Aquela areia já estava começando a me incomodar.
Abri os olhos e reconheci imediatamente o lugar. O mesmo mar tranquilo, o mesmo céu limpo, a mesma faixa de areia que parecia existir em algum ponto entre a minha mente e outra realidade.
— Você de novo? — a mulher dos olhos dourados apareceu diante de mim, dessa vez, porém, havia algo diferente em sua expressão. Ela não parecia tão acolhedora quanto nas outras vezes. — O que aconteceu?
— Aconteceu exatamente o que você previu — me sentei na areia.
Ela ficou em silêncio, esperando que eu continuasse.
— Gillian começou a afetar as pessoas ao redor, sem perceber. Bastava olhar para alguém e alguma coisa acontecia. Pessoas ficando agressivas, outras completamente obcecadas... — fiz uma pausa. — Foi um caos.
A mulher desviou o olhar para o mar. Por um instante, tive a impressão de que algo a incomodava. Como se houvesse alguma coisa ali que ela preferisse não observar diretamente.
— Mas eu consegui convencê-la a fazer o pacto.
— Quando? — ela voltou os olhos para mim, nada daquele tom meigo e acolhedor de antes.
— Na verdade, nós já fizemos.
Por um instante, achei que fosse impressão minha, mas ela segurou um sorriso estranhamente esquisito. Seus olhos dourados brilharam quase como duas lanternas por um breve momento.
— Meus parabéns — ela balançou levemente a cabeça, fechando os olhos e logo os abrindo novamente. — Você conseguiu.
Permaneci em silêncio. Havia alguma coisa estranha em seu comportamento, mas antes que pudesse perguntar, senti algo no meu peito, queimando. Olhei para baixo. Havia marcas negras espalhadas pelo meu corpo. Franzi a testa. Algumas percorriam meus braços, outras desapareciam sob a roupa. Eram linhas irregulares, semelhantes às marcas que Gillian possuía quando ainda era uma bruxa.
— O que é isso?
— Um selo — a mulher se aproximou e passou a mão pelas marcas. — Um estigma, uma manifestação do pacto que você e Gillian fizeram, mas está um pouco fraco.
Ela ergueu a mão e colocou o dedo indicador contra o meu peito. No mesmo instante, senti alguma coisa se mover. Prendi a respiração. As marcas negras começaram a se deslocar pela minha pele. Era estranho. Não apenas observar aquelas linhas se reorganizando, mas sentir aquilo acontecendo dentro do meu próprio corpo. Como se pequenas coisas vivas estivessem percorrendo minhas veias.
— Que porra é essa?
— Fica parado.
As marcas continuaram se movendo. Algumas desapareceram dos meus braços. Outras atravessaram meu peito, convergindo lentamente para o mesmo ponto. A sensação era desconfortável. Quando finalmente pararam, todas aquelas linhas haviam se organizado em um único símbolo no centro do meu peito.
— Agora sim — a mulher observou o resultado e retirou o dedo. — O selo está bem firmado.
— E isso significa o quê? — passei a mão pelo desenho tribal.
— Que o pacto está estabelecido e não vai ser quebrado tão facilmente.
— Então Gillian não representa mais perigo?
— Não da mesma maneira, mas não se engane. Ela ainda pode se rebelar.
— E porque ela...
— Pode começar a se sentir presa novamente. Pode interpretar o pacto como uma nova prisão. E, quando isso acontecer, você vai lidar com ela. Mas isso não vai ser um problema, agora temos total controle sobre ela.
— Nós? — levantei o olhar com uma sobrancelha erguida.
— Você... — ela desviou o olhar e fechou os olhos. — Você tem poder total sobre ela.
Aquela mulher estava começando a se tornar estranha, não respondi. Olhei para trás. Foi então que percebi algo que não havia notado antes. Aquela paisagem destruída parecia diferente. As nuvens negras que cobriam o horizonte se dissiparam. Os raios vermelhos haviam desaparecido. A terra continuava devastada, mas já não parecia tão agressiva.
— Isso funcionou mesmo?
— Sim, pelo menos por enquanto — ela olhou para a paisagem. — O vínculo sofreu alterações. Por isso, você não será consumido da mesma forma que antes.
— Alterações?
— Sim — ela me encarou. — Antes, apenas você dependia de Gillian para sobreviver, agora Gillian também depende de você.
— Você não me disse isso antes.
— Isso não é um problema.
— Não é um problema? — minha voz saiu mais alta. — Agora ela depende de mim para viver e também depende de mim para usar os próprios poderes.
— E o que tem?
— Você deveria ter me contado isso antes de ela ou eu aceitar fazer esse pacto. Agora ela está duplamente dependente de mim.
— Somente assim vocês podem impedir que ela faça algo pior com outras pessoas.
— Mas eu não sabia que seria assim.
Ela inclinou levemente a cabeça.
— É isso que você quer? — ela inclinou levemente a cabeça. — Que Gillian machuque outras pessoas?
— Não.
— Que mate alguém deliberadamente?
— Não é isso.
— Então qual é o problema?
— Eu não estou confortável com a ideia de ter esse tipo de poder sobre ela.
A mulher dos olhos dourados me encarou durante alguns segundos. Então sua expressão mudou. Admito, sentia falta daquele sorriso acolhedor de antes.
— Nosso tempo acabou — ela se virou, começou a caminhar pela areia em direção ao horizonte.
— Espera! Quem é você?
Ela não respondeu.
— Por que você sabe tanto sobre nós?
Continuou andando, sem olhar para trás, a praia começou a desaparecer ao redor dela. Apenas aquelas costas se afastando enquanto tudo ao redor desaparecia.
Então a luz tomou conta de tudo, e eu voltei para Gillian.
Gillian estava sentada na cama quando acordei.
— Finalmente — ela ergueu uma sobrancelha.
— Quanto tempo eu dormi? — falei ainda sonolento.
— Não muito. Talvez umas duas horas.
— Ainda é dia? — olhei pela janela, a luz do sol ainda atravessava as cortinas.
— É... mas isso está começando a virar rotina — ela cruzou os braços.
— O quê?
— Você desmaiar depois de transar comigo.
— Desmaiar é uma palavra meio forte — soltei uma risada.
— Você simplesmente apaga.
— Tem alguma diferença?
— Tem. Eu começo a achar que estou matando você — ela tentou parecer séria, mas havia um pequeno sorriso no canto da boca.
Respirei fundo, passei a mão pelo rosto.
— Você ainda quer aproveitar o resto do dia? — me sentei na cama e passei a mão pelo rosto dela.
Gillian ficou em silêncio por alguns segundos.
— Não — ela balançou a cabeça. — Quero ir para casa.
— Para casa?
— Nossa casa — ela desviou o olhar. — Já vimos a praia, a piscina, a comida... acho que já chega de resort por enquanto.
— Ok. Então vamos para casa.
Começamos a arrumar nossas coisas. Não demorou muito. Enfiamos as roupas nas malas, pegamos o restante das coisas e deixamos o quarto. As pessoas estavam normais. Ninguém nos encarava de maneira estranha. Ninguém parecia subitamente eufórico, irritado ou obcecado. O ambiente estava tranquilo. Gillian percebeu a mesma coisa.
— Funcionou — Gillian olhou para algumas pessoas.
— Parece que sim.
Ela ficou alguns segundos observando um homem que passava pelo corredor. Gillian concentrou-se nele. Por alguns segundos, nada aconteceu. Ela franziu a testa e tentou novamente.
— Não consigo usar os poderes.
— Tem certeza?
— Eu estou tentando fazer alguma coisa com a emoção dele — ela fez uma nova tentativa, mas o homem simplesmente continuou andando, completamente indiferente. Gillian abaixou a mão. — Realmente funcionou.
Ela deveria estar feliz. Mas não estava, havia uma expressão estranha em seu rosto. Uma mistura de alívio com algo que eu não consegui identificar.
— Isso é bom, não é? — olhei para ela.
— É — ela respondeu rapidamente, mas sem entusiasmo. — É muito bom.
Mas não parecia convencida. Saímos do resort em silêncio. A viagem de volta também foi silenciosa. Eu pensava no que a mulher dos olhos dourados havia me contado. No selo. Na alteração do vínculo. Na nova dependência de Gillian. Ela, por outro lado, permanecia olhando pela janela.
Quando finalmente chegamos, Gillian pegou a mala e entrou primeiro. Eu a acompanhei. Ela parecia me evitar, sempre alguns passos à frente. Entrou na sala e deixou a mala próxima ao sofá. Depois ficou parada por alguns segundos, olhando ao redor.
— O que foi? — perguntei.
— Nada.
— Gillian...
— Eu só estou cansada — ela pegou a mala novamente e começou a caminhar em direção ao quarto.
— Você está estranha desde que saímos do resort.
Gillian parou por alguns segundos, ficou de costas para mim.
— Você acha que eu não percebi?
— Percebeu o quê?
— Que agora você tem controle sobre mim — ela se virou lentamente.
Fiquei em silêncio.
— Não foi o que eu queria quando aceitei o pacto — continuou. — Eu só queria impedir que as pessoas se machucassem.
— E funcionou, não é?
— Eu sei — ela abaixou os olhos. — Mas agora eu não consigo fazer nada sem você.
— Não é bem assim.
— É sim — Gillian levou a mão até o próprio peito, como se tentasse sentir alguma coisa dentro de si. — Eu consigo sentir a diferença. Antes, o poder estava aqui... agora parece que existe uma porta. E você está do outro lado dela.
Não soube o que responder. Ela soltou uma risada fraca, sem qualquer humor.
— Engraçado. Passei séculos tentando sair de uma prisão e, quando finalmente consegui, a primeira coisa que fiz foi entrar em outra.
— Gillian, eu não quero ser seu carcereiro.
A frase ficou suspensa entre nós. Gillian pegou a mala novamente e entrou no quarto, deixando a porta aberta. Dessa vez, não a segui. Fiquei sozinho na sala, olhando para o símbolo marcado no meu peito através da roupa. Aquela marca não parecia representar proteção, parecia uma corrente.
— Gillian?
— O quê? — ela voltou para a sala.
— Tem uma coisa que eu preciso te contar — respirei fundo. — Aquele vínculo... o nosso vínculo, ele mudou.
Gillian permaneceu em silêncio.
— Antes, era só eu que dependia de você para continuar vivo. Agora você também depende de mim.
Ela não respondeu, apenas ficou me olhando.
— Para usar seus poderes, você precisa de mim. E, pelo que entendi, você também depende de mim para sobreviver.
Gillian continuou em silêncio.
— Você está me ouvindo?
Ela continuou em silêncio, apenas assentiu. Nenhuma reação. Nenhuma pergunta.
— Então era isso que você realmente queria? — ela começou a rir.
— Não é bem assim.
— Não?
— Eu não fiz o pacto para controlar você.
Os olhos dourados surgiram na minha mente.
“Não conte a ela sobre mim.”
A voz veio tão forte que quase me fez perder o fio do pensamento.
— Eu fiquei pensando em uma coisa — Gillian percebeu a minha hesitação. — Como você sabe tudo isso?
— Eu...
— Você mesmo disse que não sabia como fazer o pacto. Aliás, nem eu sabia, eu nem sabia que era possível fazer um pacto — ela gesticulava exageradamente com as mãos enquanto falava e andava pela sala. — Então como sabe que agora eu dependo de você? Como sabe de tanta coisa?
— Eu... não posso contar.
— Por quê?
Não respondi. Ela ficou alguns segundos me encarando, tentando encontrar alguma coisa no meu rosto.
— Você está escondendo alguma coisa de mim.
— Não é isso.
— Então o que é?
Continuei em silêncio.
— Tudo bem — Gillian desviou o olhar e pegou a mala novamente.
— Gillian...
— Não quero mais ouvir a sua voz — ela começou a caminhar em direção ao quarto.
Então fechou a porta, fiquei sozinho na sala. E, naquele momento, percebi que talvez o pacto tivesse criado outra coisa além da dependência.
Desconfiança.
Nos dias seguintes, começamos a nos afastar, o tempo passou de maneira estranha. Não chegamos a discutir, mas também não voltamos à proximidade de antes. Havia uma distância entre nós que nenhum dos dois parecia saber como atravessar.
Gillian passava mais tempo sozinha. Eu também evitava insistir.
E também, eu passei a dormir no sofá. Não queria cutucar onça com vara curta, então evitei dormir no mesmo ambiente que ela.
Acho que chegamos numa crise no casamento...
Até que, alguns dias depois, fui me deitar no sofá para dormir. Estava quase entrando no mundo dos sonhos quando senti uma pressão sobre o meu corpo. Abri os olhos. Gillian estava em cima de mim.
Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ela colocou a mão sobre a minha boca e se aproximou. Seu rosto estava a poucos centímetros do meu. Havia algo diferente em seus olhos. Não era raiva. Também não era exatamente medo.
Era uma necessidade primal. Ela ficou alguns segundos me encarando, como se estivesse lutando contra alguma coisa dentro de si.
— Eu não consigo — ela sussurrou, retirou lentamente a mão da minha boca, mas continuou próxima. — Por mais que eu tente... eu preciso de você.
Ela me beijou, a língua invadiu a minha boca e ela se afastou um pouco mordendo e puxando meu lábio.
— O que você fez comigo? — a respiração dela estava pesada. — Tá usando meus poderes contra mim?
— Não... eu não fiz nada.
Num piscar de olhos, ela estava ajoelhada ao lado, agarrou a barra da minha bermuda. O tecido esticou, protestou, e depois rasgou com um som seco numa força animal dos braços finos dela. Aquilo me parecia familiar, era como se ela estivesse sob efeito da própria droga, aquela que amplificava desejos e sensações.
Meu pau duro balançou no ar na frente de Gillian, seus olhos brilhavam acompanhando cada pulsação. Antes que eu pudesse processar completamente, a cabeça dela desceu. Sua boca quente engoliu minha pica inteira de uma só vez, sem hesitação. O calor me envolveu completamente enquanto ela movia a cabeça com uma fome que parecia desesperada. Sua língua trabalhava ao redor da minha cabeça, depois descia até a base, sugando com força que quase me arrancou do sofá.
Enquanto tentava sobreviver àquela sessão de sucção extrema, uma sensação estranha começou a se espalhar pelo meu corpo, como se uma droga potente estivesse começando a fazer efeito. As bordas da minha visão ficaram levemente desfocadas, cada toque dela se tornou mais intenso, mais elétrico. Minhas mãos encontraram o cabelo dela, trançando os dedos entre os fios escuros e sedosos.
Estava sob o mesmo efeito que ela.
— Mais — ela gemeu contra minha carne, a vibração percorreu todo o meu corpo. — Enfia tudo na minha garganta.
O comando quebrou algo em mim. Meus quadris ergueram do sofá enquanto eu começava a foder sua boca com força. Cada empurrão ia mais fundo, até que ouvi o som dela engasgando. A saliva escorria pelos cantos da boca dela, descendo pelas minhas bolas e formando uma poça no couro do sofá. Em vez de se afastar, ela me puxava para mais perto, pedindo mais com cada movimento desesperado.
Quando eu finalmente a afastei para respirar, fios de saliva conectavam ainda a boca dela ao meu pau. O rosto dela estava vermelho, os olhos injetados de sangue, lágrimas escorriam pela bochecha, mas o sorriso que ela me deu era pura provocação.
Puxei-a pelo cabelo com força suficiente para fazer a cabeça dela se inclinar para trás. Ela gemeu, o som misturado com dor e prazer. Me levantei e a joguei de quatro no sofá, onde ela imediatamente apoiou-se. A bunda dela ficou perfeitamente exposta e arrebitada, a buceta molhada brilhando entre os lábios. Me ajeitei atrás dela, minhas mãos agarrando seus quadris com força.
Entrei nela de uma só vez, sem preparação. Ela gritou, o som abafado pelo sofá. O calor e o aperto da buceta dela me fizeram arquear as costas. Comecei a foder como um animal, sem ritmo ou delicadeza, apenas força bruta e necessidade. Minha mão direita veio contra a bunda dela com um estalo alto que ecoou pela sala. A pele ficou vermelha instantaneamente.
— Mais — ela gemia também como um animal — Bate mais forte.
Outro tapa, depois outro. Eu alternava entre as bochechas dela, deixando marcas vermelhas que pulavam sob minhas palmas. Minhas unhas arranhavam as costas dela, deixando linhas finas e vermelhas na pele clara. Ela se contorcia sob mim, tentando se afastar e se aproximar ao mesmo tempo.
— Você está sendo muito bruto — ela se esforçava para não engasgar nas próprias palavras. — Eu tô amando...
A resposta dela me encheu de uma fúria ainda mais intensa. Eu a agarrei pelo pescoço, não o suficiente para machucar, mas o bastante para mostrar controle.
— Então pede por mais — eu sussurrei contra o ouvido dela.
— Por favor, fode essa buceta mais forte — ela praticamente implorava. — Me usa como uma puta, me faz gozar.
Sua buceta começou a contrair em torno do meu pau, as paredes internas pulsando. Então aconteceu, um jato quente de líquido me atingiu, seguido por outro. Ela estava esguichando, o líquido escorrendo pelas minhas coxas e formando uma poça maior no sofá misturando a saliva, e boa parte escorria no chão. O cheiro dela ficou mais forte, mais intenso.
Eu continuei fodendo, cada movimento mais profundo que o anterior. Cada vez que ela gozava, era outro jato, outra onda de calor me envolvendo. O sofá debaixo de nós estava encharcado, o som dos nossos corpos batendo juntos misturado com os gemidos dela e os barulhos sujos do sexo.
Eu a puxei pelo cabelo novamente. Eu a arrastei do sofá para a poltrona do outro lado da sala. Eu me sentei, meu pau ainda duro e coberto com os sucos dela. Ela se ajoelhou na minha frente e voltou a me chupar, limpando todo meu pau com a língua enquanto punhetava freneticamente. Agarrei seu cabelo novamente e passei a mexer seus quadris, fodendo a boca dela até deixar melado com a saliva. Depois subiu, virou de costas para mim e posicionou meu pau na entrada da sua buceta. Quando ela desceu, engoliu meu pau inteiro novamente, começando a quicar com um ritmo frenético.
Minha mão encontrou o pescoço dela novamente, desta vez apertando mais. Os olhos dela se arregalaram, mas ela não pediu para parar. Pelo contrário, ela começou a se mover mais rápido, mais desesperadamente, usando meu pau como se sua vida dependesse disso.
— Vai gozar de novo? — eu perguntei, apertando um pouco mais forte.
Ela apenas assentiu, incapaz de falar. O corpo dela começou a tremer, os movimentos ficaram desordenados. Então ela explodiu novamente, outro jato de líquido me cobrindo enquanto ela gemia e gritava ao mesmo tempo.
A noite tornou-se uma sequência de posições e orgasmos. Nós fodemos no chão, contra a parede, de volta no sofá encharcado. Cada vez que ela pensava que não aguentava mais, eu encontrava uma nova maneira de despertar o desejo novamente.
E quando eu achava que estava prestes a desistir, meu pau ficava duro como uma rocha novamente numa vontade insana de foder Gillian até virá-la do avesso.
Finalmente, quando o sol começava a pintar o horizonte, eu senti o orgasmo se aproximando. Eu a empurrei para os joelhos, minha mão envolvendo a base do meu pau enquanto eu apontava para o rosto dela.
— Abre a boca.
Ela obedeceu, a língua estendida, os olhos fixos em mim. O primeiro jato de porra atingiu a bochecha dela, o segundo a testa, o terceiro diretamente na boca aberta. Continuei gozando até que não restasse mais nada, cobrindo o rosto dela com meu gozo branco e quente. Quando terminei, ela sorriu, o gozo escorrendo pelo queixo dela. Ela usou os dedos para coletar o que estava no rosto, levando à boca e lambendo com satisfação.
Quando finalmente tudo ficou em silêncio, permanecemos alguns segundos imóveis, exaustos.
...
Foi então que percebi uma presença na sala, havia alguém sentado na poltrona.
Eu e Gillian olhamos praticamente ao mesmo tempo, o rosto dela perdeu completamente a cor. Seus olhos se arregalaram e, pela primeira vez desde que a conheci, vi um terror absoluto tomar conta de sua expressão.
— Não... — ela sussurrou enquanto as lágrimas começavam a escorrer pelo rosto.
Minha atenção se voltou imediatamente para a pessoa sentada ali. E então vi aqueles olhos...
Aqueles malditos olhos dourados.
Por um instante, não entendi o que estava acontecendo, então minha mente foi tomada por uma imagem.
...
Não era uma lembrança minha, era de Gillian. Eu estava vendo através dos olhos dela.
Sentia o medo, a dor, o calor. Estava presa a uma estaca enquanto as chamas começavam a subir ao meu redor. Uma multidão gritava, insultava e comemorava diante de Gillian que havia sido condenada à fogueira.
Mas, no meio de toda aquela confusão, havia alguém que não gritava. Alguém que simplesmente observava, calma e imóvel com um capuz angelical cobrindo seu rosto que se estendia numa túnica tão branca que brilhava.
Aquele olhos observavam... fixamente em Gillian como se tudo aquilo fosse interessante de assistir.
A mulher dos olhos dourados...
Ou melhor dizendo, Eva.
Como eu sabia aquele nome? Não sei, ele simplesmente apareceu na minha cabeça.
Ela estava lá naquela noite.
...
A memória desapareceu tão rapidamente quanto surgiu, voltei para a sala. Gillian continuava olhando para ela, completamente aterrorizada. E, naquele instante, finalmente compreendi.
Aquela mulher não era somente fruto da minha mente e sequer uma guardiã.
