Trisal Sacana
Mike Jordan
Resumo: Em dezembro de 2014, Alex, Marco e Lucas se encontram pela primeira vez num motel barato da periferia, depois de semanas de mensagens intensas. O clima é de urgência e desejo puro. Os três se entregam a um encontro sexual intenso, marcado por olhar, toque e ritmo compartilhado. No final, uma surpresa ocorre — e tudo é o que ainda pode acontecer.
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Era dezembro de 2014, quando Alex fechou a porta do motel barato na periferia. O clique da fechadura soou alto demais no silêncio. O quarto cheirava a cigarro velho impregnado nas cortinas e a carpete úmido. A luz do abajur amarelo mal alcançava as paredes descascadas. Do lado de fora, a cidade continuava sua noite comum. Ali dentro, três homens se olhavam pela primeira vez depois de semanas de mensagens que já tinham ido longe demais.
Alex, 28 anos, braços cobertos de tinta, corpo de quem treina para esquecer, recostou-se na porta. Marco, 32, moreno, barba rala, ombros largos demais para aquele espaço, ficou parado no meio do quarto. Lucas, 30, loiro, pele clara, abdômen marcado sob a camiseta fina, sentiu o arrepio subir pela espinha antes mesmo de alguém tocar em alguém.
Ninguém falou. As palavras do aplicativo agora pareciam infantis. O que restava era o olhar.
Marco foi o primeiro a se mover. Parou a poucos centímetros de Alex, invadindo o espaço com a mesma confiança bruta das mensagens.
Alex estendeu a mão e traçou o peito dele por cima da camisa. O tecido estava quente. Marco não desviou o olhar de Lucas enquanto puxava Alex pela nuca e o beijava com força — dentes, língua, respiração presa. Não foi carinho. Foi fome.
Lucas fechou o triângulo. Suas mãos deslizaram pela cintura de Alex por trás, encontrando pele quente, enquanto sua boca buscava o pescoço de Marco. O quarto ficou pequeno demais.
As roupas foram caindo sem pressa teatral. Só a urgência de quem já tinha se masturbado demais sozinho pensando naquele momento. Alex empurrou Marco contra a parede. Lucas se ajoelhou. O som úmido da boca de Lucas engolindo Alex misturou-se ao gemido baixo de Marco quando a mão tatuada o envolveu por dentro da cueca. O ar ficou pesado de saliva, de pré-gozo, de respiração quente.
Alex virou Marco de costas. Cuspiu na mão. Preparou-o com dois dedos enquanto Lucas, atrás, abria Alex com a língua. O primeiro empurrão de Alex dentro de Marco saiu lento, quase cruel de tão controlado. No mesmo instante Lucas entrou nele por trás. A corrente se fechou. Três corpos, duas penetrações, um único ritmo falho e urgente. Marco arranhava a parede. Alex mordia o ombro dele. Lucas segurava os quadris de Alex com força suficiente para deixar marca.
Eles caíram na cama quando as pernas não aguentaram. Alex deitado, Marco sentando nele até a base, gemendo alto a cada descida. Lucas não esperou: cuspiu, posicionou-se e entrou em Marco por cima, criando a pilha. O quarto encheu de pele batendo na pele, de gemidos que já não tentavam ser contidos. Suor escorria entre as costas, entre as nádegas, pelo peito.
Depois se reorganizaram. Lucas deitado. Alex sentando nele devagar, sentindo o volume grosso abrir caminho. Marco, de costas para Alex, empalando-se no pau ainda duro que o tinha fodido minutos antes. A torre tremeu. Cada movimento de um repercutia no outro. O atrito era profundo, quase íntimo demais. Marco cavalgava. Alex descia e subia no mesmo compasso. Lucas metia para cima com estocadas curtas e precisas.
Alex foi o primeiro a avisar, a voz rouca contra o ombro de Marco:
— Vou gozar.
Marco apertou o cu em resposta. Lucas acelerou. Os três gozaram quase juntos: Lucas jorrando dentro de Alex, Alex enchendo Marco, e
Marco disparando sem ser tocado, o sêmen caindo quente sobre o abdômen de Alex e escorrendo para os corpos abaixo.
Eles desabaram. Ofegantes. Colados. O cheiro de sexo era grosso no ar parado do quarto. Marco ainda traçava o lábio inferior de Alex com o polegar. Lucas beijava a nuca suada dele. Por alguns segundos ninguém falou. Só o som da respiração tentando voltar ao normal.
Alex fechou os olhos.
Quando os abriu, a luz era outra.
Branca. Fria. O cheiro de cigarro e sexo tinha sumido. Ele estava sentado numa poltrona de couro escuro. Do outro lado da mesa, o psicólogo o observava em silêncio, a caneta parada sobre o bloco.
— Continue — disse o homem, voz neutra. — Você estava descrevendo o momento em que os três gozaram juntos.
Alex engoliu em seco. Sentiu o pau ainda semi-duro dentro da calça. O motel, o suor, os gemidos, o peso dos dois corpos… tudo se desfez como fumaça. Só restava o desejo latejando e a vergonha quente no rosto.
Lá fora, na sala de espera, o relógio marcava 16:47 de uma terça-feira..
Ele ainda não tinha ido ao motel.
