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O Deus Grego do Ibirapuera

Da série Encontros Gays
Um conto erótico de Mike Jordano
Categoria: Gay
Contém 1137 palavras
Data: 22/08/2026 11:42:27
Última revisão: 30/08/2026 10:45:55

O Deus Grego do Ibirapuera

Mike Jordan

(Este é um primeiro conto meu, escrito em 2001. Ocorreu comigo!)

Adoro cuidar do corpo. Corro para queimar o excesso de calorias que o dia insiste em me empurrar goela abaixo. Principalmente quando estou puto. Corrida é a única coisa que consegue me tirar daquele estado de ódio quieto, daquele fogo baixo que vai queimando por dentro até sobrar só cinza e cansaço.

Aquele dia eu saí do trabalho com o peito apertado e a boca amarga. Trabalhei o fim de semana inteiro. Sábado e domingo trancado no escritório enquanto o sol de outono brilhava lá fora, quente na medida certa, daqueles dias em que São Paulo quase pede desculpa por existir. E na reunião do conselho? Nada. Zero. Meu trabalho nem foi citado. Como se eu não tivesse existido. Como se aquelas horas fossem lixo.

Pior: tinha marcado com um cara da internet. Ele mandou uma foto. Que corpo. Que peito. Que bunda redonda e pesada. O tipo de homem que a gente olha e já sente a boca encher d’água. Eu fiquei em casa sozinho, com a porra da expectativa e o silêncio. Já fazia quase uma semana que eu não tocava uma punheta decente, que não sentia mão quente de verdade na pele. O pau já acordava sozinho de manhã só de lembrar da foto, e eu acabava gozando rápido, sem graça, com gosto de solidão.

Cheguei em casa e não deu outra. Short curto, tênis e regata. Fui direto para o Parque Ibirapuera. Sete da noite. O céu já estava tingido de roxo e a temperatura começava a cair, típico de outono paulistano. Eu sabia que logo ia suar. Melhor assim. Suor lava a raiva.

Comecei a alongar perto da pista. Meus músculos estavam duros, contraídos de tanta musculação e de tanto nervoso. Resolvi alongar direito pela primeira vez em semanas. Não tinha pressa. Não tinha ninguém esperando. Só eu e a vontade de esquecer aquele dia de merda.

Comecei pelas pernas. Sempre fui de engordar aí e na bunda. O excesso de peso se acomodava todo naquelas curvas. Quando levantei a perna e contraí os glúteos, senti a bunda ficar ainda maior, mais pesada, mais evidente. O short subiu um pouco e eu quase conseguia imaginar o formato dela de trás. Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo o ar frio entrar no peito.

Foi aí que escutei.

Passadas distantes. Respiração ofegante. Olhei por cima do ombro quase sem querer. E ele estava ali, uns dez metros atrás.

Alto. Loiro. Sem camisa. A barriga era inexistente — só abdômen marcado, cada linha desenhada como se alguém tivesse esculpido com dedo molhado. Poucos pelos. Um caminho da felicidade claro, dourado, que descia e sumia dentro do short de esportista. O short apoiava bem nos ossos da bacia, bela bacia estreita, e o tecido caía o suficiente para mostrar o começo do rego. O abdômen formava uma seta. Uma seta apontando direto pro que eu queria ver.

Ele passou por mim como se eu fosse poste. Aliança no dedo anelar. Uns trinta e poucos. Casado. E mesmo assim… Deus. Peito largo, braços fortes, ombros que pediam para serem mordidos. Eu fiquei de pau duro só de olhar. O sangue desceu rápido demais. Meu short, sem cueca por baixo, começou a apertar. Vinte e dois centímetros de carne quente se esticando, puxando a pele, doendo gostoso.

Continuei alongando, fingindo que nada tinha acontecido. Mas a curiosidade é filha da puta. Virei de novo. Queria ver a bunda. E vi. Redonda, firme, o short tão caído que o rego aparecia quase inteiro, uma linha escura e profunda entre duas metades perfeitas. Subi o olhar pelas costas largas e definidas… e ele estava me olhando.

Meu rosto queimou. O coração bateu na garganta. O pau, solto, cresceu de uma vez, arrancando os pentelhos, empurrando o short até a cabeça escapar pela beirada. Ficou tão duro que doía. Abaixei a perna na hora, tirei a regata e joguei na frente da virilha como se pudesse esconder o óbvio. Quando olhei de novo, ele tinha sumido.

Respirei fundo. O ar entrava quente e saía frio. Fiquei ali, ofegante, com o pau latejando contra a mão e a vergonha subindo pelo pescoço. “Que saco”, pensei. “Que falta de iniciativa. Perder um homem desses.”

Não vi mais sinal dele. Então comecei a correr. Já eram vinte horas. Já estava escuro de verdade. Só o barulho dos tênis na pista, respiração de outros corredores distantes e o ronco baixo dos carros lá fora. Corri concentrado, tentando matar o desejo a cada passada. Suor escorria pela coluna, escorria entre as nádegas, escorria pela frente do short molhado. O pau ainda estava semi-duro, balançando a cada passo, esfregando no tecido.

Mas ele não saía da cabeça.

Aquele caminho da felicidade. Aquele short caído. Aquele olhar. Eu corria e imaginava a mão dele na minha bunda, puxando o short pra baixo no meio da escuridão, me virando contra uma árvore, me chupando até eu gozar na boca dele com gosto de suor e raiva. Imaginava o anel brilhando enquanto ele me fodia, sem pressa, me fazendo esquecer o trabalho, o conselho, a solidão da semana. Imaginava o gosto da pele dele, o cheiro de homem limpo e quente, o gemido baixo que um casado solta quando sabe que está fazendo merda.

A pista estava quase vazia. As luzes do parque mal alcançavam algumas curvas. Eu diminuí o ritmo, o coração ainda disparado, o short colado na pele. Foi quando escutei de novo. Passadas. Mais próximas. A mesma respiração ofegante, agora mais pesada.

Ele estava correndo atrás de mim.

Não olhei. Continuei. O sangue latejou no pau de novo, mais forte. Cada passo meu era um convite. Cada passo dele, uma ameaça gostosa. Eu sentia o olhar nas minhas costas, na minha bunda que balançava, no short que já não escondia nada. A temperatura caía, mas eu estava queimando. Suor escorria pela nuca, pelo peito, pela barriga, e eu só pensava em parar, virar, e ver se ele ia ter coragem.

A curva seguinte era mais escura. As árvores fechavam. Eu diminui ainda mais. Quase andando. O som dos passos dele se aproximava. Eu conseguia sentir o calor do corpo dele antes mesmo de vê-lo. O cheiro de suor limpo. A respiração perto demais.

Será que ele vai parar?

Será que a aliança vai importar agora que está escuro e a gente está sozinho?

Eu continuei andando, o pau duro de novo, latejando, quase saindo do short. A regata ainda na mão. O coração batendo tão forte que eu sentia no pau.

E então a respiração dele ficou ao meu lado.

Eu não virei. Ainda.

Mas o ar entre a gente já estava carregado demais pra ser só coincidência.

Será que encontrarei o Deus Grego de verdade desta vez?

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Foto de perfil de Mike JordanoMike JordanoContos: 20Seguidores: 12Seguindo: 5Mensagem Escrevo como vivo: com intensidade. Cada cena, cada parceiro, eu me entrego como se estivesse ali. Sinto sempre a voracidade juvenil para o erotismo, descrevo sexo em todas as formas — hétero, gay, bissexual — com instinto, suspense e finais diferentes.

Comentários

Foto de perfil de Tito JC

Ao invés de responder a um questionamento o texto deixa no ar uma pergunta que deve incomodar o leitor e fazê-lo pensar... Texto Inquietante. Eu também gosto de provocar meus leitores, de vez em quando. Deixando alguns questionamentos para serem pensados... Muito bom!!! Mas deve ter muita gente querendo uma parte dois...rsrsrs...⭐⭐⭐

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Foto de perfil de Haedrig

Mike, fiquei curioso, se o conto foi escrito em 2001, ele passou por alguma revisão antes de ser publicado ou você o postou praticamente da mesma forma que escreveu na época?

Pergunto porque, das primeiras vezes que tentei escrever alguma coisa, o resultado foi tão tenebroso que tranquei minhas histórias a sete chaves nos quintos dos infernos, para nunca ninguém ter acesso e não correr o risco de sangrarem os olhos.

Dito isso, ótimo texto, Mike!

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Foto de perfil de Mike Jordano

Meu caro, eu o revisei modernamente, havia muitos erros. Reli, meditei na sequência e escrevi. Como eu vivi o cenário, foi fácil revisá-lo. Eu ainda tenho uma infinidade de textos escritos no inicio dos anos 2000. Preciso revê-los com cuidado para não expor conhecidos e pessoas. Mas vão entrar na minha produção atual.

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