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Um Banho Diferente - Parte 2

Um conto erótico de Eros Monte
Categoria: Heterossexual
Contém 2016 palavras
Data: 25/08/2026 00:31:58

Eu saí da casa com a mochila no ombro e o cabelo ainda úmido. A rua de Itatiaia estava quente, daquele sol de manhã que já incomoda. Fechei o portão com cuidado, como se fizesse diferença.

Caminhei sem destino. O corpo estava limpo. A cabeça, não.

Toda vez que piscava, via a mesma coisa: a Helena parada na porta do box, a blusa azul manchada, o gozo escorrendo pela bochecha, aquele “meu Deus, o que eu fiz” e os passos correndo pelo corredor.

Fui para casa. Tomei outro banho. Frio. Fiquei parado debaixo da água até os dedos enrugarem. Não adiantou.

Perto do meio-dia, o celular vibrou.

Beatriz: “Está em casa? Pensa em vir jantar?”

Olhei a tela por um tempo.

“Hoje não. Estou ruim da cabeça.”

Ela mandou um ok e um beijo. Não insistiu.

A Helena não mandou nada. O Paulo também não.

Passei a tarde no sofá, com o celular virado para baixo. Cada vibração era um susto. Nenhuma era dela.

À noite, tentei comer e não consegui. Deitei cedo. Dormi mal. Sonhei com a tranca girando. Com o clique. Com ela escolhendo ficar.

Na quarta, evitei a casa. Inventei trabalho. A Beatriz reclamou baixo, daquele jeito dela quando não quer brigar.

Na quinta, ela ligou.

— Vem hoje. Minha mãe está estranha. Mais calada que o normal. O clima aqui está ruim.

— Tá.

— Você também está estranho, Rafael.

— Eu sei.

Cheguei no fim da tarde. O Paulo ainda não tinha voltado. A Beatriz me recebeu com um beijo rápido e foi terminar uma planta no computador.

— Cinco minutos — falou. — Só fecho isso.

Fiquei na sala.

A Helena saiu da cozinha. Blusa diferente, cabelo preso. Os olhos cruzaram com os meus por um segundo e desviaram. O rosto não ficou vermelho. Ficou só cansado.

— Oi, Rafael.

— Oi.

— A Beatriz está no quarto?

— Está. Trabalhando.

Ela acenou, um movimento pequeno, e voltou para a cozinha.

O jantar foi silencioso. A Beatriz tentava puxar assunto, falava do escritório, da planta, do chefe. Eu respondia pouco. A Helena quase não falava. Toda vez que nossos olhares se encontravam, ela baixava o rosto para o prato.

— Vocês dois estão iguais hoje — a Beatriz riu, sem graça. — Calados.

Ninguém respondeu direito.

Depois do jantar, ela foi tomar banho.

— Não dorme no sofá — gritou do corredor.

Eu fiquei na sala, fingindo mexer no celular.

A Helena passou com um cesto de roupa. Parou um segundo na porta da sala, como se fosse falar. Não falou. Só olhou, rápido, e foi embora.

Eu levantei e fui atrás.

Ela estava na lavanderia, de costas, colocando roupa na máquina. O cheiro de sabão em pó misturado ao perfume dela. Quando sentiu que eu estava ali, virou-se.

— Não — disse baixo. — Não faz isso.

— Eu só queria falar.

— Não tem o que falar. Foi um erro. Um erro enorme. A Beatriz está do outro lado da parede.

A voz tremia, mas estava firme.

— Eu não vou contar.

— Eu sei que você não vai. Mas eu não consigo te olhar sem lembrar. E eu não quero lembrar.

A máquina ligou, produzindo um barulho baixo e constante.

— Se a Beatriz descobrir, acaba tudo. E o Paulo. Eu não tenho desculpa para aquilo.

— Eu também não tenho.

Ela cruzou os braços. A blusa marcou o peito. Os olhos castanho-escuros não subiam até os meus por mais de um segundo.

— Então por que você veio atrás de mim?

— Porque você parou na porta da sala. E porque eu também não consigo parar de lembrar.

Helena respirou fundo.

— Para. Por favor. Vai para a sala. Deixa eu terminar aqui.

Passei por ela. O cheiro ficou no ar. Doce. Conhecido. Agora misturado com aquela terça.

Voltei. A Beatriz saiu do banho pouco depois, cabelo molhado, de camisola. Sentou-se ao meu lado e encostou a cabeça no meu ombro.

— Você está estranho esses dias.

— Estou cansado.

— Cansado de quê?

— Da cabeça.

Ela não insistiu. Ficou quieta, os dedos desenhando no meu braço.

Mais tarde, no quarto, a gente se pegou. Foi rápido. Quase automático. Eu fechei os olhos e, por um instante, não era o corpo dela que eu via. Era a Helena na porta do box, ofegante, com a blusa manchada.

Gozei com um gosto ruim na boca.

A Beatriz riu baixo, ofegante.

— Nossa. Estava precisando.

Dormiu no meu peito.

Eu fiquei acordado, olhando o teto.

No corredor, uma porta fechou com cuidado. Passos leves. Pararam um segundo na frente do nosso quarto. Depois continuaram.

Eu ouvi.

O pau endureceu contra o colchão, sem eu pedir.

Dessa vez, não saí da cama.

---

No sábado, a Beatriz precisou ir ao escritório de manhã. Projeto atrasado. O Paulo saiu cedo para um bico. Eu estava na casa desde a sexta.

Acordei sozinho na cama dela. A casa estava quieta de novo. O mesmo silêncio daquela terça.

Fiquei deitado uns dez minutos, ouvindo. Nada.

Levantei. Fui até a cozinha.

A Helena estava lá, de costas, cortando alguma coisa na tábua. Blusa clara, cabelo preso. Não virou quando me ouviu.

— Bom dia.

Ela demorou um segundo.

— Bom dia.

Fui até a cafeteira. O cheiro dela misturado ao café. Fiquei perto demais sem querer. Quando ela se virou para pegar um prato, nossos braços se tocaram.

Ela recuou na hora.

— Desculpa.

— Não foi nada.

Mas o rosto já estava vermelho. Os olhos desviaram para o chão, depois para a minha boca e, por fim, para longe.

Ficamos os dois parados na cozinha pequena. O único som era o da faca parada na pia.

— A Beatriz volta logo — ela falou, baixo.

— Eu sei.

— Então não fica me olhando desse jeito.

— Eu não estou olhando de jeito nenhum.

Mentira. Eu estava. E ela sabia.

Helena respirou fundo.

— Aquilo não pode acontecer de novo. Nunca. Eu sou a mãe dela. Você é o namorado dela. O Paulo ainda mora aqui. Eu não tenho desculpa.

— Eu também não tenho.

Ela passou a mão no cabelo. A blusa subiu um pouco na cintura. Eu vi a pele. Desviei o olhar, atrasado.

— Para — disse, quase sem voz. — Para de me olhar.

— Estou tentando.

Ela riu sem graça. Um riso curto, quebrado.

— Pois tenta mais.

Pegou o pano e limpou a tábua sem precisar. Eu fiquei encostado na parede, com o café na mão, sem beber.

— Você pensa nisso?

As costas dela tensionaram.

— Todo dia. E odeio isso. Odeio que eu pense. Odeio que eu lembre da sua cara quando… quando você…

A voz falhou.

— Eu também penso.

Ela se virou. Os olhos úmidos, mas não de choro. De raiva misturada com outra coisa.

— Então para. Se a Beatriz descobrir, acaba tudo. Acaba o casamento que já está acabando, acaba a relação dela comigo, acaba você. Eu não vou destruir a minha filha por causa de uma puta fraqueza.

A palavra saiu pesada.

Eu não respondi.

Ela saiu com o prato na mão, quase trombando em mim para passar. O cheiro ficou colado.

Pouco depois, o carro da Beatriz parou na frente.

A Helena abriu a porta como se nada tivesse acontecido. Sorriso curto.

— E aí, filha. Cansada?

— Morta. O projeto não anda.

Eu fiquei na cozinha, com o café frio.

---

À noite, a Beatriz deitou ao meu lado.

— Minha mãe estava diferente hoje. Você percebeu?

— Percebi.

— Estranho, né? Às vezes acho que ela está escondendo alguma coisa.

— Talvez só esteja cansada.

Ela ficou quieta. Encostou as costas nas minhas e dormiu.

Eu fiquei acordado.

Do outro lado da casa, uma porta abriu e fechou. Passos leves no corredor. Pararam na frente do nosso quarto. A sombra no vão de baixo da porta. Dois pés.

O pau endureceu de novo.

A Beatriz resmungou no sono.

— Está acordado?

— Estou.

— Não consegue dormir?

— Não.

O braço dela passou pela minha cintura. A mão parou perto demais. Quente.

— Quer que eu te ajude?

Fechei os olhos.

— Não precisa.

Ela tirou a mão, virou para o outro lado e voltou a dormir.

Esperei.

Quando tive certeza, levantei. Cueca. Porta com cuidado.

O corredor estava escuro. Só a luminária da sala, aquela que o Paulo esquecia acesa. A porta da Helena estava fechada, com um fio de luz embaixo. Ela estava acordada.

Fui até a cozinha. Qualquer desculpa. Água.

Quando acendi a luz, ela estava lá.

Encostada na pia. Camisola fina. Cabelo solto. Copo nas duas mãos. Não se assustou.

— Não consegue dormir também — falou. Não era pergunta.

— Não.

Fiquei na porta. A camisola era clara, quase transparente na luz. Dava para ver o formato dos peitos caídos, os mamilos marcando o tecido. A barra no meio da coxa. As pernas nuas.

Ela percebeu onde eu olhava e não se cobriu. Só apertou o copo.

— Você deveria ter ficado no quarto.

— Eu sei.

— Então por que saiu?

Não respondi. Fui até a geladeira, peguei a jarra e servi água. As mãos tremiam um pouco.

— A Beatriz está dormindo?

— Está.

— O Paulo chega amanhã cedo.

— Eu sei.

A geladeira barulhou. Ao longe, um cachorro latiu.

— Eu fiquei na porta do quarto de vocês — ela confessou, a voz quase inaudível. — Não sei por quê. Fiquei uns segundos e fui embora. Me odeio por isso.

Encostei na mesa.

— Eu ouvi.

Ela fechou os olhos por um instante.

— Claro que ouviu.

Quando abriu, os olhos brilhavam.

— Sabe o que é pior? Não é só vergonha. É que uma parte de mim… uma parte nojenta… queria que você abrisse a porta. Queria que a Beatriz continuasse dormindo e que você saísse. E isso me deixa doente.

A camisola subiu um pouco quando ela respirou fundo. Eu vi mais coxa. A sombra entre as pernas.

— Helena…

— Não fala meu nome desse jeito.

— De que jeito?

— Desse. Como se a gente pudesse.

Deu um passo. Parou, como se tivesse batido num vidro.

— Se você me tocar agora, eu não vou conseguir parar. E depois eu vou odiar você. E vou odiar a mim. E a Beatriz vai sentir. Ela já está sentindo.

Apertei a beirada da mesa. O pau latejava na cueca. Ela olhou. Não desviou. A garganta se mexeu quando engoliu em seco.

— Então vai embora — disse. — Vai para o quarto. Agora.

Eu não me mexi.

Ela veio. Parou perto o suficiente para eu sentir o cheiro, o calor. Não me tocou. O peito quase encostando no meu.

— Estou molhada — sussurrou, com ódio da própria frase. — Desde que você entrou aqui. E eu odeio isso. Odeio que meu corpo faça isso com o namorado da minha filha.

A mão subiu, hesitou no ar, parou no meu peito. Dedos quentes. Dois segundos. Depois empurrou, fraco.

— Vai.

Eu saí.

Voltei pelo corredor descalço. Entrei no quarto. Fechei a porta. Deitei atrás da Beatriz.

Ela se mexeu na hora.

— Cadê você? — a voz saiu enrolada, mas acordada. — O que estava fazendo?

— Fui beber água.

— Demorou.

Virou-se de frente para mim. A camisola subiu na coxa. Encostou o corpo no meu e sentiu o pau duro na cueca.

— Tá assim por causa da água?

Não respondi.

Ela riu baixo no meu pescoço e começou a rebolar. Devagar. A buceta quente por cima do tecido. A mão dela desceu, puxou a cueca, segurou o pau.

— Quero — sussurrou. — Mete em mim.

Puxei a calcinha dela para o lado. Estava molhada. Enfiei de ladinho, fundo, sem pressa. Ela mordeu meu ombro para não gemer alto. A casa dormia. A parede era fina.

— Isso… assim… não tira.

Ficamos de lado. Eu entrava e saía devagar, o quadril dela recuando para pegar mais. A respiração dela quente no meu pescoço.

— Mais fundo. Me fode. Quero seu pau na minha buceta até gozar.

Apertei o quadril dela. Fodi mais firme, ainda de ladinho, o colchão reclamando pouco. Ela gozou primeiro, apertando, um gemido preso na minha pele. Eu segurei um pouco e gozei dentro, fundo, o corpo travando contra as costas dela.

Ficamos assim. Eu ainda dentro. O leite quente escorrendo entre as coxas. A camisola grudada.

Ela beijou minha boca, já quase dormindo.

— Não sai.

Não saí.

Dormimos daquele jeito. Abraçados. Gozados. O pau amolecendo dentro dela.

Do outro lado da parede, a cama da Helena rangeu uma última vez, seguido de um suspiro profundo.

E depois a casa inteira fez silêncio...

(continua...)

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Foto de perfil genéricaEros MonteContos: 8Seguidores: 18Seguindo: 1Mensagem Sou um cara cheio de vontades e desejos, nem todos (ainda) revelados...

Comentários

Foto de perfil de Apollojr

Parabéns pelo conto, gosto das histórias construídas aos poucos, e vc está indo muito bem.

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Obrigado fico feliz pelas palavras, me dá ânimo de continuar, a próxima parte será ainda mais intensa! 🔥 Estou trabalhando nela já.

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Cada vez melhor... continua

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Valeu, que bom que gostou! Minha ideia é essa série ter uma continuidade longa. A próxima parte será ainda melhor 🔥

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