A gente conheceu eles na mesa oito de um casamento, entre uma tia surda e um casal de primos que não falava com ninguém.
Quatro meses depois, os quatro estavam num quarto de hotel na Consolação.
E, entre uma coisa e outra, ninguém convidou ninguém.
Prazer, somos o Casal Apimentados. Vamos nos apresentar como Jorge e Lúcia, nomes fictícios.
Eu, Jorge: negro, 1,85 de altura, corpo forte sem ser musculoso, 43 anos.
Ela, Lúcia: 1,72, loira natural, olhos verdes, seios fartos e umas coxas grossas que sempre foram o meu ponto fraco. Mesma idade que eu.
O casamento era de uma prima da Lúcia, num buffet em Santana, num sábado de outubro. Festa comum, gente comum, das que a gente chama de PB, preto e branco, sem nada de colorido.
E a gente foi caído na mesa oito, que em todo casamento é a mesa dos encaixados. É onde o cerimonial coloca quem não pertence a nenhum grupo: um casal de amigos do noivo que ninguém conhece, uma tia idosa, um primo distante e nós.
A Lúcia estava de vestido azul-marinho, longo, com uma fenda que a mãe dela comentou duas vezes na igreja. Eu estava de terno, sem gravata, morrendo de calor.
O casal ao nosso lado eu vou chamar de Marcelo e Aline.
Ele, negro, uns trinta e oito, alto, cabelo baixo, um sorriso fácil e aquela postura de quem trabalha com gente. Ela, branca, cabelo castanho preso, uns trinta e cinco, vestido verde e um jeito quieto de observar tudo antes de falar.
Eram amigos do noivo. Casados havia dez anos, dois filhos, moram no Tatuapé.
A primeira meia hora foi o que sempre é: comentário sobre o vestido da noiva, reclamação do ar-condicionado, discussão sobre a fila do bufê.
E aí veio o momento que decidiu tudo, e ninguém na mesa percebeu, tirando a Lúcia.
Um primo qualquer, já no terceiro uísque, começou a contar uma fofoca sobre outro casal da família. Que os dois frequentavam umas festas estranhas, que trocavam de parceiro, que era uma vergonha.
A mesa riu. A tia fez o sinal da cruz. O primo continuou.
E a Aline não riu.
Ela olhou pro prato, tomou um gole de vinho e não riu.
Foi só isso. Uns dois segundos.
A Lúcia me deu um chute discreto por baixo da mesa. Eu olhei pra ela e ela nem virou o rosto na minha direção, continuou comendo, o que na nossa língua particular quer dizer: presta atenção.
A festa correu normal.
Lá pelas onze da noite, com a pista cheia e o pessoal já solto, a gente foi dançar. Marcelo e Aline foram junto. Os quatro naquela pista de casamento, dançando axé velho com uma turma de senhoras.
E o Marcelo dançava bem. Muito bem. A Lúcia comentou isso comigo depois, no carro, com um interesse que não era só técnico.
Em determinado momento, a Aline puxou a Lúcia pra dançar de frente uma pra outra, do jeito que duas mulheres fazem numa festa sem nenhum segundo sentido aparente, e as duas ficaram ali, rindo, por umas três músicas.
Eu vi de longe, com uma cerveja na mão, e não pensei absolutamente nada demais.
O que eu vi mesmo foi outra coisa: a Aline, num movimento da música, colocou a mão na cintura da Lúcia, e deixou ali por uns bons dez segundos a mais do que precisava.
Depois tirou, e continuou dançando, e não olhou pra mim nenhuma vez.
Uma da manhã, no estacionamento, na hora dos abraços de despedida, a Aline abraçou a Lúcia e falou uma coisa no ouvido dela.
A Lúcia riu e respondeu alguma coisa de volta.
Trocamos telefone, aquele "vamos marcar alguma coisa" que noventa e nove por cento das vezes não vira nada.
No carro, na Marginal, eu perguntei:
— O que ela falou?
A Lúcia demorou pra responder. Ficou olhando pra frente.
— Ela falou: você é linda demais pra estar nessa mesa oito.
— Só isso?
— Só isso. — Ela virou pra mim. — Mas Jorge, você tinha que ter visto o jeito.
Passaram três semanas.
E aí a Aline chamou a Lúcia pra tomar um café. Só as duas.
Foi num sábado à tarde, num shopping do Tatuapé, e durou três horas e meia.
A Lúcia me contou tudo naquela noite, e o resumo é que a conversa demorou duas horas pra chegar onde tinha que chegar, e que a Aline chegou lá do jeito mais desajeitado possível, perguntando se a Lúcia tinha visto uma série qualquer sobre um casal que abre o casamento.
A Lúcia respondeu que tinha visto.
E aí perguntou, sem rodeio:
— Aline, você quer conversar sobre isso ou sobre a série?
A Aline chorou. Não de tristeza, de alívio.
Contou que ela e o Marcelo conversavam sobre aquilo havia quatro anos. Que não era crise, não era casamento ruim, não era falta de nada. Que os dois tinham lido, pesquisado, conversado de madrugada, e que nunca tinham feito nada porque não sabiam por onde começar e morriam de medo de cair em cima de gente errada.
E que, na mesa oito daquele casamento, o Marcelo tinha cutucado ela e falado baixinho: aqueles dois ali são do meio.
— Como é que ele sabia? — perguntou a Lúcia.
— Ele disse que foi o jeito que vocês se olharam quando o primo bêbado contou a fofoca. Disse que vocês dois acharam graça de uma coisa e a mesa inteira achou graça de outra.
A Lúcia me contou isso rindo, e eu ri junto, porque é exatamente o tipo de coisa que a gente não percebe fazendo.
O jantar dos quatro aconteceu duas semanas depois, num restaurante na Mooca.
E foi um dos jantares mais estranhos e mais bonitos que eu já fui.
Estranho porque, nas primeiras duas horas, ninguém falou do assunto. A gente falou de escola de filho, de plano de saúde, de obra em apartamento. Quatro adultos fingindo que aquele jantar era só um jantar.
Foi o Marcelo quem furou.
Ele largou o garfo, respirou fundo e falou, olhando pra mim:
— Jorge, eu vou ser sincero porque eu não aguento mais essa conversa de cortina. A gente está aqui porque a gente quer entender como vocês fazem.
E a partir dali a mesa virou outra coisa.
A gente contou. Contou tudo, inclusive as partes ruins, principalmente as partes ruins. Contei da nossa quinta-feira de arroz queimado, contei de uma noite em que a Lúcia travou na porta do nosso próprio quarto e a gente parou tudo. A Lúcia contou de um sítio em que a gente passou uma noite separado e do que ela descobriu ali.
A Aline ouviu com os olhos vidrados. O Marcelo fazia pergunta atrás de pergunta.
E, quando eles perguntaram o que a gente aconselhava, a Lúcia respondeu a única coisa que a gente sempre responde:
— Conversem vocês dois mais umas dez vezes antes de conversar com qualquer outra pessoa. E não tenham pressa nenhuma. A parte importante é essa.
O jantar acabou quase meia-noite.
E foi na calçada, esperando o manobrista, que a Aline falou:
— A gente já conversou umas trezentas vezes.
O Marcelo olhou pra ela.
Ela olhou pra ele.
E ele deu de ombros, com aquele sorriso fácil.
— É verdade. Já conversamos.
A Lúcia olhou pra mim.
Eu falei a única coisa responsável que dava pra falar naquele momento:
— Se vocês quiserem, tem um hotel bom na Consolação e ninguém aqui bebeu além da conta. E, se vocês entrarem no carro e mudarem de ideia no meio do caminho, a gente toma um café e vai dormir. Sem chateação nenhuma.
Ninguém mudou de ideia no meio do caminho.
O quarto era simples, mas o ar estava carregado. A tensão sexual que vinha sendo cozinhada desde a mesa oito finalmente transbordou. Quando a porta se fechou, o silêncio do quarto foi substituído por uma respiração pesada.
Lúcia, com a autoridade de quem domina a própria pele, tomou a frente. Ela sentou na cama e puxou Aline. O primeiro beijo não foi apenas um "relaxamento"; foi uma reivindicação. As línguas se entrelaçaram com urgência, e Lúcia desceu a mão para a coxa de Aline, apertando a carne firme por cima do tecido verde do vestido. O gemido que escapou da garganta de Aline foi gutural, um som de fome reprimida por dez anos de casamento.
Lúcia abriu o zíper do vestido de Aline com um movimento lento, deliberado. Quando o tecido deslizou, revelando a pele alva e os seios fartos com mamilos já rígidos de excitação, Lúcia não perdeu tempo. Ela agarrou os seios da outra mulher, apertando-os com força, enquanto sugava um mamilo com voracidade, provocando arrepios que faziam Aline tremer violentamente.
Eu observava tudo, sentindo meu pau pulsar violentamente contra o tecido da calça. Marcelo, ao meu lado, já não conseguia mais fingir indiferença; ele estava com a mão no volume do próprio cós, observando a esposa ser devorada por Lúcia.
Lúcia desceu para a calcinha de Aline e a arrancou com um puxão seco. Ela abriu as pernas da mulher e mergulhou o rosto ali. O som era úmido, explícito. Lúcia usava a língua com precisão, alternando entre lambidas longas e sucções profundas no clitóris inchado de Aline. Aline arqueou as costas, as unhas cravando nos ombros de Lúcia, soltando gritos abafados enquanto o orgasmo a atingia em ondas violentas, inundando a língua de Lúcia com seu gozo.
Foi então que a noite explodiu em caos erótico.
Aline me chamou. Quando eu me despi, ela não quis sutilezas. Ela se ajoelhou diante de mim e envolveu meu membro negro e ereto com a boca, sugando com uma fome desesperada, deslizando a língua pela glande enquanto olhava nos meus olhos. O contraste da pele dela com a minha era hipnotizante. Eu segurei a cabeça dela, guiando o ritmo, sentindo a pressão quente de sua garganta enquanto ela tentava engolir cada centímetro do meu pau.
Enquanto isso, ao lado, Marcelo já tinha tomado posse de Lúcia. Ele a virou de costas, levantando as coxas grossas dela — meu ponto fraco, agora sendo explorado por ele. Marcelo entrou nela com uma estocada profunda, um som de carne batendo contra carne que ecoou pelo quarto. Lúcia soltou um grito longo, a cabeça jogada para trás, enquanto Marcelo a fodaçava com vigor, segurando-a pelos quadris e imprimindo um ritmo bruto, quase animal.
Eu mudei a posição de Aline. Joguei-a de costas na cama e entrei nela com força total, sentindo a parede quente e úmida de sua vagina me apertar. Ela gritava o meu nome, as pernas enroladas na minha cintura, puxando-me para dentro dela o máximo que podia. O ritmo era frenético. A cada estocada, eu sentia o tremor do corpo dela e o som da lubrificação natural misturada ao suor.
O quarto virou um cenário de orgias coordenadas. Em certo momento, trocamos. Eu me posicionei atrás de Lúcia, sentindo o cheiro do sexo do Marcelo ainda nela, e comecei a bombear com força. Ela gritava, sentindo dois homens diferentes a possuírem naquela mesma noite. Aline, exausta mas ainda faminta, se posicionou entre nós, beijando-me enquanto eu a fodaçava por trás.
Foi uma sinfonia de fluidos: sêmen, suor e lubrificação natural espalhados pelos lençóis brancos do hotel.
A última cena foi a mais intensa. Quase quatro da manhã, com Marcelo e Aline em um estado de exaustão deliciosa na poltrona, Lúcia me puxou para cima dela. Ela queria sentir cada nervo do meu corpo. Eu entrei nela devagar, sentindo-a pulsar ao meu redor. Ela me olhou nos olhos, a respiração curta, e sussurrou:
— Mesa oito, hein... — Ela soltou um gemido agudo quando eu dei a última estocada profunda, disparando meu gozo dentro dela com força, enquanto ela contraía as paredes da vagina em um orgasmo final e devastador.
Ficamos ali, entrelaçados, com o cheiro forte de sexo impregnado no quarto, sabendo que aquele "preto e branco" da vida comum tinha acabado de ganhar as cores mais intensas e proibidas que poderíamos imaginar.
Se você chegou até aqui, obrigado por ler. A gente escreve essas histórias do jeito que elas aconteceram, sem inventar muito, e é sempre bom saber que tem gente do outro lado. Se curtiu, segue a gente, deixa um comentário contando o que achou e dá uma olhada nos nossos outros contos, tem bastante coisa por lá.
Casal Apimentados
