espaço do carro cada vez mais intenso.
Amanda apoiou as mãos nos ombros dele e o encarou.
— Você sabe que isso está ficando perigoso, não sabe?
Thiago respirou fundo.
— Sei.
Ela sorriu, ainda muito próxima.
— Então por que não me afasta?
Thiago não respondeu.
Apenas continuou segurando sua cintura, dividido entre o desejo daquele momento e a consciência de que, quando o intervalo terminasse, os dois teriam que voltar para suas vidas.
O sinal avisando o fim do intervalo interrompeu o silêncio.
Amanda ajeitou o cabelo e voltou para o banco.
— Temos que voltar.
Thiago assentiu.
Os dois saíram do carro separadamente e retornaram à central como se nada tivesse acontecido.
Mas, depois daquele dia, nada parecia exatamente igual.
Amanda continuou trabalhando e Thiago voltou às suas responsabilidades como supervisor. Quando ela terminou o expediente, pegou suas coisas e foi embora para casa.
Thiago, por sua vez, permaneceu na empresa, retomando os relatórios e acompanhando sua equipe.
Enquanto trabalhava, porém, não conseguia deixar de pensar naquele intervalo.
E sabia que, no dia seguinte, quando Amanda entrasse novamente pela porta da central, aquela tensão estaria esperando pelos dois.