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Psicologia do corno: transformando o inevitável em prazer - Parte 1

Da série Contos Avulsos
Um conto erótico de Theodor e Aline
Categoria: Heterossexual
Contém 2498 palavras
Data: 22/08/2026 10:13:32
Última revisão: 22/08/2026 13:47:55

Desde pequeno, fui criado em ambientes onde “corno” era insulto dos piores e podia até terminar em morte. Naquele tempo, ainda tinha aquela pseudo figura jurídica da legítima defesa da honra. A mulher que traísse o marido podia terminar condenada a fixar residência em uma cova rasa, cabendo ao corno decidir se lhe concederia o benefício de reparar sua grave falta para com Deus, a sociedade e a família.

Como a voz do povo ainda era a voz de Deus, ou vice-versa, muitos acusados de matar a esposa adúltera eram absolvidos, mesmo não havendo uma lei que amparasse tal decisão, com base na figura da legítima defesa da honra. Naquela época, não era comum chamar tal crime de feminicídio, que é um termo mais atual.

A Aline foi minha primeira namorada, a menina mais bonita da rua. Eu não era um sortudo, era o líder, o macho alfa (putz, que babaquice sem tamanho!) da rua. Não fosse ela, seriam outras. Aliás, teve a Mônica. Eu havia brigado com a Aline e terminado o namoro. Na verdade, eu queria mesmo era um pretexto para circular mais livremente. E a Mônica foi a escolhida. Só que a safada tinha uma língua que não cabia na boca e contou para todo mundo. Até meus familiares nos Estados Unidos souberam das minhas interações afetivas fortuitas com a Mônica.

Claro que a Aline ficou sabendo e, convenhamos, eu fui um babaca, mas daquela vez a babaquice custou caro. Aline não foi discreta, não se escondeu. Ela se atracava com o Virgílio, que era meu amigo, sob a luz do sol ou dos postes de iluminação, na frente de todo mundo.

Só a Sandra, uma amiga mais velha, talvez três anos mais do que eu, tomou minhas dores. Na verdade, ela, percebendo o que ninguém percebia, porque eu era e tinha que parecer o fodão da turma, resmungou baixinho, olhando a cena e sentindo a minha dor.

“Que coisa ridícula”, ela falou, não para mim, mas para que eu ouvisse, talvez tentando mostrar que havia alguém solidário. Alguém que enxergasse a verdade do que se passava dentro de mim. E tome boca de Virgílio na boca de Aline e eu sendo obrigado a ver aquilo tudo. Só que o Virgílio, além de não morar na cidade, ainda se engraçou com uma tal de Kátia, que morava na rua de baixo.

Foi um escândalo e Aline virou motivo de piadas cruéis. Pura inveja, eu imagino, mas o fato é que depois de namorar dois babacas e ainda se tornar tão babaca quanto eles, experimentar duas decepções e ainda sair como a errada da história, adivinha nos braços de quem ela veio parar.

Foram meses (ou teriam sido só semanas?) de momentos incríveis com meu primeiro grande amor, mas durou só até o carnaval. Verdade seja dita, nós não havíamos reatado o namoro. A gente só “ficava”.

Ficava um atracado no outro cerca de três horas por dia, mas dizíamos que não namorávamos. Então, tecnicamente falando, ela não me colocou chifres quando a surpreendi com outro num baile de carnaval. Foi só uma coincidência termos nos encontrado justo no baile (matinê) ao qual íamos todos os anos.

O mais engraçado nessa história é que o causo não terminou em briga. O que terminou foi a “ficação”, que eu é que não ia me sujeitar a ser o corno da rua. Afinal, a Alexandre não basta não ser corno, tem que parecer não ser. Agora, que doeu, doeu. Não foi fácil superar, não a humilhação de ser trocado, porque eu não via, ou tentava não ver, dessa forma, mas a saudade daqueles amassos deliciosos.

Aliás, um tempo depois, ao vê-la de biquini na praia, me lamentei por não ter avançado o sinal com aquela potranca linda de morrer e gostosa de revirar o estômago. Em compensação, foi ela quem me apresentou à Vânia, uma morena magrinha, mas com um rosto de princesa capaz de embalar os mais ingênuos devaneios românticos.

Aliás, acho que eu tinha alguma coisa que fazia o trabalho dos hormônios femininos acelerar de um jeito que nem a ciência explicaria. E olha que eu era virgem e, na medida do possível, respeitador.

Será que era o beijo?

Só sei que, com três meses de namoro, o corpo da Vânia parecia as ações de um determinado banco digital quando foi lançado na Bolsa de Valores. Foi valorização de 100%. E ela me trocou por um surfista. E o idiota aqui tinha morado de frente para a praia até os seis anos de idade e não teve a presença de espírito de pedir uma prancha de presente de Natal para Papai Noel.

Verdade seja dita, eu não sei exatamente o que acontecia comigo, mas a minha vida de “macho alfa” (quanta babaquice!) às vezes ficava meio embaçada. Só que não parava de chover na minha horta, então as decepções nem tinham tempo de virar trauma, porque lá vinha outra flor de formosura se instalar no meu peito e se apossar do meu coração. O que não impedia que coisas malucas continuassem acontecendo.

Jurei amor eterno à Verônica, que morava em outra cidade, a 400 km, onde também moravam minha tia Filomena, seu marido, o tio João, e meus primos Felipe, Juciara, Marcela e Monique.

Com a Monique, que era da minha idade, andaram acontecendo algumas interações um tanto quanto incestuosas, mas aquilo ficou no passado depois que conheci Verônica, meu terceiro grande amor, a única para quem tinha olhos. Foi um romance tórrido, mas, na segunda temporada de férias que passei com ela, teve que viajar para o casamento de uma prima, que a chamou para ser madrinha, alguns dias antes da minha partida.

Tivemos uma despedida emocionada e um mês depois ela me telefonou no dia do meu aniversário. Naquela época, um telefonema interurbano não era algo que as pessoas fizessem com muita frequência.

Pois não é que Verônica gastou o dinheiro da mãe para me ligar no dia do meu aniversário para terminar comigo, dizendo que arrumou outro namorado lá onde o Judas perdeu as botas? E o pior de tudo é que dessa vez nem dava para dizer que não fui feito de corno. Então, podemos dizer que foi meu primeiro chifre tecnicamente comprovado.

Eu não quis nem conversar. Era muita falta de sensibilidade a garota que eu amava me ligar no dia do meu aniversário para me dizer que tinha me chifrado e estava me abandonando. Mandei-a para aquele lugar e desliguei o telefone. Cinco minutos depois, estava atracado com a Maristela. Essa nunca me decepcionou, certamente porque nunca namoramos e nunca lhe entreguei meu coração.

Acabei descobrindo, tardiamente, porque já estava envolvido com a Duda, que aquela palhaçada da Verônica foi causada por boatos de que, depois que ela viajou para o casamento da prima, eu tive um envolvimento com a tia de uma amiga dela, que tinha quase quarenta anos. Sendo que a suposta tia pedófila – já que eu era menor de idade -, que eu sequer tive o (des)prazer de conhecer, estava na Argentina na ocasião.

Resultado: eu tomei chifre por causa da fofoca mais sem pé nem cabeça que já inventaram, e o pior é que a desmiolada acreditou, mas as coisas funcionam como uma espécie de círculo vicioso. Não é que a Marcela, a minha prima, me convidou para ser seu padrinho de casamento?

E o idiota aqui tinha falado com a Duda sobre a Verônica. Pronto! Duda, que era apaixonada por mim e começava a conquistar meu coração, ficou enciumada e insegura pelo fato de eu ir para a mesma cidade da minha ex chifradeira. Nada que eu lhe dissesse, pelo visto, teria evitado mais um desastre. Como vingança por eu ter sido convidado para ser padrinho da minha querida prima, ela não só resolveu ter um momento de revival com o ex-namorado, como o fez publicamente e na frente dos meus amigos.

O pior de tudo foi que ela achou injusto eu ter terminado o namoro com ela. Na verdade, eu não terminei, porque não havia nem começado. Tecnicamente, nós éramos só ficantes. Psicologicamente, eu já estava ficando de saco cheio das mulheres.

Até que veio a minha primeira esposa, a Rosa, que foi, também, minha primeira trepada. Foram meses de trabalho de convencimento. Eu já estava convencido a tentar uma casa de libertinagem, porque essas coisas subiam para a cabeça mesmo naquela época. A mulher era jogo duro, mas um dia ela cedeu. Consegui levá-la para um motel. Naquela época, eu já trabalhava e tinha carro, mesmo tendo só 18 anos.

Quer dizer: tinha o carro do meu pai. Mas o trabalho era meu mesmo. O dinheiro e os anos de espera também. Foi uma noite libertadora para o meu ego masculino. Ela disse que me amava e que tinha saído sangue. Eu nunca parei para pensar em qual era a relação entre uma coisaa e outra, até porque eu não estava nem preocupado com aquele detalhe, mas a verdade é que tempos depois eu me peguei pensando naquele episódio e não me recordo de ter visto sangue algum no lençol.

Essa era a parte menos relevante. A consequência maior foi a Paulinha, minha princesa, que nasceria nove meses depois da minha primeira foda. Só depois que Paulinha nasceu, marcamos o casamento e, como ambos trabalhávamos, fomos morar de aluguel em um apartamento de dois quartos. Um ano e pouco depois, veio o Luquinha, nosso segundo filho, que, ao contrário da Paulinha, é a minha cara. E o mais curioso é que nós já conhecíamos, naquela época, coisas como camisinha, pílula, DIU, tabelinha e coito interrompido.

Tem uma parte boa nisso tudo. É que eu e a Rosa fodíamos feito coelhos mesmo quando ela estava grávida. Aliás, eu achava muito sexy comer minha esposa barriguda. Verdade que ela ganhou uns quilinhos depois das duas gestações, mas, ainda assim, tinha atributos bem relevantes. Como seios fartos, bunda grande e empinada, coxas grossas, cabelo entre crespo e liso curto, olhos verdes e uma boquinha bem desenhada, com lábios sob medida.

Mesmo com os filhos, conseguimos nos formar, eu em Direito e ela em Enfermagem. Consegui, por indicação, uma ocupação em um escritório de advocacia empresarial de médio porte, enquanto Rosa trabalhava meio expediente como enfermeira em uma clínica particular. Nesse período, as crianças ficavam com a avó.

Quanto aos quilinhos a mais, Rosa solucionou o problema voltando para a natação. Meia hora por dia, todos os dias de manhã, antes do trabalho.

Chegamos aos 26 anos com dois filhos pequenos e uma vida razoavelmente estruturada. Paulinha e Luquinha já estavam na escola, que era responsável por tragar quase metade do nosso orçamento familiar, mas eram minha alegria, a realização da minha visão de família feliz.

Rosa era presente, companheira e tarada, além de gostosa. Dividíamos, na medida do possível, as tarefas da casa e éramos quase um típico casal de comercial de margarina, só que mais safadinho. O problema – sempre tem um problema nas minhas relações amorosas - é que a safadeza da Rosa transcendia o espaço entre as quatro paredes do nosso apartamento. Alguma vizinha ou parente mexeriqueira denunciou o caso da minha esposa em uma carta.

Sim, naquele tempo ainda não havia e-mail, muito menos WhatsApp. As pessoas mandavam cartas anônimas para avisar ao corno de que ele estava sendo chifrado. O felizardo a compartilhar aquela gostosura da minha esposa era um médico que atuava na mesma clínica da Rosa.

Tudo bem, vamos fazer uma confissão. Eu, que não sou bobo, depois de tantas decepções em minha vida, não ia dar uma de trouxa e ficar pousando de homem fiel. Eu era um bom marido, mas um bom marido do tipo que às vezes almoçava ou jantava fora para variar a receita e o tempero. E não aceito que me julguem por isso, pelo menos até saberem que a traição de Rosa só aconteceu – ela confessou – porque descobriu minhas escapadas.

Ou seja: se eu não fazia, me dava mal; se fazia, me dava mal do mesmo jeito. Eu ficava cada vez mais convicto de que a única coisa garantida no relacionamento sério com uma mulher, não importava o que o cara fizesse, ou não fizesse, era o chifre.

Eu, adepto da igualdade de gêneros, quase um feminista convicto, maldisse o feminismo aos quatro ventos. Teria me associado aos Red Pills caso aquele movimento já existisse na época, mas é evidente que, por ser um macho alfa (puta babaquice da porra!), não teria sido aceito.

Um macho alfa, diga-se de passagem, que foi feito de corno. Um verdadeiro corno alfa.

Ficamos um ano tentando endireitar o relacionamento, mas a situação já havia se deteriorado. A dor de corno é um sintoma para o qual ainda não inventaram a terapia, que contamina até o ar que respiramos. Ela destrói nossa confiança no ser humano, como se o ser humano alguma vez houvesse sido digno de confiança.

Era triste ter que me afastar dos meus tesouros, mas eu não consegui assimilar bem, de cara limpa, esse negócio de ostentar chifres orgulhosamente. Acabamos nos divorciando e eu fui morar com meu amigo Jonny, mas essa solução não durou muito. Ele brigou comigo porque a namorada dele só faltava esfregar a perereca na minha cara e eu, querendo ser amigo, dedurei a vadia.

Foi o primeiro caso explícito de corno negacionista com o qual me deparei nessa vida amorosa louca que Deus me deu.

Terminei alugando um quarto e sala, onde vivi o período mais feliz da minha vida, sem relacionamentos e, consequentemente, sem chifres. Era a época das amizades coloridas, que eram primas não comprometidas dos relacionamentos abertos. Agora é relacionamento liberal, trisal, poliamor e o escambau a quatro, mas eu já estou naquela fase de privilegiar viagens turísticas, museus, teatro, exposições e os seriados da internet.

É claro que depois que inventaram Viagra e Tadalafila, qualquer boi cansado vira touro reprodutor, mas eu acredito que a vida tem o tempo certo para tudo. Estou com 60 anos e a patroa com cinquenta, mas é melhor começar pelo começo a minha saga com Morgana, assim como a fase mais aguda da história da minha metamorfose, que já havia se iniciado, mesmo que eu ainda não houvesse percebido.

Continua...

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Acompanhe aqui ( https://www.casadoscontos.com.br/serie/3511 ) a série "O Demônio e a Megera", a história de um jovem casal que vive o amor sem limites e o sexo sem tabus ou preconceitos, com personagens pelos quais é praticamente impossível não se apaixonar.

Adoramos comentários e tentamos, na medida do possível, responder a todos. Ficamos felizes se você nos seguir. A série "Contos Avulsos" é publicada sempre aos sábados. "O Demônio e a Megera", sempre nas segundas e quintas.

Um beijo no coração e obrigado por nos conceder sua atenção e compartilhar as sensações das nossas histórias!

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Foto de perfil genéricaTheodor e AlineContos: 52Seguidores: 44Seguindo: 39Mensagem Esse conto é 100% autoral e exclusivo para a Casa dos Contos. Para comprar nosso livro, 570 páginas de contos inéditos, ou ler gratuitamente pelo Kindle, acesse: https://shre.ink/ContosEroticosdeTheodoreAlineVl01 Agradecemos pela companhia e pelos comentários. Saber o que pensam nossos leitores é tão importante quanto escrever.

Comentários

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Que escrita cativante, me prendeu a atenção terrivelmente. Parabéns

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Obrigado, Libertino!

Já estamos no capítulo 5. Esperamos que continue se divertindo.

Abç!

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Muito bom

Uma escrita frenética que te envolve

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Que bom que você gostou, Zanon.

É bom variar a pegada de vez em quando.

Esse conto é quase 100% com a assinatura de Theodor. Eu já li umas cinco vezes dando risadas e não canso. rs

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Essa criatividade de vocês assusta!

Muito bom!

Aguardando a continuação!

P.S.: Impressão minha ou a filha não é dele? Rs

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Ficou uma suspeita, né? rsrs

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Foi leve, mas ficou a suspeita. Como a história avançou no tempo, acho que isso não será explorado.

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Sabe pq eu acho vcs os Picas da Galáxia aqui do CDC???

Simplemente pq vcs são!!

Vcs são tão bacanas que vcs homenagearam nosso amigo Bayoux!!

Amei de coração!!!

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Bayoux é um gênio. Merece todas as reverências. É o humor erótico, mas tem um conto dele que não é de humor, que estamos querendo ler, mas está diffícil arranjar tempo para o lazer. rs

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Eu li anteontem o primeiro dele, da Katy! Morri!!!

Eu falei da homenagem a ele pois a velocidade desse capitulo me lembrou o dele! Bárbaro!!

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A Katy é o da modelo russa, né? Ri de chorar lendo aquele conto.

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Sim!! Que demorei dois minutos para conseguir ler o nome dela!!!

Amiga da Gi e da Alê!!

O conto mais doido que ja li aqui!!! hahahaha

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