Amin e Hannah se conheceram quando ainda estavam na escola, mas não eram amigos.
A turma da Hannah era meio fechada, só andavam entre eles e não se misturavam com os demais. Já Amin, por ser de família muçulmana, andava sozinho, não se relacionava com ninguém e andava quase sempre caladão. Nenhum dos dois sabia, mas tinham algo em comum.
Youssef, pai de Amin, passara toda a vida revendendo produtos importados, e agora abrira um quiosque de essências orientais no novíssimo shopping do bairro. Já Etain, pai de Hanna, coincidentemente, abrira também um negócio no local. Era algo um tanto mais rebuscado que um mero estande, uma joalheria, atividade de sua família há gerações.
Os dois jovens seguiam separadamente, cada um com sua vida, até que um professor insistiu que os alunos fizessem um trabalho em dupla com alguém que não conheciam, o tipo de tortura que todos odiavam. A contragosto, Amin e Hannah terminaram juntos. Sem nenhum entusiasmo, trocaram contatos e ficaram de se falar.
Dois dias depois, Amin foi surpreendido com uma mensagem no telefone. Era o aniversário de Hannah e ela o chamou para uma comemoração em sua casa. Normalmente ele não iria, afinal, não tinha o hábito de frequentar festas e mal a conhecia.
Contudo, seria domingo à tarde, não era muito longe, ele não tinha coisa melhor pra fazer e estava cansado de andar sempre sozinho, assim que decidiu arriscar.
Chegando na porta, bateu uma insegurança. A casa parecia um tanto chique, estilo clássico, grande, aristocrática. Além disso, achou que haveria mais gente do colégio, mas não havia zoeira, nem carros parados na rua, o que indicava que a coisa era pequena. Já ia dar meia volta e se retirar, quando Hannah apareceu na porta.
Ele nunca havia reparado nessa garota, mas hoje o cabelo ruivo na altura dos ombros contrastando com a pele branca e os imensos olhos azuis fez Amin olhar para ela pela primeira vez. Já Hannah pareceu estranhamente intrigada pela sua presença.
– Você? O que está fazendo aqui?
– Eu vim, ué. Não é seu aniversário?
– É sim. Mas… como ficou sabendo?
– Não estou entendendo. Foi você que me convidou!
– Ah, já sei, foi minha mãe. Ela pegou meu telefone e chamou meus amigos, deve ter confundido você…
Foi constrangedor para os dois, aquilo era apenas um engano. Amin olhava pro chão sem saber o que fazer, enquanto Hannah fitava o jardim, sem coragem de encará-lo. Até que notou o embrulho que Amin trazia nas mãos.
Ele podia ser pouco social, mas tinha educação. Nunca chegaria de mãos abanando num aniversário, por isso, arranjou de última hora uma lembrancinha. Nada chique ou muito caro, só algo do quiosque de seu pai.
– Você trouxe um presente pra mim?
– Ah, isso? Não é nada, só uma coisa que achei que combinava com você. Feliz aniversário – disse estendendo a mão, mas ainda sem olhar para ela.
– Enigma? É um perfume? Mas isso é algo um tanto pessoal... Será que vou gostar? – Hannah comentou curiosa, como se falasse consigo mesma, pensando em voz alta, mas na hora ele viu seus olhos azuis brilharem.
– Vamos ver, sente o aroma. Se não gostar, pode trocar na loja de essências do meu pai.
– É cítrico, sem ser doce. Suave, com leves notas florais, mas sem ficar enjoativo – disse ela sentindo a fragrância. – Gostei, boa escolha!
– Legal. Vou nessa então – ele respondeu um pouco aliviado, mas ainda sentindo um incômodo pela situação.
– Deixa de bobagem, Amin. Você já se arrumou todo e veio até aqui. Até comprou presentinho. Não quer entrar um pouco?
– Tem alguém que eu conheço aí?
– O grupinho que eu ando sempre no colégio veio, mas acho que vocês nem se falam. Bom, tem eu, e você me conhece, ou quase isso.
A família de Hannah era grande. Bem grande. Muitos irmãos, tios, tias, primos e primas. Seus avós estavam lá, seus bisavós também, tinha até uma tataravó.
Amin rondava pela casa sem conversar muito, não tinha assunto com eles e achava que às vezes cochichavam pelas suas costas usando uma língua que nunca ouvira. Quando Hannah eventualmente o apresentava a um parente, ele via claramente como se colocavam sérios, olhando-o dos pés à cabeça, como se estudassem algum animalzinho diferente.
Por outro lado, a pequena turminha de Hannah da escola transitava ali bem à vontade, parecendo conhecer a todos. Estavam integrados, e aquilo não vinha de hoje. Amin concluiu que eles conheciam a família de Hannah, e que não por acaso estudavam todos juntos. Eram uma comunidade formada há gerações.
E foi aí que começou a perceber pequenos detalhes. Os homens se vestiam quase todos iguais, bem formalmente, e as mulheres também, com vestidos florais de mangas compridas. A comida era bem estranha, com algumas coisas que ele nunca comera, e não serviam álcool – o que era um alívio, pois Amin também não bebia.
Isso tudo levou Amin a ficar meio desconfiado. Aquilo parecia uma seita e ele era o estranho no ninho. Caso não saibam, em qualquer filme de seita, é justo o estranho que sempre acaba no altar para ser sacrificado.
Ele quis ir embora, mas Hannah o segurou. Não tinha nenhum interesse específico, mas ela havia ficado realmente curiosa com aquele rapaz que, apesar de tímido, inesperadamente entrava numa festa de família trazendo-lhe um presente. Era até bonitinho o jeito dele, tão deslocado, como se não soubesse o que estava fazendo ali.
Para retê-lo, Hannah comentou que em breve fariam uma celebração e que sua família consideraria uma desfeita ele sair assim. Ela falou em tom sério, advertindo, mas meio aflita. Era como se ela fosse ser julgada por todos caso ele fugisse antes. Amin resolveu ficar mais um pouco, só por conta dela.
Se reuniram em torno de uma mesa enorme, com Eitan, seu pai, à cabeceira. A mãe de Hannah, dona Rachel, trouxe um candelabro de muitas velas para que o pai acendesse, o velho pegou pão e vinho e começou a rezar naquela língua deles. Até aí, Amin só achou estranho ter vinho, pois pensava que a família de Hannah não bebesse.
Depois, todos comeram um ovo cozido cada e começaram a dançar cantando naquele outro idioma, girando em torno da mesa e parecendo muito contentes – Amin achou que era porque agora eles podiam tomar vinho, ou então deviam adorar ovo cozido.
Esse foi o momento mais animado da festa. Hannah ficou feliz, radiante. Amin foi saindo logo em seguida, mas ela ainda o alcançou na porta para se despedir.
– Amin, obrigado por ter vindo. Espero que tenha gostado. Sei que pode parecer estranho, nossos costumes são meio peculiares para os outros.
– São sim, mas eu entendo. Minha família também é diferente, mas da nossa maneira.
– Foi muito gentil da sua parte me dar o perfume. Vou me lembrar de você sempre que colocá-lo.
– Quem sabe um dia a gente sai, daí você pode usá-lo comigo. Que tal?
– Não. Quer dizer, acho que isso não vai acontecer, mas obrigado mesmo assim – ela encerrou meio sem jeito, mas deixando um beijinho na sua face como despedida.
Que coisa mais boba. Ele havia tomado um fora, mas chegou em casa meio aéreo, só pensando no toque dos lábios de Hannah no seu rosto. É claro que sua mãe notou, as mães sempre percebem quando o filho está abobado, pensando numa garota.
– O que foi, Amin? Que bicho te mordeu?
– Nada não, mãe. Tava pensando numa festinha que fui, só isso.
– Sei… Tinha alguma garota especial nessa festinha? Uma que valha à pena conhecer melhor?
– Ah, mãe, lá vem a senhora com isso de garotas. Já disse que sou muito novo para assumir compromisso. Você e o pai vivem falando disso!
– Amin, a gente só é novo até deixar de ser. E aposto que tinha uma garota. Anda, conta pra sua mama, como ela é?
Amira, mãe de Amin, não iria desistir enquanto ele não contasse. Pouco a pouco, foi extraindo toda a verdade. Amin terminou falando de Hannah e da festinha mais estranha que já tinha ido na vida, contou de sua família e dos rituais que presenciou Eitan e Rachel realizando, bem como sobre aqueles detalhezinhos estranhos que percebeu.
– Amin, não conta nada isso pro Youssef, ele não vai gostar.
– Mas porque não posso contar pro pai? Se é justamente ele que mais insiste pra eu conhecer uma garota?
– Filho, essa menina, a tal Hannah… ela e a família dela… Ah, por Allah, não tem uma maneira simples de dizer isso… eles são judeus! Judeus! Seu pai teria um infarto se soubesse que você esteve entre eles!
– Que exagero. Eu nem me dei conta que eram judeus, foi só uma festinha de aniversário!
– Exagero? Essa tal Hannah é haram, é proibida! Estou vendo como você está aí, todo derretido por ela, feito mel no fogo. Só que esse fogo, Amin, esse é o fogo do inferno!
– Mas não foi nada demais, eu juro! E a Hannah nem parece ser tão judia assim, quer dizer, ela é toda certinha, muito mais que eu!
– Não se rebaixe comparando-se à ela, Amin! Você é fiel a Allah, um verdadeiro muçulmano! Vamos colocar um ponto final nessa história, você nunca mais vai falar com essa garota! É sua mama quem está mandando!
Já repararam como é só proibir algo para começarmos a querer aquilo de verdade? Principalmente quando quem proíbe é sua mãe. Assim foi com Hannah. Amin nunca havia dado em cima dela, nem cogitava a hipótese de ter algo mais com a garota, só ficou meio abobado com aquele beijinho inocente na bochecha…
Mas agora que Amira tinha feito todo aquele escarcéu, não conseguia mais tirar a garota da cabeça. E o pior é que ela nem queria nada com ele, tinha até lhe dado um fora quando a chamou pra sair!
Nesse momento, uma dúvida surgiu. Será que Hannah percebera que ele era muçulmano? Bem, ao menos Eitan e Rachel deviam ter percebido, isso explicaria muita coisa, os olhares de canto de olho e os comentários furtivos… Como ele fora idiota!
Amin evitou Hannah a semana inteira. Apesar do recente interesse pela garota judia, sentia muita vergonha de ter sido tão inocente. Eitan e Rachel não o examinaram como se fosse um animalzinho diferente: para eles, Amin era até pior que um animal, era um muçulmano sujo!
Sexta-feira à tarde, contudo, o tempo e a distância já davam sinais de estarem operando seus milagres, e o coração de Amin parecia mais calmo. Aquilo havia sido somente um fogo de palha, algo momentâneo, movido por sua revolta e sua ignorância.
Sua mãe tinha razão, imaginem, ele e uma garota judia, que bobagem. Bem, ao menos isso Amin achava, mas foi só chegar uma mensagem de Hannah que sua agonia retornou.
> E aí, Amin? Sumido, hein? Mal te vi a semana toda. O que foi, tá doente?
> Oi, Hannah. Estou bem, obrigado.
> Mas o que houve? Você desapareceu!
> Tava cuidando da vida, só isso.
> Amin, fala sério… Foi porque eu não quis sair com você?
> Não, garota. Meu nome é Amin Assaf. Entendeu agora?
> Eu sei o seu nome, bobo, a gente estuda junto há anos.
> Então, eu sou Amin Assaf e você é Hannah Goldberg. Nunca ia rolar de sairmos.
> Nem se eu usar o perfume que você me deu?
> Hannah, sua família deve ter falado contigo. Somos tipo… Proibidos um para o outro.
> É claro que sim. Isso não deixa você com mais vontade ainda?
> Pra falar a verdade, deixa sim. Mas não podemos.
> Bem, eu vou no shopping lanchar, no finzinho da tarde. Sozinha. Usando seu perfume. Seria uma coincidência incrível se você estivesse por lá.
Amin não seguiu a conversa. Era inútil. Hannah estava apenas provocando, provavelmente só brincando com ele, o animalzinho. Isso devia ser coisa de judeus, tentar desencaminhar os outros do caminho da lei. Tudo bem, ele até nem se considerava tão muçulmano assim, pensava que haviam regras em sua religião que já não faziam sentido há séculos, mas uma garota judia… Não, isso era queimar no inferno, na certa!
Enquanto as horas do dia se arrastavam, a cabeça de Amin dava voltas e mais voltas no mesmo lugar: Hannah. Que diabo, essa garota havia plantado uma semente nele e aquelas mensagens eram só para regar sua árvore do mal. Ele não teria paz, não poderia descansar, não com aquilo crescendo dentro de si.
Tinha que cortar pelas raízes, extirpar a erva daninha do seu peito, arrancar aquela tentação antes que gerasse seus frutos malignos em sua cabeça. Foi somente com essa intenção, para acabar com tudo, que decidiu ir ao shopping para encontrá-la.
Hannah estava na praça da alimentação, usando um de seus tradicionais vestidinhos de mangas compridas, com o mesmo penteado de sempre, sem maquiagem como de costume, exatamente igual à todas as vezes que a ele vira. Mas, de alguma maneira que não sabia precisar, ela estava diferente.
Seus olhos azuis pareciam mais brilhantes, sua expressão estava mais atenta, seu corpo mais ereto, seus músculos mais tensos, como uma gata que se põe alerta ante o perigo. Hannah estava mais viva do que nunca, era isso.
Amin já tinha todo um discurso ensaiado na cabeça, seria curto e breve, encerraria aquilo antes mesmo que nascesse, mas não conseguiu soltar uma palavra quando a viu desta maneira. Já ela, ao notá-lo, foi caminhando decidida em sua direção trazendo um sorriso discreto no rosto, abriu os braços e o envolveu, apertando-o contra seu corpo.
Aquele abraço silencioso pareceu tardar uma eternidade, como se não desejassem que terminasse. A fragrância do perfume que Amin lhe dera acariciava seu olfato e o mantinha ali, preso a ela, enfeitiçado. Quando por fim ela retrocedeu, Amin quis soltar tudo o que pensara dizer-lhe.
Contudo, nem bem pronunciou seu nome, Hannah colocou o indicador sobre seus lábios, indicando que ele devia permanecer em silêncio. Tomando-me pela mão, saíram caminhando como um casalzinho qualquer, na maior naturalidade, com a garota o levando e ele se deixando levar.
Desceram as escadas e chegaram na garagem, sempre com ela puxando-o, até pararem num cantinho mais afastado e discreto, onde pudessem conversar. Era agora ou nunca, se Amin não falasse, talvez nunca conseguisse.
Pronunciou seu nome outra vez e foi como um gatilho, Hannah segurou sua face com ambas as mãos e, olhando-o diretamente nos olhos, aproximou seu rosto, até que seus lábios se tocassem.
Quando suas línguas se encontraram, foi como uma descarga poderosa percorrendo seus corpos a partir dali. Hannah ficou mole, se entregando, Amin a sustentou num novo abraço, puxando seu corpo para junto do seu, sentindo seu calor lhe invadir, os peitos contra seu tórax, o ventre oprimindo seu sexo, com seu ser pertencendo ao dela.
O beijo entre eles esquentou, as mãos de Amin percorriam o corpo de Hannah, enquanto ela gemia de desejo e se mexia colada ao rapaz, se esfregando sobre ele, medindo o tamanho da vontade que Amin tinha de possuí-la.
Arfando ao buscar ar, Hannah afastou seu rosto já vermelho e conseguiu articular sua primeira frase desde que se encontraram.
– Viu só, Amin? O proibido é gostoso… bem que eu sabia que a gente tinha química!
– Você… premeditou tudo isso, não foi?
– Desde quando ganhei esse perfume de você.
– Hannah, naquele dia eu ainda não sabia que você era… judia. Se soubesse, nem tinha ido ao seu aniversário.
– Porquê? Você tem preconceito?
– Eu não, mas minha família tem. E a sua também, pelo que percebi na festa.
– Eles não precisam saber. A gente pode ficar escondido.
– Eu e você? Namorando escondido?
– Escondidinho… gostosinho…
Hannah voltou a beijá-lo, e Amin se perdeu. O tempo naquela garagem passou tão rápido como os dias que se seguiram, com os dois se encontrando furtivamente na escola. Mesmo ali, não era seguro aparecerem em público juntos, os amigos do grupinho de Hannah eram todos judeus e conheciam sua família.
O risco de serem descobertos, contudo, era um ingrediente a mais, e talvez o melhor deles. Além do prazer de estarem juntos se beijando e sentindo a energia que o contato de seus abraços despertava, o medo e a adrenalina funcionavam como um combustível que os impulsionava a querer mais e mais um do outro.
Naquele último ano do colégio, apesar da pressão em casa para que Amin se casasse em breve com uma boa garota muçulmana e entrasse numa faculdade, ele era o rapaz mais feliz do mundo, pois diariamente tinha sua porção de Hannah esperando-o.
Fosse atrás da cantina, no quartinho do almoxarifado ou atrás das estantes da biblioteca, sempre encontravam uma maneira de estarem a sós por alguns minutos, às vezes em mais de um momento ao dia, para namorar um pouco.
Sem que dessem conta, logo veio a formatura. Nenhum deles participou das comemorações. A família de Hannah preferiu fazer algo privado, só entre a comunidade judaica, enquanto os pais de Amin não perdiam tempo com celebrações, estando mais interessados em ditar seu futuro, todo ele: profissional e sentimental.
Nenhum dos dois estava preparado para este corte abrupto. Os encontros passaram a ser muito mais esporádicos, quase sempre no estacionamento do shopping, em alguns finais de tarde.
Não poderem se encontrar diariamente como haviam se acostumado foi algo que cobrou seu preço. A frequência dos encontros foi progressivamente sendo substituída pela intensidade, com Hannah mais permissiva e Amin mais ousado a cada vez que se viam.
Um dia, após mais uma torturante sessão de amassos no cantinho da garagem, Amin foi tomado de desejo e, num arroubo, pôs Hannah contra a parede, foi subindo a mão entre as pernas muito brancas de seu maior pecado, e, quando estava sobre a calcinha, começou a tocá-la enquanto a beijava mais uma vez.
Hannah gemia e se contorcia ao toque de Amin, seus dedos se infiltraram pelas bordas da calcinha e corriam por sua pele, por entre seus pêlos avermelhados, em buca de seu sexo.
A garota então segurou o pulso de Amin olhando-o diretamente enquanto mordia o lábio. Aquela fração de segundo podia parecer uma hesitação, um instante de lucidez, ou assim ocorreu a Amin. Mas não era.
Segurando o pulso do rapaz, Hannah ditou a posição e o ritmo com que desejava que ele a tocasse, levando sua mão até a fenda, fazendo-o sentir a umidade que escorria dali como símbolo de seu desejo, para que ele se arriscasee mais introduzindo os dedos em seu sexo a levasse a uma explosão de pazer.
Hannah puxou Amin pelos ombros, sua respiração estava ofegante e entrecortada, ela balbuciava coisas em hebreu e sentia o calor lhe dominando, até começar a tremer, cravar as unhas no rapaz e emitir um grunhido profundo, já gozando em sua mão.
Ficaram abraçados por algum tempo, até que Hannah decidiu retribuir aquele prazer inédito ao namorado, tirando seu membro da calça pela primeira vez.
Num gesto impensado ela se agachou ante ele e ficou olhando, como se estivesse encantada. Sentindo a rigidez e o calor em suas mãos, não resistiu e começou a beijá-lo, logo passando a deslizar a língua por ali, até colocar na boca e iniciar o primeiro oral que o rapaz recebera na vida.
“Pelo profeta”, Amin pensou exasperado. O que era aquela sensação de ter a garota que desejava tanto com seu membro na boca, sentir aquilo entrando e saindo, a sucção na cabeça, o talo enterrado quase na garganta…
Amin gozou, não conseguiu segurar, despejou tudo na boca de Hannah inadvertidamente. Ela arregalou os olhos, surpresa, mas logo em seguida afastou-se um pouco, abriu a boca para que visse o esperma lá dentro e engoliu.
Sim, logo em seu primeiro sexo oral, Hannah foi capaz de engolir a semente de Amin, sem protesto ou vacilação. Engoliu tudo com um sorriso, olhando-o desde abaixo. Aquilo mexeu com Amin.
Os dois estavam tão entretidos, que nem perceberam os gritos atrás deles. Só se deram conta de que estavam sendo observados, quando o vigilante shopping já estava bastante próximo.
Não houve como escapar, nem como inventar alguma história. O casal foi levado à sala de segurança, onde teria que esperar por seus pais, convocados até ali para evitar uma acusação formal de atentado ao pudor em local público.
Mais que a vergonha, o medo agora dominava tanto a um como a outro. Mais que o delito que cometeram, o preconceito de seus pais por serem de religiões adversárias, podia levar a consequências drásticas e afastá-los um do outro definitivamente.
E isso logo agora, quando se sentiam mais conectados do que nunca…
(CONTINUA)
