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Caderno Vermelho, Primeiro Volume - XXXIII - Cavalo rebelde

Um conto erótico de Escravo 43
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 1658 palavras
Data: 24/08/2026 01:12:24
Última revisão: 24/08/2026 01:25:40

Capítulo XXXIII – Cavalo rebelde

Não sei quanto tempo havia se passado... tudo o que sentia era dor e desconforto. Não podia ser diferente, bebi mais e mais rápido do que tinha feito em toda a minha vida. Meu braço também doía... Epona poderia tê-lo torcido para se soltar?

Havia algo pesado sobre mim... tinha dificuldade para respirar... abri os olhos, estava tudo escuro; aos poucos, o peso se converteu em um vulto, em cima da minha barriga... Seria paralisia do sono? Gostaria que tivesse sido...

— Acordou, Potrinho... estava ansiosa.

Era Epona... sua voz estava doce, infantilizada... aquilo não era um bom sinal...

— Perdão, Senhora... eu não queria ter feito o que fi...

Epona me interrompeu colocando a língua dentro da minha boca... diferente de tudo que podia imaginar ou esperar... ela buscou minha língua. Tentei fugir... não me parecia digno daquele prazer...

Ela interrompeu o beijo, ergueu o rosto levemente e, com a mão, levantou meu queixo...

— ... Sei que mente, Potro. Você entrou pela porta do laboratório decidido a buscar o seu prêmio... custasse o que custasse, não sairia daqui sem se deitar comigo, não é isso?

Não sabia o que responder... mas o verme respondia por mim, e Epona pressionava mais sua bunda contra mim, saboreando a resposta...

— Devo admitir, Potrinho, que eu não sabia o que fazer para provocar algo dentro de você... alguma fagulha de reação. Nada foi mais degradante do que você limpar meus pezinhos cheios da sua própria porra... exceto, talvez, ter que assistir a tudo isso. Assistir a você querendo mais e mais...

Epona fazia um vai e vem gostoso que, misturado com meus picos de dor de cabeça, me desorientava completamente...

— ... Fiquei derrotada, Potrinho... não conseguiria entregar o que Ártemis queria de mim... e, em meio a tudo isso, ela me aparece com uma nova Operação. Logo após ter sabotado meu treino, ela tornava a aprontar, em uma escala ainda maior... fiz o que faço para seguir aqui no Templo: compartimentalizei. Cuidaria da Operação, aceitaria, por ora, que não havia um milímetro real da Vontade que você dizia ter aí dentro: era presa total e conformada.

Senti algo agarrando, prendendo meu mamilo esquerdo; sangue escorreu do meu peito... tentei me mexer, mas estava preso à maca. Mãos e pés...

— ... Até que você me revelou sua "epifania"... "Aqui no Templo posso ser homem que dá a bunda!"...

Ela colocou o outro prendedor, soltando-o de maneira mais abrupta; doeu mais, mas, pela pressão, sangrou menos...

— ... Minto, sua revelação não foi essa... fala para mim qual foi sua revelação, Potrinho, fala para a sua Senhora!

Seja pelo tempo, seja pela adrenalina, meus olhos começavam a se acostumar à escuridão... o rosto de Epona era o de um tubarão... entendia, da maneira mais amarga, que meu pesadelo era, em verdade, presságio.

— Por favor, Senhora, me per...

Epona me deu um tapa violento; mordi a língua como consequência do virar abrupto do rosto em meio à súplica.

— Fala a revelação que você teve, Potrinho!

— Desculpa, Se...

Rápida e cruel, entre minhas costelas, abaixo do meu peito direito, Epona enfiou algo em mim, em apenas um golpe. Gritei! Queria não ter olhado, mas era instintivo: havia uma tesoura cirúrgica cravada em minha carne...

Tentei fechar os olhos... imaginei que podia fugir desse bicho-papão se apertasse os olhos com força, e então senti como se meu rosto abrisse por inteiro... era Epona pressionando a tesoura dentro de mim de um jeito que a dor se multiplicava muitas vezes mais...

— Eu... EU disse que... que...

Ela diminuiu a força que fazia.

— ... eu disse que gostava quando você me dedava... mas nunca tinha me imaginado com um outro homem...

Com ela retirando a mão da tesoura, consegui respirar novamente...

— Foi então que entendi que você ainda se via como homem, Potrinho... e foi hilário ver que você achou que eu estava incentivando seu delírio... Infelizmente, Ártemis me atrapalhava, eu tinha a chave para continuar seu treinamento, mas não tinha tempo... tive que cocinarte al baño María...

Comecei a chorar... Epona percebeu e começou a rebolar com intensidade. Sentia o seu gozo sádico em finalmente expor todo o seu plano... em como me havia enredado em sua teia e, pacientemente, esperado o momento ideal para a sua refeição...

— ... e então eu me deixei seduzir por sua impotência e cometi o que julguei ser o meu maior erro... eu deveria ter só lhe chamado para o laboratório, sem você saber o que iria acontecer... mas não me aguentei, queria lhe dar a chance de perceber que algo estava errado, eu queria dar a chance de você escapar, Potrinho... eu fui até você e lhe dei as mãos, nós brincamos de ciranda e então eu deixei você me abraçar, hahahahahaha!

Epona aumentava a intensidade com que friccionava seu sexo contra o meu; sentia sua vulva molhada deslizar pelo meu pau... mas a dor que sentia com a tesoura se mexendo impedia-me de ficar completamente duro...

— Fiquei tão triste com seu atraso, Potrinho... imaginei que havia ido longe demais, que você não apareceria... Mas não, né, seu Potro burro... burro, não; você só demorou porque achou que não tinha o suficiente para me fazer mulher... eu confirmei isso quando você entrou aqui... lhe dei outra chance de ir embora, só perderia a sua janta... mas você queria ser a janta...

Epona gozava; a tesoura balançava e o sangue, que até então estava contido, começou a sair... Epona percebeu e apertou a tesoura contra meu corpo... gritei novamente. Ela aproximou seu corpo do meu e, abrindo meu olho, o lambeu.

— Isso, seu lixo... deixa eu provar suas lágrimas. Grita para mim, deixa eu ouvir a única coisa que é sua, que é sua essência!

A dor era demais... apaguei...

*

(...)

*

E, de repente, meu corpo inteiro vibrou; um sabor metálico tomou minha boca... Epona me trouxe de volta com o choque dos prendedores...

— Potrinho, você quis ser predador, não quis? Queria me estuprar, não queria? Não vai sair daqui sem satisfazer todas as minhas fomes, hijo de puta!

Epona estava de pé, próxima à maca, com seu vestido rasgado como eu havia rasgado, seu sexo exposto e inchado... Algo havia mudado: minhas pernas não estavam mais presas à cama... não... estavam levantadas e presas a uma estrutura metálica que pairava agora acima da maca...

Ainda tremendo em razão do choque que me despertou:

— Per... perdão... Epona... Perd...

Ela aproveitou para enfiar-me uma espécie de borracha na boca, com a qual eu não conseguia mais fechá-la completamente, nem falar direito...

— Não quero que você tente fugir daqui mordendo sua língua, Potrinho...

Ela se distanciou de mim; eu não entendia o que estava acontecendo... Será que era aquilo... será que sua sede de vingança havia cessado?

As luzes se acenderam... meus olhos doíam! Epona voltou, mas, com as pernas levantadas, eu não conseguia ver muito mais do que sua cabeça... seus ombros... aproximando-se lentamente...

— Eu quero que esse dia fique marcado na sua cabeça... acendi as luzes para que grave cada um desses momentos... Entenda, Potro: você não é burro por escolha... você é incapaz por natureza. Você é presa! E eu sou a Predadora! Eu não vim para o Templo descobrir o meu ser; o Templo é apenas o lugar onde amplio minha própria Potência, levo minhas pesquisas adiante, satisfaço meu gozo dia após dia, podendo esmagar presas como você... Eu não sou mulher! Não... e você não é um homem que quer dar a bunda; você é PRESA, e a presa é aquilo que o predador deixa que ela seja... Hoje, no caso... nós vamos nos deitar, mas você vai ser minha vadiazinha!

Epona subiu na maca. Usava um cintaralho grosso, muito grosso...

Tentava falar, tentava implorar... não conseguia... Apenas sons incompreensíveis saíam, mas Epona os entendia e ria cada vez mais e mais. Ela tentava avançar... tentava enterrar aquilo dentro de mim... mas era anatomicamente impossível...

Infelizmente, não era impossível para ela...

Epona desceu da maca. Por um instante, imaginei que ela havia percebido que me mataria com aquilo... Quis acreditar que o som das rodinhas que avançavam na minha direção ia para o sentido contrário... Mas não; minha Senhora vinha arrastando em minha direção a sua gaveta móvel e, em cima dela, a sua caixinha de lâminas e bisturis...

Dessa vez, não houve anestesia como na circuncisão... Não. Epona adorou cortar-me enquanto eu urrava de dor... Adorou eletrocutar-me até eu acordar e, então, voltou a esculpir em mim um buraco que julgava adequado... Não havia limites para a sua Vontade.

A cada estocada sua, achava que iria ser empalado; minhas pernas não paravam um segundo de tremer... eu gritava, tentava me libertar, e nada... era o gozo da Predadora. Epona me violou até meu corpo parar de responder; ela não me deixaria morrer, não me daria essa liberdade...

Nem a sua rebeldia é verdadeiramente sua; o Cavalo é, sob todos os aspectos, propriedade da Vontade de sua Cavaleira! A Doma rebelde fora inscrita em minha carne.

(Caligrafia diferente, definitivamente Ártemis)

“Noga tentou refutar que a Doma rebelde havia sido ensinada, alegando que Epona controlava a situação de maneira total, não deixando margem para uma rebeldia verdadeira... Discordei na época, e o relato do Potro deixa isso cristalino: no momento em que eles dançaram, no momento em que os corpos deles foram um, Epona se expôs. Nesse momento, a história podia tomar outro caminho... Como Aquiles e Pátroclo, eles poderiam ter se elevado! Às vezes, existe um mundo possível em que o Potro conseguiu sair de sua condição de presa... assim como houve um mundo em que eu, após conhecer o carnaval de Copacabana, poderia ter ficado no Brasil escutando o LP que havia me roubado o coração: Os Afro-sambas... Se questionei Epona a princípio, foi porque imaginei que ela havia se deixado envenenar novamente, mas o vídeo deixa claro que ela tomou todas as precauções para que o Potro sobrevivesse à sua predação e, mais, que pudesse se recuperar para ser entregue a mim!”

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