Quando saiu do consultório naquela tarde, o céu estava baixo e cinzento. Ele caminhou até o carro, sentou-se no banco do motorista e tirou o relógio do bolso. Abriu a tampa. O rosto desbotado de Kelly sorria para ele com a mesma inocência de anos atrás.
Por um longo minuto, Chuck apenas olhou.
Depois fechou a tampa com cuidado, guardou o relógio e apoiou a testa no volante.
Não chorou.
Não lamentou.
Pela primeira vez desde que voltara da ilha, admitiu em silêncio a verdade mais cruel de todas: Ele tinha sobrevivido. Ele a tinha perdido. E agora precisava descobrir se ainda havia alguma razão para continuar.
[CONTINUANDO]
Chuck acordava todas as manhãs com a mesma sensação: a de que o corpo havia sobrevivido, mas alguma parte essencial dele continuava na ilha. Não exatamente a ilha de areia e palmeiras, aquela que lhe serviu de prisão. Mas outra... Aquela feita de concreto, silêncio, espera e de uma mulher que já não era mais só dele.
As sessões com o Dr. Reeves tinham se tornado o único lugar onde ele conseguia colocar ordem no que restava. Até mesmo Wilson, seu fiel amigo, por vezes saíra rolando pela sala enquanto Chuck fazia uma de suas intermináveis reflexões sobre tudo o que estava passando.
Algumas sessões depois da noite em que Jerry o mandara sumir, Chuck chegou mais cedo no consultório. Sentou-se, tirou o relógio de bolso do colete, abriu a tampa, olhou a foto desbotada de Kelly e a fechou de novo. O gesto já era automático. Reeves notou:
- Você faz isso toda vez que entra...
- É o único pedaço dela que ainda posso tocar sem mentir para mim mesmo e sem causar um caos na vida de ninguém.
- Será mesmo? Mas e a sua vida? Vê-la assim constantemente não impacta você de alguma forma?
Chuck encarou o terapeuta com surpresa e respondeu com objetividade:
- Algumas religiões usam imagens para cultuar entidades, sem que, com isso, as toquem de verdade. Acho que é mais ou menos isso...
- Mas você acha saudável “cultuar” a imagem da Kelly: – O terapeuta perguntou, fazendo aspas com os dedos.
- Eu preciso superá-la... É isso que quer me dizer?
- Diga-me você, Chuck.
O terapeuta permaneceu em silêncio o tempo suficiente para que Chuck continuasse:
- Eu fiquei meses contando os dias para reencontrá-la. Depois parei de contar. Não porque o tempo tivesse deixado de importar, mas porque contar doía de um jeito diferente. Eu me agarrava à ideia de que ela ainda estaria ali quando eu voltasse. Mas mesmo essa ideia, um dia não foi mais suficiente. Por isso, construí a jangada e me lancei no mar. Foi isso que me fez não desistir quando a tempestade veio. E agora… agora eu voltei e... Bem, o senhor já sabe.
Reeves inclinou a cabeça, observando as reações físicas de Chuck:
- E o que tem feito com a sua esperança agora que sabe que ela quer reconstruir a vida com o marido?
Chuck pensou, coçou o queixo, fez que ia tirar o relógio do bolso mas desistiu. Demorou. Muito:
- Eu tento matá-la todos os dias. E todos os dias ela volta. Como a maré.
Foi nessa conversa que uma decisão começou a tomar forma, não de uma vez, mas lentamente, em camadas, uma ideia após a outra.
Nas sessões seguintes, o doutor Reeves foi empurrando com perguntas precisas, sem direcionamento:
- Você ainda trabalha no mesmo prédio onde ela, às vezes, ia te encontrar para almoçarem juntos?
- Sim.
- E... Você ainda mora a meia hora da casa dela?
- Num dia de trânsito tranquilo... Sim.
- Você ainda passa na rua dela quando não tem nenhum motivo?
Chuck não negou, mas se envergonhou de si mesmo. Suspirou profundamente e olhando para o terapeuta apenas resmungou:
- Eu sei que é patético.
- Não é patético, Chuck. É humano. Mas é também uma forma inconsciente que você criou de se manter preso ao que já não pode ser. É uma corda, um cordão umbilical que ainda te une a ela, mesmo que ela não saiba.
Chuck apenas balançou a cabeça, negando, mas sabendo que era verdade:
- Quero que você leve uma pergunta para refletir neste final de semana. É bem simples: O que aconteceria se você, somente você, tirasse de você mesmo tudo o que ainda o liga a ela?
Chuck não entendeu o motivo daquela pergunta, mas a levou para casa. Levou para o trabalho. Levou para as corridas longas que fazia ao entardecer, quando o corpo pedia exaustão para que a mente calasse. Levou para as noites em que segurava Wilson e o obrigava a ouvir, como se a bola ainda pudesse responder:
- O que será que ele quis dizer com isso, Wilson?
Mas a resposta não vinha.
Numa noite, enquanto comia um Yakissoba na bancada da cozinha, pedido num restaurante qualquer, Chuck ouviu uma voz vindo do quarto, sussurrando uma resposta:
- Um recomeço?
Chuck se assustou e pegou uma vassoura. Foi até o quarto e não havia ninguém. Aliás, havia. Wilson estava ali, sentado na cama, olhando para a porta, como se fosse a própria Esfinge sussurrando a pergunta que separa a vida da morte.
Chuck voltou para a cozinha, mas a palavra ressurgiu em sua mente:
- Recomeço?
Enquanto mastigava sua comida. A palavra ressurgia, e ressurgia, e ressurgia:
- Recomeço de quê, caramba!? Um novo... Chuck?
Ele foi até o quarto e pegou o Wilson, colocando-o sobre a bancada. Então, o encarou e considerou:
- Se eu for embora de verdade… se eu largar o emprego, a cidade, a casa, tudo… o que sobra de mim, Wilson?
Wilson, naturalmente, não respondeu. Mas o silêncio tranquilo dele era o único que Chuck ainda reconhecia como uma boa companhia. Chuck até mesmo teve a impressão de ter visto Wilson abrir um discreto e convidativo sorriso. E isso lhe fez bem.
Ainda assim, a decisão veio devagar. Não foi como um estalo. Como uma maré que sobe e, quando a gente percebe, já molhou tudo. Não houve um “Eureka!” Houve sim muita reflexão e uma decisão que amadureceu a seu tempo.
Na sessão seguinte, Chuck chegou com uma sacolinha de papelão na mão. Sentou-se e colocou o relógio de bolso sobre a mesa, entre ele e Reeves. Não o abriu. Não fez nada além de simplesmente depositá-lo ali. Mas sua voz reverberou forte e audível:
- Eu vou embora.
O terapeuta não demonstrou surpresa. Apenas colocou seu bloco de anotações de lado, se recostou na própria poltrona e o encarou por um instante:
- Embora... para onde, Chuck?
- Não sei ainda. Outra cidade. Outro estado. Longe o suficiente para que nada me lembre da Kelly, do Jerry, da Katie. Da casa... Do prédio da FedEx. De tudo!
- E o relógio? Vi que o tirou ao invés de abri-lo e depois guarda-lo...
Chuck olhou para o objeto com uma expressão saudosista:
- Pensei em devolver, mas vou levá-lo. Não porque eu ainda espere, mas porque ele é a prova de que eu existi antes da ilha, de que eu fui alguém que ela amou. Se eu deixar ele aqui, parece que eu deixo também o homem que eu era.
- Mas notei você não o abriu quando chegou?
- Não. E já faz alguns dias que não o abro.
Chuck pegou a sacola e colocou sobre a mesa também. Então, pegou o relógio, abriu, deu uma última e longa olhada na foto desbotada de Kelly, fechou e o guardou na sacola. Por fim, pegou uma fita e passou por dois buraquinhos na aba superior, dando um nó cego e depois um laço.
O terapeuta em nenhum momento o impediu. Também não questionou, pois sabia o que aquilo significava. Por fim, o doutor Reeves inclinou seu corpo na direção do Chuck e assentiu, sorrindo formalmente para ele:
- E a esperança, Chuck?
- Pensei em matá-la, mas não seria justo, nem com ela, nem comigo. Vou fazê-la entender que a Kelly não faz mais parte da minha história. E vou levá-la comigo, para onde eu for...
A decisão de Chuck se concretizou rápido nos dias seguintes. Ele pediu transferência interna na FedEx para um centro de distribuição em outra cidade, longe o suficiente para que a probabilidade de encontros, mesmo os casuais, fosse praticamente impossível. Aceitou o primeiro cargo que lhe ofereceram. Não se importou. Embalou o pouco que tinha. Wilson foi o último a ser empacotado, numa caixa almofadada, com todo o cuidado que a amizade lhe garantia.
A notícia chegou a Kelly numa quarta-feira à noite, através de uma amiga em comum da época em que ainda era noiva de Chuck. Amanda trabalhava no mesmo centro de distribuição que ele. Tinham sido colegas próximos antes do acidente. Quando soube da transferência, Amanda ligou para Kelly no final da tarde, com uma voz cautelosa demais:
- Eu não sei se você quer ouvir isso, Kelly, mas... o Chuck pediu transferência. E para bem longe. E pelo jeito que ele está com pressa… parece que é para valer. Soube até que ele está já está com quase tudo empacotado.
Kelly estava na cozinha quando atendeu. Katie desenhava na mesa. O mundo, por um segundo, pareceu pesar novamente:
- Eu… Eu já imaginava que ele fosse embora um dia. – Mas a voz saiu falha.
Amanda, do outro lado, percebeu:
- Você está bem?
- É uma resposta tão simples e ao mesmo tempo, tão complicada, Amanda.
Conversaram algumas poucas amenidades depois. Kelly mal se lembrava de uma. Quando desligou, apoiou as duas mãos na bancada e ficou olhando o espaço vazio à sua frente. A tristeza veio sem aviso, grande demais para o peito. Não era desejo de voltar atrás, de tê-lo de volta. Era uma dor de cortar de vez o último fio. A dor de saber que o homem que ela amara durante anos, e que ainda amava de algum modo impossível de apagar, estava se removendo do mapa da vida dela. Talvez para sempre...
Jerry chegou mais cedo naquele dia. Encontrou-a na cozinha, os olhos vermelhos, a postura curvada sobre a bancada, apática. Katie, como de costume, veio mostrar um desenho que havia acabado de pintar. Estranho foi ela reclamar que a mãe não quis desenhar com ela. Jerry não precisa perguntar, pois já sabia do que se tratava. Ainda assim pediu que a filha guardasse suas coisas no quarto, pois o jantar não demoraria. Depois se voltou para Kelly:
- Chuck, certo? O que aconteceu dessa vez?
Kelly tentou desviar:
- Nada. Não, é... Só cansaço.
Ele não acreditou. Mas não pressionou. Apenas ficou ali, perto e longe ao mesmo tempo. Kelly, às vezes, olhava na direção dele, mas nada falava. Não durou muito:
- É sobre ele sim. Mas podemos deixar para depois.
- Tanto faz falarmos agora, ou depois. Se quiser adiantar o assunto, já resolvemos.
Quando Kelly se preparava para falar, Katie retornou, agarrando a perna do pai. A conversa precisou ser abortada.
À noite, depois que Katie dormiu, eles se sentaram na sala. Como orientado pela terapeuta, eles teriam vinte minutos para terem a tal “conversa combinada”. Jerry começou:
- Hoje, eu tive que fazer o exercício da Laura três vezes. Eu... tenho medo de não conseguir esquecer, de olhar para você e ainda ver o dia em que você chegou com a blusa amassada e o olhar que... Enfim...
Kelly ouviu em silêncio, respeitando a dor e os medos do marido. Depois, respirou fundo e falou:
- Eu também tenho medo. Medo de não ser suficiente para o que você precisa agora. Medo de que a culpa nunca saia de cima de mim.
Eles ficaram em silêncio, constrangidos, mas ainda assim presentes. Depois Kelly falou, a voz mais baixa:
- Tem mais... A Amanda, uma amiga minha dos tempos em que eu e o Chuck estávamos juntos... Bem... Ela ligou hoje. Ela soube que o Chuck pediu transferência, para longe. Parece que ele está indo embora e, dessa vez, parece que é pra valer.
Jerry sentiu um impacto no peito com a notícia: Alívio. Um sorriso quase escapou de seus lábios, mas ele o evitou em respeito a alguma coisa que ele não queria nomear que transbordava dos olhos da esposa. Kelly continuou, os olhos cheios:
- Eu sei que é o certo. Eu mesma pedi isso, mas… dói, Jerry. Dói de um jeito que eu não esperava.
- Eu entendo. Eu não queria que tivesse chegado a esse ponto, mas talvez seja o melhor, Kelly. Ele precisa viver uma vida que não seja a nossa.
- Eu sei... – Kelly enxugou uma lágrima: - E... eu preciso te perguntar uma coisa, porque... porque a gente combinou de não mentir mais.
Ela respirou fundo e parou. Jerry esperou pacientemente:
- É só uma hipótese, mas e se o exame disser que o bebê é dele… o que a gente faz?
A pergunta atingiu Jerry como um tijolo. Ele se recostou no sofá e encarou a parede à frente. Ele sabia o que aquilo significava. Ele teria que ser pai, talvez até de um filho que não fosse dele. Não respondeu de imediato. Olhou para as próprias mãos. Depois para a porta do corredor dos quartos, onde Katie dormia:
- Eu não sei o que responder. - Disse, com uma voz saiu baixa, honestamente cansada: - Eu só sei que se ele desaparecer de verdade e a criança for dele… eu vou ter que decidir se consigo criar o filho de outro homem ou se eu saio de vez. E nenhuma das duas opções me parece possível sem destruir alguma coisa.
Kelly desviou o olhar do marido e chorou em silêncio. Jerry não a abraçou. Ele próprio queria um abraço, mas achou que o dela não seria apropriado. Apenas ficou ali, sentado na mesma sala, dividindo o mesmo sofá, o mesmo medo.
Mas a pergunta de Kelly ganhou relevância, quase vida própria em Jerry.
Três dias depois, Jerry ligou no consultório da doutora Laura, pedindo uma consulta de urgência. Foi atendido. No dia e horário combinado, ele chegou sozinho para surpresa de Laura. Ela estranhou, enquanto ele entrava em seu consultório:
- Eu preciso conversar sem a Kelly, doutora. Eu preciso de ajuda. Eu, especificamente.
Laura concordou com um meneio de cabeça, enquanto fechava a porta atrás dele. No consultório, Jerry não se sentou imediatamente. Ficou de pé, perto da janela, como se precisasse da saída à vista:
- Eu não sei se conto para ele... - Disse, sem preâmbulo: - Sobre a gravidez. Sobre a possibilidade dele ser o pai.
Laura já estava ao lado de sua poltrona, apenas observando. Então, o chamou e esperou que ele se sentasse. Depois falou:
- Pensei que vocês tivessem combinado de o manterem fora dessa história até o exame. O que mudou?
Jerry resumiu o assunto: A mudança decidida por Chuck e o medo de ter que assumir uma paternidade que não era sua. Laura entendeu cada palavra, cada sentimento, cada medo. Então, pensou e falou:
- Vamos pensar nos dois lados... Se você contar, Chuck terá que carregar a mesma dúvida que você carrega agora. Ele pode decidir ficar, mas também pode decidir seguir com sua mudança se a decisão dele tiver a ver com preservar sua família. Ou... pode querer participar de alguma forma e se isso for feito de forma precipitada, ele pode prejudicar o casamento de vocês. Você não controla o que ele fará com a informação.
- Casamento... Nem sei se ainda tenho um casamento.
- Tem, Jerry. Você tem um casamento. Precisa acreditar nisso. Eu já te pedi para não tomar nenhuma decisão sem conhecer todos os fatos e o exame de DNA será primordial para que você tenha todas as informações antes de decidir.
Jerry respirou profundamente e balançou a cabeça, concordando com os argumentos da terapeuta:
- Mas aí vem o outro lado: E se eu não contar? E se o filho não for meu? Como eu abandono a Kelly? E a Katie? Como vou fazer com a minha filha?
- As decisões duras terão que esperar o resultado do exame de DNA, Jerry. Não se martirize antes do tempo. Mas vamos supor... Vamos supor que o bebê não seja seu, o que te impede de assumi-lo e amá-lo?
- A lembrança, ora! Saber que ele é fruto de uma traição.
- Então, nesse caso, você só terá uma saída. Será que está pronto para renunciar ao seu amor pela Kelly, pela sua família?
Jerry passou a mão pelo rosto. Ele suava frio, tremia mesmo estando um dia ameno:
- Eu não quero ele de volta na nossa vida. Mas eu também não sei se tenho condições de assumir essa criança se ela não for minha. Além disso, ele tem de saber, não tem?
Laura sabia que a situação era delicada. Falou com o máximo cuidado:
- A pergunta que você precisa responder não é só “o que é melhor para mim?”, mas sim “o que é possível sustentar sem mentira?” Você já disse a Kelly que prefere a verdade, mesmo que doa. Precisa definir agora, se a verdade inclui o Chuck também.
Jerry ficou em silêncio longo. Depois falou com a voz baixa:
- Eu... acho melhor contar.
A questão impunha urgência na decisão. Ele saiu do consultório direto para o apartamento de Chuck. Ele não ligou. Não marcou horário. Não avisou. Simplesmente foi.
Na portaria, informaram que o doutor Lovett pedia para subir. Chuck ficou surpreso, mas não recusou. Em instantes, ouviu três batidas na porta. Quando Chuck abriu, os dois se encararam em silêncio por um tempo longo demais, cada qual avaliando o outro.
Jerry estava de camisa social, a gravata afrouxada, a expressão contida. Formal. Simplesmente formal, como se estivesse numa reunião que ele não queria ter marcado. Ele iniciou a conversa:
- Sei que a minha presença aqui parece estranha...
- Não quer entrar, Jerry?
- Eu... acho melhor não. Eu já sei que está de partida, Chuck. Não vim para pedir que fique. Mas acho que você precisa saber que a Kelly está grávida. E que existe uma possibilidade desse filho ser seu.
A expressão sempre racional de Chuck foi substituída por uma genuína demonstração de surpresa. Um silêncio se instalou no corredor do apartamento de forma imediata e absoluta. Chuck ficou parado, a mão ainda na maçaneta, o corpo inteiro imóvel. Atrás dele, sobre uma caixa na mesa de centro, Wilson parecia olhar na direção da porta, como se também tivesse ouvido:
Jerry não ofereceu mais nada. Apenas ficou ali, de pé, esperando que o outro homem digerisse a informação que acabara de mudar o peso de tudo outra vez.
Chuck abriu a boca. Fechou. Depois conseguiu apenas dizer:
- É melhor você entrar. Acho que temos que conversar novamente.
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