O ar daquela noite parecia mais denso, carregado de uma expectativa silenciosa que me fazia arrepiar a pele a cada passo. Havia meses eu alimentava o desejo secreto de explorar novas fronteiras na nossa vida a dois, de ver o desejo se multiplicar sob as luzes suaves de uma casa de swing. Eu sempre fui aquela mulher discreta e reservada na rua, mas que entre quatro paredes se transforma completamente, entregando toda a minha safadeza e intensidade na cama. Convencer meu marido não fora fácil , ele aceitara ir, mas impôs uma condição clara: ficaríamos apenas no bar, como meros espectadores de um mundo fascinante e desconhecido.
Ajeitei o vestido preto no corpo enquanto caminhávamos em direção ao balcão. Ele se ajustava com precisão às minhas curvas, moldando meus 1,72m de altura. Minha pele morena cor de jambo contrastava com o tecido escuro, e meus cabelos castanhos escuros, que caíam bem abaixo da linha dos seios com mechas iluminadas, balançavam a cada passo sobre os saltos altos. O ambiente era um espetáculo à parte: luzes vermelhas e roxas cortavam o ar saturado por perfumes caros e uísque, com sofás de couro ocupados por casais em carícias ousadas e paredes de vidro fumê que revelavam apenas as silhuetas de quem aproveitava o andar de cima.
Sentamo-nos em duas banquetas altas. Meu marido pediu drinks, os olhos atentos e ligeiramente defensivos explorando a movimentação. Eu, por outro lado, sentia o coração acelerar com a atmosfera eletrizante do lugar e a ideia de ser observada. Meus lábios carnudos, pintados num tom marcante de um vermelho intenso, desenhavam um sorriso contido enquanto eu apreciava a cena.
Foi quando o vi. Uau!
Ele estava a poucos metros, encostado no balcão de mármore escura, segurando um copo de uísque. Um homem alto, de ombros largos e um olhar afiado que cruzou o meu sem qualquer hesitação. Não houve disfarce. O olhar dele desceu devagar pelo meu vestido, desenhou minhas curvas e subiu até parar na minha boca. Um sorriso de canto de lábio surgiu em seu rosto, cúmplice e faminto.
Senti um calor imediato subir pela nuca, descendo direto para o meio das minhas pernas. Que tesão!
Meu marido conversava algo sobre a decoração, mas minha atenção estava completamente capturada por aquele jogo de olhares. A cada gole na minha taça, sustentava o contato visual. O desconhecido percebeu exatamente quem eu era naquele lugar: a "santa" por fora, mas transbordando o desejo de uma puta por dentro.
A tensão entre nós cresceu a ponto de tornar o ar quase palpável. A oportunidade perfeita surgiu depois de vários drinks, quando meu marido se virou de costas, foi até o caixa para pedir a conta. Ele ficou completamente cego para o que aconteceria a poucos metros dali.
Aproveitando a brecha, o homem deu passos rápidos e me prensou suavemente contra a beirada do balcão. A mão firme dele subiu pelas minhas costas, espalmando-se na minha cintura e puxando meu quadril contra o dele com uma autoridade que me fez tremer.
Ele se aproximou do meu ouvido, o hálito quente contrastando com o ar-condicionado da casa.
— Você é linda demais para ficar só observando... devia estar sendo usada como merece neste lugar — sussurrou ele, com uma voz grave que ressoou direto na minha espinha.
Antes que eu pudesse puxar o ar, a outra mão dele subiu pela minha nuca, entrelaçando os dedos nas mechas do meu cabelo e puxando minha cabeça delicadamente para trás. A boca dele tomou a minha sem pedir licença.
Foi um beijo faminto, quente e proibido. A língua dele invadiu minha boca carnuda, sugando meu lábio inferior com força enquanto a outra mão apertava minha cintura, colando nossos corpos. Sentir a firmeza daquele estranho me prensando, enquanto meu marido estava a um metro de distância esperando para pagar a conta, fez minha adrenalina explodir em puro tesão. Esqueci qualquer pudor. Devolvi o beijo na mesma intensidade, enterrando as unhas nos ombros largos dele, sentindo o gosto forte do uísque e a urgência de um desejo selvagem.
O beijo durou poucos segundos que pareceram uma eternidade. Quando o caixa entregou o cartão ao meu marido, o desconhecido finalizou a loucura com um mordisco lento no meu lábio, soltou meus cabelos, e deslizou a mão pela minha coxa antes de dar um passo para trás, desaparecendo na penumbra com um olhar satisfeito.
Voltei o rosto para o meu marido exatamente no momento em que ele se virava com o comprovante na mão. Ele notou meu nervosismo, minha respiração arfante e meus lábios levemente inchados, mas atribuiu tudo ao álcool e ao calor do lugar.
— Vamos amor? Acho que esse ambiente não é pra gente... — ele disse, pegando na minha mão.
— Vamos... — respondi com a voz trêmula, ajeitando o vestido.
Caminhei em direção à saída sentindo o gosto do uísque daquele homem na minha boca e o calor daquela pegada na minha pele. Meu marido não viu nada, mas ao cruzar a porta daquela casa de swing, eu só conseguia pensar em chegar em casa, fechar a porta do quarto e descarregar todo aquele tesão acumulado nele, guardando o segredo daquele beijo só para mim.
E na esperança de um dia encontrar aquele homem.
Agora eu vivo pensando onde está esse homem alto, de ombros largos da casa de swing?