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Mentiras Perfeitas | Capítulo 6 – As Falsas Provas e a Queda

Um conto erótico de Normal
Categoria: Heterossexual
Contém 4322 palavras
Data: 24/08/2026 16:12:21
Última revisão: 24/08/2026 16:53:28

Capítulo 6 – As Falsas Provas e a Queda

A noite caía sobre Brasília, tingindo o céu de um azul profundo. Beatriz estava no escritório em casa, se preparando para descansar, a luz amarelada do abajur criando sombras suaves nas paredes.

Suas mãos tremiam tanto que o aparelho quase escorregou pelos dedos quando ela tentou dar o play no segundo áudio pela terceira vez.

O arquivo trazia um ruído de fundo que simulava perfeitamente o ambiente de um restaurante sofisticado no Norte da Europa.

A voz de Fred era nítida, pausada e dolorosamente familiar.

— ...eu preciso de um tempo para resolver a situação no Brasil, mas você sabe que meu lugar é aqui, com você, Helena.

Beatriz cobriu a boca com a mão, abafando um soluço que subiu do peito.

A humidade relativa do ar em Brasília despencara para níveis críticos naquela madrugada, tornando a respiração dela pesada, como se faltasse oxigênio no quarto de casal.

Ela olhou para a tela e arrastou o dedo para abrir o anexo de vídeo. O arquivo de poucos segundos mostrava Fred de costas, em um corredor mal iluminado, abraçando uma mulher loira de traços firmes que se encaixava perfeitamente na descrição física de Helena Costa.

A dor imediata deu lugar a uma confusão paralisante.

Como aquilo era possível?

Fred estava em Berlim para fechar contratos de logística.

Aquela mulher, Helena, trabalhava com consultoria de segurança.

A mente de Beatriz, embora bombardeada pelo choque traumático, tentava encontrar uma falha lógica, um erro de paralaxe nas imagens, mas a renderização digital de Gustavo fora milimétrica.

O silêncio da residência no Lago Sul parecia quase cirúrgico, quebrado apenas pelo estalar sutil da madeira dos móveis sob o resfriamento da noite. O display do smartphone continuava a iluminar o rosto empalidecido de Beatriz, refletindo a sequência de arquivos que acabara de carregar em sua tela.

Passou horas revendo aquelas imagens, a dúvida corroendo cada pedaço de confiança construída em vinte anos.

Queria acreditar na inocência do marido, mas a mente teimava em questionar.

E as imagens eram claras e, aparentemente, incontestáveis!

Enquanto essa tempestade psicológica se instalava em Brasília, a milhares de quilômetros dali, a Força-Tarefa internacional operava em Berlim, na Alemanha, sob a cobertura de um escritório de consultoria de logística no sofisticado e movimentado distrito de Charlottenburg, próximo à famosa avenida Kurfürstendamm.

O ambiente estéril contava com servidores táticos interligados por redes privadas virtuais de nível militar. Tom Sterling, Francesca "Chicca" Moretti e Alejandro Vargas conduziam uma varredura de dados táticos avançada, em absoluto sigilo. Fred não fazia ideia de que eles monitoravam os canais de comunicação de Beatriz com extrema precaução, um protocolo preventivo acionado discretamente a pedido de Helena Costa para blindar a retaguarda do parceiro.

— Nossos sistemas de monitoramento passivo acusaram uma exfiltração massiva e concentrada de pacotes criptografados direcionada ao dispositivo móvel de Beatriz Alves no Brasil — pontuou Tom Sterling, ajustando os fones de comunicação com cancelamento de ruído ativo, a rigidez do SAS britânico evidente em seu tom de voz linear. — Ainda não tivemos acesso ao conteúdo que foi injetado no terminal dela, mas a telemetria indica criptografia pesada de ponta a ponta. Paralelamente, nossos firewalls detectaram um padrão alarmante: alguém na América do Sul tem feito buscas obsessivas pelos itinerários de Fred, realizando consultas externas e cruzamentos forçados em sistemas de companhias aéreas, registros de check-in de hotéis e servidores de despacho de bagagem na Europa.

— O rastro digital não vem da Alves Participações. Quem está operando essas buscas conhece conceitos básicos de contra-vigilância e está usando conexões mascaradas, possivelmente redes públicas fora de Brasília, para ocultar a autoria — comentou Alejandro Vargas, gesticulando com descontraída seriedade enquanto revisava os logs de acesso no terminal de segurança. — Mas o perigo real é o relatório HUMINT que recebemos hoje cedo de nossos intermediários. Renato Alves acionou contatos corporativos na Europa pedindo, como um favor de mercado, que investigassem a fundo as atividades do irmão dele no continente. O idiota quer afastar o Fred para assumir o controle total, lavar dinheiro de redes criminosas e usar a distribuidora como fachada para operações ilícitas. O problema é que o pedido leviano dele na rua pode bater nos ouvidos de agentes estrangeiros hostis. Se os russos da Operação Janus descobrirem o disfarce de Fred através dessa busca do irmão, nossa cobertura de inteligência externa cai e a família Alves inteira vira alvo tático de eliminação no Brasil. Fred não pode saber que estamos nessa linha de monitoramento, mas o nível de risco estourou o teto.

— Nós precisamos injetar contramedidas imediatamente — comentou Chicca Moretti, mastigando um chiclete de menta com os olhos fixos nas matrizes numéricas que monitoravam o tráfego de dados. — Se o Renato está tentando cruzar dados de hotéis e voos externamente para mapear os passos de Fred, vamos contaminar as redes de consulta periféricas com pacotes de camuflagem geolocalizada e honey-files corporativos falsos. Vamos saturar essas buscas externas com dados ruidosos para atrasar qualquer verificação até que Fred feche definitivamente o caso no solo francês. Precisamos descobrir o conteúdo exato do que Beatriz recebeu antes que seja tarde.

No dia seguinte, Renato entrou em sua sala, encontrando-a com os olhos inchados de tanto chorar. Ele monitorava o status de leitura das mensagens enviadas através de um de seus dispositivos limpos e descartáveis, sabendo o minuto exato em que a armadilha visual havia sido disparada no smartphone da cunhada.

— Beatriz, o que houve? — disse com voz mansa, sentando-se ao seu lado.

Ela levantou os olhos, vermelhos e inchados. Lágrimas desciam sem parar. Sem dizer uma palavra, deslizou o celular para Renato.

— Vou deixar que você veja por si mesmo — murmurou ela, quase um sussurro, sem fazer qualquer acusação.

Ele observou as imagens uma a uma por vários instantes, sem expressar opinião. Por dentro uma alegria sem precedentes emanava de seu peito. As gravações brutas (raw) que o profissional de campo contratado por ele colhera em saguões de hotéis e restaurantes no exterior haviam sido processadas perfeitamente por Gustavo. O cruzamento de dados biométricos corporais de Helena com a simulação de proximidade com Fred estava impecável, sem deixar rastros telemáticos que uma auditoria simples pudesse capturar. Renato sentou-se num canto da sala, deixando o silêncio preencher o espaço entre eles.

— Às vezes, o que parece verdade não é. Mas a dúvida, essa, ela pode ser uma amiga perigosa. Talvez seja hora de reavaliar o que você merece. Tenho absoluta certeza de que você merece muito mais do que recebe, ainda que ele seja meu irmão, não posso ignorar o que acontece há muito tempo. Bia, se isso for um vazamento de dados de inteligência de mercado ou uma chantagem corporativa direcionada, nós precisamos agir com o máximo de sigilo tático. Se o mercado descobrir que o CEO da Alves Participações está envolvido em um escândalo desse nível, nossas ações vão despencar nas bolsas e o fluxo de caixa do grupo será estrangulado. Eu vou pedir para a nossa equipe de segurança da informação fazer uma auditoria discreta nesses arquivos de mídia, mas por favor, não comente isso com o Jonathan. Ele é muito ligado ao pai. Vai agir por impulso e comprometer o compliance da empresa.

Obviamente ele jamais pediu qualquer revisão para a equipe de segurança da informação.

Seus olhos buscavam os dela, oferecendo conforto, mas também armadilhas sutis.

Por dentro, tinha certeza de que o estrago já estava feito.

A saturação da dúvida destruiria as defesas lógicas de Beatriz, forçando o isolamento definitivo da cunhada dentro da própria estrutura familiar.

Faltava apenas colocar o último prego no caixão, com a participação de Rafael.

Beatriz passou a noite em claro, revendo repetidas vezes os vídeos e fotos. Queria encontrar algum erro, uma falha que pudesse derrubar aquela narrativa devastadora.

Queria acreditar no Fred, no homem que conhecia e amava.

Mas a tecnologia era implacável. Cada cena parecia tão real que sua mente não conseguia negar. A dúvida se transformava em um abismo que ameaçava engolir tudo.

Enquanto isso...

Do outro lado do mundo, em uma cidade fria e cinzenta da Europa, Fred avançava com a equipe tática pela fábrica abandonada, o coração pulsando com a adrenalina da missão. Vance, Mizrahi e Sterling, mais habituados ao combate, seguiam na frente.

Os criminosos estavam armados e desesperados. Tiros foram disparados por ambos os lados em todas as direções.

Beaumont de uma posição alta, com auxílio de Vargas, eliminava alvos à longa distância e dava cobertura para os quatro companheiros na perseguição.

Um dos homens lançou uma granada. O tempo pareceu desacelerar.

Fred correu, desviando por um instante que foi a diferença entre a vida e a morte.

A explosão sacudiu o ar, estilhaços voaram como lanças de aço, cortando o espaço onde ele estivera segundos antes.

O som ensurdecedor tornou-se um rugido em seus ouvidos.

Quando a poeira baixou, Fred ainda estava de pé, respirando pesadamente, o corpo tremendo, o olhar fixo na entrada da fábrica onde os principais suspeitos foram capturados e outros abatidos.

Uma operação bem-sucedida, mas próxima demais do perigo.

Parado ali, se recuperando do choque, teve uma boa lembrança, já que as informações foram coletadas em uma operação na América do Sul, mais precisamente em Quito/Equador.

Como a operação finalizou dois dias antes da final da Libertadores da América de 2025 entre Flamengo e Palmeiras, ele conseguiu mexer alguns pauzinhos e se encontrou com Jonathan e alguns primos e amigos para torcer pelo Flamengo em Lima, no Peru.

Por conta de missões anteriores, ele não conseguiu comparecer a nenhuma das finais anteriores e se ressentia de não estar com o filho especialmente na final de 2019, em que seu clube quebrou um jejum de quase 40 anos sem título. O filho nunca cobrou, mas era visível o incômodo por perder um momento histórico.

Em 2025 Jonathan, já maior de idade, foi sozinho com parentes e amigos, não contava com o pai e teve a maior surpresa do mundo ao encontrá-lo no aeroporto com uma placa com seu nome aguardando no desembarque.

Aproveitaram a antecedência na chegada para beber e aproveitar o tempo juntos. Infelizmente, seria aquele um último momento feliz antes da tempestade que os receberia no Brasil.

De volta ao Brasil, Fred entrou em casa esperando o abraço caloroso de Beatriz, o sorriso que sempre o fazia esquecer o peso do mundo, ainda mais depois dela saber que ele e Jonathan tiveram momentos felizes em Lima.

Apenas a casa estava a mesma.

Ela o recebeu com um olhar distante, frio, os olhos escondendo um turbilhão silencioso.

— Como foi a viagem? Digo a viagem para a Europa — perguntou, voz baixa.

— Difícil. Mas conseguimos. E aqui? Tudo bem? — respondeu ele, tentando captar um sinal de normalidade.

Ela desviou o olhar.

— Tudo bem aqui — disse, mas a frieza naquelas palavras dizia o contrário.

Fred percebeu que algo havia mudado, mas Beatriz não esclarecia o motivo.

Jonathan tentou relatar o que viveram em Lima, mas Beatriz não deu margem para que a conversa seguisse por esse caminho. Ao perceber o clima estranho entre seus pais, resolveu sair e se encontrar com Larissa para matar as saudades.

O silêncio entre Fred e Beatriz crescia, uma barreira invisível que ameaçava separar o que restava de uma confiança ameaçada.

Alguns dias depois, em um encontro casual no saguão da empresa, Beatriz esbarrou em Rafael. Ele estava ali, com o mesmo olhar reservado, agora temperado pela experiência e por uma serenidade que surpreendia.

— Beatriz — disse, surpreso e contente — é bom ver você.

— Rafael? O que faz aqui na empresa? Soube pela Cláudia que estava na cidade a negócios.

— O Renato me chamou para uma reunião para tentar restabelecer a parceria com o Grupo Alves. Não sabia que você trabalhava aqui.

Eles trocaram palavras rápidas, repletas de lembranças e uma tensão silenciosa.

— Gostaria de conversar mais, com calma — ofereceu ele.

Ela hesitou, mas sentiu que precisava daquele apoio. Aceitou e marcou um jantar para o dia seguinte.

O jantar foi marcado para um restaurante discreto. Rafael pediu uma mesa mais afastada. Ainda que soubesse que Beatriz era casada e não tivesse ainda ciência dos problemas no casamento dela, entendeu que não seria interessante uma conversa sobre o passado em comum deles com várias pessoas à volta ouvindo.

Ele queria se desculpar pelo passado. Ainda era ressentido pela forma como a deixou.

Depois se arrependeu, mas quando buscou informações, já era tarde demais. Ela já havia se apaixonado por Fred e, ao se comparar ao novo namorado da ex, viu que não tinha mais chances de retomar seu posto.

Na solidão da noite, Beatriz encontrou em Rafael um ombro amigo.

Ele, que queria a conversa para pedir perdão e ter pelo menos a amizade desinteressada dela, acabou sendo alguém que parecia entender a confusão que consumia sua alma.

A conversa fluiu, Beatriz relatou seus problemas, ele ouviu sem fazer juízo de valor, o que foi um ponto positivo para ele junto a Beatriz.

O vinho foi tornando a conversa mais fácil, o passado e o presente se misturaram, e a vulnerabilidade a levou a cruzar um limite que logo se arrependeria.

Rafael não buscou o primeiro beijo, mas também não o recusou.

Ignorou o fato de estar em público e a pegou com vontade, com Beatriz retribuindo com sua língua adentrando a boca de Rafael do jeito que somente fazia com Fred, que desapareceu de seus pensamentos naquele instante de loucura.

Rafael pediu a conta e a levou para o seu hotel.

Mal fechou a porta e já foi retirando as roupas de Beatriz e se espantou que ela estava tão gostosa ou mais do que se lembrava.

A jogou de costas na cama e puxou sua calcinha, que já estava encharcada pelos líquidos que escorriam perna abaixo. O cheiro de seu sexo impregnou o quarto, deixando Rafael enlouquecido. Ele chupava a buceta dela com a voracidade de quem estava faminto há anos e saudoso daquele sabor. Beatriz gozou, não porque estivesse maravilhoso o oral, em um momento de lucidez achou bem abaixo do que o marido fazia, mas pela carência, pela necessidade e, por que não, por vingança pela traição que sofrera.

Ela então resolveu retribuir o prazer recebido, puxando a calça e junto com ela a cueca de Rafael.

A segunda comparação veio em seguida. Não era um monstro como Fred, mas também não era nada de se jogar fora.

Lembrou que já havia se divertido muito com aquele pau. Foi um pensamento que teve para apreciar o momento. Aquela pica dura ela conseguia engolir quase toda e assim o fez, levando Rafael à loucura.

Ele, então, vendo que estava quase gozando por estar muito excitado, pediu que ela ficasse de costas para iniciar um papai e mamãe, mas Beatriz recusou.

Beatriz o jogou de costas na cama, mas antes se lembrou de pedir que ele colocasse um preservativo. Rafael reclamou, mas atendeu o pedido. Ela passou a montar de maneira cadenciada e, depois, acelerou o movimento até gozar aos gritos.

Rafael reparou que ela chorava enquanto gozava e ele não sabia dizer se era pelo prazer ou pela tristeza de saber que foi traída pelo marido. Ele resolveu deixar esse pensamento de lado e aproveitar o momento. Não poderia desperdiçar a chance que o destino lhe reservou de tentar recuperar a mulher que amou um dia, pensou ele.

Foi então que ele a colocou de quatro e meteu com toda a força que conseguia. Beatriz dava trancos para trás, para forçar ainda mais a penetração, parecia sentir falta de algo. Pediu para Rafael lhe dar tapas, para lhe xingar, chamar de puta, vagabunda, tudo isso enquanto tinha orgasmos e chorava. Rafael não conseguiu mais resistir, retirou o pau de dentro, a camisinha e jorrou seu esperma quente nas costas de Beatriz, que caiu exausta na cama.

A intimidade que compartilharam foi intensa e Beatriz adormeceu, mas ao amanhecer, o arrependimento era claro.

— Foi um erro — confessou, com lágrimas — meu coração ainda é do Fred.

Rafael a ouviu, compreensivo.

— Eu sei, Bia. Eu só queria estar aqui para você. Entendo que nos excedemos e peço desculpas por ter me aproveitado da situação.

Naquela manhã silenciosa, enquanto o sol entrava pela janela, o peso daquela escolha começava a se revelar.

O estrago estava feito, e o futuro da família Alves começava a se transformar numa encruzilhada dolorosa.

Na manhã seguinte à noite que Beatriz passou com Rafael, a casa dos Alves estava envolta em um silêncio pesado, quase palpável. O sol entrava pelas frestas das cortinas, lançando raios tímidos sobre o tapete da sala.

Fred chegava de uma rápida viagem a São Paulo com a esperança de reencontrar a mulher que amava, acreditando que tudo entre eles estava bem.

Mal sabia que aquela manhã marcaria o início da queda.

Beatriz abriu a porta, hesitando por um instante ao dar de cara com Fred, que chegara pouco antes dela.

Fred parou, o olhar firme ao perceber que a mulher estava chegando em casa àquela hora, mas sem agressividade.

— Onde você passou a noite? Aconteceu alguma coisa? — perguntou devagar, cada palavra carregada de um misto de preocupação e confusão.

Ela desviou o olhar, sentindo o peso daquela pergunta simples, mas carregada de tudo que vinha guardando.

— Por que não atendeu meu telefonema ontem à noite? — continuou ele, a preocupação começando a transparecer.

Beatriz ergueu as mãos, como se buscasse segurá-lo, mas não encontrava forças.

— Eu... — começou, mas o nó na garganta a impediu de continuar.

Ele deu um passo à frente.

— Por que não atendeu minhas ligações ontem? — indagou novamente, a voz um pouco mais tensa, o coração apertado ao perceber que ela escondia algo.

Ela desviou o olhar para a janela, as lágrimas ameaçando cair.

— Fred, eu... — tentou explicar, mas as palavras pareciam frágeis demais para sustentar a verdade.

Fred não fazia ideia do que estava prestes a descobrir.

Enquanto conversavam, o celular de Fred vibrou discretamente. Uma mensagem anônima chegava.

Ele abriu. A tela mostrou uma sequência de imagens e seu rosto endureceu ao ver as fotos: Beatriz entrando no apartamento de Rafael, sorrindo para ele, e, logo depois, um vídeo que mostrava um beijo intenso entre os dois no restaurante.

Fred olhou para Beatriz, os olhos buscando uma explicação que não vinha.

— É verdade? — perguntou, a voz baixa, mas cortante como uma lâmina.

Ela engoliu em seco, sentindo que não havia mais saída.

— Sim — respondeu, a voz trêmula.

— Há quanto tempo? — a segunda pergunta saiu como um sussurro.

— Foi uma única vez — disse rapidamente, tenta amenizar o golpe.

— Você o ama? — ele perguntou, o olhar afundando na alma dela.

As lágrimas começaram a cair.

— Não... — ela soluçou — Eu amo você.

A resposta destruiu Fred ainda mais, porque ele percebeu que, mesmo amando-o, ela escolhera outro homem.

O silêncio que caiu na sala era denso, quase palpável. Beatriz limpava as lágrimas enquanto tentava encontrar forças para continuar.

— Eu sei que você me traiu — disse com voz firme, tentando mascarar sua própria dor.

Fred negou, com os olhos fixos nela.

— Eu nunca traí você. Nunca tive outra mulher.

Beatriz o encarou, a dor se transformando em uma acusação silenciosa.

— Então por que nunca me contou tudo sobre as suas viagens? — perguntou, o olhar fixo, buscando respostas.

Ele permaneceu em silêncio, o peso do segredo o impedindo de falar. Em silêncio, fez uma rápida recapitulação de como chegou até ali e como todo aquele segredo cresceu aquele ponto.

Sua família não sabia que ele não havia pedido exoneração após a licença com a morte de seu pai. Não sabiam que o concurso que ele havia passado era de agente da Polícia Federal (achavam que ele trabalhava em algum ministério). Fred escondeu essa informação do pai e de Beatriz, porque ambos achavam muito perigosa a carreira, que era o sonho de Fred desde sempre. Ele queria provar que estavam errados, que não havia perigo, pois entendia que poderia seguir, como seguiu, um campo mais técnico, já que a sua área de formação acadêmica abria espaço para atuar assim.

No início de carreira ele se destacou por essa atuação técnica. Sempre coletando e analisando dados, se infiltrando em empresas para investigar desvios. Foi assim que, em uma operação conjunta com americanos e israelenses chamou a atenção deles sobre suas habilidades e foi convidado para uma recém-criada força tarefa internacional.

Como agente federal ele não poderia exercer atividade de administração ou gerência, mas a pedido dos representantes das demais agências internacionais (Arthur “The Architect” Vance, na época um Agente Sênior de Inteligência da CIA, e General Avi Ben-Gal, do Mossad), que tiveram a ideia de usar Fred como um empresário legítimo em operações de espionagem e coleta de informações, a Polícia Federal fez vista grossa e autorizou que ele se apresentasse como representante do Grupo Alves, mas Fred tomou a decisão de que todos os contratos não poderiam ser assinados por ele.

Assim, ele negociava os termos com as empresas parceiras, mas era Beatriz quem assinava os contratos. No contrato social da empresa ele aparecia como sócio, não como gestor. Ninguém nunca observou ou questionou tal fato, nem mesmo os advogados da empresa ou Beatriz e, principalmente, Renato. Havia uma aura, uma presunção de legitimidade tão grande na presença de Fred, que a sua autoridade não era questionada e, sinceramente, ninguém atentava para essa tecnicalidade, já que o dia a dia da empresa era todo de Beatriz e todos sabiam que ele planejava tudo com ela.

Com a falta de resposta de Fred sobre o que fazia, ela interpretou aquele silêncio como confirmação definitiva da traição dele.

A tensão que se instalou parecia sufocar o ar.

Fred se levantou, com o rosto marcado pela dor e pela incredulidade.

— Precisamos de um tempo — disse, a voz embargada.

Beatriz assentiu, o olhar cansado.

— Talvez seja o melhor.

Fred saiu de casa naquela tarde, com olhos marejados, sentindo a dor da quebra da confiança cega que tinha em sua esposa, tentando conter um coração partido.

No dia seguinte, na empresa, o casal conversou sobre separação, as palavras duras que um dirigia ao outro sobre as traições mútuas, sendo que Fred insistia em sua inocência, o que causava surpresa e irritação em Beatriz, que sustentava existirem provas, embora não dissesse quais ou as apresentasse para que Fred pudesse ver.

O convívio e o relacionamento passaram a ser exclusivamente profissionais, pelo fato de que Beatriz era a responsável legal pela empresa, existindo a necessidade de que conversassem sobre decisões a serem tomadas com relação aos contratos em vigor e aqueles que poderiam ser provenientes dos memorandos de entendimentos trazidos por Fred de suas reuniões em viagens.

À exceção desses momentos de conversa profissional, o silêncio preencheu os espaços antes ocupados por amor e confiança.

Renato, observando de longe, celebrou em silêncio e entendeu que era hora de dar o próximo passo.

Dias depois, aproximou-se de Beatriz como um salvador.

— Não há condições para Fred continuar na presidência — disse, com um sorriso calculista. — Você é quem realmente mantém a empresa funcionando. É claro que há problemas de confiança e vocês quase não se falam. Eu sou o candidato ideal para ocupar seu lugar na empresa e todos os espaços deixados por ele.

Ele deixou no ar a sugestão de que poderia ser algo mais que um aliado profissional.

Beatriz disse que nada mudaria, pois Fred era, por direito (seja ele pela herança ou pela sua capacidade técnica) um dos responsáveis pela empresa e não haveria qualquer problema pessoal que não pudesse ser superado para que as responsabilidades com o Grupo Alves não fossem afetadas.

Assim, rechaçou com firmeza todas as sugestões de Renato.

Apesar de tudo o que acontecia, Beatriz nunca tirou o colar de safira dado por Fred no aniversário de casamento.

Fred percebeu esse pequeno gesto e, mesmo ferido, manteve a esperança de provar sua inocência e quem sabe uma reconciliação no futuro, mas ao mesmo tempo ainda não era capaz de perdoar a traição sofrida.

Beatriz não se vitimizou. Pelo contrário.

Quando Fred decidiu deixar a casa em que viviam, eles conversaram antes com Jonathan, porém, não contando tudo que havia acontecido. O filho, então, tentou convencê-los a desistir, a conversar e queria saber tudo que tinha acontecido.

Foi aí que Beatriz relatou que começou a desconfiar das viagens do pai, que recebeu provas da traição dele e que, num momento de fragilidade, reencontrou com um antigo namorado e cedeu ao assédio dele.

Com coragem, confessou a Jonathan, seu filho:

— Nada justifica o que fiz.

Ele a ouviu atentamente. Sem julgamentos.

— Mesmo que seu pai tivesse me traído... Eu deveria ter ido embora. Não deveria ter feito o que fiz.

Jonathan respeitou a sinceridade da mãe, compreendendo a complexidade daquela mulher que, apesar dos erros, carregava um amor verdadeiro e uma culpa profunda.

A Ruína se instalou, mas as peças do jogo ainda não estavam todas no tabuleiro. A verdade, ainda oculta, aguardava seu momento para emergir.

Fred tinha uma mente analítica, mas por estar envolvido emocionalmente com toda a situação, não enxergou o quadro geral: havia muitas coincidências. Muitas situações inexplicadas que os levaram aquela situação.

Jonathan, ao contrário, embora sofresse com a iminente separação dos pais, não deixou de atentar para o fato de que eles estavam sob o ataque de alguém intencionado em atingir a família, especialmente seus pais. A separação foi planejada!

Ele ainda não sabia como a mãe chegou à conclusão de que o pai a traiu e se isso, de fato aconteceu, já que Fred jurava inocência, mas a traição da mãe era incontroversa.

Estava documentada e ela confessou.

Porém, o que mais chamou a atenção de Jhonny foi que no dia seguinte à traição, quando Fred chegou em casa e logo depois Beatriz chegou do hotel de Rafael, as mensagens com as imagens da traição de Beatriz foram imediatamente enviadas para Fred.

Quem fez isso os conhecia.

Conhecia suas rotinas.

Sabia com antecedência o horário da chegada de Fred da viagem e estava acompanhando a chegada de Beatriz da noite com Rafael.

Mas quem? Jonathan jurou que faria de tudo para descobrir...

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Comentários

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Prosseguindo!

Uma observação. A equipe de Fred sabe de tudo e não fizeram nada.

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Comecei a ler a saga agora. Maratonei todos os episódios 😁

Quero, antes de mais nada, parabenizar o autor. Sem dúvida uma obra de alta qualidade. No conteúdo e na forma.

Mas teve um pequeno deslize numa frase da Beatriz. Algo ínfimo. Mas que merece alguma pontuação.

Ela diz "mesmo que seu pai tivesse me traído..."

Se ela acreditasse, como quer convencer os outros, nessa hipótese, teria dito:"mesmo que seu pai tenha me traído..."

Esse pequeno deslize creio que não seja acidental e o autor tem intenções com essa migalha para nos deixar encafifados.

Aguardando ansiosamente pelo próximo!

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Agradeço o elogio!

Te confesso que ao escrever não tinha me atentado que há uma pequena diferença de sentido, mas a forma que coloquei se completa com o restante da frase dela, então, não estaria, em teoria, errado. Como não lembro mais das aulas de português que tive na década de 90, peço desculpas se o meu erro eventual erro ficou parecendo uma pegadinha.

grande abraço!

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Pra mim Beatriz acabou de morrer pra essa relação com Fred, uma mulher empresária acostumada ao jogo sujo dos negócios, sabendo que o filho estuda e é bom em computação, cair feito um patinho nessa cilada, sem desconfiar, sem mandar analisar as imagens que recebeu e acima de tudo, conhecendo Renato o cunhado, entrar no jogo dele, ainda mais quando ele pediu a presidência da empresa, era pra ficha dela ter caído na hora, mas a esperança de Fred, o agora corno, de reconciliação com a puta vadia, já me desanimou, um homem com as atitudes e convicções, honestidade e amor dedicado a família, não poderia nunca perdoar uma vil traição dessa. Uma mulher que sai de casa e trepa com o primeiro que aparece.

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Zé Luiz, temos que ver o lado emocional dela também. Ela é uma empresária, mas não é ela quem lida nas negociações. É o Fred. Mesmo que ela fosse cascuda nos negócios, é a vida amorosa dela. Os segredos do Fred. As viagens todas as semanas praticamente, sem ela saber o que fazia. O fdp do Renato no ouvido dela. A porcaria da música que tocou. A amiga traíra falando do cara. vídeos e áudios perfeitos do marido dela pegando outra mulher. etc. Uma série de acontecimentos que culminaram em um jantar com um ex que ela gostava muito e bebida. A receita para dar merda era quase perfeita. Se ela fosse trepar com o primeiro que aparecesse, teria sido com o Renato, que se insinuou para ela. Mas entendo seu ponto de vista e respeito.

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