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A Última Guerra do Ano

Um conto erótico de Lore <3
Categoria: Lésbicas
Contém 3960 palavras
Data: 23/08/2026 08:43:30
Última revisão: 23/08/2026 14:26:58
Assuntos: Lésbicas

Estava naquele período entre o Natal e o Ano Novo que parece não pertencer nem a Deus nem ao diabo. Os dois ficam disputando para decidir quem não vai ficar com a guarda, enquanto a gente tenta entender que dia da semana é, o que deveria estar fazendo e se ainda existe alguma obrigação que não deveria ter sido adiada. Era exatamente assim que eu me sentia naquele último dia antes das férias.

Eu precisava resolver algumas coisas antes de finalmente conseguir parar e, no meio de tudo, acabei adiando uma sessão de terapia. Não foi uma decisão muito correta, eu sabia disso, mas naquele momento pareceu ser a única maneira de organizar tudo. Júlia discordou logo pela manhã e passou o resto do dia inteiro sem falar comigo pelo WhatsApp. Aquilo me deixou com uma saudade enorme da minha gatinha. Eu estava acostumada a receber as mensagens dela em diferentes momentos do dia, às vezes para falar de alguma coisa importante, às vezes para comentar a coisa mais banal do mundo e, outras vezes, para me contar alguma novidade extraordinária. Eu gostava daquela presença espalhada pela minha rotina, mesmo quando ela falava sobre algo completamente corriqueiro.

Ela dizia que eu estava negligenciando a minha saúde e, sendo muito honesta comigo mesma, sabia que havia razão no que estava dizendo. Adiar a terapia para conseguir atender outras demandas não era exatamente o tipo de escolha que eu deveria estar fazendo. O problema era que eu não conseguia simplesmente olhar para tudo aquilo e decidir que uma parte deixaria de existir. Sempre priorizei minha profissão por amor e às vezes ela é imprevisível, surgem situações que não estavam planejadas, pessoas precisam de mim e eu não consigo ter controle sobre tudo. Já estava mais flexível do que jamais havia conseguido ser, entretanto a dificuldade continuava sendo a quantidade de lugares em que eu atuava.

Eu não conseguia escolher entre O Projeto, que ajudava tantas crianças, adolescentes e jovens e para o qual ainda não havia aparecido uma pessoa realmente honesta e disposta para dar continuidade ao trabalho no meu lugar, e a filial, que representava um sonho profissional. Ela fazia parte de algo que eu admirava profundamente, principalmente por pertencer ao meu ídolo quando o assunto era psiquiatria e pelas formações no Rio que era uma condição estabelecido para eu fazer parte da equipe do Psiquilord. Não era simplesmente um trabalho do qual eu pudesse abrir mão e dizer que não fazia mais sentido para mim.

E ainda tinha a Clínica... Eu me sentia um pouco culpada por deixá-la praticamente nas mãos de Davi, embora soubesse que essa culpa não fosse exatamente justa com ele. Davi era extremamente competente, confiável e sempre tinha dado conta de tudo. Nunca precisei desconfiar da maneira como conduzia as coisas e, principalmente, ele sempre foi muito transparente comigo. Eu sabia que estava em boas mãos, contudo, por ser um sonho pessoal que havia se concretizado, eu queria estar mais próxima, queria acompanhar de perto, participar mais e sentir que estava realmente presente naquele lugar que havia significado tanto para mim.

Só que eu não tinha como estar em todos esses lugares ao mesmo tempo e talvez fosse justamente isso que Juh estivesse tentando me fazer enxergar naquele período, enquanto eu insistia em encontrar uma maneira de continuar segurando tudo como se estivesse fazendo um malabarismo.

Quando cheguei em casa, não tinha ninguém. Tomei um banho e fui até a pousada, mas lá também estava tudo vazio. Foi naquele momento que me senti realmente abandonada por Deus e pelo diabo, porque a família já tinha chegado toda antes mesmo do Natal e não tinha um pé de pessoa ali. O que me tranquilizava um pouco era ver os carros estacionados, então pelo menos eu sabia que não tinham ido muito longe.

Abri uma cerveja, deitei em uma rede e resolvi esperar o tempo passar. Se demorassem demais, mandaria uma mensagem no grupo perguntando por onde estavam e iria atrás deles. Depois de algum tempo, Lorenzo e Sarah apontaram e vieram caminhando na minha direção. Só pelo lado de onde estavam vindo, deduzi que tinham ido ao Haras. Os outros provavelmente estavam por lá também, afinal, não era nada incomum isso acontecer quando a família se reunia.

— Ela vai te matar hoje — Lorenzo brincou, rindo.

— Juh parece estar bem chateada, viu, Lore?! — Sarah me informou.

— O que você fez, hein? Ela está puta da vida, e quando Juh não fala, a gente sabe que foi você — Meu irmão quis saber.

— Adiei uma sessão de terapia para dar conta de uma reunião importante — Expliquei.

— Só isso? — Meu irmão questionou.

— Exatamente, só isso — Confirmei, revirando os olhos.

— Remarcou para quando? — Minha cunhada questionou.

— Ainda não remarquei, mas é algo que eu posso fazer... Sei lá... Hoje a noite? Amanhã pela manhã? — Supus.

— Imagino que Juh presuma que você não vai remarcar — Sarah concluiu e se jogou, rindo, na rede seguinte.

Parei para refletir e não seria algo que eu nunca tivesse feito. Infelizmente, o pensamento de Júlia tinha fundamento e coerência.

Sabem a sensação de quando uma verdade que você não estava preparado para conceber e mesmo assim ela te atinge em cheio? Foi o que eu senti no momento, então preferi mudar o rumo da conversa.

— Estavam no Haras? O que está rolando lá? — Perguntei.

— Um churrasquinho... Putz, você perdeu eu contando para Alice, Tiago e Biel que o porquinho do nosso espetinho era a Peppa Pig — Ele contou e nós rimos.

— Huuuum... E vocês dois vieram para casa sozinhos planejando fazer o quê??? Estou atrapalhando algo? — Perguntei, já zoando.

— Epaaaa, nós chegamos lá cedo e por isso fomos os primeiros a vir embora — Minha cunhada protestou.

— Sei, sei, cunhadinha... — Provoquei.

— Mas não é má ideia, não... — Meu irmão brincou.

— Vão em frente, estou distante. Daqui não escuto nada! — Continuei brincando e eles riram.

Depois, como quase sempre vinha acontecendo, o assunto acabou chegando à adoção. Naqueles dias, quase todas as conversas com Lorenzo e Sarah acabavam indo para esse lado. Os dois estavam muito angustiados com a espera, principalmente porque não havia nada que se pudesse fazer além de esperar.

— Eu até mudei o toque de ligação da Vara da Infância... Para não perder nenhuma, mas eles só... Não ligam... Nunca... — Meu irmão contou.

O tom de voz dele fez meu coração tremer de dó. Eu conhecia aquela dor e sabia que não era nem um pouco fácil lidar com ela. Simplesmente não estava nas mãos deles. Eles podiam estar preparados, podiam desejar aquele filho mais do que qualquer coisa, mas não tinham como acelerar o processo ou decidir quando a vida finalmente colocaria uma criança no caminho dos dois.

— Eu tento não pensar nisso o tempo inteiro, mas é difícil... A gente se prepara, imagina como vai ser, organiza tudo e depois fica esperando uma ligação que pode acontecer a qualquer momento... Ou não acontecer... — Sarah desabafou.

— Vai acontecer. Tenham fé em Deus! No próximo Natal, eu quero vocês aqui com mais um membro nessa família. Filho ou filha, não importa, mas eu tenho fé que vocês vão estar vivendo esse Natal com o filho de vocês nos braços — Falei, tentando transmitir a eles um pouco da certeza que eu gostaria de poder oferecer e pude vê-los sorrindo.

Nós três ficamos ali por mais algum tempo, tomando mais algumas cervejas e conversando sobre assuntos diferentes, até que o sol começou a baixar. Mais ou menos na hora do pôr do sol, vimos a família inteira voltando. Juh vinha na frente com Dom no colo, enquanto Iury e Lana caminhavam ao lado dela, claramente apressados. O restante do pessoal vinha um pouco mais atrás, espalhado pelo caminho, e Milena e Kaique apareciam a cavalo, indo de um lado para o outro, completamente entretidos com a própria brincadeira.

— Ainda bem que você chegou, Júlia está insuportável! — Iury esbravejou.

— Não é exagero. Ela está mesmo!!! — Lana concordou, emburrada.

— Ela vai te matar hooooooje — Meu irmão repetiu em um tom baixo, rindo.

O ignorei completamente e me levantei da rede. Assim que fiquei de pé, Dom me viu e começou a apontar na minha direção, esticando os bracinhos e deixando claro que queria vir para mim. Juh, que já estava indo em direção à casa, acabou sendo obrigada a mudar o caminho e veio até onde eu estava.

— Que neném cheiroso — falei, dando vários beijinhos nele, que parecia ter acabado de sair do banho.

Ninho vestia apenas um body e estava com as perninhas de fora, provavelmente sentindo o calor daquele fim de tarde.

— Segura ele, vou pegar um short e mais repelente — Juh falou, sem sequer olhar para mim.

— Só se eu ganhar um beijinho — Arrisquei, aproveitando a proximidade para roubar um selinho dela na maior cara de pau.

— Ai... Não vem, não... — Ela respondeu, saindo em direção à casa.

Eu ri sozinha pois tinha certeza de que ficaria tudo bem.

Voltei para rede com meu neném grudadinho em mim, fazendo as gracinhas que ele morria de rir.

— Você estava com saudade de mamãe? — Perguntei, dando mais beijinhos nele.

— É bonitinho como ele é apegado a você — Sarah comentou.

— Quando você não está, ele fica te procurando em cada nova pessoa que chega no recinto — Meu irmão disse.

— Ele gosta de brincar com a mamãe — Respondi, o erguendo em meus braços.

Juh não demorou muito, passou o repelente e eu vesti o short para que ele ficasse mais protegido dos mosquitos.

— Vou tomar um banho. Não deixa ele dormir, por favor — Ela disse.

— Tá cedo pra mimir, não é, neném? — Questionei Dom, que sorria.

Mesmo brincando, dava para perceber os olhinhos quebrados dele, o aviso fazia sentido.

Consegui mantê-lo entretido por mais algum tempo, brincando, fazendo cócegas e inventando todo tipo de graça para arrancar aquelas risadinhas gostosas. Até que, depois de muita insistência de Mih e Kaká, acabei montando no cavalo com ele. Foi uma péssima ideia. Dom detestou desde o primeiro segundo, ficou assustado e se agarrou em mim com tanta força que praticamente se pendurou no meu pescoço. Tentei acalmá-lo, mas não adiantou. Na hora de descer, a situação ficou ainda pior. Ele não aceitava ir para o colo de ninguém e permanecia grudado em mim. Quando começou a chorar de verdade, não tive alternativa. Pulei do cavalo com ele e passei a mostrar que estava tudo bem, tentando fazê-lo entender que nada de ruim tinha acontecido.

— O vovô vai economizar um cavalo — brinquei.

— Deixa só ele crescer mais um pouquinho que vai amar — Mih respondeu, pegando-o no colo.

Ninho não estava exatamente com cara de quem queria sair dos meus braços, mas foi com os irmãozinhos. Fiquei olhando os três por alguns segundos e depois fui atrás da minha muié, tentando vencer pelo menos uma batalha daquela guerra.

O banheiro já estava livre, então segui para o quarto e a encontrei se vestindo.

— Você está sendo muito, muito, muito irresponsável com você mesma — Júlia disse, assim que me viu.

— Amor... Você está se estressando por causa de uma sessão que eu posso remarcar? Sério? — Questionei, indo até ela.

— Porque eu sei como você funciona. Eu sei que você não está bem e por algum motivo parece que tudo é mais importante, menos se cuidar do jeito certo... Menos se cuidar do jeito que você cuida da gente! — Juh exclamou.

— Vou me cuidar direitinho... Não fica assim comigo, gatinha — Falei e dei um beijinho no pescoço dela.

Ficamos uns segundinhos nós olhando através do espelho e eu voltei a beijar a curva de seu pescoço até virá-la para dentro dos meus braços.

— Eu estava com saudade de você — Disse no ouvido dela e roubei um selinho.

Depois outro, e outro e outro.

Depois outro, e outro e outro. O primeiro ainda foi quase um pedido de desculpas, mas o segundo já veio com mais vontade e, quando percebi, Juh tinha parado de tentar manter aquela cara fechada. Beijei sua boca devagar, sentindo a língua dela encontrar a minha lentamente, e foi ficando cada vez mais difícil lembrar por que estávamos discutindo. A boca dela foi amolecendo aos poucos, e eu sorri quando senti que ela finalmente tinha desistido de resistir. Passei as mãos pela cintura da minha gatinha e a puxei para mais perto, enquanto ela segurava meu rosto e me trazia de volta sempre que eu tentava dar espaço entre um beijo e outro. Em algum momento, simplesmente a peguei no colo e a coloquei sentada na penteadeira, só para ficarmos na mesma altura, Juh logo passou as pernas por trás da minha cintura e me puxou novamente pelo rosto, e eu pensei que, considerando o estado de irritação em que ela estava minutos antes, talvez eu tivesse escolhido uma estratégia bastante eficiente para começar a resolver aquela guerra.

Eu já estava com planos de começar a nos despir, porém em determinado momento, ela se afastou um pouquinho e olhou dentro dos meus olhos.

— Para quando você remarcou? — Júlia me perguntou.

Demorei horrores para assimilar a pergunta, eu já estava em outro planeta, feliz da vida. No primeiro instante me perguntei ao que minha mulher se referia, e quando compreendi, percebi que não existia uma resposta, afinal eu ainda não havia entrado em contato para uma nova data.

— Você não remarcou, não foi? — Ela questionou, chateada.

— Não... Mas, amor, eu... — Comecei a dizer.

— Não, não, não... — Júlia me interrompeu, erguendo o dedo até que eu me silenciasse completamente.

Rapidamente conseguiu se desvencilhar de mim e saiu do quarto, talvez mais revoltada do que quando eu cheguei.

Não tinha muito o que fazer além de resolver aquilo naquele mesmo instante. Peguei o celular, entrei em contato com o secretário do meu terapeuta e consegui remarcar a sessão para três dias depois. Só então bloqueei a tela e me joguei na cama, ainda tentando organizar os pensamentos. O problema era que eu tinha ficado com todo aquele fogo aceso e, depois de tudo o que tinha acabado de acontecer, não fazia a menor ideia de como apagá-lo. Fiquei alguns minutos encarando o teto, tentando me convencer de que aquilo passaria, até concluir que um banho gelado talvez fosse a melhor maneira de esfriar a cabeça e todo o resto.

Colei um post it com dia e horário da minha sessão bem no meio do espelho, para eu não esquecer, e claro, para que ficasse bem visível para a minha gatinha.

Em algum momento, ela viu e isso ficou claro através da nossa comunicação durante o restante da noite, não estava cem porcento, porém estava bem melhor. Acreditei que faltava apenas ela me dizendo que só estava tentando fazer com que eu me cuidasse enquanto eu roubava milhões de beijos daquela boquinha gostosa.

Juh é uma pessoa muito reservada no que se refere a nossas vulnerabilidades. Então se a gente discorda ou discute, ela não é o tipo de pessoa que vai querer desabafar com terceiros um problem nosso. Mas por ela ser uma pessoa transparente, se eu irritar essa muié de alguma forma, todos percebem porque fica explícito na face dela.

Estávamos no nosso tradicional círculo de fofoca familiar, com Juh sentada ao meu lado e Ninho mamando, já quase mimindo. Kaká estava deitado com a cabeça apoiada no meu peito, enquanto Mih fazia o mesmo no colo de Júlia. As duas conversavam baixinho, porque Milena ainda lutava contra o sono e se divertia com o cafuné que Juh fazia, numa tentativa de convencê-la a dormir de uma vez. A naninha de Ninho estava apoiada no meu ombro quando ele esticou a mãozinha para alcançá-la. Chamei-o, ele veio imediatamente, puxando o paninho para cobrir o rosto. Coloquei a chupeta e, em questão de segundos, meu neném já estava completamente apagado.

— Se sua mamãe te levar você vai? — Ouvi Júlia perguntar.

— Vou — Milena confirmou.

— Bora também, filho? — Questionei Kaká e ele quase não me respondeu.

— Hum rum — Foi o que eu ouvi dele, sem nem abrir os olhos.

Eu já me preparava para levantar quando minha mãe pediu para que Dom dormisse com ela.

— Use a noite para conversar com sua esposa — Ela disse.

— Está tudo bem já... Eu acho... — Comentei, olhando os três caminhado em direção para casa.

— Melhor você se certificar — Minha mãe falou e pegou meu bebezinho.

— Se ele acordar de madrugada, me liga — Pedi.

— Ele não vai fazer isso com a vovó dele, vai mimir a noite toda, não é, príncipe? — Ela brincou com o netinho.

— Mãe... Obrigada! — Agradeci e dei um beijo nela.

Enquanto tentava os alcançar, fui pensando: "Essa mulher vai me comer no argumento, e com toda razão" e dito e certo, assim que ficamos a sós o sermão começou. Eu não queria mais prolongar aqui, nem conversar naquele momento, então mesmo com ela toda marrentinha e cheia de si, eu fui para cima da fera.

Assim que ficamos a sós, o sermão começou exatamente como eu tinha previsto.

Júlia falava com toda aquela segurança de quem sabia que estava coberta de razão. Eu tentei interrompê-la duas vezes, porém ela ergueu a mão e continuou, deixando muito claro que remarcar a sessão não apagava o fato de que eu só tinha feito aquilo depois de ser pressionada.

Eu sabia que ela estava certa. Só não queria admitir enquanto ela usava aquele tom marrento que me desarmava e me provocava na mesma medida.

Por isso, quando Juh se aproximou para reforçar mais um argumento, segurei sua cintura e colei nossos corpos.

— Lore, eu ainda estou falando — Ela me disse

— Eu sei... — Respondi e beijei sua boca antes que ela pudesse continuar.

No primeiro instante, Júlia tentou preservar a expressão séria, mantendo as mãos imóveis entre nós, mas bastou eu prosseguir o beijo para sentir sua resistência diminuir. Sua respiração mudou, os dedos agarraram minha roupa e, quando sua língua encontrou a minha, soube que tinha vencido ao menos aquela pequena batalha.

Eu me excitava com cada reação dela. Com o suspiro preso quando minhas mãos deslizavam por suas costas, com a maneira como seu corpo se aproximava e, principalmente, com os sons baixos que escapavam de sua boca sempre que eu encontrava um ponto mais sensível de seu pescoço.

Entre beijos apressados e risos abafados, fomos nos livrando das roupas naturalmente, peça por peça, sem jamais nos afastarmos por completo. Juh me puxou para a cama e, a partir daquele momento, deixamos que o desejo conduzisse nossos movimentos. Nós posicionamos para um 69 e rapidamente eu não sabia mais distinguir meus suspiros dos dela. Eu queria vê-la perder o controle e adorava perceber que cada toque meu provocava uma nova reação, um arrepio, uma contração involuntária, meu nome dito com a voz entrecortada. Quando ela chegou ao orgasmo pela primeira vez, permaneceu alguns segundos de olhos fechados, respirando com dificuldade. Eu mal tive tempo de admirar a cena antes que ela me puxasse para perto novamente, determinada a retribuir tudo, me fazendo gozar com sua língua dentro de mim.

Depois, voltei a me dedicar inteiramente a ela, chupando sua pepeca e a penetrando com dois dos meus dedos. Interpretar cada movimento, observando cada nova expressão. Juh segurou meus cabelos, arqueou-se contra mim e tentou sufocar os sons mordendo os próprios lábios, mas não conseguiu por muito tempo. Ouvir seus gemidos é uma provocação poderosa demais; quanto mais ela reagia, mais eu me divertia, mais eu me excitava, mais eu desejava provocar.

— Vem, amor... Vem... — Júlia pediu, sussurrando.

Eu intensifiquei o ritmo e o corpo dela finalmente relaxou outra vez, deixando seu melzinho em mim. Subi devagar para beijá-la e minha gatinha me recebeu com os braços ao redor do meu pescoço, ainda trêmula e com um sorriso satisfeito nos lábios.

Eu queria mais.

Fui pegar o strap, vesti e recomeçamos o beijo. Me recostei na cabeceira da cama e Juh sentou no meu colo. A gente se movimentava lentamente, provocando a nós duas enquanto prendia minha boca entre os dentes. Segurei sua cintura e passei a pontinha na entrada de sua pepeca e ela sentou deliciosamente, rebolando com vigor e em determinado momento, me agarrou permitindo-se perder o controle. Juh escondeu o rosto em meu pescoço e gemeu junto ao meu ouvido, fazendo meu corpo inteiro estremecer. Seus movimentos perderam o ritmo, tornaram-se mais urgentes, e eu a abracei com força, ajudando-a a continuar enquanto também me aproximava de um novo ápice.

Gozamos intensamente, o bastante para nos deixar sem voz, sem forças e sem rumo. Permanecemos abraçadas, tentando recuperar o fôlego, com Júlia ainda no meu colo, a testa apoiada na minha e felizes da vida.

Demoramos bastante ali, apenas existindo. Era o que dava para fazer no momento, aos poucos, bem aos poucos mesmo alguns carinhos foram surgindo.

— Isso não encerra a nossa conversa - Ela murmurou.

Soltei uma risada do fundo da alma e beijei sua testa.

— Eu sabia que você diria isso em algum momento... — Falei.

— Vai à terapia daqui a três dias — Juh disse, firme

— Vou — Confirmei.

— Sem remarcar pela milésima vez — Ela insistiu.

— Sem remarcar — Prometi.

Júlia ergueu o rosto, procurando qualquer sinal de brincadeira no meu. Dessa vez, não encontrou. Eu sabia que ela não tinha feito aquilo para me controlar... Estava preocupada comigo porque percebia, até antes de mim, quando eu começava a me abandonar em nome de todas as pessoas e projetos que julgava precisar sustentar.

— Eu só quero que você cuide de você também — Minha gatinha disse baixinho.

— Eu sei, meu amô — Afirmei, acariciando seu rosto com o polegar.

— Me dá um beijinho para eu te perdoar — Ela falou, rindo.

— Ainda não estou perdoada? — Perguntei, surpresa.

— Não, me irritou muito hoje — Juh disse, segurando meu queixo.

Então a beijei novamente para selar a nossa reconciliação.

Passamos o último dia daquele ano de amorzinho, sem desgrudar uma da outra para nada, decidimos tentar compensar as horas em que ficamos afastadas. Fizemos tudo juntas, trocando bastante carinho e beijinhos. Era aquele tipo de dia simples que não precisava de absolutamente nada extraordinário para ser bom. Bastava estar em casa, cercada pelas pessoas que amávamos e, principalmente, ter minha gatinha novamente nos meus braços.

A virada foi muito divertida. A única parte que Dom definitivamente não aprovou foram os fogos. Ele amou as cores no céu, ficava apontando encantado cada vez que uma nova explosão iluminava tudo, mas a quantidade e o barulho fizeram o bichinho chorar bastante após algum tempo. Também já estava morto de sono, então não havia combinação possível que fosse capaz de deixá-lo feliz naquela hora. Ficou no meu colo, agarradinho, enquanto eu tentava protegê-lo do barulho.

Acredito que foi naquela virada que Milena e Kaique mais aproveitaram. Os dois ficaram acordados praticamente a madrugada inteira, contudo, para isso, precisaram passar a tarde inteira fazendo uma verdadeira preparação para a missão. Dormiram tudo o que conseguiram e ainda tomaram alguns goles de energético a noite. Não vou dizer que foi uma decisão exemplar, mas o que importa é o resultado da equação: Os dois conseguiram aproveitar até o último minuto, felizes da vida.

Não tínhamos programado absolutamente nada para as férias. A ideia inicial era simplesmente descansar e decidir as coisas conforme fossem acontecendo, sem roteiro, horário ou obrigação. Só que Loren começou a falar em como queria Alice e Tiago conhecessem um pouco da ilha que crescemos, enquanto ainda estavam naquela idade. A sugestão acabou ganhando força e, quando percebemos, estávamos organizando a ida para lá.

E fomos! Lá é um daqueles lugares gostosos de estar com criança. Tem um ambiente familiar incrível, águas quentinhas para a gente simplesmente relaxar, e um pôr do sol que, na minha humilde opinião, é o mais bonito do universo. Não precisávamos de grandes planos, bastava os "de sempre para sempre" estarem juntos e deixarem os dias acontecerem no próprio ritmo, aproveitando aquele pedaço de tempo em que, finalmente, ninguém precisava correr para lugar nenhum.

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Foto de perfil de Lore Lore Contos: 196Seguidores: 53Seguindo: 5Mensagem Bem-vindos(as) ao meu cantinho especial, onde compartilho minha história de amor real e intensa! ❤️‍🔥

Comentários

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Eu também estou totalmente do lado da Juh, você é muito relaxada com sua saúde 🤨

😂😂😂😂😂😂😂😂😂

Mas falando sério, eu sei que assim como você, eu já vacilei muito se tratando da minha saúde e sobre trabalhar muito como a minha digníssima disse, mas eu melhorei muito e pelo que tenho visto de comentários e textos seus, você também 🤜🏻🤛🏻

Acho que por eu nunca ter tido um problema de saúde grave, as vezes eu achava que eu era indestrutível, mas já parei de pensar assim 😂😂

Essas reuniões de família é sempre muito boas, eu tenho boas lembranças dessas momentos, principalmente quando eu era criança na casa do meus avós paternos. A família era e ainda é grande. Era muito primo e primas juntos fazendo bagunça. Hoje cada um foi para seu lado e raramente nos encontramos, mesma em uma cidade do tamanho de um ovo 🤭

Eu acho muito legal esses encontros de vocês, principalmente quando seus irmãos estão, mesmo quando tem algo tenso acontecendo, ainda sai uma boas risadas 🤣

Acho bem justa a preocupação e a insatisfação da Juh. Mas que bom que no fim deu tudo certo e você conseguiu amansar a fera 🤭

Ótimo capítulo Lore 🤩

Parabéns 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

Ps: Desculpe a demora, eu também estivesse meio ocupado amansando uma ferra 😂😂😂

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🤡Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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🙌🏽🙌🏽🙌🏽🙌🏽🙌🏽🙌🏽🙌🏽🙌🏽🙌🏽🙌🏽🙌🏽

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Ainda bem que você nunca agiu assim, Beto 🙌🏽😂😂😂😂

Melhorei muito, e pior: Agora eu sou obrigada a me cuidar de maneira bem mais regular para não me deparar com outra surpresa desagradável.

Nossa família é bem grande e fazemos questão de manter regularidade nesses encontros porque nos rende as melhores lembranças, resenhas e risadas.

O mundo é muito corrido, se a gente não se proporcionar uns dias de refrescos, enlouquecemos! 😵‍💫 😂😂😂😂😂

Meus irmãos são umas pestes, infelizmente eu os amo 🙄 🗣️Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Temos o mesmo senso de humor quebrado e isso nos ajuda a quebrar o clima, por mais tenso que ele seja.

A muié é uma felina. Eu sei quando a onça precisa virar gatinha! ❤️🐱

Obrigada por acompanhar, Beto!!! 😍😘🥰

PS: Oxe, nem precisa se desculpar, meu amigo. Eu te dou todos os vales possíveis para você deixar sua fera mansinha, mansinha 🤭 😂😂😂😂😂😂

Tive um final de semana maravilhoso também 😝

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Nunquinha 🤥

😂😂😂😂😂😂

Eu também me cuido muito mais, Juh puxou muito minha orelha e depois que perdi minha irmã, eu comecei a tomar alguns cuidados que antes eu ignorava 🤷🏻‍♂️

Minha família meio que se afastou de mim (não os de casa,os primos e tios), culpa minha no caso, mesmo passando muito tempo disso, eu meio que achei melhor deixar eles no canto deles, sem mágoa nem nada, só não é mais a mesma coisa 🤷🏻‍♂️

Ter pessoas divertidas por perto e sempre bom, por mais que a vida não esteja boa em certos momentos, é bom ter pessoas que nos fazem rir. Principalmente nessas momentos ruins 🤩

Por nada Lore 🤗😘

Ps: Ainda bem que posso contar com seu apoio e compressa nesses momentos difíceis que eu me meto 🤜🏻🤛🏻

🤣🤣🤣🤣🤣

Que bom Lore, é muito bom quando todo mundo está bem e feliz 🥰🥰🥰

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Entendo!

Olha, tem uns que não falam comigo, mas eu não sinto falta; e outros que eu trato no mesmo nível que me tratam para não ser mal educada... Só que eles são minoria. A maior parte é unida e sou muito grata por isso, prefiro focar nessa parte, vale a pena 🥰

A gente ri da nossa própria graça e desgraça 🤷🏽‍♀️😂😂😂😂

PS: Nunca duvide disso, você sempre pode contar comigo! 😌🤝🏽

É maravilhooooso 😝❤️😍

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Eu também não sinto falta não, e os trato da mesma forma que você disse 🤷🏻‍♂️😅

No meu caso foi a maioria, porém os que importava de verdade, nunca saíram do meu lado, e é isso que importa 🤩

Acho que eu ia me dar bem com vocês 🤣

Ps: Digo o mesmo 🤜🏻🤛🏻

🤗😘

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Eu tenho certeza disso. De alguma forma, você é um de nós! 😂😂😂😂😂😂

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Linda... Mas dá um trabalho! 😂

Ficou tudo bem, sempre fica ❤️

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🤷🏽‍♀️😂😂😂😂😂😂

Sempre, gatinha 😘❤️

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Acho que já mencionei isso antes, mas quero reforçar, estou totalmente do lado da Juh!

Aqui em casa, passo por algo semelhante ao que ela passa com você quando o assunto é cuidar da saúde e trabalhar demais. O Beto é parecido com você nesse aspecto, ele é até mais negligente com a saúde que você, mas, em compensação, trabalha bem menos, "no momento". Ele também é do tipo que cuida de todo mundo, mas não se preocupa o suficiente consigo mesmo.

Lendo esse conto, bateu uma saudade de passar o final de ano com a família reunida. Faz um tempo que não conseguimos fazer isso, sempre falta alguém, normalmente meu sogro, que perdeu um pouco da vontade de sair para esses momentos desde que minha cunhada faleceu. Porém, este ano, vou tentar levá-lo e reunir todo mundo em um só lugar, é um dos melhores momentos para criar boas memórias.

Assim que li que a Juh se chateou com você, já imaginei que haveria partes hots no texto. Sei muito bem como você a acalma. Kkkkk

Muito bom, como sempre, Lore!

Parabéns, minha amiga querida! 🤗❤️😘

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Estou melhorando 🤭

Te amo 💓💓💓

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Eu sei amor, e também amo muito você! ♥️

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Eu também estou! 🤪

Aiai... Tem gente que tem esse péssimo hábito de tentar cuidar de todos como se fossem indestrutíveis 🙄😡😒🤬🙄🙄🙄

😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂

Juh percebe antes de mim quando eu começo a ultrapassar meus próprios limites e não faz cerimônia para me lembrar disso.

Acontece que na teoria eu conseguiria explicar direitinho o quanto aquilo era perigoso, quais eram as consequências de negligenciar a própria saúde e até identificar os mecanismos que estavam me levando a fazer isso. Sobrecarga, frustração, tentativa de compensar no trabalho, adiamento do autocuidado e, depois, uma exaustão ainda maior.

O problema é que eu não conseguia aplicar em mim. Estava frustrada com o trabalho, mesmo sem ter um motivo realmente proporcional para isso, e também frustrada porque o tratamento não estava surtindo o efeito que eu esperava. Então ficava fácil fugir de uma coisa para tentar recuperar a sensação de controle na outra. Se eu não conseguia resolver aquilo dentro de mim, pelo menos podia trabalhar, produzir, resolver problemas, ajudar alguém, sentir que estava sendo útil. Era uma compensação meio torta, porém naquele momento fazia sentido.

Não foi correto. Eu deveria ter ido a fundo logo no início, entendido o que estava acontecendo e tratado aquilo com a mesma seriedade que trataria em qualquer paciente. Só que fui deixando passar, empurrando um pouco mais para frente, encontrando justificativas que pareciam razoáveis isoladamente... Até que tudo virou uma bola de neve e ficou muito mais difícil de resolver.

Vale muito a pena, Jú. Nós somos muito próximos e adoramos inventar motivo para nos reunir. Com todo mundo presente, conseguimos fazer isso mais no fim do ano mesmo, a resenha rola solta e também acaba sendo uma maneira de preservar e cultivar os vínculos, apresentar nosso amor aos novos membros da família e manter viva aquela sensação de pertencimento que só uma família reunida consegue proporcionar.

Incentivo muito sua tentativa com seu sogro e acho uma atitude muito bonita da sua parte. Determinados encontros devem lembrá-lo da filha, mas também podem oferecer a possibilidade de viver novas experiências afetivas sem que isso signifique esquecer ou substituir quem partiu. Ninguém precisa apagar os momentos bons que continuam sendo possíveis, as vezes, estar novamente entre pessoas queridas, no próprio tempo e sem pressão, ajuda a pessoa a perceber que ainda existe espaço para afeto, convivência e novas memórias, mesmo carregando sempre consigo a saudade, que é o amor que fica quando alguém muito querido se vai.

É a única maneira de amansar a fera que existe dentro dela... Eu é que não vou enfrentar no argumento essa muié braba, ainda mais quando ela está certa! 🤷🏽‍♀️🔥😂😂😂😂😂😂

Muito obrigada por acompanhar, meu amô! Espero que você consiga reunir todo mundo!!! 😘😘😘😘😘

PS: Desculpa o textão 🤦🏽‍♀️🤍

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A gente sempre tenta tirar meu sogro de casa, eu, Beto, Tutu (sobrinha do Beto) ele as vezes acaba sendo vencido pelo cansaço e sai com a gente, mas para festas, principalmente familiares, ele ainda é bem relutante, mas esse ano vou tentar com mais vontade e vou pedir ajuda aos meus aliados. Vai dar certo se Deus quiser. 🙏🏻

Não se desculpe, você só falou verdades e claro, me fez rir com suas brincadeiras, amo isso. rsrs

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Faça isso, vai valer a pena para todos! 🥰❤️

Adoro brincar assim e fico genuinamente feliz por encontrar pessoas como vocês que entendem e eu não preciso ficar me policiando com uma piadinha besta na ponta da língua 😁 ❤️😂😂😂😂😂

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Vou fazer sim!

Eu já te disse, eu amo quem me faz sorrir. ❤️

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😘😘😘😘😘😘😘😘❤️

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